Conecte-se Conosco

Meio Ambiente

Agricultura brasileira é dependente de polinizadores ameaçados de extinção

Publicado

em

O alerta foi feito por especialistas em relatório sobre polinizadores e produção de alimentos no Brasil

Por Ivanir Ferreira – Editorias: Ciências Ambientais – URL Curta: jornal.usp.br/?p=222582

Relatório inédito alerta sobre as principais ameaças aos polinizadores  pelo uso desordenado de agrotóxicos e  desmatamento e aponta o grau de dependência da agricultura alimentícia desses insetos, sobretudo as abelhas. O diagnóstico foi feito por pesquisadores que produziram o “Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil”, que foi lançado dia 6 de fevereiro na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Das 191 culturas agrícolas utilizadas para a produção de alimentos no Brasil, 114 (60%) são visitadas por polinizadores, entre eles, a abelha…
Foto: Reprodução / Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil…

A polinização na agricultura contribui para a variabilidade genética das plantas, aumento da produção e a qualidade dos frutos. A redução das florestas e alguns pesticidas mais tóxicos são as principais causas  de extinção dos insetos. Segundo a bióloga Vera Imperatriz, revisora do relatório de polinização brasileiro e professora aposentada do Instituto de Biociências (IB) da USP, existem outras causas importantes que constituem perigo aos polinizadores, entre elas cita as mudanças climáticas, a perda de hábitat, poluição ambiental, espécies invasoras e patógenos.

Dentre os poluentes ambientais, os agrotóxicos são os mais preocupantes, aponta o estudo. Na contramão deste diagnóstico, em janeiro, o Ministério da Agricultura brasileiro liberou o registro de 28 agrotóxicos e princípios ativos, entre eles o Sulfoxaflor, inseticida que está ligado ao extermínio das abelhas. O estudo propõe que se fique atento às regulamentações do uso de agrotóxicos.

“O documento, além de trazer um amplo diagnóstico sobre as ameaças aos polinizadores nativos de nossa região”…
Foto: Reprodução / Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil…

Alista de insetos que sobrevoam culturas agrícolas supera o número de 600, dos quais no mínimo 250 com potencial de polinizador, revela o relatório. As abelhas predominam, representando 66% das espécies, porém, os besouros, as borboletas, as mariposas, as aves, as vespas, as moscas, os morcegos e os percevejos também fazem parte da lista.

Em termos econômicos, a polinização representou R$ 43 bilhões em 2018 para o País. Para chegar a este valor, os pesquisadores calcularam o produto da taxa de dependência de polinização pela produção anual considerando 67 cultivos. A soja responde por 60% deste valor, seguida pelo café (12%), laranja (5%) e maçã (4%). Das 191 culturas agrícolas utilizadas para a produção de alimentos no País, 114 (60%) são visitadas por polinizadores. A polinização das plantações em algumas regiões da China é feita de  forma manual, mas o custo financeiro é alto e a produção e a qualidade dos frutos diminuem, explica a bióloga Vera.

 Além das abelhas, as aves, os besouros, as borboletas, as mariposas, as vespas, as moscas, os morcegos e os percevejos também são polinizadores…
Foto: Reprodução / Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil…

 

…..Relatório.

..

O “Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil” foi produzido pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e pela Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), com a participação de pesquisadores de várias instituições de ensino e pesquisa. O professor Antônio Saraiva, da Escola Politécnica (Poli) da USP, que escreveu um dos capítulos – “Respostas aos riscos, governança e oportunidades associados aos polinizadores, à polinização e à produção de alimentos” -, diz que o documento traz informações baseadas na realidade brasileira, nos moldes do diagnóstico global de polinização, lançado em 2016, pela Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) da ONU.

A área de atuação do professor Saraiva são bases de dados sobre polinizadores e desenvolvimento de modelos computacionais, relacionados a efeitos de mudanças climáticas na distribuição de polinizadores e seus efeitos na produção agrícola. “O documento, além de trazer um amplo diagnóstico sobre as ameaças aos polinizadores nativos de nossa região, sugere propostas de proteção aos insetos, dados importantes para tomada de decisões governamentais.” Cita como medidas o controle na regulamentação de uso de agrotóxicos; preservação de áreas naturais que promovam o serviço ecossistêmico de polinização; e regulamentação da meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão para uso em atividade agrícola).

.

.

.

..

O documento está disponível aqui: Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil

Mais informações: saraiva@usp.br, com o professor Antônio Saraiva, vlifonse@ib.usp.br, com a professora Vera Imperatriz, e paulafdc@gmail.com, com Paula Drummond de Castro.

Com informações de Paula Drummond de Castro/Comunicação BPBE

..

.

