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Belém investe na redução da doença de Chagas por consumidor de Açaí

A Sesma acompanha os pacientes identificados com a doença e também os familiares. A ordem é prevenir e controlar a infecção por Chagas.

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Prefeitura i ãoda

Após o diagnóstico, o servidor público iniciou imediatamente o tratamento com a doença ainda na fase aguda, quando as chances de cura são maiores. Passou a ser acompanhado pela equipe da Sesma e iniciou uma bateria de exames para avaliação do coração e de outras partes do corpo que poderiam ter sido afetadas pela doença. A família dele também passou por exames e segue sendo monitorada pelos profissionais da Sesma.

“A gente sabe que o parasita procura o músculo do coração. As informações que recebi me ajudaram a passar por tudo isso e ficar mais tranquilo. Importante saber que fui diagnosticado na fase aguda. Agora estou de licença do trabalho por quatro meses e com todo apoio da minha família”, afirma.

Gustavo Cruz, técnico responsável pela Vigilância da Doença de Chagas na Sesma, explica que em Belém todos os casos agudos de doença de Chagas estão relacionados à transmissão oral, através do consumo de alimentos, como o açaí, contaminados pelo parasita Trypanossoma cruzi, agente causador da doença de Chagas que está presente nas fezes do barbeiro, inseto transmissor da doença. “Nos últimos três anos, temos registrado doença de Chagas durante ano inteiro. Porém, durante a safra do açaí, de junho a dezembro, temos um aumento significativo dos casos”, informa. Somente em 2018, 23 pessoas já foram confirmadas com a doença em Belém, sendo cinco por contaminação em outros municípios.

Para controle da doença, o município possui ações integradas da Vigilância Epidemiológica, Entomológica e Sanitária e da Educação em Saúde, bem como treinamento para os profissionais de saúde pública e privada. Paralelamente, se implantou o selo de qualidade “Açaí Bom”, uma iniciativa que visa destacar os pontos de venda de açaí que seguem o Decreto Estadual 326/12 e fazem a técnica do branqueamento, que consiste em mergulhar o fruto em água a 80°C por dez segundos e logo em seguida em água fria, antes do processamento na batedeira (despolpamento).

“O alimento pode estar contaminado com as fezes do barbeiro ou com o próprio barbeiro infectado quando não é devidamente higienizado. No caso do açaí, se não é feito o branqueamento a pessoa que ingere corre o risco de ser contaminada. Por isso, é importante comprar o açaí nos pontos que façam o procedimento correto, que tenham o selo da Prefeitura de Belém, o que significa que os manipuladores já passaram por treinamento e fiscalização. O açaí pode ser um pouco mais caro nesses pontos, pois tem o investimento em equipamento e treinamento, mas vale a pena pela segurança no consumo”, destaca Gustavo.

Quanto antes a doença for descoberta, maiores são as chances de cura, visto que na fase aguda a vigilância epidemiológica pode agir com medidas preventivas. Na fase crônica, a doença já causa problemas no coração, no intestino e no esôfago, que ficam em tamanho maior e impedem o funcionamento adequado do organismo.

O principal sintoma da doença de Chagas aguda é a febre por sete dias ou mais. “Antes disso é difícil suspeitar da doença de Chagas, pois a febre está presente em várias doenças, em viroses e infecções. Podemos ter, também, o inchaço do rosto e membros inferiores, aumento do fígado e baço, dor de cabeça, fraqueza, palpitações e astenia (perda de força física)”, explica Gustavo.

O técnico esclarece ainda que como a infecção se dá através do alimento, que costuma ser compartilhado pelos membros da família. O acompanhamento é estendido a todos os familiares do caso confirmado, para que sejam detectados possíveis casos sem sintomas. “É importante ressaltar que a doença de Chagas não é transmissível de pessoa para pessoa, não há necessidade de isolamento”, acrescenta Gustavo.

Laboratórios – Pessoas com o quadro suspeito para doença de Chagas podem buscar atendimento em qualquer unidade de saúde do município. Belém dispõe de 18 laboratórios com profissionais capacitados para diagnóstico parasitológico da doença de Chagas aguda e da malária, que estão distribuídos por todos os distritos sanitários, sendo que o laboratório da Unidade da Marambaia funciona em regime de plantão, 24h por dia, todos os dias do ano. A medicação para o tratamento é específica e disponibilizada gratuitamente pelo Ministério da Saúde, e distribuída pela Divisão de Vigilância Epidemiológica.

O servidor público em tratamento na Sesma diz que o açaí continua na mesa da família, mas agora há o cuidado com o local de aquisição. “Eu só não faço jantar, pois não posso mais. Mas no almoço é garantido o açaí. Não tenho medo de não de consumir o açaí, mas agora estou escolhendo melhor os pontos que fazem o branqueamento e estou mais atento com a manipulação do açaí. Mas parar de tomar, nem pensar!”, afirma.

Hoje,  o “Açaí do Edson” é uma referência e atrai dezenas de consumidores diariamente.

Selo certifica pontos de venda de açaí que cumprem normas de higiene

Afixado com destaque na vitrine do ponto “Açaí Nativo”, o selo de qualidade “Açaí Bom” é exibido com orgulho pelo proprietário, Sidney Lobato. O selo foi conquistado com o empenho de Sidney e toda a sua equipe. Antes de abrir o negócio, ele buscou a Casa do Açaí para aprender a manipular corretamente o fruto. “Nós já iniciamos nosso trabalho conforme a legislação determina. Nossos clientes gostam. Estamos aqui há dois anos e a cada dia a clientela está crescendo mais e procuramos dar um açaí branqueado, livre de contaminação. Não temos reclamação”, afirma.

