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SANTARÉM

Ações de prevenção ao escalpelamento serão ampliadas em novembro na região ribeirinha

Foto: Reprodução / Fonte: O Estado Net

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As ações de prevenção ao escalpelamento serão ampliadas a partir do mês de novembro na região ribeirinha, no município de Santarém, no oeste do Pará. Apesar do último caso ter sido registrado em julho do ano passado, os órgãos parceiros que atuam na conscientização da população sobre as medidas preventivas aos acidentes desta natureza, estão fortalecendo a rede de apoio às vítimas. Em 2018, houve registros de 12 acidentes com eixo de motor na região. 2019 segue sem ocorrência de casos de escalpelamento no Baixo Amazonas.


O capitão de fragata Fábio Luiz Benincasa, comandante da Capitania Fluvial de Santarém, informou que uma das ações será a campanha de prevenção ao escalpelamento em 240 comunidades ribeirinhas do interior de Santarém, no mês de novembro, com a participação da Marinha, Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtras), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e Ministério Público do Trabalho (MPT). “É uma campanha promovida pelo MPT em parceria com os demais órgãos. Ainda está sendo definida a forma de atuação de cada instituição dentro da campanha cujo objetivo principal é a conscientização das pessoas nas comunidades ribeirinhas sobre os riscos do escalpelamento e divulgação dos procedimentos para a prevenção, incluindo a instalação de coberturas de eixo do motor das embarcações, que será feita pela Capitania”, informou.


Para atender o maior número de pessoas, os profissionais da saúde serão capacitados para que possam sensibilizar os comunitários sobre as medidas de prevenção na navegação, sobretudo de pequenas embarcações.


“Nesse aspecto, a atuação com outros órgãos é muito oportuna. A meta é garantir a prevenção, evitando que casos dessa natureza ocorram nos rios da nossa região. Importante levar a mensagem sobre os cuidados durante a navegação e a importância da instalação da cobertura no eixo do motor das embarcações, ensinando principalmente mulheres e meninas sobre como se prevenir. Além de combater a cultura do risco e identificar as oportunidades para incrementar a prevenção”, destacou Benincasa.


A campanha também visa alertar sobre as sequelas do acidente e fomentar o respeito às limitações dos sobreviventes. Diante da dificuldade para reinserção das pessoas vítimas de escalpelamento no mercado de trabalho,  o Ministério Público do Trabalho expediu Nota Técnica em que admite a condição das vítimas de escalpelamento como pessoas com deficiência e recomenda o reconhecimento do seu direito à contratação por meio da cota prevista em lei.


Na semana passada, foi realizada uma reunião com os representantes de cada órgão para começar a definir as formas de atuação de cada um na campanha que será realizada em novembro. Na ocasião, a Procuradora do Trabalho, Tatiana Amormino, informou que a intenção do MPT é, além de combater os acidentes de escalpelamento, dar um maior amparo às vítimas.

Medidas de proteção e segurança


Desde 2009, é obrigatório o uso de proteção no motor, eixo e partes móveis das embarcações, de modo que os passageiros e tripulação estejam protegidos, principalmente nas pequenas embarcações. Os proprietários devem procurar a Capitania dos Portos – Marinha do Brasil mais próxima e solicitar a instalação gratuita da cobertura do eixo do motor.

O que é escalpelamento?


Arrancamento violento do couro cabeludo, tecnicamente descrito como “avulsão do couro cabeludo”. No caso do escalpelamento em embarcações, ocorre quando o cabelo é colhido pelo eixo do motor desprotegido e em funcionamento.


A maioria das vítimas são meninas e mulheres (93%), em razão dos cabelos compridos. Maior incidência é entre 5 e 16 anos.


O escalpelamento acarreta sequelas irreversíveis. É quase impossível reimplantar o couro cabeludo e reduzir as sequelas é desafiador pois outras áreas podem ser atingidas, como face, orelha e pescoço.


Escalpelamento não gera apenas sequela estética:
• Dores de cabeça – enxaquecas
• Comprometimento muscular
• Outras limitações conforme o caso
– alterações na visão e na audição, conforme a gravidade do acidente.


É possível prevenir o acidente de escalpelamento em embarcações, e, portanto, erradicar essas ocorrências, adotando as seguintes práticas:
As sequelas psicológicas são tão limitantes quanto as sequelas físicas.


As vítimas que sobrevivem a esse trauma levam consigo para o resto da vida diversas sequelas, físicas, psicológicas e emocionais. O tratamento, quando efetivo, é longo, uma vez que inclui várias jornadas de cirurgias reparadoras, além de acompanhamento por equipe multiprofissional de saude.
Baixa autoestima e depressão são frequentes.


É frequente o abandono dos estudos pelas vítimas, pois elas acabam sendo alvo de chacota na escola.

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