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SAÚDE

Como uma dieta equilibrada pode alterar seu humor e evitar até a depressão

Fonte/Foto: G1 Dieta equilibrada pode alterar seu humor — Foto: Getty via BBC

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Cientistas têm investigado com mais atenção nos últimos dez anos o quanto os hábitos alimentares contribuem para nosso estado mental. Esforço fez surgir, inclusive, uma área nova do conhecimento: a psiquiatria nutricional.

Dias ruins mexem com nossa cabeça e apetite. Períodos de estresse fazem não apenas o humor oscilar, mas também a fome. Alguns ficam mais famintos. Outros param de comer. É comum associar ansiedade e depressão a transtornos alimentares.

O que médicos, nutricionistas e psiquiatras têm investigado com atenção nos últimos dez anos é o quanto nossos hábitos alimentares contribuem para nossos estados mentais de euforia e tristeza. Surgiu, inclusive, uma área nova do conhecimento: a psiquiatria nutricional.

Experimentos em laboratório com camundongos têm ajudado a desvendar como a alimentação nos deixa mais felizes ou tristes. A origem disso não está só em nossa cabeça: para entender como a comida altera nosso humor, é preciso olhar também para o intestino.

O que a ciência já sabe

Somos o que comemos. A influência da dieta em nosso estado mental é imensa. Há uma farta literatura médica sobre esse assunto.

De modo geral, os especialistas observam o equilíbrio entre dois grupos alimentares: açúcares e gorduras. É com eles que obtemos a maior parte da nossa energia, mas também são eles que, em excesso, causam desequilíbrios importantes.

Comer mal danifica o cérebro, por um processo conhecido como estresse oxidativo — a liberação de radicais livres de oxigênio no corpo acontece naturalmente e se avoluma com a idade, mas a dieta pode acelerar esse acúmulo.

A obesidade induzida por dietas ricas em açúcar e gorduras saturadas promove resistência do nosso organismo à ação da insulina, hormônio responsável por “colocar” a glicose dentro das células. Isso aumenta a glicemia, que é a quantidade de açúcar presente no sangue.

Persistindo nesses hábitos alimentares, pode ocorrer o desenvolvimento de diabetes. Além disso, gorduras saturadas comprometem o fluxo sanguíneo e causam inflamação nos órgãos.

Mas o que faz bem ao cérebro? Alimentos anti-inflamatórios, gorduras simples (monossaturadas ou poli-insaturadas) e antioxidantes, como frutas, legumes, nozes e vinho, parecem ter um efeito restaurador sobre o órgão, protegendo-o do estresse oxidativo e da inflamação, que afeta o equilíbrio entre os neurotransmissores, responsáveis por regular nossas emoções.

“Já sabemos que dietas ricas em gorduras saturadas e/ou açúcares são capazes de alterar o estado de humor tanto em animais de laboratório como em seres humanos. O consumo de alimentos gordurosos, como as típicas ‘junk foods’, está associado ao aumento de depressão e ansiedade”, afirma Cristiano Mendes da Silva, do Laboratório de Neurociência e Nutrição da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A nutricionista Catherine Ássuka Giriko constatou uma correlação entre dietas ricas em gordura e estados de depressão e agressividade numa prole de ratos adultos cujas mães ingeriram alimentos gordurosos enquanto os amamentavam.

“Usando modelos animais, constatamos que uma gestante cuja dieta é rica em gorduras pode gerar uma prole com atraso neurodesenvolvimental e que tem alterações moleculares importantes na região do cérebro envolvida com processos de memória e aprendizado”, explica Mendes da Silva.

Dieta mediterrânea Bem Estar (arquivo) — Foto: Mariana Garcia/G1

A epidemiologista Camille Lassale, pesquisadora do University College, no Reino Unido, diz que determinados hábitos alimentares podem levar à depressão.

“O vínculo é claro. Não quero dizer que uma dieta ruim nos deixa tristes porque engordamos e nos sentimos mal com o ganho de peso. Nossos hábitos alimentares nos fazem realmente adoecer, mexem com o sistema imunológico, além de afetar a saúde mental.”

