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SAÚDE

A vida (tão pouco conhecida) depois da depressão

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Novos estudos científicos buscam entender mais sobre a doença

 

Benedict Carey/ The New York Times

 

Há uma geração, a depressão era considerada um hóspede indesejado: uma presença sombria que podia aparecer em consequência de uma perda e demorava para encontrar a porta da saída. As pessoas que ela assombrava reconheciam sua triste companhia – eu mesmo fiquei um pouco deprimido desde a morte do meu pai – sem terem medo de ficar doentes de forma crônica.

Hoje, a doença é vista como uma figura mais funesta, mais permanente, um monstro subterrâneo, prestes a assumir o controle da psique. Os pesquisadores em geral debatem os vários tipos de depressão, da leve à profunda e “endógena”, um desespero raro, quase paralisante.

Foram realizadas centenas de estudos, na busca de marcadores que permitam prever a depressão e identificar os melhores caminhos para a recuperação. Mas o tratamento é em grande parte um processo de tentativa e erro. Um medicamento que ajuda uma pessoa pode agravar a condição de outra. O mesmo acontece com as psicoterapias.

Novos estudos científicos buscam entender mais sobre a depressão Foto: Pixabay

“Se você recebe o diagnóstico de depressão, uma das coisas mais fundamentais que irá querer saber é: quais são as chances de a minha vida voltar a ser normal?”, disse Jonathan Rottenberg, professor na Universidade do Sul da Flórida. “As pessoas supõem que nós temos a resposta a esta pergunta. Mas é embaraçoso afirmar que nós não temos”.

Em um artigo publicado na edição corrente de “Perspectives on Psychological  Science”, Rottenberg e seus colegas afirmam que, tentando compreender de que maneira pessoas com depressão poderiam escapar da doença, os cientistas se concentraram nos que estão aflitos, deixando de lado as pessoas que já sofreram, mas se recuperaram.

“Nós sabemos que muitos pacientes com distúrbio bipolar, por exemplo – uma doença grave, para toda a vida – passam muito bem após o tratamento, e podem trabalhar em empregos criativos”, afirmou Sheri Johnson, diretora do programa de tratamento de distúrbios mentais na Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Mas não podemos prever quem. Por isso, é muito importante ter esse tipo de informação”.

No novo estudo, o dr. Rottenberg e outros afirmam que o esforço para compreender de que maneira as pessoas se recuperam da depressão é prejudicado pelo tipo de evidência disponível. As tentativas de tratamento costumam durar de seis a oito semanas, e visam a redução dos sintomas negativos, como uma autoestima muito baixa. O que acontecerá nos anos seguintes – e que evolução positiva ocorrerá, e para quem – é em grande parte um enigma.

“Acho ótimo – é uma boa ideia – observar as pessoas que se sentem bem depois de um período de depressão, a longo prazo”, disse a dra. Nada Stotland, psiquiatra do Centro Médico da Rush University. “Por outro lado, podemos simplesmente achar que são as mesmas que estavam em melhores condições antes”.

Em uma análise a ser publicada em breve, na revista “Clinical Psychological Science”, a mesma equipe de psicólogos faz uma estimativa aproximada do número de “melhoras” após uma depressão, usando dados de uma pesquisa nacional realizada periodicamente nos Estados Unidos. Ela inclui mais de 6 mil pessoas entre os 25 e 75 anos e mais de 500 que foram consideradas deprimidas. Cerca da metade das que haviam recebido o diagnóstico posteriormente se recuperaram, o que significa que não haviam apresentado os sintomas por pelo menos um ano. Uma de cada cinco delas – 10% do total -, dez anos mais tarde, sentiam-se muito bem.

As respostas à recuperação talvez não sejam simples. Algumas pessoas que se sentem muito bem depois, tomam diariamente comprimidos; outras talvez dependam de uma sessão semanal de psicoterapia. É provável que bons amigos e bons genes também influam. Além disso, alguns pacientes podem ter criado métodos próprios.

“O estudo desse grupo permite dar às pessoas com depressão não apenas alguma esperança”, disse Rottenberg. “Mas também algo que possam usar”.

Por enquanto, disse a dra. Stotland, o fato de que a depressão possa ser crônica não significa que as pessoas estejam condenadas.

“Nunca disse isto aos pacientes”, afirmou. “O que digo para eles é que poderão melhorar, e acredito que a maioria dos meus colegas faça o mesmo”.

