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Política

Jatene assina ordem de serviço para obras do BRT Metropolitano

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O governador Simão Jatene destacou que acompanhou o início das discussões do grande projeto de mobilidade urbana na década de 1980, quando ainda era técnico.

As obras de reconstrução e requalificação incluem pistas com três faixas de rolagem nos dois sentidos, com pavimento flexível, uma faixa (em cada sentido) exclusiva para o BRT Metropolitano, duas ciclovias bidirecionais, gramado próximo à ciclovia para arborização, dois passeios para circulação de pedestres com 2,5m de largura, faixa de piso tátil e rampas de acessibilidade, de acordo com a legislação vigente, além de mobiliário urbano (bancos, lixeiras e abrigos em paradas de ônibus convencionais).

O governador Simão Jatene destacou que acompanhou o início das discussões do grande projeto de mobilidade urbana na década de 1980, quando ainda era técnico. Ele ressaltou o papel da parceria do Governo japonês, que defendeu esta intervenção com garra e persistência. “O projeto prova que Japão e o Pará tem mais semelhanças do que diferenças”, comentou.

O governador ainda detalhou que a obra dará prioridade a construção das passarelas para facilitar a vida das pessoas. “Nesses projetos nós já investimos aproximadamente 600 milhões de reais, nisso tudo incluídas as obras da Independência, da João Paulo II e da revitalização da Mário Covas e do prolongamento da Perimetral. Os recursos já estão em caixa há mais de dois anos e nós tivemos que aguardar que o Governo Federal nos autorizasse a começar a licitar a obra para realiza-lá”.  Ele ainda destacou que todos os investimentos se aproximam de 1 bilhão de reais.

O embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada, ressaltou que o BRT Metropolitano irá beneficiar o meio ambiente diminuindo a emissão de poluentes através da melhora do tráfego e redução do aquecimento global.

O embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada, também falou da parceria de seu governo com o Estado do Pará, que possui a terceira maior colônia japonesa no Brasil. “Neste ano de 2018 a parceria foi muito positiva para os nossos governos, pois aqui comemoramos os 110 anos da imigração japonesa e o Pará ainda recebeu visita da Princesa Mako do Japão”, destacou.

Ele ainda ressaltou que o BRT Metropolitano irá beneficiar o meio ambiente diminuindo a emissão de poluentes através da melhora do tráfego e redução do aquecimento global. “Para nós é muita alegria contribuir com a melhora da vida da população local e com a melhora do meio ambiente mundial”, falou.

Para o diretor-geral do Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano (NGTM), Cesar Meira, este é um conjunto de ações que visam modernizar a BR-316 de uma rodovia antiga para uma avenida moderna. “Para isso priorizamos a construção das passarelas para provocar o mínimo de transtornos possíveis à população”.

O representante da Jica no Brasil, Sr. Akio Saito, falou que a parceria da Jica com o estado do Pará tem desenvolvido inúmeros projetos que garantem a qualidade de vida da população no estado.

O representante da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) no Brasil, Sr. Akio Saito, falou que a parceria da Jica com o estado do Pará tem desenvolvido inúmeros projetos que garantem a qualidade de vida da população no estado, entre eles projetos de educação ambiental na Amazônia Oriental, projetos de desenvolvimento da produção comunitária no estado. “O BRT Metropolitano irá fazer com que as pessoas passem menos tempo no trânsito e mais tempo com suas famílias”, comentou.

A executora da obra é a empresa Odebrecht Engenharia e Construção, com capacidade técnica reconhecida nacional e internacionalmente por realizar importantes obras de infraestrutura no Brasil e no mundo. De acordo com André Araújo, gerente de contrato da empresa, todo o processo licitatório foi acompanhado por órgãos de fiscalização e controle, o que também acontecerá ao longo da execução do projeto, e foi realizado dentro das normas legais vigentes. “A qualidade do edital utilizado pelo Governo do Pará certamente dará à população um equipamento moderno e seguro ao fim do período das obras”, destacou.