O “Açaí Nativo” está entre os 145 estabelecimentos que possuem atualmente o selo de qualidade “Açaí Bom”, criado pela Prefeitura Municipal de Belém em 2015, na primeira gestão do prefeito Zenaldo Coutinho, com o objetivo de sinalizar para o consumidor os pontos vistoriados pela Vigilância Sanitária, que possuem licença de funcionamento e cumprem as normas higiênico-sanitárias exigidas pelo Decreto Estadual 326.

O estabelecimento de Lobato também está classificado entre os onze melhores pontos de açaí da capital e que receberão o selo do açaí na versão Ouro, uma edição limitada para os batedores que controlam a qualidade do seu produto e possuem laudo satisfatório da Vigilância Sanitária.

“Com certeza esse selo é importantíssimo porque é um reconhecimento da própria Vigilância Sanitária de Belém pela seriedade com que é feito o trabalho aqui nesse ponto de açaí. Isso é importante porque os nossos clientes vêm aqui ver o selo e sabem que a gente tem um trabalho sério e é fiscalizado. Na parede temos todos os laudos da Vigilância Sanitária”, destaca o proprietário.

O empenho do empresário é ratificado pelo consumidor Carlos Alberto Silva, que há um ano e meio só consome o açaí do ponto do seu Lobato. Para ele, o investimento é fundamental para atrair o consumidor de forma segura, principalmente em relação à saúde. “Aqui a gente vê que é uma empresa que está oferecendo qualidade na produção do açaí e na qualidade do sabor, com relação à limpeza, tudo. É válido que a gente retorne, compre e mande o produto para nossos parentes que estão fora da nossa cidade. O selo de qualidade é uma segurança para a própria saúde dos consumidores”, afirma o consumidor, que compra açaí para a família inteira no estabelecimento.

O “Açaí do Edson” está entre os pontos de batedores que receberão o selo Ouro do “Açaí Bom”.

De acordo com Camila Miranda, gerente da Casa do Açaí, a vigilância sanitária acompanha os estabelecimentos que possuem o selo de qualidade, que são aqueles que têm uma visibilidade maior e precisam estar totalmente dentro do padrão. “O selo de qualidade veio pra direcionar a população para os melhores batedores de açaí. Infelizmente tivemos uma queda no selo, porque vimos que, como em qualquer outro negócio, a pessoa alcançou o objetivo e relaxou. Mas é importante destacar que para manter a qualidade do ponto e do açaí o trabalho tem que ser de interesse primeiramente do batedor, em ser honesto e cumprir as normas. Já está provado que o estabelecimento que tem selo vende mais porque o selo já é uma referência e leva o consumidor a comprar no local que tem o selo”, reforça Camila.

Um estabelecimento que recebe o selo da Vigilância Sanitária e da Casa do Açaí passa a receber visitas surpresas necessárias para que se garanta a qualidade do serviço. “Fazemos as coletas para análise dos produtos do açaí, que são enviadas para o Laboratório Central (Lacen, da Secretaria de Estado de Saúde Pública), que de 15 a 20 dias libera o laudo. Após a nossa análise, se algo estiver inadequado conversamos com o batedor para que ele se adeque. Avaliamos se possui amido, que é a mistura mais comum, e como estão as salmonelas e coliformes fecais”, explica Camila.

O consumidor João Monteiro da Costa faz questão de mostrar que conhece e valoriza o selo “Açaí Bom”.

Consumidor destaca Qualidade

No ponto “Açaí do Edson”, o consumidor João Monteiro da Costa faz questão de mostrar que conhece e valoriza o selo “Açaí Bom”. “O açaí daqui é muito bom por causa do sabor diferente. Eu poderia dizer que é por causa do fruto, mas eu acho que é por causa da qualidade com que eles trabalham. A gente tem ouvido falar desse selo e procura comprar sempre onde ele tem, até por causa da questão da saúde. É que você tem segurança de comprar um produto bom, que não tem risco de adoecer e confirma que o produto é feito com qualidade”, afirma.

Para o proprietário, Edson Calandrine, que há mais de 30 anos trabalha com açaí no bairro da Pedreira, é uma grande responsabilidade trabalhar com um dos frutos mais consumidos pela população local, por isso ele não relaxa na qualidade e na higiene. Edson também está entre os batedores que receberão o selo Ouro do “Açaí Bom”. “Procurei ter o selo porque é importante ter. Os fiscais da Vigilância Sanitária vieram aqui comigo e foram me dando o passo a passo para eu adquirir esse selo, como a manipulação, importância da limpeza, e fazer o curso para me capacitar. Aprendi muita coisa importante para manter a saúde, dar bem-estar para o cliente”, conta.

Edson investiu cerca de R$ 25 mil no maquinário e na reforma do ponto até chegar ao padrão proposto pela vigilância. Hoje o “Açaí do Edson” é uma referência e atrai dezenas de consumidores diariamente.

Para adquirir o selo, os batedores devem procurar a Casa do Açaí, localizada na travessa do Chaco, 1490, entre a avenida Duque de Caxias e a travessa Visconde de Inhaúma, de 8h às 17h. Informações podem ser obtidas pelo telefone (91) 3236-1138.

Por Paula Barbosa

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