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ECONOMIA

Boi atinge maior preço na história do real

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Foto: Fabiano Bastos/Embrapa Cerrados / Fonte: Canal Rural

O mercado físico do boi gordo segue com preços em forte alta nas principais praças de produção e comercialização do país. “A conjuntura do mercado pouco mudou, com uma notável combinação de restrição de oferta e aquecimento da demanda, culminando no ápice dos preços internos desde a criação do Plano Real”, comenta o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.

Segundo ele, no interior de São Paulo, a arroba chegou a ser comercializada por R$ 181, batendo recorde deste mesmo ano, que era de R$ 180. Para ele, a oferta de animais de terminados seguirá restrita, ao menos até meados do primeiro trimestre de 2020.

“Com isso, os operadores do mercado aguardam por altas ainda mais consistentes no decorrer do último bimestre de 2019”, assinalou.

Em São Paulo, a médias dos preços passaram de R$ 175,00 a arroba para R$ 176,00 a arroba. Em Minas Gerais, preços de R$ 170,00 a arroba, contra R$ 168,00 a arroba ontem.

No Mato Grosso do Sul, os preços subiram de R$ 165,00 a arroba para R$ 167,00 a arroba. Em Goiás, o preço disparou de R$ 160,00 a arroba para R$ 166,00 a arroba em Goiânia. Já no Mato Grosso o preço subiu de R$ 156,00 a arroba para R$ 157,00 a arroba.

Atacado

No atacado, os preços da carne bovina ficaram estáveis. “A tendência de curto prazo é de continuidade do movimento de alta, em linha com o aquecimento da demanda durante o último bimestre. O viés é acentuado pelo encurtamento das escalas de abate de boi gordo, fazendo com que os frigoríficos encontrem dificuldade na formação de seus estoques”, disse Iglesias.

O corte traseiro teve preço de R$ 14 por quilo. A ponta de agulha permaneceu em R$ 9,30 por quilo, enquanto o corte dianteiro seguiu em em R$ 9,40 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão de hoje com alta de 2,2%, sendo negociado a R$ 4,0810 para venda e a R$ 4,079 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 3,9780 e a máxima de R$ 4,09

ECONOMIA

Mercado internacional aponta otimismo sobre acordo EUA-China

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foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)/ Correio Braziliense

Declarações de secretário de Comércio norte-americano sobre possibilidade de um entendimento com o país asiático para pôr fim à guerra de tarifas entre os dois lados animam os mercados. Disputa comercial é o principal motivo do esfriamento da economia global

Uma onda de otimismo tomou conta dos mercados financeiros no exterior após notícias de que Estados Unidos e China estariam próximos de um entendimento para encerrar a guerra comercial entre os dois países. O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, afirmou, nesta sexta-feira (15/11), que um acordo comercial com a China será feito “com toda possibilidade”. “A China quer fazer um acordo, nós achamos que queremos um acordo, se for o acordo certo, então isso será feito com toda possibilidade”, declarou.

As afirmações do secretário animaram os investidores, que desencadearam um movimento de compra de ações nos Estados Unidos e na Europa. Na Bolsa de Valores de Nova York, os principais índices bateram recorde. O Dow Jones, que reflete, principalmente, ações de companhias do setor industrial,  subiu 0,80%, rompendo a marca de 28 mil pontos. O Nasdaq, das empresas de tecnologia,  teve alta de 0,73%.

O conflito entre EUA e China, marcado por sucessivas imposições de tarifas, de parte a parte, no comércio bilateral, tem sido o principal motivo, segundo analistas, da perda de ritmo da economia global. Se as barreiras forem reduzidas, o comércio tende a se recuperar, gerando um movimento de alta na economia que resultaria, em última análise, em maiores lucros das empresas — e valorização das ações. Os papéis das multinacionais particularmente sensíveis às turbulências das discussões sino-americanas se valorizaram: a Caterpillar subiu 1,33%; a Boeing, 1,10% e a Apple, 1,19%.

O bom humor contagiou também as principais bolsas da Europa, em resposta a declarações de outro funcionário graduado do governo norte-americano. Depois de várias sessões sem impulso, os índices subiram nesta sexta-feira (15/11), refletindo comentários animadores do assessor da Casa Branca Larry Kudlow, que disse, na noite de quinta-feira, que as negociações para um acordo comercial parcial estavam em fase de definição. O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,26%, aos 405,46 pontos, com leve alta semanal de 0,01%.