BRT

Dentro da perspectiva de promover a requalificação da BR-316, num perímetro de 10,8 km, dentro do limite que foi delegado ao Estado, utilizados diariamente por milhares de moradores da RMB, também haverá intervenção para instalação das pistas exclusivas do Bus Rapid Transit (BRT Metropolitano), das estações e passarelas ao longo do atual canteiro central da via. Fazem parte também desse projeto, dois terminais do BRT e o Centro de Controle Operacional (CCO).

O Centro e o Sistema de Controle Operacional serão construídos e instalados em prédio novo, exclusivamente destinado a essa função, e abrigarão mão-de-obra qualificada, equipamentos e sistemas eletrônicos para rede de comunicações (incluindo sistemas para monitoramento de segurança), bloqueios de acessos a estações e terminais, painéis de mensagens, controles de portas automáticas e contagem de passageiros, além de centralizar o controle dos semáforos. Essa estrutura vai gerir todo o Sistema de Controle Operacional do BRT, ou seja, o Metropolitano e o Municipal.

Para resolver a recorrente questão dos alagamentos serão construídos dispositivos de drenagem necessários para coleta e condução dos efluentes, como sarjetas, bocas de lobo, caixas de inspeção e passagem, e tubulação de drenagem profunda, com diâmetros entre 800 mm e 1.500 mm, para lançamentos do sistema de drenagem nas vias secundárias adjacentes à Rodovia BR-316.

Sistema Complementar

O projeto prevê, ainda, construção de quatro túneis de acesso subterrâneo aos terminais e o viaduto de Ananindeua, que permitirá a ligação direta entre as áreas ao sul da BR, como conjunto Julia Seffer e Aurá à Cidade Nova. Para a construção desse sistema complementar serão destinados recursos na ordem de 80 milhões de reais (equivalente a 15% do total licitado), também contemplados pelo financiamento da Jica.

Para garantir fluidez e segurança do trânsito foi necessária a concepção de passagens subterrâneas para acesso aos Terminais de Ananindeua e Marituba, e viaduto sobre a Rodovia BR-316, facilitando o acesso dos ônibus do BRT da pista central aos terminais, e interligando a área do Terminal de Ananindeua e a pista de pavimento flexível da BR-316 às vias da malha atualmente existentes.

O novo sistema de transporte urbano reduzirá em cerca de 50% o tempo de viagem do destino ao centro de Belém e vice-versa. O ponto inicial do BRT será o Terminal Marituba, localizado no KM-10,7 da Rodovia BR-316, próximo à Alça Viária, e permitirá a integração das linhas alimentadoras que vêm de Marituba. Já em Ananindeua o terminal ficará no KM-6,5 da rodovia, em frente à sede campestre da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil). Nesses terminais serão ofertados serviços à população, como o “Navega Pará”, com acesso gratuito à internet sem fio (Wi-Fi), e a “Estação Cidadania”, com serviços de vários órgãos públicos.

Por Márcio Flexa/ Agência Brasil

Política

Irmã de milicianos assinava cheque em nome de Flávio Bolsonaro, diz revista

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Flávio Bolsonaro (PSL) cada vez mais enrolado

Valdenice de Oliveira Meliga é apontada pela publicação como um dos elos de ligação entre o senador e as milícias do Rio de Janeiro

Agência Estado

Valdenice de Oliveira Meliga, irmã dos milicianos Alan e Alex Rodrigues Oliveira, presos na operação “Quarto Elemento” do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público do Rio de Janeiro, assinou cheques de despesas da campanha em nome do então deputado estadual e atual senador, Flávio Bolsonaro (PSL), conforme reportagem da revista Isto É publicada nesta sexta-feira, (22/2).

A reportagem obteve dois cheques: um de R$ 3,5 mil e outro no valor de R$ 5 mil. Dona de uma empresa de eventos, a Me Liga Produções e Eventos, Val era uma das pessoas a quem o filho do presidente Jair Bolsonaro deu procuração, conforme documento enviado à Justiça Eleitoral, para cumprir a tarefa.