Lassale fez uma análise, publicada em 2018 no periódico “Nature Molecular Psychiatry”, em que comparou dados de 41 artigos científicos sobre o tema. Ela concluiu que incluir alimentos anti-inflamatórios na dieta é mais saudável e pode ajudar a prevenir a depressão.

“Indivíduos que adotam dieta mediterrânea (com mais fibras, azeite, verduras, frutas e legumes in natura e poucos produtos processados) tiveram um risco 33% menor de desenvolver depressão do que aqueles cuja dieta menos se assemelhava à mediterrânea”, afirma a cientista.

“De todo modo, creio que a dieta ajuda, sim, a algumas pessoas, e temos agora explicações biológicas de como isso acontece. Dieta e exercícios físicos evitam e combatem a depressão, mas só podem ser vistos como peças de um complexo quebra-cabeças da mente humana.”

Deprimir é inflamar

É difícil dizer não a uma colher de brigadeiro quando alguma coisa vai mal em nossas vidas.

Em situações de cansaço, fadiga ou preocupação, o organismo parece pedir uma recompensa química, na forma de uma descarga de serotonina, um neurotransmissor responsável por nossa sensação de bem-estar, produzida a partir da ingestão de açúcares e gorduras.

Quanto mais simples estes alimentos, em termos químicos, mais fáceis de digerir, e maiores os “picos” de euforia. O açúcar refinado das sobremesas chega mais rápido e de forma mais forte ao cérebro do que quando comemos alimentos mais complexos, verduras e grãos integrais.

Mas o prazer é passageiro, e a glicose em excesso pode prejudicar o funcionamento do nosso corpo. Há evidências neurobiológicas que apoiam a “hipótese neuroinflamatória” da depressão, a qual estabelece que comportamentos de ansiedade e depressão podem ser induzidos por dietas ricas em gordura.

Mendes da Silva explica que uma dieta gordurosa e açucarada compromete o fluxo sanguíneo. O colesterol ruim (LDL-colesterol) se oxida e promove um estado pró-inflamatório no interior de vasos sanguíneos, o que pode gerar uma resposta das células de defesa do organismo (monócitos), que irão fagocitar (“comer”) essas moléculas até “estourarem”.

Isso forma uma camada de gordura de dentro para fora do vaso sanguíneo, conhecida como placa de ateroma, que provocam infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

O mesmo pode ocorrer em nível cerebral: se moléculas desse tipo atravessam a barreira hematoencefálica, que protege o sistema nervoso central, chegam aos neurônios e ativam receptores que disparam uma cascata de reações, entre elas a produção e liberação de moléculas que estimulam a formação de uma inflamação.

“A inflamação reduz os níveis de serotonina, o ‘neurotransmissor da felicidade’, e aumentam o risco de depressão”, diz Mendes da Silva. Ou seja, o mesmo agente da alegria é capaz de perturbar o organismo e causar tristeza depois.

A epidemiologista Débora Estadella, do Instituto de Saúde e Sociedade da Unifesp, afirma que o vilão não são alimentos ou nutrientes isolados, mas sim um padrão alimentar.

Boas refeições equilibram os possíveis efeitos nocivos de uma barrinha de chocolate, por exemplo.

“A maior parte dos estudos de nutrição e epidemiologia relata isso, e o que se investiga são padrões macroalimentares, como a análise comparativa entre vegetarianos ou não vegetarianos, os que comem alimentos processados ou não, as dietas regionais, como a mediterrânea, asiática e as ocidentais”, afirma Estadella.

A influência dos micro-organismos

A relação entre o que acontece no intestino e saúde mental é um dos tópicos mais intrigantes e controversos da pesquisa sobre nossa metagenômica, termo científico para o conjunto de bactérias, vírus e fungos que fazem parte de nosso organismo.

Essa abordagem é bastante recente dentro da Medicina e tem se popularizado nos últimos anos.