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SAÚDE

Pesquisadores planejam ‘dar à luz’ um câncer em busca por detecção precoce

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Fonte: BBC/ Fotos: Reprodução

Pesquisadores britânicos e americanos se juntaram para tentar encontrar sinais mais precoces de câncer e assim tratar a doença antes que ela venha à tona ou esteja em estágio avançado.

Os estudiosos planejam “dar à luz” um câncer para entender exatamente como ele se parece em seu “primeiro dia de vida”.

Este é um dos estudos prioritários da nova Aliança Internacional para Detecção Precoce do Câncer, que inclui ao menos cinco universidades: Cambridge, Manchester, University College de Londres, Stanford e Oregon, além da filantrópica Cancer Research UK. A iniciativa já conta com quase US$ 300 milhões.

O grupo mira o desenvolvimento de testes menos invasivos, como o de sangue e de urina, para monitorar pacientes de alto risco, o aprimoramento dos exames de imagem para detectar câncer mais cedo e a busca por sinais da doença que hoje são virtualmente indetectáveis.

Mas os cientistas admitem que estão procurando uma “agulha no palheiro” e isso pode durar mais de três décadas.

“O problema fundamental aqui é que nunca vamos ver um câncer nascer em um ser humano”, afirma David Crosby, chefe da pesquisa sobre detecção precoce no Cancer Research UK. “Quando é encontrado, já está estabelecido.”

Pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, estão cultivando tecidos de mama em laboratório com células sintéticas do sistema imunológico para ver se conseguem identificar as mais sutis e precoces mudanças que podem levar ao câncer.

Rob Bristow, de Manchester, afirmou que a estrutura funciona como “um banco de tecidos vivos fora dos pacientes”.

Há, de todo modo, um risco de “sobrediagnóstico”, já que nem sempre essas células levarão a um câncer e podem levar a um tratamento desnecessário contra uma doença que nunca chegaria a incomodar a pessoa, mas a expõe a uma abordagem com diversos efeitos colaterais.

Além de serem extremamente precisos, os estudiosos também vão analisar os genes e o ambiente de pessoas que nasceram com câncer, a fim de identificar riscos do desenvolvimento da doença para cada indivíduo.

‘Combate caro’

Até agora, os cientistas dizem que a pesquisa sobre detecção precoce ocorreu desconectada e em pequena escala, sem o poder dos testes em grandes populações de pessoas.

Para Crosby, do Cancer Research UK, a pesquisa conjunta levaria a “uma mudança radical em nossos sistemas de saúde, mudando-a de um combate caro contra doenças em estágio avançado para uma intervenção desde o início, oferecendo um tratamento ágil e econômico”.

Dados estatísticos indicam que 98% das pacientes com câncer de mama vivem por cinco anos ou mais se a doença for diagnosticada no estágio 1, o inicial, em comparação com apenas 26% no estágio 4, o mais avançado.

Mas, atualmente, apenas cerca de 44% das pacientes com câncer de mama são diagnosticadas no estágio 1.

No Reino Unido, existem programas de rastreamento para câncer de mama, intestino e cervical para pessoas de determinadas idades.

ressonância magnética hiperpolarizada para detecção de câncer de próstata
Image captionImagem de uma ressonância magnética hiperpolarizada para detecção de câncer de próstata

Entretanto, não há rastreamento confiável para outros tipos de câncer, como os de pâncreas, fígado e próstata. Isso representa, portanto, taxas menores de sobrevivência desses pacientes.

Mark Emberton, da University College de Londres, afirmou que o avanço de equipamentos de imagem, como a ressonância magnética, foram uma “revolução silenciosa” que substituiu agulhas das biópsias para a detecção do câncer de próstata.

“A imagem só enxerga células agressivas e ignora as coisas que você não quer achar”, afirmou Emberton, acrescentando que a tecnologia de imagens é cara e gasta tempo — e não estaria pronta para ser usada como exame padrão.

Na fronteira do avanço tecnológico, há ressonâncias magnéticas hiperpolarizadas e mais precisas e fotos acústicas, nas quais o laser chega até o tumor, criando ondas sonoras que servem para produzir imagens.

Não se sabe, no entanto, quais tipos de câncer são mais adequados a esse tipo de análise.

Na Universidade de Cambridge, a professora Rebecca Fitzgerald está desenvolvendo uma endoscopia avançada para detectar lesões pré-cancerosas no esôfago e no cólon.

