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EDUCAÇÃO

Aluno no Brasil falta mais e perde mais tempo de aula com bagunça, mostra Pisa

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Fatia dos brasileiros que se sentem tristes é maior que a média; apesar de melhor nota, meninas se sentem menos confiantes

Alunos brasileiros faltam mais na escola e perdem mais tempo de aula por indisciplina do que a média dos países que participaram do Pisa, principal avaliação internacional da educação básica. 

Além disso, demonstram ter menos confiança em sua capacidade, cooperam menos que os outros e têm visto aumentar casos de bullying, além de ter uma parcela maior de estudantes que se sentem “sempre tristes”.

As conclusões podem ser obtidas pelas respostas dos estudantes no questionário que acompanha a prova. Aplicada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) a cada três anos, ela avaliou em 2018 alunos de 15 anos de 79 países ou regiões.

Alunos da Escola Maestro Fabiano Lozano, na zona sul de São Paulo; Pisa 2018 mostra que alunos brasileiros faltam mais na escola e perdem mais tempo de aula por indisciplina do que a média dos países que participam da avaliação.

O exame abrange as áreas de leitura, destaque do relatório deste ano, matemática e ciências.

Segundo o relatório, 41% dos alunos brasileiros relataram que nas aulas de linguagem (no caso, óbvio, o português), o professor tem que esperar um longo tempo para os estudantes ficarem quietos. Eles alcançaram 19 pontos a menos na prova de leitura do que os estudantes que declararam que isso ou não acontece nunca ou ocorre raramente.

A média de alunos dos países da OCDE que registraram essa mesma constatação é de 26%.

O resultado contribuiu para que o Brasil fosse classificado como um dos países com pior clima disciplinar, ao lado de Argentina, Grécia e Espanha. 

Outra disparidade do Brasil em relação aos países da OCDE são as faltas: metade dos alunos não foi algum dia à escola nas duas semanas anteriores ao Pisa. A média da organização é menos da metade: 21%.

Por outro lado, o país se junta aos Estados Unidos e ao Reino Unido como um dos países em que há mais competição do que colaboração na escola, ao contrário de Alemanha, Dinamarca, Holanda e Japão.

A proporção de alunos brasileiros que diz que seus colegas cooperam uns com os outros é de 62%, e a dos que dizem competir, de 57%. Ambas são maiores que as da média da OCDE.

Por outro lado, a parcela de alunos sem autoconfiança é maior. No Brasil, 77% acham que conseguem normalmente achar a saída para situações difíceis. Na OCDE, o índice sobe para 84%.

No recorte de gênero, é possível perceber que as meninas são, em geral, menos competitivas e mais motivadas que os meninos, segundo o relatório. E, embora tenham desempenho superior em leitura e semelhante em ciência, a boa performance superior não impede que elas tenham mais medo de falhar, de acordo com as conclusões da avaliação. Há outros indícios de piora no clima escolar.

De modo geral, considerando meninos e meninas, o relatório mostra que a satisfação dos adolescentes de 15 anos com a vida diminuiu no mundo, em média 0,3 ponto em uma escala de 0 a 10, e 0,5 ponto em países como Brasil, onde chegou a 7,05, Estados Unidos (6,75), Japão (6,18) e Reino Unido, que teve a queda mais drástica, de 0,81, caindo para 6,16.

A fatia de alunos brasileiros que declara se sentir sempre triste é consideravelmente mais que o dobro da média da OCDE: 13% do total, contra 6%, só menor que a de Brunei, Macau e Malásia.

O índice de pessoas que sofre bullying também aumentou no Brasil, assim como em outros países como Colômbia e República Dominicana. Os alunos que disseram sofrer a prática algumas vezes por mês passou de 17,5%, em 2015, para 29% em 2018.

Nem tudo, porém, são más notícias: apesar de todas as dificuldades, 83% dos alunos brasileiros relataram que seu professor demonstra satisfação em lecionar, mais do que a média de 74%. O interesse do educador está relacionado a maiores notas no mundo todo.

Leitura

Desempenho por país

PosiçãoPaísPontuação
1Beijing, Shanghai, Jiangsu e Zhejiang (China)555
2Cingapura549
3Macau (China)525
4Hong Kong524
5Estônia523
6Canadá520
6Finlândia520
7Irlanda518
8Coréia do Sul514
9Polônia512
10Suécia506
10Nova Zelândia506
11Estados Unidos505
12Reino Unido504
12Japão504
13Austrália503
13Taiwan503
14Dinamarca501
15Noruega499
16Alemanha498
17Eslovênia495
18Bélgica493
18França493
19Portugal492
20República Tcheca490
21Holanda485
22Áustria484
22Suíça484
23Croácia479
23Letônia479
23Rússia479
24Itália476
24Hungria476
24Lituânia476
25Islândia474
25Bielorrúsia474
26Israel470
26Luxemburgo470
27Ucrânia466
27Turquia466
28Eslováquia458
29Grécia457
30Chile452
31Malta448
32Sérvia439
33Emirados Árabes Unidos432
34Romênia428
35Uruguai427
36Costa Rica426
37Chipre424
37Moldávia424
38Montenegro421
39México420
39Bulgária420
40Jordânia419
41Malásia415
42Brasil413
43Colômbia412
44Brunei408
45Catar407
46Albânia405
47Bósnia e Herzegovina403
48Argentina402
49Peru401
50Arábia Saudita399
51Tailândia393
51Macedônia393
52Azerbaijão389
53Casaquistão387
54Geórgia380
55Panamá377
56Indonésia371
57Marrocos359
58Líbano353
58Kosovo353
59República Dominicana342
60Filipinas340

Média da OCDE: 487

As cidades de Beijing, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, na China, ficaram 1º lugar, com 555 pontos em média; nota média do Brasil foi de 413.

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