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CIDADE

Campanha do Setrans-Bel ofende a dignidade de idosos e deficientes, e a própria lei

Publicado

em

Antonio José Soares*

Há alguns dias, os telespectadores do Pará têm  assistido, em todos os canais abertos de televisão, a uma campanha patrocinada pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setrans-Bel), que é uma a tremenda agressão aos idosos e deficientes paraenses, que utilizam-se da gratuidade nos transportes coletivos, assegurada por lei, para se locomover na cidade e nos Estado. A campanha  publicitária, denominada Se mais passageiros pagassem, a tarifa poderia ser menor, teria o fitode justificar perante a sociedade, a exorbitância que são as tarifas de ônibus em Belém. Mas é tão agressiva e infeliz  que os seus responsáveis deveriam renunciar a seus mandatos no Sindicato, a fim de melhorar a imagem da entidade que ficou enlameada, mais uma vez, depois desse tripúdio sobre os mais necessitados.

Aliás, este Setrans-Bel nunca gozou de prestígio perante a sociedade paraense. Seus integrantes, salvo alguns exceções, são arrogantes, grosseiros e belicosos. A maioria se mantém no negócio mediante troca de favores com políticos inescrupulosos. As empresas ligadas ao Setrans-Bel prestam  péssimos serviços à população de Belém, vira e mexe reajustam as tarifas a seu bel prazer, mesmo oferesendo  ônibus em petição de miséria aos usuários.

Na próxima segunda-feira (20), o Ministério Público deve se manifestar sobre o assunto, se até lá a entidade não tiver retirado o seu comercial mal feito e desagradável, sobre tudo para as pessoas que exercem o direito à gratuidade nos transportes públicos, assegurada por lei. Pelo menos, o MP foi provocado publicamente pelo jornalista Francisco Sidou e não tem como se esquivar.

Uma das primeiras vozes a se levantar contra a afronta do Setrans-Bel aos passageiros com direito à gratuidade, foi o jornalista Francisco Sidou,  antigo colaborador de A PROVÍNCIA DO PARÁ. Ele usou o seu perfil no Facebook. Depois, uma enxurrada de protes tos caiu nas redes sociais e nos blogs.

 

Leia o que disse o jornalista 

Sidou escreveu: “Já não basta o terrorismo praticado pelos barões dos ônibus no caso da adoção do ar condicionado em seus veículos (pelo menos na metade da frota) ameaçando que a medida seria impraticável pois a passagem teria de ser aumentada em até 300%?”

E prossegue: “Como é que em São Luis (MA) , Manaus (AM) e Boa Vista (RR) a passagem em ônibus com ar condicionado é de R$-3,80? É hora, senhor Procurador de Justiça do Estado, Dr. Gilberto Vicente Martins, de o Ministério Público se interessar pelo problema, em nome da sociedade, não? Lembra da entrevista que o senhor concedeu ontem ao Programa “Linha de Tiro”, com transmissão ao vivo pelo YouTube e Blog Ver-o-Fato? Lembra que o senhor recomendou que a população pode denunciar abusos contra seus direitos acessando o site do MP onde tem um link para receber denúncias? Pois, então: estamos denunciando publicamente esse abuso contra os idosos! Quer dizer que a culpa é dos idosos que gozam dos benefícios de uma Lei? Acaso, os proprietários dessas empresas não gozam de incentivos e isenções fiscais justamente para compensar os custos com as gratuidades? Já não basta o constrangimento por que passam, diariamente, os idosos comprimidos naquele espaço mínimo entre a entrada e catraca? Já não basta a indiferença que sofrem de parte de alguns marmanjos jovens que sentam nos lugares a ele reservados, fingindo não vê-los? Agora, o próprio sindicato dos barões de ônibus resolve jogar os mais jovens contra os idosos expondo-os ao escárnio público? Não tem nenhuma Lei de Proteção aos Idosos assim com tem a Lei de Proteção aos Animais, senhor Procurador de Justiça?”

REPERCUSSÃO NEGATIVA

A repercussão da campanha foi totalmente negativa. De acordo ela, com campanha da Setrans-Bel, de cada 50 passageiros, 9 são gratuidades (idosos e deficientes); 10 são estudantes que pagam meia passagem; 15 são trabalhadores com carteira assinada que utilizam o vale transporte e 16 são pessoas que pagam em dinheiro a tarifa integral. Ainda de acordo com o sindicato, os benefícios sociais como gratuidade e meia passagem, previstas em Lei, geram impacto direto no valor da tarifa.

Segundo o coordenador da Associação Paraense da Pessoa com Deficiência (appd), Jordecy Santa Brígida, é uma tremenda falácia do Setrans-Bel e uma falta de respeito. “Não é a pessoa com deficiência nem idoso quem onera a tarifa do transporte público. Existem outras gratuidades que não estão previstas na lei, como carteiros, bombeiros, oficiais de justiça e outras categorias como os próprios rodoviários, que oneram a tarifa e não são citadas por essa peça publicitária”, diz.

Os benefícios sociais são uma conquista histórica das categorias, sobretudo das pessoas com deficiência. Foram décadas de muita luta. “Não somos que oneramos as empresas de ônibus. Todas essas gratuidades estão previstas na Lei Orgânica do Município de Belém”, ressalta Jordecy.

Não se espere que a Câmara Municipal de Belém tome alguma providência contra o Sindicato, porque é sabido que a maioria dos vereador protege as empresas de ônibus, em troca de apoio para suas campanhas. Sempre foi assim…

*Editor chefe e deficiente

 

 

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