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Adélio, autor da facada em Bolsonaro, já está na penitenciária de Campo Grande

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Karine Melo / Agência Brasil 

Brasília – Chegou a Campo Grande (MS) pouco depois das 13h deste sábado (8) o avião da Polícia Federal que partiu pela manhã de Juiz de Fora (MG) com o homem que, na última quinta-feira (6), deu uma facada no candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro.

Adélio Bispo de Oliveira, que confessou à polícia ser o autor do atentado, passará por exames de corpo de delito e, em seguida irá para o presídio federal de Campo Grande, onde ficará em uma cela de 7 metros quadrados. A transferência foi determinada pela Justiça Federal durante a audiência de custódia, na tarde de ontem (7).

Juiz de Fora - Agressor do deputado Jair Bolsonaro deixa a Polícia Federal em Juiz de Fora após cerca de três horas de interrogatório.(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

De Juiz de Fora , Adélio,  após 3 horas de interrogatório,  é enviado para prisão federal . (Foto: Tomaz Silva/Ag. Brasil) 

A juíza federal Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho, da 2ª Vara de Juiz de Fora, converteu a prisão em flagrante para prisão preventiva, sem prazo determinado. Nos primeiros 20 dias, o agressor terá direito apenas a visita de advogados.

O advogado Zanone Manoel de Oliveira Júnior, que defende Adélio, informou que a defesa concordou com a transferência dele para um presídio federal, a fim de garantir sua integridade.

O advogado também disse concordar com o indiciamento de seu cliente pelo Artigo 20 da Lei de Segurança Nacional, que fala em “praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político”.

Preso está  isolamento

Por Kelly Oliveira

 Adélio Bispo de Oliveira, vai ficar em isolamento na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o agressor ficará em cela individual, sem contato físico com outros presos da unidade. Nos primeiros dias, ele será submetido à avaliação médica e psiquiátrica.As celas do presídio têm aproximadamente 7 metros quadrados, com cama, banco, escrivaninha, prateleiras, vaso, pia e chuveiro. Adélio ficará em ala destinada a réus colaboradores e presos protegidos pela Justiça ou com risco a integridade física.A transferência para um presídio federal foi tomada em comum acordo entre a juíza federal Patrícia Alencar, que ouviu Adélio ontem (7), em audiência de instrução, o Ministério Público Federal e a própria defesa do acusado. O objetivo é garantir sua integridade física, já que poderia ser morto dentro do sistema prisional comum.“As razões que justificam a transferência para uma penitenciária federal estão baseadas na garantia da integridade física do acusado, conforme decisão da Justiça Federal. O tempo de custódia na unidade, também”, informou o Depen.

Bolsonaro foi esfaqueado na tarde da última quinta-feira (6) durante uma atividade de campanha, em Juiz de Fora. O candidato foi transferido ontem (7) da Santa Casa de Juiz de Fora, onde passou por cirurgia, para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Segundo o último boletim médico, Bolsonaro mantém-se consciente, em boas condições clínicas e hoje poderá sair da cama pela primeira vez desde o ataque.

Pensão onde morou Adélio Bispo, preso por esfaquear Bolsonaro

Clientes de pensão dizem que                                  Adélio era estranho e calado

Calado, muito reservado e de raras palavras. Essa é a impressão das poucas pessoas que conheceram Adélio Bispo de Oliveira, na pensão de número 295, da Rua Oswaldo Cruz, no centro de Juiz de Fora. O local, uma casa simples, escondida por uma árvore que cobre quase toda a fachada, não chama a atenção e destoa das outras residências e edifícios ao redor, todos de classe média alta.

Ele pagou adiantado R$ 400 por um dos melhores e maiores quartos da pensão. Alguns quartos são menores e custam a partir de R$ 290 a mensalidade. A comida é à parte e os moradores, a maioria trabalhadores do comércio ou aposentados, se vira como pode para se alimentar.

“Ele morava aqui há pouco tempo. Mas ele era muito calado. Não falava com ninguém. Saia, entrava, mas nunca falava com ninguém, nunca. Eu achava ele estranho. Não se comunicava com a gente. Disse que veio para cá para arrumar emprego. Só disse isso”, disse o ferroviário aposentado Uiraquitã Leite Moreira.

Quando ficou sabendo o que Adélio tinha feito, Uiraquitã admite que ficou com medo. “Assassino, eu fiquei até com medo. Foi um susto. O cara fazer isso, poderia pegar qualquer um de nós. Era meio doido. O mal, quando menos se espera, chega. E estava do meu lado, aqui dentro”, refletiu.

A presença do criminoso era tão discreta, que alguns moradores da pensão dizem que jamais o tinham visto. “Eu nunca o vi. Não sei quem é não! A minha porta dá direto para a rua. Quando eu fiquei sabendo do que tinha acontecido, pensei que ele também pudesse ter feito alguma coisa com a gente aqui. Dizem que ele não conversava com ninguém”, disse o também aposentado Evangelho dos Anjos Luiz.

Cansados de falar com a imprensa, que tem procurado a pensão em busca de informações desde o dia do atentado, alguns moradores saem às pressas e evitam entrevistas. Para falar com eles, só mesmo acompanhando ao longo do trajeto, caminhando sem parar.

“Eu não posso parar, pois estou atrasado. Fiquei muito surpreso com o que aconteceu. Ele estava na pensão só há duas semanas. Eu passei duas vezes por ele, cumprimentei, e ele só balançava a cabeça. Eu senti que tinha uma energia ruim nele. Era um cara fechado”, disse o garçom Sérgio, que preferiu não dar o sobrenome, enquanto descia a ladeira.

Sérgio contou que ouviu do dono da pensão, Ronaldo, que Adélio disse ser da igreja e que ira orar por sua esposa, que está com câncer. Embora a defesa de Adélio sustente que ele agiu sozinho, o garçom acredita ser mais provável que o vizinho tenha agido com outras pessoas.

“Acho que sozinho ele não agiu. Isso aí foi armado. O cara já sabia que o Bolsonaro vinha para cá e pegou um local perto do evento. É ruim, porque esta pensão é igual à nossa casa e agora fica muito visada”, lamentou Sérgio. A pensão fica a apenas a 1 km do local onde o candidato foi esfaqueado, onde se chega em pouco mais de 10 minutos de caminhada.

O dono da pensão foi ouvido pela Polícia Federal, que mandou lacrar o quarto de Adélio.

Para a advogada Cibele Romanel, vizinha da pensão e conhecida dos donos, a ação de Adélio também teve a ajuda de outras pessoas. “Eu fiquei bastante assustada. Você não espera que uma pessoa dessas esteja próxima. Ele podia ter pego a gente. Mas a minha opinião é que isso foi bem articulado. Você não faz uma coisa dessas sozinho. O cara sabia que o Bolsonaro ia vir aqui para o centro, procurou uma pensão do lado e pagou adiantado, muito estratégico. Essa tese que ele fez tudo sozinho não cola”, disse a advogada.

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