Os microorganismos que habitam o corpo humano – calcula-se que sejam mais de 100 trilhões – são fundamentais para a absorção de nutrientes, vitaminas e o equilíbrio químico de neurotransmissores. Isso porque eles “quebram” os nutrientes que ingerimos e criam as moléculas que estimulam atividade neural.

A maior parte desse exército está em nossos intestinos, cujas paredes estão repletas de terminações nervosas, no chamado sistema nervoso entérico.

É no intestino, inclusive, que estão 90% dos receptores de serotonina, que além de interferir no humor e inibir a dor, regulam o sono e o apetite.

Embora haja consenso entre pesquisadores de que a metagenômica seja formada nos primeiros anos de vida de um indivíduo, é possível alterar o ambiente intestinal ao longo da vida. Nossas dietas fazem isso constantemente.

“A complexa comunicação entre intestino e cérebro é orquestrada por diferentes sistemas, incluindo os sistemas nervosos endócrino, imune, autonômico e entérico. As bactérias que vivem em nós têm função essencial para que a conexão aconteça”, afirma Estadella.

O trato gastrointestinal secreta dezenas de moléculas diferentes. Essas substâncias podem “ativar” receptores em células do sistema imunológico, permitindo, assim, uma espécie de conversa indireta entre cérebro e intestino.

A relação entre metagenômica, intestino e cérebro tem sido explorada sobretudo em estudos com animais. Mas essas pesquisas dão pistas importantes do que pode ocorrer em nossos organismos.

Um estudo publicado por biólogos belgas no início de 2019, na revista “Nature Microbiology”, concluiu que bactérias Faecalibacterium e Coprococcus podem sintetizar no intestino uma substância derivada da dopamina, o “neurotransmissor do prazer”.

Outro trabalho, de autoria de Julieta Schachter, do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em colaboração com imunologistas de Taiwan, correlacionou a obesidade, o microbioma intestinal — o conjunto de bactérias que habitam este sistema — e a depressão.

“A diversidade de microbiomas intestinais tem sido fortemente associada a distúrbios do humor, incluindo transtorno depressivo maior.

Pesquisas em roedores mostraram um início de comportamento depressivo após transplantes fecais de pacientes com este transtorno. Por outro lado, a indução de estresse e comportamento depressivo em roedores resultou na redução da riqueza e diversidade do microbioma intestinal”, explica Mendes da Silva.

Terapia combinada

A depressão é uma doença de múltiplas causas e prejuízos visíveis. Calcula-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo convivam com o transtorno. A doença atinge mais mulheres que homens. São pessoas que dormem e comem mal, perdem a vontade e a alegria de viver e também a saúde — a Organização Mundial da Saúde afirma que o custo econômico da depressão, em perda de produtividade, é de US$ 1 trilhão ao ano.

Ao longo das últimas décadas, psiquiatras tratam esses pacientes com medicamentos que agem sobre os neurotransmissores. O intuito é reequilibrar a química do cérebro. Apesar do avanço significativo, o tratamento não é eficaz em todos os casos. Além disso, trata-se de uma condição que é frequentemente recorrente. Alguém que tenha tido depressão em alguma fase da vida tem 50% de voltar a tê-la.

Há pouco mais de dez anos, estudos realizados por neurocientistas, nutricionistas e biólogos têm proposto uma abordagem multidisciplinar em relação à doença. A psiquiatria nutricional é um campo emergente que combina descobertas do campo da epidemiologia e dos efeitos das dietas regionais sobre o microbioma no tratamento da depressão.

“Quando alguém recebe uma receita de antidepressivo, os efeitos colaterais mais comuns estão relacionados ao intestino. Muitas pessoas têm náusea, diarreia ou problemas intestinais”, diz Lassale. Para ela, a abordagem nutricional é crucial no tratamento da doença.

