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SAÚDE

Belém mantém assistência em saúde e educação a indígenas da Venezuela

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Por Dedé Mesquita

 

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria de Municipal de Saúde (Sesma) convocou uma reunião da rede de proteção aos imigrantes venezuelanos refugiados na capital paraense, em virtude da morte de dois bebês, da etnia Warao, com suspeita de sarampo, no último final de semana. A reunião foi na manhã desta segunda-feira, 27, na sede da Companhia de Desenvolvimento Metropolitano de Belém (Codem). A rede de atendimento é formada por membros de entidades municipais, estaduais e federais.

Os dois registros de mortes ocorreram em crianças que já chegaram doentes em Belém, oriundas da Venezuela, integrantes de um grupo de cerca de 60 venezuelanos, que entraram na cidade entre os dias 27 e 28 do mês passado.

A primeira morte foi a de C. R., de 7 meses, registrada na sexta-feira, 25, no Hospital do Pronto Socorro (PSM) Mário Pinotti, no bairro do Umarizal, mas a Sesma aguarda, ainda, o resultado de outros exames para definição da causa da morte da criança, conforme determina o protocolo do Ministério da Saúde.

A morte de T.R., de 4 meses, ocorreu no último sábado, 25, quando o bebê estava internado no Hospital Universitário João de Barros Barreto, no bairro do Guamá. A secretaria, nesta situação, confirma a causa da morte por sarampo, mas ressalta que o caso segue em investigação, como o da primeira criança. A confirmação final só é feita pelo exame de biologia molecular que é realizado pelo laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro (RJ).

Cuidados – Após o registro de suspeita de sarampo, no primeiro caso, a Sesma, por meio do Departamento de Atenção à Saúde e Direção de Atenção Básica e do Consultório na Rua (CnR), reforçou o atendimento multiprofissional em saúde a comunidades indígenas da etnia Warao, o que já está sendo feito, desde 20 de setembro do ano passado.

Em menos de 30 dias, em relação ao penúltimo grupo de Warao que chegou a Belém, foram feitas oito internações, nas quais as crianças apresentavam quadros de sintomas agravados. Somente três dessas crianças foram acompanhadas pelos genitores, as demais estavam com outros adultos e por diversas vezes ficaram sozinhas durante a hospitalização.

Com a ocorrência dos óbitos, entrou em cena a Divisão de Vigilância Epidemiológica, que ultimou as ações de bloqueio vacinal. Atualmente, todos os adultos Warao e as crianças acima de 12 meses estão vacinadas, sejam os que estão no Abrigo Estadual para Migrantes Domingos Zaluth, mantido pelo Governo do Estado, seja nas casas que alguns dos indígenas mantêm no bairro da Campina.

Também está sendo mantida vigilância ativa para os casos de doença exantemáticas – com manchas avermelhadas na pele -, como o sarampo. Todos os casos suspeitos são monitorados e seguem o protocolo do Ministério de Saúde.

Até o momento, são 12 venezuelanos que apresentaram sinais e sintomas e estão em investigação para sarampo. Destes, seis apresentaram sorologia positiva e aguardam o exame de biologia molecular, incluindo a criança que morreu no último sábado, para confirmação ou não dos casos.

O bloqueio vacinal é a aplicação de vacina em todas as pessoas próximas aos casos suspeitos e/ou confirmados em todos os abrigos e alojamentos e na área ao redor, como preconiza o programa de imunização. Foram administradas aproximadamente 500 doses de vacina Tríplice Viral, nesse bloqueio.

Para Rita Rodrigues, psicóloga do Consultório de Rua, as atenções com os venezuelanos que chegam a Belém são imediatas. “Assim que tomamos conhecimento da chegada de cada grupo, e eles estão chegando na mesma proporção dos que vão embora, nós fazemos esse atendimento e logo solicitamos a cobertura da vacinação. Atualmente, todos os Warao adultos estão vacinados”, enfatizou a psicóloga.

Rita diz que, mesmo em decorrência das mortes das duas crianças, os procedimentos que já são realizados, desde o ano passado, quando os primeiros refugiados chegaram a Belém, não vão mudar. “Nós não iremos mudar o que já está sendo feito, porque já temos um fluxo estabelecido, muito bem organizado e estratégico. Os indígenas têm um entendimento bem diverso do que entendemos como doença, mas para superar essa barreira contamos com a nossa equipe multidisciplinar, que conta, inclusive, com antropólogos”, explicou Rita Rodrigues.