Tudo ou nada

Wilbur Ross minimizou, ainda, informações dos últimos dias que davam conta de dificuldades para o fechamento de um acordo com a China. Questionado sobre relatos recentes de que os chineses relutam a comprar a quantia em produtos agrícolas esperada pelo presidente norte-americano, Donald  Trump, o secretário de Comércio Ross observou: “você não tem um acordo sobre nada até que tenha um acordo sobre tudo; então, não é surpresa que, nos últimos minutos [das negociações], peças estejam pulando”.

Ross também ressaltou que “o presidente não concordou em remover tarifas [à China], acho que ele deixou isso bastante claro”. Mas ponderou que um acordo de “fase 1” será “o primeiro grande passo” rumo a um entendimento bilateral.

A disputa comercial entre China e Estados Unidos vem causando preocupação desde o começo de 2018, quando Trump anunciou as primeiras restrições a produtos chineses. Desde então, houve várias tentativas de acordo, mas o que prevaleceu foi a escalada de medidas protecionistas. Em agosto passado, as tensões aumentaram, depois que a China desvalorizou o yuan e foi acusada pelos EUA de manipular as taxas de câmbio para aumentar as exportações de maneira artificial.

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ECONOMIA

Brasil exporta projeto de bancos de leite para parceiros do Brics

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foto: Elza Fiúza/Arquivo/Agência Brasil)

Unidades em mais de 20 países servem como casa de apoio à amamentação

Na próxima segunda-feira (18/11), Angola iniciará a implantação de uma rede de bancos de leite para apoio às mães com filhos em idade de amamentação. O país na costa ocidental da África é o 22º a tomar essa iniciativa com apoio e cooperação do Brasil, que iniciou a implementação de bancos de leite em meados da década de 1980 e pôs em funcionamento a sua própria rede nacional em 1998.
Na África, o projeto está também em funcionamento em Cabo Verde e Moçambique. Está presente ainda em 17 países latino-americanos e em dois países europeus – Portugal e Espanha. A expertise brasileira na cooperação internacional chamou atenção dos parceiros do Brics – acrônimo formado com as letras inicias de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa).
Com a presidência brasileira pro tempore (temporária) do Brics, abriu-se a expectativa de que, no próximo ano, o Brasil inicie a colaboração com seus quatro parceiros no grupo de países de economia emergente.
cooperação é técnica e não envolve repasse de recursos. O apoio vai desde a elaboração de projetos, assessoria na escolha de hospitais participantes das redes locais, especificação de equipamentos e treinamento de pessoal como processamento de leite humano, práticas de aleitamento e gestão de banco de leite.

Conforme explicou à Agência Brasil Joao Aprigio Guerra de Almeida, pesquisador da Fiocruz e coordenador da Rede Global de Bancos de Leite Humano, constituída a pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS), a assessoria brasileira não impõe roteiro de criação de banco de leites em outros países.
“É um produto SUS-Brasil de exportação. Não transferimos modelos, mas sim princípios e apoiamos na adaptação às suas realidades. A cooperação brasileira se pauta por valores importantes como a horizontalidade, o compartilhamento, a não intervenção e o respeito à independência dos países”, assinalou Almeida.
A demanda de cooperação com os demais membros do Brics foi formalizada em uma reunião técnica ocorrida em agosto em Brasília, e ratificada em encontro dos ministros de Saúde dos cinco países, realizado em outubro em Curitiba.


Campanha Nacional

De acordo com a Campanha Nacional Aleitamento Materno 2019, do Ministério da Saúde, a amamentação “previne a fome e a desnutrição em todas as suas formas e garante a segurança alimentar dos lactentes, mesmo em tempos de crise e catástrofe”, e “está associada a um melhor desempenho em testes de inteligência, renda mais alta e maior produtividade na vida adulta”.
Há benefícios da amamentação na prevenção de doenças como diabetes 1 e 2 nas crianças e câncer de mama nas mães. Tudo isso “diminui os custos com tratamentos nos sistemas de saúde”, informa a campanha.
A disseminação das vantagens do aleitamento materno e a criação de bancos de leite são causas abraçadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que 2020 completa 120 anos de funcionamento e tem sua matriz no Rio de Janeiro.
“O banco de leite é casa de apoio à amamentação, não é leiteria humana. Os nossos bancos de leite se voltam para obter leite para nossos prematuros. Essas crianças vão para casa, e suas mães precisam de apoio para eles serem amamentados”, afirmou Aprigio.
Segundo o pesquisador, a amamentação é biologicamente determinada, porém, é socioculturalmente condicionada. “Aquilo que deveria ser regido pelas leis da biologia, de algum tempo para cá, tempo que coincide com a indústria de leite, as leis da biologia passaram a ser substituídas pelas leis de mercado.”