O pesquisador Wolfgang Max trabalha no Food & Mood, centro de pesquisa multidisciplinar da Universidade Deakin, na Austrália. O instituto reúne diferentes áreas do conhecimento, como psicologia, dietética, biomedicina e psiquiatria, para entender as formas complexas pelas quais os hábitos alimentares influenciam cérebro, humor e saúde mental. Max afirma que o Food & Mood conduz atualmente 20 estudos sobre a relação entre comida e humor em vários níveis, da microbiologia a ensaios clínicos e saúde pública.

O grupo, do qual faz parte a cientista Felice Jacka, pioneira nos estudos que associaram a qualidade da dieta e a saúde mental de crianças e adolescentes, recomendou recentemente que a psiquiatria nutricional “se torne parte rotineira da prática clínica em saúde mental”.

Max investiga como os polifenóis, compostos encontrados em pimentas, frutas e verduras, agem sobre o microbioma e a saúde mental. “Há nutrientes complexos em alimentos crus ou pouco processados. Carnes magras e outras fontes de zinco, ferro e ômega-3 garantem a ação antioxidante benéfica ao cérebro.”

Estadella, da Unifesp, diz haver evidências fortes de que o consumo de certos peixes e frutos do mar está ligado a uma menor probabilidade de o indivíduo ter depressão, por serem alimentos que contêm o ácido graxo ômega-3. “Ele melhora a fluidez das membranas neuronais. Alguns estudos utilizaram ômega-3 junto com antidepressivos e tiveram resultados positivos”, afirma a pesquisadora.

Mas ela afirma que, antes de mexer com os intestinos e adotar o consumo frequente de alimentos prebióticos, que servem de comida para nossos micro-organismos, e probióticos, que contêm estes micro-organismos, é importante corrigir a dieta e evitar alimentos ultraprocessados e refinados e preferir os integrais.

SAÚDE

Vírus de origem chinesa pode ter infectado mais de mil de pessoas

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Foto: Reprodução / Fonte: *Emissora pública de televisão de Portugal

O número de pessoas infectadas por um vírus que já matou duas pessoas na China ultrapassa, provavelmente, mil casos e é muito superior àquele informado pelas autoridades locais, segundo investigadores britânicos.

As autoridades chinesas disseram que o surto de pneumonia viral afetou pelo menos 41 pessoas e que o foco da epidemia está em Wuhan, uma cidade de 11 milhões de pessoas no centro da China.

Contudo, em artigo publicado na sexta-feira (17) por cientistas de um centro de pesquisa do Colégio Imperial de Ciência, Tecnologia e Medicina de Londres aponta que o número de pessoas infectadas na cidade chinesa e, provavelmente, muito superior.

Investigadores do Centro de Análise Global de Doenças Infeciosas, que aconselha instituições como a Organização Mundial de Saúde (OMS), estimam que “um total de 1.723 casos” em Wuhan apresentavam sintomas da doença desde 12 de janeiro.

Os cientistas usaram o número de casos detectados até agora fora da China – dois na Tailândia e um no Japão – para estimar o número de pessoas que provavelmente estão infetadas em Wuhan, com base em dados de voos internacionais que partem do aeroporto daquela cidade.

“Para Wuhan exportar três casos para outros países, deve haver muito mais casos do que o anunciado”, disse o professor Neil Ferguson, um dos autores, à emissora pública britânica BBC.

“Estou muito mais preocupado do que estava há uma semana”, acrescentou.

Em Hong Kong e em Macau, as autoridades intensificaram as medidas de detecção, que inclui um rigoroso controle de temperatura para viajantes e turistas. No antigo território administrado por Portugal, estas ações também ocorrem na entrada dos casinos, já que Macau recebe em média mais de três milhões de visitantes por mês.

Os Estados Unidos já anunciaram que vão começar a filtrar voos diretos de Wuhan para os aeroportos de São Francisco e Nova York, assim como em Los Angeles, onde há muitas conexões internacionais.

