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Boca x River é a maior decisão da história da Libertadores neste domingo em Madid

Torcedores do River e do Boca diante do estádio Santiago Bernabéu, em Madri, às vésperas da final da Libertadores. PAOLO AGUILAR EFE

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River Plate e Boca Juniors se enfrentam neste domingo, 9 de dezembro, às 17h30 (horário de Brasília), no estádio Santiago Bernabéu, em Madri, pela final da Copa Libertadores 2018. O jogo será transmitido pelos canais FOX Sports e SporTV (tv fechada).

Após empatarem por 2 a 2 na La Bombonera, o segundo jogo da final estava marcado para o dia 24 de novembro, no estádio Monumental, casa do River, em Buenos Aires, mas foi adiado porque a torcida mandante arremessou pedras no ônibus dos jogadores do Boca durante a chegada da equipe ao estádio. A partida foi remarcada para o dia seguinte, mas voltou a ser suspensa após os xeneizes alegarem que não estavam em condições. O Boca pediu a suspensão definitiva do jogo de volta e o título continental mas, em reunião dias depois, Conmebol e clubes acordaram pela realização da final no estádio Santiago Bernabéu, casa do Real Madrid, tirando a decisão da Libertadores da América do Sul pela primeira vez na história.

 

Primeiro confronto

A primeira disputa entre Boca Junior e River Plate foi tensa, como esperado. Os dois clubes de Buenos Aires empataram por 2 a 2 no estádio La Bombonera na primeira fase da final da Copa Libertadores. Tudo se resolverá no sábado, 24 de novembro, no campo do Monumental.

Boca fez o primeiro gol apesar da pressão de River Plate no primeiro tempo. Aos 34 minutos, o atacante Ramón Ábila arrematou duas vezes ao gol de Franco Armani e, em sua segunda oportunidade, venceu-lhe. A resposta dos milionários foi fulminante no minuto seguinte. Lucas Pratto tomou recebeu uma bola em profundidade para liquidar o goleiro xeneize, Agustín Rossi, com um tiro cruzado. A partida estava aberta até que apareceu Darío Benedetto, substituto de Cristian Pavón, para os locais novamente em vantagem.

No segundo tempo, o River de Marcerlo Gallardo perdeu passes. A iniciativa total foi do lado de um Boca Juniors errante no ataque. Os jogadores do River, com Gonzalo Martínez como seu maestro, confiaram mais em suas habilidades nas jogadas de bola parada. Aos 16 minutos, Martínez lançou uma bola para a área. Na disputa pelo alto, Pratto subiu com Carlos Izquierdoz, que marcou contra. Ali fechou-se a porta dos gols. Boca teve a chance derradeira quando Carlos Tevez deixou Benedetto na cara do gol. O atacante partiu pela direita e ali apareceu Franco Armani para frustrar a tarde. A maior final de todos os tempos entre Boca e River se decidirá em 13 dias.

River x Boca final Copa Libertadores

Retrato de uma Argentina enloquecida

A escandalosa suspensão da partida de futebol mais importante da história argentina não foi um acidente, um erro policial ou a consequência do exagero de vinte delinquentes. O adiamento de River Plate x Boca Juniors se produziu em meio a um caldo cultivado, fruto de uma séria crise de autoridade cujas causas mais importantes incluem o vínculo obsceno entre o poder político e o delito, ultimamente vinculado ao narcotráfico. Nesse contexto no qual qualquer coisa pode acontecer.

Para entender o fato há que se responder a vários acontecimentos próximos. Na terça-feira passada jogou-se uma rodada da segunda divisão. A barra brava do time local, All Boys, tentou entrar no vestiário dos jogadores visitantes para agredi-los. Os policiais que tentaram intervir tiveram de fugir de uma maneira vergonhosa: estava claro quem era a autoridade. Como foi denunciado em múltiplas reportagens, a barra brava do All Boys está vinculada diretamente a grupos que distribuem droga em um bairro da capital da Argentina. Ninguém os incomoda: eles têm proteção.