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ECONOMIA

XP protocola pedido de abertura de capital em Nova York

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Folha de S. Paulo

Corretora será listada na Nasdaq e definição de preços das ações deve ser em 12 de dezembro

A XP Inc (denominação do Grupo XP Investimentos desde setembro) protocolou o pedido de IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) na Bolsa de valores americana Nasdaq nesta sexta-feira (15). O pedido foi enviado à SEC (órgão regulador do mercado nos Estados Unidos, o equivalente à CVM no Brasil).

A companhia ainda não indicou a faixa de preço que pretende vender suas ações e nem quantos papéis devem ser oferecidos ao mercado. Mas o mercado trabalhava com uma estimativa de que a oferta de ações da XP movimentasse cerca de US$ 2,5 bilhões (o equivalente a R$ 10 bilhões). 

Segundo o prospecto preliminar (relatório que detalha as intenções e expectativas da XP em relação ao seu IPO), as ações oferecidas serão tanto primárias quanto secundárias, o que significa que parte do valor levantado irá para o caixa da companhia e a outra parte para os acionistas vendedores. A XP tem como acionistas os fundos Dynamo e General Atlantic, além de seu fundador, Guilherme Benchimol e o Itaú Unibanco, que comprou 49,9% da corretora em 2017.

A listagem da corretora na Nasdaq já era esperada pelo mercado, assim como a notícia de que o Goldman Sachs, o J.P. Morgan, o Morgan Stanley, o Itaú BBA e o Citigroup estão entre os bancos coordenadores também já era conhecida.

As ações Classe A listadas pela companhia estarão sob o código “XP” e a expectativa é de que a definição final de preço da operação ocorra em 12 de dezembro. A corretora venderá no mercado apenas ações de classe A, que darão direito a um voto por ação. Os controladores terão ações de classe B, com direito a 10 votos por ação –esses papéis não serão listados em Bolsa. 

A XP usará parte do dinheiro captado no mercado para colocar de pé o próprio banco –a corretora recebeu aval do Banco Central para ter um banco em setembro. A corretora também deve expandir sua atuação em outras áreas do sistema financeiro, como seguros e meios de pagamento. 

O dinheiro captado com a oferta de ações deve ser destinado ainda para aumentar o dinheiro em caixa que apoiará a expansão do negócio e em gastos com marketing e publicidade para atrair clientes. A corretora diz ter 1,5 milhão de clientes ativos.

Além disso, a companhia diz que uma parcela dos recursos pode ficar em caixa para financiar novas aquisições relacionadas ao seu negócio. 

Dentre os possíveis riscos de negócio identificados pela XP em seu prospecto, a companhia informa que detectou deficiências em seu controle interno sobre relatórios financeiros. Caso essas deficiências não sejam corrigidas, a companhia informou que há a possibilidade de não conseguir evitar fraudes nem de cumprir com suas comunicações obrigatórias, além de trazer resultados operacionais imprecisos.

Além disso, a XP também reportou em seu prospecto riscos relacionados à cibersegurança, como o vazamento de dados de seus clientes, revelado em 2017, e à maior concorrência no mercado de capitais. 

No início do ano, a XP anunciou que tem uma meta de alcançar R$ 1 trilhão de ativos sob custódia até o final de 2020. No prospecto, a companhia afirmou ter 350 bilhões em ativos sob gestão. O lucro de janeiro a setembro foi de R$ 699 milhões.

A listagem será feita apenas nos EUA, e há a expectativa de que a companhia seja comparada a empresas com modelos de negócio considerados disruptivos, com mais de US$ 10 bilhões em valor de mercado. 

Analistas consideram que a eliminação do risco de variação cambial e a intenção de atrair um maior volume de negociações podem ter sido fatores que pesaram na decisão da corretora em abrir capital em Nova York, além do melhor posicionamento da companhia entre investidores, uma vez que o mercado americano é mais desenvolvido.

É pelo menos a terceira vez que a XP, corretora fundada em Porto Alegre há 18 anos, tenta abrir capital. O plano anterior, de 2017, foi adiado pela venda de participação para o Itaú, maior banco privado do país. O General Atlantic vinha pressionando a corretora a abrir capital: um dos motivos seria permitir que ele possa sair do negócio e realizar lucro após anos de investimento. 

A XP cresceu calcada no discurso de desbancarização de investimentos, ao ampliar o leque de produtos disponíveis para o consumidor. Fez isso reproduzindo o modelo da corretora americana Charles Schwab. Ganhou espaço também com a figura do agente autônomo de investimento, uma espécie de revendedor que ajuda o pequeno investidor a escolher produtos.

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