As autoridades internacionais de saúde já admitem que possa ter havido um caso de contágio entre pessoas no surto de pneumonia viral na China, mas afirmam que “não há uma indicação clara e sustentada de transmissão” entre humanos.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças afirmou também que é “impossível quantificar o potencial de transmissão entre humanos” deste novo vírus detectado na China.

São poucos os casos sem conexão direta com um mercado de marisco em Wuhan, mas as autoridades ainda desconhecem a fonte de infecção ou o modo de transmissão.

Esta semana, em Portugal, a Direção-Geral da Saúde garantiu que o surto de pneumonia viral na China já estaria contido, indicando que uma eventual propagação “não é uma hipótese neste momento a ser equacionada”.

“Não temos que estar alarmados, é preciso é estarmos atentos”, afirmou na quarta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, aos jornalistas, sublinhando que o coronavírus detetado na China não será transmissível de pessoa a pessoa.

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SAÚDE

Vírus da China mata dois, e Brasil reforça cuidado

Nos últimos dias, Tailândia e Japão notificaram dois casos da doença, ambos de pessoas que estiveram na cidade chinesa de Wuhan, onde o vírus foi notificado pela primeira vez

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Foto: Reprodução / Fonte: Jornal de Brasilia

O Ministério da Saúde publicou um comunicado neste mês às vigilâncias sanitárias de portos e aeroportos brasileiros para que reforcem os cuidados e orientações aos viajantes por causa de um vírus misterioso que tem causado pneumonia em moradores de uma cidade da China. Até agora, ao menos 45 pessoas foram infectadas e duas morreram. Cinco estão hospitalizadas em estado grave.

Nos últimos dias, Tailândia e Japão notificaram dois casos da doença, ambos de pessoas que estiveram na cidade chinesa de Wuhan, onde o vírus foi notificado pela primeira vez. A situação é monitorada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que ainda não tem informações sobre a origem do vírus nem sobre as formas de transmissão.

Mesmo com poucas informações, o Ministério da Saúde, na semana passada, enviou comunicado às representações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em portos e aeroportos para que viajantes sejam orientados a tomar medidas de precauções em viagens ao exterior, especialmente às regiões com casos confirmados.

Entre as medidas, estão ações como lavar as mãos, evitar locais com grandes aglomerações e ficar atento a sintomas como febre, dores no corpo e problemas respiratórios.

Ontem, os Estados Unidos começaram a examinar passageiros que chegam em voos diretos ou com conexão na cidade de Wuhan. Os viajantes serão submetidos a um teste de controle de temperatura para detecção de sintomas em três aeroportos: San Francisco, Los Angeles, e JFK, em Nova York. Aqueles que apresentarem sintomas do vírus serão levados a outras instalações para uma avaliação adicional e um teste de diagnóstico rápido.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o coordenador-geral de emergências em saúde pública do Ministério da Saúde, Rodrigo Lins Frutuoso, afirmou que, embora tenham sido notificados dois casos fora da China, a ocorrência do vírus ainda está muito concentrada e não é possível saber, no momento, se ele tem grande risco de rápida disseminação. Por isso, a principal ação deve ser de monitoramento e orientação.

“A OMS ainda não recomendou nenhuma restrição de viagens nem de comércio. Estamos monitorando cada fato novo, mas ainda não temos muitas informações”, disse Frutuoso. “O cenário de avaliação de risco é bastante dinâmico e as medidas não podem ser desproporcionais. Nem sequer sabemos se a transmissão ocorre entre humanos”, destacou.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, destacaram que, segundo as últimas informações, os riscos do vírus são baixos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 

Número de infectados por Coronavírus pode ser maior, aponta relatório

O Colégio Imperial de Londres divulgou relatório em que contesta as autoridades de saúde na cidade chinesa de Wuhan. Segundo dados oficiais, são quatro os casos registrados de pessoas infectadas pelo Coronavírus, que causa pneumonia e pode levar à morte. Diferentes relatos colocam o número de pessoas possivelmente infectadas pelo vírus entre 45 e 50. Já o colégio britânico estima que os números superem a marca de 1.723 casos só na cidade em que a surto começou.

