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DIREITOS HUMANOS

Acusados de três homicídios e  um tentado pegam mais de 200 anos de cadeia

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Rayfran das Neves Sales, um dos réus, pegou mais de 97 anos.  Foi ele quem matou a missionária norte-america Dorothy Stang

Após 18 horas de sessão de julgamento, sete jurados do 4ª Tribunal do Júri de Belém, presidido pelo juiz Claudio Henrique Rendeiro, condenaram por quatro homicídios qualificados, um deles na forma tentada, os réus Rayfran das Neves Sales, 43 anos, Luiz Carlos do Carmo Lopes, o Edi, 34 anos, e Raimundo Ferreira Monteiro, 50 anos, conhecido como Gordo ou Paulão contra as vitimas: Leandro Kestring de Vargas, 22 anos, Joseane Noronha Santos, 20 anos, cabelereira, Evalso Fagundes da Silva, 30 anos, e Luana de cássia Silva, 33 anos, sobrevivente. Os jurados reconheceram ainda que os réus cometeram o crime de associação para o tráfico, em concurso material.

A sentença condenatória foi proferida às 03h40 desta quarta-feira (5), tendo os jurados acolhido a tese acusatória da promotora do júri Ana Maria Magalhães. Em defesa dos acusados Luiz Carlos Lopes e Raimundo Monteiro, atuaram os advogados Humberto Boulhosa, Aline Emanuelle e Bruna Boulhosa. O advogado Raimundo Cavalcante atuou na defesa de Rayfran das Neves Sales e sustentou negativa de participação nos crimes.

As penas impostas a Rayfran das Neves, que possui antecedentes criminais, pelos quatro homicídios, um deles tentado, mais associação para o tráfico e em concurso material foram somadas e totalizaram 97 anos e oito meses de reclusão em regime inicial fechado.

Luiz Carlos do Carmo Lopes, sem antecedentes criminais, foi absolvido em dois homicídios, condenado por um homicídio e mais a tentativa de homicídio qualificado, além de associação para o tráfico e em concurso material. As penas somadas foram fixadas em 33 anos e oito meses de reclusão em regime inicial fechado.

Coube ao terceiro acusado, também sem antecedentes criminais, Raimundo Ferreira Monteiro a pena de 85 anos e quatro meses de reclusão em regime inicial fechado pelos homicídios e por uma tentativa de homicídio.

A sessão começou por volta das 09h da terça-feira, 4, com requerimento de um dos advogados para desmembrar e adiar o julgamento em relação aos réus Luiz Carlos do Carmo Lopes e Raimundo Fernando Ferreira Monteiro, tendo juiz indeferido.

Agentes da Policia Civil que atuaram nas investigações além do delegado da Divisão de Homicídios prestaram informações sobre como atuaram no caso, informando terem sido acionados para investigar “O crime da Alça Viária”. Os três investigadores ouvidos informaram que foram acionados por populares que encontraram um veículo com o corpo de um homem, depois descoberto ser Evalso da Silva.

No local os investigadores souberam que havia uma mulher que estava baleada e que foi levada ao Hospital Metropolitana, e mais tarde tiveram informação se tratar de Luana de Cássia Castro Silva, atingida por dois disparos no rosto e nas costas.

O pai da vítima João de Vargas ouvido no júri relatou que veio dia 06/09 para Belém para registrar o desaparecimento do filho que saiu desde o dia 03, de Novo Progresso com destino a Belém, e até àquela data não tinha nenhum retorno. O jovem estava na companhia da namorada Joseane Santos, numa camionete Hilux, cor preta, onde encontrariam com Evalso da Silva. A camionete foi encontrada parcialmente queimada na localidade de Palmares, município de Tomé Açu. Após buscas os corpos dos jovens Leandro e Joseane foram encontrados no Rio Acará –Miri.

A vítima Leandro, antes de ser assassinada, enviou mensagem por Waths App ao pai de que estava em Belém “vendo um negócio”, e caso desaparecesse estava com Rayfran das Neves. Preocupado opai de Leandro tentou fazer fazer contato com o filho e como não obteve retorno registrou Boletim do desaparecimento do jovem, e que estava em companhia do famoso matador de aluguel da freira Dorohy Stang, em 2005.

Encerrado os depoimentos das testemunhas os réus foram interrogados, tendo Rayfran Sales optado em usar seu direito de ficar em silencio e não responder a nenhuma pergunta. O réu Luiz Carlos, confessou parte da denúncia e inocentou os dois acusados. Raimundo, o gordo, se negou a responder perguntas da promotoria por orientação de seus advogados.

Informações da promotoria

As vítimas Leandro Kestring de Vargas e Luana de Cássia de Castro foram executadas e os corpos foram atirados num rio. O veículo que Leandro estava conduzindo foi encontrado parcialmente queimado num ramal do município de Tomé Açú, na região nordeste do Pará. Em outro ponto do Estado, no Km 24 da Alça Viária, no município de Bujaru, a policia descobre o corpo de Evalso Fagundes da Silva executado com disparos de arma de fogo na cabeça, no braço e no peito. Luana de Cássia Silva foi atingida na cabeça e nas costas e embora sobrevivendo após ser socorrida e levada para o Hospital Metropolitano.

Consta na denúncia que no dia 05/09/2014, os denunciados Rayfran das Neves, Luis Carlos do Carmo Lopes, conhecido como Edi, Osimar Lobato Rodrigues, Charly da Silva Holanda, Raimundo Fernando Ferreira Monteiro, conhecido por Gordo ou Paulão, e Jamilton dos Santos Souza, conhecido como “Neguinho”, se associaram para obter vantagem numa quantidade de droga, cerca de 50 kg de cocaína que seria traficada pelo casal Evalso da Silva e Luana de Cassia de Castro. A droga não chegou a ser apresentada à Justiça.

O casal, que veio do município de Alta Floresta no Estado do Mato Grosso, desembarcou em Belém na madrugada do dia 05 de setembro de 2014 e se hospedou num hotel próximo ao aeroporto, onde aguardariam pelo casal Leandro de Vargas e Joseane que transportaria a droga. Evalso era conhecido de Leandro há alguns meses e este conhecia Raimundo, parente de Rayfran Sales.

Rayfran Sales e Charly da Silva, com ajuda de Luiz Carlos, tramaram os homicídios em locais distintos para se apoderarem da droga sem pagar aos demais sócios. Evalso foi executado por disparos de arma de fogo no braço e na cabeça, enquanto Luana de Cássia foi atingida na cabeça e nas costas, mas se fingiu de morta e esperou os matadores deixarem o local. A vítima pediu socorro para um mototaxista e foi levada ao Hospital Metropolitano, tendo sobrevivido com sequelas. Esses crimes ocorreram por volta das 21h do dia 05/09/2014, no Km 24 da Alça Viária, município de Bujaru, no Estado do Pará.

No mesmo dia, no ramal do Areial, município de Tomé Açu, consta da peça acusatória que “em comunhão de vontades e em conjunção de esforços” os mesmos denunciados executaram as vítimas Leandro Kestring de Vargas e Joseane Noronha Santos, contratados inicialmente para levar uma camionete até àquele município na Vila Palmares, região localizada entre os municípios de Tailândia e Tomé Açú. Conforme a acusação, os crimes foram cometidos para eliminar os demais, objetivando obter maior vantagem com a venda da droga.

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