Val é apontada pela IstoÉ como mais um dos elos de ligação do senador com milícias do Rio de Janeiro, com o suposto uso de laranjas e expedientes na campanha para fazer retornar ao partido dinheiro do fundo partidário. De acordo com a reportagem, um dos cheques assinados por Val, no valor de R$ 5 mil, é destinado à empresa Alê Soluções e Eventos Ltda, que pertence a Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira. O pagamento seria referente ao serviço de contabilidade das contas de Flávio Bolsonaro.

Ocorre, porém, que Alessandra era também funcionária do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), com um salário de R$ 5,1 mil. Estava vinculada ao escritório da liderança do PSL na Alerj, exercida por Flávio. E, na época da campanha eleitoral, exercia a função de primeira tesoureira do partido.

Ainda conforme informações da Isto É, a primeira tesoureira do PSL, ou seja, a pessoa a quem cabia destinar os recursos, fez, por meio de sua empresa, a contabilidade de 42 campanhas eleitorais do PSL no Rio. Ou seja: cerca de um a cada cinco postulantes a um cargo político do PSL carioca deixou sua contabilidade aos serviços da companhia Alê Soluções, empresa de Alessandra, tesoureira do partido. Assim, a responsável por entregar e distribuir os recursos do partido tinha parte do recurso de volta para as contas de uma empresa de sua responsabilidade. Com preços abaixo da média do mercado, a companhia de Alessandra recebeu cerca de R$ 55 mil das campanhas.

Além disso, a reportagem informa que Alessandra atuou em conjunto com o escritório Jorge L.A. Domingues Sociedade Individual de Advocacia, que tem como um dos sócios o advogado Gustavo Botto. Na prestação de contas à Justiça Eleitoral, Gustavo Botto também aparece como um dos administradores das contas de Flávio Bolsonaro. No combo que coloca Alessandra como contadora e Botto como advogado, estiveram 36 campanhas do PSL na última eleição. Seus serviços também variaram entre R$ 750 e R$ 5 mil. No total, renderam ao escritório R$ 38 mil.

Candidatos do PSL ouvidas pela revista relatam que, ao final, praticamente os únicos gastos que efetivamente fizeram em suas respectivas campanhas foram com a empresa de Alessandra e o escritório de Botto.

Outro aspecto considerado estranho, de acordo com a revista, é que a empresa Alê Soluções está localizada na Estrada dos Bandeirantes 11.216, na Vargem Pequena, nos registros da Receita Federal, uma área de milícias. Para o Tribunal Regional Eleitoral, no entanto, o endereço anotado é Avenida das Américas número 18.000 sala 220 D, no Recreio dos Bandeirantes – endereço da sede do PSL do Rio de Janeiro.

Situação semelhante acontece com o escritório Jorge L.A. Domingues Sociedade Individual de Advocacia. Para a Receita, o endereço informado é uma casa em Vila Valqueire. Para a Justiça Eleitoral, foi novamente a sede do PSL do Rio. Por curiosidade, todos os endereços mencionados ficam em Jacarepaguá, onde também mora o ex-motorista de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, diz a IstoÉ.

A revista apurou que, durante a campanha, a companhia Alê só trabalhou na contabilidade dos candidatos. Entre maio de 2007 e agosto do ano passado, a empresa emitiu 183 notas fiscais eletrônicas, conforme os registros do número das notas concedido ao TRE – uma média de 16 notas por ano.

Somente durante a eleição foram 46 notas em 4 meses. Notas sequenciais, o que indica o serviço exclusivo para as campanhas, diz a reportagem. Apenas no dia do primeiro turno da eleição, 7 de outubro, foram emitidas 18 notas fiscais entre as 21h31 e as 22h43. Uma média de uma nota fiscal a cada 4 minutos. Houve caso de notas fiscais emitidas em um tempo inferior a 2 minutos entre uma e outra.

Procurada pela Isto É, Alessandra Oliveira disse não enxergar conflito ético no fato de ser ao mesmo tempo tesoureira do partido, funcionária de Flávio Bolsonaro e ter contratado sua empresa para fazer a contabilidade das campanhas. Gustavo Botto afirma que trabalhava de fato na sede do partido para, segundo ele, “facilitar a administração e resposta de eventuais comunicações processuais”, diz a revista. A assessoria de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o assunto.