Para ela, que defende a parceria científica em busca de ideias e abordagens concretas, a detecção precoce poderia se resumir a testes simples e baratos, mas o segmento não vem recebendo a atenção devida.


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MEIO AMBIENTE

Desmatamentos causa surtos de doenças infecciosas em humanos, diz estudo

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Foto: Reprodução / Fonte: Gazeta de Santarém

As mudanças de uso da terra, geradas principalmente pelo desmatamento, monocultura, pecuária em grande escala e mineração, estão entre as principais causas de surtos de doenças infecciosas em humanos e pelo surgimento de novas doenças no continente americano.

Essa é uma das conclusões apontadas no Relatório de Biodiversidade da ONU, que analisou mais de 15 mil pesquisas científicas e informações governamentais durante três anos.

“Os bens e serviços fornecidos pela natureza são os fundamentos definitivos da vida e da saúde das pessoas. A qualidade do ambiente em que vivemos desempenha papel essencial na nossa saúde. Em ambiente natural, com florestas intactas, mamíferos, répteis, aves e insetos se autorregulam. O desmatamento, somado à expansão desordenada das áreas urbanas, faz com que os animais migrem para as cidades. No caso dos mosquitos, que são vetores de muitas doenças, a crise climática e o aumento da temperatura também trouxeram condições favoráveis à reprodução desses indivíduos. Nas cidades, eles passam a se alimentar também do sangue das pessoas, favorecendo a transmissão de enfermidades”, explica a gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Leide Takahashi.

Nessa linha, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Convenção da Diversidade Biológica (CDB) reconheceram que a biodiversidade e a saúde humana estão fortemente interligadas e, durante a COP-13, em 2016, recomendaram uma série de ações.

Segundo a OMS, ao menos 50% da população mundial corre o risco de contaminação por doenças transmitidas por mosquitos, chamadas de arboviroses.

No Brasil, o Ministério da Saúde estima que o número de arboviroses tenha dobrado nas últimas três décadas. Algumas delas, como malária, dengue, febre amarela e zika, já causaram surtos em áreas urbanas.

Doutora em Ciências Florestais, Leide destaca ainda que a conservação do patrimônio natural é importante para o controle de outras doenças, especialmente as mentais.

O contato com a natureza é capaz de diminuir a ansiedade e o estresse, contribuindo com o bem-estar da população. “A natureza nos fornece água, ar puro, alimentos e outros recursos essenciais para o nosso dia a dia. Precisamos encontrar um ponto de equilíbrio para que as pessoas aproveitem esses recursos de forma responsável, sem prejudicar a fauna e a flora e sem colocar as próximas gerações em risco”, afirma Leide, que também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

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SAÚDE

O projeto do primeiro útero artificial, que poderá salvar bebês prematuros

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Fonte: BBC/ Fotos: Reprodução

Nos Países Baixos, médicos e designers estão desenvolvendo o primeiro útero artificial para bebês extremamente prematuros.

“Meu projeto para um útero artificial é feito de de cinco grandes balões onde bebês vão ficar meio que nadando em seus próprios fluidos”, explica a designer Lisa Mademaker.

“Tubos fazem a circulação de fluidos, de sangue.”

“Quando eu fazia residência em ginecologia, 27 anos atrás eu sabia que era possível fazer isso”, diz Guid Oei, ginecologista, do Centro Médico Máxima e responsável pelo projeto.

“A principal diferença é que o útero artificial é preenchido com líquido. Uma incubadora é preenchida com ar, que é um ambiente inóspito para bebês extremamente prematuros”, afirma. “O ar machuca os pulmões em formação.”

Ele explica que o bebê prematuro será colocado no aparelho imediatamente após o parto, e conectado a uma placenta artificial.

“O útero artificial é um ambiente líquido preenchido com água e vários tipos de minerais. Então o bebê recebe oxigênio e nutrientes através do cordão umbilical. Assim como quando ele está em seu ambiente natural”, afirma Oei.

Segundo ele, o bebê cresce e depois de quatro é feito um ‘segundo parto’. “Isso poderia salvar muitas vidas”, diz.

Por ano, cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuros no mundo todo. Cerca de metade dos que nascem mais prematuros morrem.

“Ainda não sabemos nada sobre consequências de curto e longo prazo para os bebês. Esse projeto vai demorar cerca de cinco anos até começarmos a usar o útero artificial em bebês humanos”, explica o médico.

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