Desde que foi descoberto em dezembro do ano passado, duas pessoas morreram em Wuhan por contaminação pelo vírus. Acredita-se que os primeiros casos começaram em um mercado de frutos do mar. O relatório afirma que “é provável que o surto em Wuhan de uma nova cepa do Coronavírus tenha causado substancialmente mais casos de doenças respiratórias moderadas ou severas do que atualmente reportadas”.

Outros três casos foram relatados fora da China: dois na Tailândia e um no Japão. As três pessoas estiveram recentemente em Wuhan. “A transmissão autossustentável entre humanos não deve ser descartada”, afirma ainda o parecer da universidade britânica.

Por: Marcus Eduardo Pereira

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SAÚDE

Porque lentes de contato inteligentes podem não ser uma boa ideia ainda

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Foto: Imagem: Mojo Vision / Fonte: Gizmodo Brasil

Imagine colocar uma lente de contato no seu olho e, em vez de apenas enxergar melhor, você pudesse ter uma visão aprimorada do seu ambiente. É isso que a Mojo Vision está dizendo que seu novo protótipo de lente de contato inteligente poderia fazer. Eventualmente. Parece um conceito direto de um filme de ficção científica. Mas enquanto tudo é possível na ficção, a vida real tem limitações muito reais – e há muitas perguntas que a Mojo Vision precisa responder antes que alguém se empolgue com as lentes inteligentes.

O objetivo da Mojo Vision é nobre. Seu primeiro protótipo foi projetado para ajudar pessoas com visão reduzida através de uma tela minúscula de 14.000 ppi. Ele também inclui sensores para ajudar a detectar movimento, além de um rádio para interagir com um dispositivo vestível ou smartphone.

Os relatos das demonstrações feitas na CES observam que um produto totalmente funcional pode ajudar alguém com baixa visão a enxergar no escuro. Mas ajudar a resolver uma necessidade médica não é a única coisa que a mídia tecnológica divulgou sobre esse produto específico e lentes de contato inteligentes em geral. É a ideia de um computador invisível que você coloca nos seus olhos que pode agir como um par de óculos inteligentes.

Já entramos em muitos detalhes sobre os obstáculos enfrentados por óculos inteligentes no Gizmodo, e muitos desses mesmos problemas se aplicam às lentes de contato inteligentes. Dito isto, há outro elemento para as lentes de contato que merece muito mais atenção: o fato de que as lentes precisam ficar diretamente no seu olho. Isso tem implicações importantes para a saúde. Pergunte a qualquer amigo que usa lentes de contato e você provavelmente vai descobrir que conhece alguém que tem dificuldades em tirá-las todas as noites ou garantir que elas sejam desinfetadas adequadamente. Higiene à parte, agora há muitas perguntas no campo dos vestíveis sobre a eficácia desses aparelhos como dispositivos médicos.

O protótipo da Mojo Vision é uma lente escleral rígida, que não é a mesma que a lente macia com a qual você provavelmente está familiarizado. É um tipo especial de lente de contato que repousa na esclera, a parte branca do olho, e é usada para tratar várias condições oculares. A Mojo Vision disse ao Gizmodo por e-mail que um dos motivos pelos quais eles escolheram uma lente escleral é que “toca menos nervos e é muito confortável porque é adaptado à forma do seu olho”. Ela também oferece uma estabilidade que uma lente macia não tem. Outro benefício: as lentes duras não são descartáveis ​​da mesma forma que as lentes macias, o que é bom se você decidir investir em uma tecnologia cara.

Também é útil se você tem visão reduzida. Mas, para as pessoas comuns e saudáveis, não é tão simples, conveniente ou fácil como você imagina para uma substituição futurista do Google Glass.