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Política

Bancada feminina é formada para atuar na Alepa

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Um dos resultados das últimas eleições é que o número de mulheres eleitas na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) cresceu. Até o ano passado, eram apenas três deputadas. Para a 19ª Legislatura (2019/2023), foram eleitas 10 deputadas. Se depender da disposição das parlamentares, na Alepa as mulheres terão voz e voto. Nesta quarta-feira (20.02), elas fizeram a primeira reunião da Bancada Feminina.

Juntas, elas representam 25% do parlamento paraense, um número significativo e que pode dar uma vantagem importante na votação e aprovação de projetos de interesse das mulheres. “Pela primeira vez, temos esse número expressivo de parlamentares mulheres e não fomos eleitas pela nossa beleza, mas para debater e votar nossa pauta, que é muito reprimida”, falou a deputada Marinor Brito, autora da iniciativa. “O parlamento ainda é um ambiente muito masculino, todas nós vamos sentir no dia a dia o atropelamento dos homens pelos seus interesses. Se não imprimirmos desde o início uma dinâmica de trabalho, com pautas comuns e rotinas de atuação, não teremos o respeito enquanto mulheres eleitas”, avalia Marinor.

Nesta primeira reunião, cinco deputadas participaram. Outras cinco justificaram a ausência por estarem fora de Belém, mas acompanharam as discussões por aplicativos de mensagens.

Entre as deliberações iniciais, as integrantes da nova bancada estabeleceram um pacto de colaboração e apoio mútuos, em que projetos, ações e atividades relacionadas à defesa dos direitos das mulheres serão feitos em conjunto e endossados por todas.

E propostas não faltam, desde a criação de uma Ouvidoria, de uma Procuradoria e de uma Frente Parlamentar das Mulheres, até a mobilização em defesa de políticas públicas voltadas para os interesses femininos, principalmente nas áreas de combate à violência e pela saúde das mulheres.

“Mais do que falarmos entre nós do que precisamos, temos que alcançar os homens com as mudanças que são necessárias para que os avanços aconteçam de fato”, ressaltou a deputada Heloísa Guimarães. Já a deputada Paula Gomes destacou a concentração de esforços em uma pauta definida. “Precisamos manter o foco nos temas mais relevantes para não nos dispersarmos em tantos aspectos. Só assim, teremos de fato ações efetivas na aprovação de políticas públicas”, disse a deputada.

“O importante é que, mesmo sendo de partidos e ideologias diferentes, possamos sempre dialogar e resolver as divergências para termos uma posição final forte e unida. Com a experiência de cada uma, poderemos fortalecer a luta pelas mulheres”, complementou a deputada Michele Begot.

Mês da Mulher – A criação da Bancada Feminina da Alepa  já tem previsão das primeiras atividades em março. A Assembleia Legislativa vai realizar no dia 11 de março a Sessão Solene em alusão ao Dia Internacional de Luta da Mulher (comemorado em 8 de março), e no dia 15, será realizada uma audiência pública sobre a violência contra a mulher. “Vamos marcar nossas posições e abrir espaço em nossos mandatos para defender as bandeiras de luta femininas na política. Minha experiência na Câmara de Vereadores de Ananindeua já foi uma amostra das dificuldades, temos que ter um mandato de resistência pelas mulheres”, afirma a parlamentar Professora Nilse. “Nossa atuação no parlamento  e na Bancada Feminina será fundamental para o empoderamento feminino e para a defesa de direitos das mulheres”, conclui a deputada.

A próxima reunião da Bancada Feminina foi marcada para após o carnaval.

 Dina Santos/ ASSESSORIA DE IMPRENSA E DIVULGAÇÃO

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Cidade

Organização criminosa usou submarino para levar drogas à África

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Alex Rodrigues / Agência Brasil 

 

Brasília – Uma organização criminosa acusada de transportar drogas da Bolívia, Colômbia e Venezuela para o Brasil, Estados Unidos e Europa chegou a usar um submarino para cruzar o Atlântico com destino à costa do continente africano com até 8 toneladas de entorpecentes a cada viagem. A embarcação foi apreendida em meados de 2018, no Suriname.