 

Continue lendo
Clique para comentar

Meio Ambiente

MPF pede à Justiça que obrigue a Vale a tomar medidas urgentes para garantir segurança de duas barragens no PA

Publicado

em

Foto: Reprodução / Fonte: MPF

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça nesta sexta-feira (12) que a mineradora Vale seja obrigada a adotar medidas urgentes para garantir a segurança de duas barragens localizadas em Parauapebas, no sudeste do Pará.

As barragens não têm sistemas eficientes de escoamento de água, o que pode afetar a estabilidade das estruturas em eventual período muito chuvoso. Por isso, estão classificadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) entre as dez mais perigosas do país.

Em doze anos de operação, encerrada em 2002, a mina do Igarapé Bahia – empreendimento ao qual as barragens eram vinculadas –, produziu quase cem toneladas de ouro, o equivalente a cerca de R$ 16,4 bilhões.

Atestados de garantia de estabilidade das barragens vêm sendo negados por auditorias desde 2016, mas até agora a Vale limitou-se a pedir licenciamento para realização de obras, sem mencionar o caráter de urgência. No entanto, em casos de urgência o licenciamento é desnecessário.

Risco a floresta – As barragens, denominadas Pondes de Rejeitos e Captação de Água, estão localizadas na Floresta Nacional (Flona) de Carajás. Não existem comunidades próximas às estruturas, mas eventual transbordamento ou rompimento podem causar graves danos ambientais.

O reservatório da Pondes de Rejeitos está com volume de 12 milhões de metros cúbicos, e o da Captação de Água está com 600 mil metros cúbicos. Somados, têm volume próximo aos 12,7 milhões de metros cúbicos da Barragem 1 da mina do Córrego do Feijão, de Brumadinho (MG), que se rompeu no início deste ano.

Descaso – Antes de recorrer à Justiça, o MPF recomendou à Agência Nacional de Mineração (ANM) que as barragens fossem fiscalizadas e que a Vale fosse cobrada a tomar providências necessárias para garantir a segurança das estruturas. A agência não acatou a recomendação e sequer enviou representante à reunião em que o tema foi discutido.

À Vale, o MPF solicitou comprovação de que a empresa está tomando as medidas necessárias, previstas em lei. Entretanto, o MPF considerou incompleta a documentação encaminhada pela mineradora. E o cronograma de obras apresentado, que vai até o final de 2020, foi avaliado como incompatível com a urgência do caso.

Pedidos urgentes – Os pedidos do MPF à Justiça Federal em Marabá foram feitos em duas ações, ambas contra a Vale e a ANM. Procuradores da República de unidades do MPF por todo o Pará pediram decisões urgentes que determinem a revisão dos planos de segurança das duas barragens, a revisão do plano de ação de emergência da Pondes de Rejeitos, a elaboração do plano de ação de emergência da Captação de Água, e a implementação das medidas previstas nos planos e ainda não realizadas.

O MPF também requereu que seja determinada a contratação e execução das obras de adequação dos extravasores das barragens e que, até a finalização das obras, sejam implementadas medidas redutoras dos riscos.

Outro pedido à Justiça Federal foi o de que seja exigido o encerramento definitivo – o chamado descomissionamento – do uso da barragem Pondes de Rejeitos, a desativação da barragem Captação de Água, e medidas de recuperação ambiental das áreas atingidas pelos empreendimentos.

No caso da Captação de Água, o MPF pede que a desativação só não seja exigida se for demonstrada utilidade da estrutura para outro objetivo, correspondente com o interesse público.

Foi pedida, ainda, a obrigação de contratação de auditorias independentes para revisar e atestar a regularidade do conteúdo e da execução dos planos de segurança e de ação de emergência, e para o acompanhamento das obras, até o descomissionamento.

Também foi pedido que a ANM seja ordenada a fazer a fiscalização e a atuar quando necessário para garantir a segurança do empreendimento em caso de inércia da Vale.

Garantias, danos e multas– Em cada uma das ações, o MPF pede que a empresa seja ordenada a depositar R$ 1 milhão como caução, para garantir a execução das medidas necessárias até que a situação de emergência seja resolvida e que a estabilidade das estruturas seja certificada.

Em ambas as ações o MPF pediu também que a vale seja condenada a pagar R$ 20 milhões em indenização por danos morais coletivos, e, pelo dano social, R$ 1 milhão por barragem, multiplicado pelo número total de meses que as estruturas ficarem sem certificação, período contado desde a primeira negativa de emissão do atestado de regularidade.

Se a Justiça acatar os pedidos do MPF e as decisões forem descumpridas, os procuradores da República autores da ação pedem a aplicação de multas de R$ 1 milhão por dia de atraso, para cada ordem descumprida.

Também no caso de decisões favoráveis aos pedidos do MPF, os procuradores da República requerem que a mineradora seja obrigada a divulgar as decisões em jornais de grande circulação e comunicá-las às instituições do mercado de valores mobiliários.

