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BRASIL GERAL

Ataque contra indígenas no Maranhão mata 2 e deixa 2 feridos

Fonte/Foto: UOL

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Dois índios da etnia Guajajara morreram e outros dois ficaram feridos na tarde de hoje. As informações são da Polícia Civil e foram confirmadas pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão e por indígenas ouvidos pela reportagem. A Polícia Rodoviária Federal também foi acionada.

As autoridades do estado falam que houve um atentado a tiros contra um grupo indígena na BR-226 entre os municípios de Grajaú (MA) e Barra do Corda (MA). O ataque ocorreu próximo às aldeias Boa Vista e El Betel, que ficam às margens da BR-226. Até agora, ninguém foi preso, nem se sabe a causa do ataque.

Um índio morreu no local do atentado e outro durante o socorro. Os outros dois indígenas feridos foram socorridos para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Jenipapo dos Vieiras.

Segundo o Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena), os feridos são Nico Alfredo Guajajara, da aldeia Mussun, e Neucy Cabral Vieira, da aldeia Nova Vitoriano. Eles estão sendo atendidos na Unidade de Pronto Atendimento de Barra do Corda.

Vieira sofreu duas perfurações na perna. Ele passou por procedimento de sutura nas perfurações e está em observação médica, com alta prevista para este domingo. Já Nico Alfredo foi atingido por um tiro no glúteo e está com suspeita de hemorragia interna. Após estabilização, o indígena foi transferido para o hospital de Presidente Dutra.

Em protesto, índios bloquearam o trecho da rodovia onde ocorreu o ataque. Não há previsão de liberação da rodovia. Equipes das polícias Rodoviária Federal, Civil e Militar estão no local.

A Polícia Civil informou que um ônibus que passava pelo local do protesto furou o bloqueio e foi atingido por pedras. O motorista se assustou com o bloqueio, acreditando que era assalto e acelerou contra a barreira. Não há relatos de passageiros feridos.

Como ocorreu o ataque

Segundo a polícia, os índios voltavam de uma reunião entre a Funai (Fundação Nacional do Índio) e a Eletronorte, que fornece energia elétrica para a região, na aldeia Coquinho, no município de Jenipapo dos Vieiras, quando foram atingidos a tiros disparados por ocupantes de um celta branco, de placas não anotadas. Até agora, o carro não foi identificado.

A Funai disse que os índios tratavam sobre compensações nas aldeias pela passagem de linhas de energia elétrica dentro de terras indígenas.

“Numa descida, próximo à aldeia, eles foram abordados e alvejados a tiros. Não perguntaram nada, simplesmente atiraram. No trajeto, eles baixaram os vidros do carro para ver se era indígena e atiraram neles. Até o momento ninguém sabe o porquê dos disparos, dessa manifestação de violência”, disse uma liderança indígena.

Lideranças indígenas enviaram áudios

Lideranças indígenas enviaram diversos áudios para o UOL relatando o ocorrido e eles dizem que o clima no local é de tensão. “Pedimos que a polícia apure e a Justiça busque faça a punição dessas pessoas. O clima aqui está tenso, não é brincadeira”, disse a liderança da Terra Indígena Cana Brava, Mauro Guajarara, que é cacique da aldeia Monalisa.

O governo do Maranhão informou que a Sedihpop (Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular) está acompanhando o caso junto à SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública) e representantes da Funai.

“Neste momento, uma equipe técnica da Sedihpop encontra-se em deslocamento à Jenipapo dos Vieiras. A SSP, por meio das polícias Civil e Militar, está no local, tomando as providências cabíveis. Os indígenas feridos já foram encaminhados para o hospital, com apoio do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) do Maranhão”, informou.

O Governo do Maranhão disse que informou o caso à Polícia Federal “solicitando a adoção das medidas cabíveis.”

Quem são as vítimas

Segundo o cacique Magno Guajajara, os índios mortos são os caciques Firmino Prexede Guajajara, 45, da aldeia Silvino, e Raimundo Bernice Guajajara, 38, da aldeia Decente. Eles são, respectivamente, da Terra Indígena Cana Brava e Lagoa Comprida.Segundo o cacique Magno Guajajara, os índios mortos são os caciques Firmino Silvino Guajajara e Raimundo Bernice Guajajara. Eles são da Terra Indígena Cana Brava e Lagoa Comprida.

A líder indígena e coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara, está na Espanha participando de manifestações internacionais denunciando a violência sofrida por índios e o clima de tensão que se vive nas terras indígenas por conta de fazendeiros e madeireiros. Ela se manifestou sobre o atentado contra os índios por meio do Instagram. Ela cobrou das autoridades proteção.

“É preciso que as autoridades tenham uma olhar específico para os povos indígenas, vida estão sendo tiradas em nome do ódio e preconceito! Nenhuma gota mais de sangue indígena!”, completou.

Em novembro, o líder indígena Paulo Paulino Guajajara foi assassinado em um confronto com madeireiros na Terra Indígena Arariboia, na região de Bom Jesus das Selvas (MA). Ele integrava grupo de agentes florestais indígenas autodenominados “guardiões da floresta”, que atua na preservação da mata.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, informou que a Funai está na aldeia tomando providências junto com o governo do Maranhão e que poderá enviar a Força Nacional para dar proteção aos Guajajaras.

“A Polícia Federal já enviou uma equipe ao local e irá investigar o crime e a sua motivação. Vamos avaliar a viabilidade de envio de equipe da Força Nacional à região. Nossa solidariedade às vítimas e aos seus familiares”, disse Moro, no Twitter.

A CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) repudiou o atentado aos índios Guajajaras e pediu que as autoridades se voltem ao caso e elucidem o crime com urgência.

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