“O submarino foi apreendido durante as investigações iniciadas há dois anos. Ele foi localizado próximo a uma pista de pouso clandestina usada pela organização e onde foram apreendidos 400 quilos de entorpecentes”, disse hoje (21) o delegado federal Marcelo Botelho, responsável pela Operação Flak, deflagrada nesta quinta-feira.

Polícia Federal/Divulgação

Além de um submarino, aviões eram usados para levar droga para os Estados Unidos e Europa   (Polícia Federal/divulgação)

Segundo o delegado, a droga apreendida no avião localizado em uma pista clandestina seria transferida para o submarino, atracado a 50 quilômetros de distância. De lá, os criminosos seguiriam para a África, de onde o entorpecente seria distribuído para a Europa.

“Uma particularidade que nos impressionou é a capilaridade da organização criminosa, que tem contatos em diversos países”, comentou Botelho, esclarecendo que, além dos 54 mandados de prisão e 81 mandados de busca e apreensão que estão sendo cumpridos no Ceará, Distrito Federal, Goiás, Pará, Paraná, Roraima, São Paulo e Tocantins, as autoridades brasileiras também acionaram a Interpol, pedindo a colaboração para deter seis suspeitos de integrar o esquema que podem estar no exterior.

Prisões

Até o início desta tarde, ao menos 26 pessoas já tinham sido presas, entre elas, pilotos de jatos executivos. A 4ª Vara Federal de Palmas (TO) autorizou a apreensão de 47 aeronaves, além do sequestro de bens e do bloqueio das contas bancárias de mais de 100 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar a organização criminosa.

“Mais que as prisões e as buscas para apreender provas que auxiliem as investigações, a operação de hoje atingiu o poder financeiro da organização”, disse Botelho.

“Nosso foco foi a desarticulação, foi a descapitalização da organização. Justamente para evitarmos que o crime continue a ser praticado mesmo após a prisão dos principais líderes e membros da organização”,  afirmou.

Apesar de chegar a utilizar um submarino, a especialidade do grupo, segundo a Polícia Federal, era o transporte aéreo de grandes quantidades de drogas.

De acordo com o Botelho, trata-se de uma “organização bem estruturada, que tinha nítida divisão de tarefas”. Ao longo das investigações, os agentes federais identificaram quatro núcleos: o logístico, responsável por gerenciar a parte operacional, como a escolha de aeronaves, a contratação de pilotos e a construção de pistas clandestinas.

Voos irregulares

Um núcleo aeronáutico era encarregado de identificar rotas que permitissem aos pilotos fugirem do controle aéreo e de elaborar planos de voos irregulares. Outro núcleo era o varejista, responsável por contatar os produtores de drogas e os destinatários finais, em outros países.

Por fim, havia o núcleo mecânico, formado pelos que faziam a manutenção das aeronaves. Estes profissionais chegavam a adaptar um sistema que permitia que os aviões usados no esquema fossem abastecidos em pleno voo, de forma a aumentar a autonomia de voo das aeronaves, para que não precisassem pousar.

De acordo com o delegado federal, isso colocava em risco a segurança de todo o transporte aéreo, já que, além de viajar com planos de voo irregulares, os aviões da organização passavam despercebidos pelos radares.

O próprio piloto assumia riscos ao abastecer a aeronave em pleno voo e há indícios de que aeronaves usadas pela organização caíram, vitimando os tripulantes.

“Apesar de lucrativo, o crime trazia grandes riscos para os pilotos. Há registros de quedas de aeronaves, com a consequente morte ou desaparecimento de pilotos”, afirmou Botelho, acrescentando que a organização também chegou a destruir aviões apenas para “apagar” as evidências de tráfico internacional de drogas. “Incluindo aeronaves com valor de mercado de R$ 1 milhão.”

Segundo Botelho, a organização tentava mascarar suas atividades ilícitas contratando pilotos que, paralelamente, exerciam atividades lícitas, como voos comerciais e atividades agrícolas. E lavava o dinheiro investindo em fazendas, criação de gado, postos de combustível, garimpo e na revenda das próprias aeronaves usadas no esquema.

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