Processos nºs 1002242-17.2019.4.01.3901 e 1002244-84.2019.4.01.3901 – 2ª Vara Cível e Criminal da Justiça Federal em Marabá (PA)

Continue lendo

Meio Ambiente

Vale pagará R$ 700 mil a parentes de vítimas em Brumadinho

Publicado

em

Equipe de resgate busca vítimas após rompimento de barragem em Brumadinho 28/01/2019 REUTERS/Adriano Machado Foto: Reuters

SÃO PAULO – A Vale e o Ministério Público do Trabalho (MPT) de Minas assinaram acordo nesta segunda-feira, 15, estabelecendo os termos das indenizações a parentes de vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho, que aconteceu no dia 25 de janeiro. Segundo o MPT, cônjuges ou companheiros, filhos, mães e pais de pessoas que morreram em decorrência da tragédia deverão receber individualmente R$ 700 mil, valor que engloba reparação ao dano moral e pagamento de seguro por acidente de trabalho; irmãos receberão R$ 150 mil.

O último levantamento da Defesa Civil do Estado mostra que a tragédia deixou 248 mortos e 22 desaparecidos. Está previsto também o pagamento, a ser concretizado no próximo dia 6 de agosto, de R$ 400 milhões pela empresa de mineração a título de reparação ao dano moral coletivo. A empresa declarou que, com o acordo, a Justiça determinou a liberação de R$ 1,6 bilhão que estava bloqueado.

O Ministério Público aponta que, para reparar o dano material, ou seja, “restaurar a renda mensal das famílias de trabalhadores falecidos”, o dependente da vítima receberá pensão mensal vitalícia até a idade de 75 anos. A idade segue a expectativa de vida de um brasileiro, segundo dados do IBGE. O valor não poderá ficar abaixo dos R$ 800 mil e poderá ser pago em parcela única. O valor, segundo a mineradora, será pago ao núcleo de dependentes.

A Vale disse que, a partir de agora, os parentes poderão se habilitar para receber a reparação, iniciando a execução de um acordo individual.

O MPT esclarece que o acordo também prevê estabilidade no emprego de três anos para o empregados da Vale e terceirizados que estavam trabalhando na Mina de Córrego do Feijão, na data do desastre. “Bem como pagamento de auxílio creche, no valor de R$ 920 mensais, para filhos com até 3 anos de idade e auxílio educação, no valor de R$ 998,00 mensais, para filhos com até 25 anos de idade.”

O acordo inclui ainda plano médico vitalício para os companheiros e até os 25 anos para filhos e dependentes. Para pais e mães de falecidos, o acordo contempla atendimento médico, psicológico, psiquiátrico pós traumático na rede credenciada até a respectiva alta médica.

O MPT disse que o acordo foi fruto de diálogo “direto e permanente com as famílias atingidas”. “Além de receber diretamente dos procuradores do MPT todas as informações e orientações sobre os direitos que poderiam ser pleiteados em uma ACP, os atingidos puderam deliberar sobre os valores a serem pedidos na ação e também foram ouvidos a cada proposta apresentada pela empresa”, declararam os procuradores em nota.

Continue lendo

Meio Ambiente

Pará registra 2.400 focos de queimada na primeira quinzena de julho

Publicado

em

Foto: Reprodução / Fonte: Blog Ze Dudu

Nos primeiros 15 dias deste mês, o Pará ocupa a 6ª posição entre as Unidades da Federação com mais focos de calor no Brasil, de acordo com o Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Blog do Zé Dudu levantou que foram registrados pelos satélites do Inpe 2.398 pontos de queimadas, praticamente um a cada dez minutos. Os vizinhos Mato Grosso (18.243) e Tocantins (6.529) respondem, juntos, por 53% das queimadas do país nesse período e se revezam com os municípios campeões de fogo neste verão.

De acordo com o Inpe, dos 144 municípios paraenses, em 113 (78%) já foi registrado ao menos um foco de calor no período. Os campeões, até o momento, localizam-se todos no sudeste do estado, com Rondon do Pará liderando as estatísticas. Lá o Programa de Queimadas detectou fumaça em 184 pontos. Na sequência aparecem os municípios de Santa Maria das Barreiras, com 157 focos, e Dom Eliseu, com 152.

Municípios da região de Carajás também aparecem com volume de queimadas. Em Marabá, foram 46 registros nos primeiros 15 dias deste mês, enquanto em Ourilândia do Norte foram 38. Canaã dos Carajás e Eldorado do Carajás aparecem empatados com cinco registros cada, enquanto Parauapebas surge com dois. Curionópolis é o único da região sem registro de queimadas este mês.

Confira o ranking dos municípios paraenses onde o fogo não tem dado trégua agora em julho!

Continue lendo

Destaque