Reunião – Alguns direcionamentos foram tomados, a partir da reunião, convocada pela Prefeitura de Belém, no final da manhã desta segunda-feira.

O prefeito Zenaldo Coutinho reforçou a todos os presentes que, desde o dia 20 de setembro de 2017, a Prefeitura vem prestando atendimento multiprofissional em saúde a comunidades indígenas da etnia Warao, distribuídas na cidade de Belém, desde o contato inicial com o primeiro grupo encontrado no complexo do Ver-o-Peso, bairro da Campina.

Atualmente, em Belém estão 266 indígenas Warao, sendo 110 crianças, divididos em grupos familiares, mas esse é um número flutuante, porque alguns voltam ao seu País de origem, e outros chegam.

Uma das decisões sobre a situação dos indígenas é a de que eles não podem mais ficar nas casas/cortiços mantidos por eles mesmos, no bairro da Campina, que estão em condições de péssima higiene.

“Em face a esse problema de higiene, o que poderia ter agravado o quadro de saúde das crianças, a Prefeitura e o Governo do Estado estão em busca de um novo espaço para abrigar esses refugiados”, adiantou o prefeito.

Na reunião, Heitor Pinheiro, titular da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), adiantou que outra casa será alugada, para funcionar como abrigo para os Warao, mas que esse local será em lugar diverso do bairro da Campina.

O prefeito também informou que um espaço exclusivo para servir de escola para as crianças Warao já está acertado. “As equipes da Semec visitaram 17 casas, e uma foi a escolhida. Ela fica localizada entre os bairros de São Brás e Guamá. É uma casa bem ampla, com um grande quintal, e será lá que vai funcionar a escola municipal para essas crianças”, detalhou Coutinho.

Para melhor gerir esse espaço de educação, oito indígenas da etnia Warao vão ser contratados, pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Educação (Semec). “Já autorizamos a contratação dos indígenas, que irão trabalhar em serviços gerais, na portaria e também na cozinha, como merendeiras, ao lado de profissionais do município. Já estamos em entendimento para que os Warao nos indiquem quem serão essas pessoas”, continuou o prefeito.

“Estamos trabalhando nessa grande rede de acolhimento, com cada ente fazendo a sua parte. Nós do município estamos focados na questão da saúde e educação para os Warao. O Governo do Estado está cuidando do abrigamento deles e também das questões jurídicas para que eles permaneçam em Belém, mas de forma correta. O que sentimos nesse meio tempo é falta de apoio do Governo Federal que ainda não mostrou o que já poderia estar fazendo quanto a esses refugiados”, destacou Zenaldo Coutinho.

Sarampo –  O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, transmitida pela fala, tosse e espirro, e extremamente contagiosa e pode ser contraída por pessoas de qualquer idade, mas também pode ser prevenida pela vacina.

No momento, está em curso em Belém e em todo Brasil a campanha de vacinação, mas a cobertura está aquém do que é esperado. Em virtude da, ainda, baixa resposta, a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) vai estender a campanha até o dia 15 de setembro, duas semanas além do tempo inicial previsto.

As complicações infecciosas contribuem para a gravidade do sarampo. A melhor prevenção é a vacinação, que está disponível nas Unidades de Saúde, durante o ano todo, de acordo com o calendário vacinal.

“A vacina contra o sarampo é administrada em duas doses para indivíduos de 12 meses a 29 anos e uma dose para adultos de 30 a 49 anos. Pessoas acima de 50 anos não precisam vacinar porque já entraram em contato com o vírus”, alertou a diretora de Vigilância em Saúde da Sesma, Leila Flores.

A Sesma orienta constantemente os profissionais de saúde para notificação obrigatória e imediata de casos suspeitos da doença à vigilância epidemiológica municipal.  Em casos de sintomas como febre e manchas avermelhadas na pele, seguidas de tosse e/ou coriza e /ou conjuntivite, deve-se procurar imediatamente avaliação médica.

“Além da campanha, a Sesma também está com diversas estratégias para atingir o público-alvo, como vacinação em shoppings, um posto de vacinação no ‘Rua de Todos’ aos domingos na avenida Visconde de Souza Franco. Durante a semana, os pais devem levar os filhos, de 1 a 4 anos, na Unidade Municipal de Saúde mais próxima da sua casa, das 8 às 17 horas, munidos do cartão de vacinação e independente da situação vacinal da criança”, reforçou Leila Flores.

 

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