Essa mesma polícia que precisou fugir era a que tinha que garantir que tudo corresse bem no River x Boca mais importante da história. Podia não ter acontecido nada, ou podia ter sido muito pior. Era uma loteria.

Estes episódios ocorrem periodicamente. Vinte dias antes do escândalo, outro clássico devia ser jogado na Argentina, entre Rosario Central e Newell’s Old Boys, os clubes mais populares de Rosario, uma das cidades mais povoadas do país. O jogo foi disputado sem a presença de torcidas, a centenas de quilômetros da cidade, para evitar mortes. As barras bravas de ambos os clubes estão dominadas pelo poderoso narcotráfico local.

Entre um e outro episódio houve tiroteios entre facções da torcida de um clube de bairro, chamado Esportivo Laferrere: um dos torcedores foi filmado enquanto disparava com uma metralhadora. Duas semanas antes, o líder do grupo havia sido detido por seus obscenos vínculos com a venda de droga e com a política local. Seus sucessores decidiram disputar a tiros seu território.

Isso aconteceu somente no período de um mês. Basta dar um google “barras bravas Argentina droga” para compreender a magnitude do fenômeno.

Por que razão isso ocorre? Por que não acontece como em boa parte da Europa, onde os torcedores violentos foram marginalizados? Exatamente porque não são marginais: eles estão incrustados no mais alto poder.

 

 

Torcedores do River Plate abandonam o estádio depois de confirmado o adiamento do jogo contra o Boca. GUSTAVO GARELLO (AP)

Maior final da história

Para a “maior decisão de todos os tempos” da Copa Libertadores, o policiamento em Madrid será reforçado, com mais de 4000 pessoas envolvidas na segurança da partida. Depois do cancelamento da final no Monumental de Nuñez por falta de segurança, a definição do campeão será realizada a partir das 17h30 (de Brasília), na casa do Real Madrid.

Se realmente a última impressão é a que fica, a deixada pelos torcedores do River Plate foi bastante positiva. Neste sábado, no dia anterior à decisão da Copa Libertadores contra o Boca Juniors no Santiago Bernabéu, cerca de 500 fanáticos pelos “Millonarios” se reuniram em Puerta del Sol, um dos principais pontos do centro de Madrid, para uma grande festa com direito ao tradicional “bandeirazo”.

Entre os principais cânticos promovidos pela torcida do River, a grande maioria, de acordo com os veículos argentinos, eram direcionados justamente ao rival Boca Juniors e à tentativa da diretoria dos xeneizes de suspender a partida na capital espanhola. Neste sábado, inclusive, o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) rejeitou a requisição para o cancelamento da partida de volta.

Torcida do Boca faz festa

Apesar da final da Libertadores de 2018 ser disputada em Madrid, no estádio Santiago Bernabéu, a apaixonada torcida do Boca Juniors não se importou com isso, viajou e promete fazer uma grande festa na capital espanhola.

Neste sábado, cerca de 500 torcedores fizeram uma grande celebração com aval das autoridades espanholas em frente ao hotel em que os jogadores e comissão técnica estão hospedados. Nas canções, muitas provocações ao River Plate.

Aproximadamente 100 policiais foram deslocados para o local, com o intuito de fazer a segurança da festa dos fãs. Até o momento, nenhuma ocorrência foi registrada. A torcida do River fez o mesmo papel, apoiando os atletas.

Após o adiamento do segundo jogo, que aconteceria no Monumental de Nuñez, a decisão da Libertadores acabou sendo mudada para Madri. Na oportunidade, o ônibus do Boca foi alvo de ataques dos torcedores dos Millonarios e a partida acabou tendo sua data e local alterados.

River Plate e Boca Juniors está marcado para este domingo às 17h30 (horário de Brasília), no Santiago Bernabéu, casa do Real Madrid. No jogo de ida, disputado na Argentina, empate em 2 a 2. O critério do gol marcado fora de casa não vale na final do torneio continental. Assim, ninguém está em vantagem. O vencedor levará a taça.

 

 

 

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