“As lentes esclerais são dispositivos médicos incríveis que são usados ​​para pacientes com doenças da córnea, astigmatismo irregular ou olho seco severo”, disse ao Gizmodo Suzanne Sherman, professora assistente de ciências oftalmológicas da Columbia University Medical Center. “Embora sejam dispositivos incríveis, eles podem ser um incômodo. Você precisa de uma certa solução – salina – para ser colocada nas lentes. Você precisa de certos produtos para cuidar delas. É mais desafiador colocar”.

Sherman continuou explicando que as lentes esclerais são uma ferramenta médica valiosa, mas não é provável que uma pessoa comum as prefira. Além de exigir um certo nível de habilidade para inserir ou remover, elas também devem estar adequadamente ajustadas ou o paciente pode enfrentar alguns problemas sérios. Se você for um dos primeiros a adotar a tecnologia, pode presumir que poderia ir a uma farmácia e comprar uma solução multiuso para suas lentes inteligentes. Mas a realidade é que usar a solução errada pode resultar em uma reação tóxica.

Além disso, as lentes esclerais precisam ser manuseadas com delicadeza. Os pacientes só podem usá-las por um número limitado de horas por dia. As lentes também precisam ter o mais alto nível de permeabilidade ao oxigênio e não devem complicar cirurgias anteriores. Você também teria que visitar seu oftalmologista regularmente para garantir que tudo está indo bem e nada piorando. É uma grande questão para os consumidores que, em geral, já disseram às empresas de tecnologia com suas carteiras que ainda não precisam de algo como óculos inteligentes.

Existem outras preocupações com lentes de contato inteligentes. No caso da Mojo Lens, é realmente sensato ter um dispositivo projetando luz diretamente nos seus olhos por um longo período de tempo? É difícil dizer porque o Mojo ainda não possui um protótipo funcional. Provavelmente, é um fator que a startup está considerando ao desenvolver seu produto. O Dr. Sherman observou que existem precauções sobre quanta luz direta deve ser refletida nos olhos. Por exemplo, você deve tomar cuidado com ferramentas como lasers, mas também luz natural e luz artificial de telas. Até o sol pode causar danos permanentes se você ficar olhando por muito tempo. Já foram realizados estudos rigorosos sobre como as projeções de realidade aumentada de óculos inteligentes e lentes de contato inteligentes podem impactar a visão ao longo do tempo? Provavelmente não, considerando o quão incipiente é a tecnologia. (Mas deveriam ser feitos antes de um consumidor colocar um dispositivo desses nos olhos.)

A questão do calor também levanta algumas preocupações. A Mojo Lens claramente possui um componente de bateria – afinal, a empresa diz que você precisa carregar e desinfetar as lentes todas as noites. Baterias significam calor. As lentes também vão se carregar via indução sem fio e, se você já usou carregadores de indução sem fio…sabe que os produtos podem esquentar. Nessa frente, a Mojo Vision diz que sua potência alvo para a lente é de 1 miliwatt e que o impacto térmico ou de aquecimento deve ser mínimo. A empresa também afirma que pretende trabalhar dentro das diretrizes da FDA para garantir que o dispositivo atenda aos limites térmicos para dispositivos implantáveis ​​ou próximos ao corpo.

Mas isso não responde a questão de higiene das lentes de contato. A maioria dos amigos que conheço e alguns dos funcionários do Gizmodo que entrevistei são o pior pesadelo de um oftalmologista quando se trata de cuidados com lentes de contato. E, embora seja realmente responsabilidade de cada indivíduo ser diligente sobre como trata seus olhos, também é fácil se viciar em tecnologia e no fluxo interminável de informações. Também é fácil usar atalhos quando se trata de desinfetar adequadamente as lentes de contato da maneira que os oftalmologistas recomendam. E como você pode dormir com lentes macias e ficar bem com elas por um longo período de tempo, muitas pessoas – embora não todas – foram levadas a uma falsa sensação de complacência. Parte desse problema é que é fácil esquecer que seu olho é um órgão.

“Você não teria um dispositivo à venda no mercado para envolver seu fígado, seu coração ou outros órgãos apenas por diversão”, disse Sherman. “Muitas vezes esquecemos que a visão é uma coisa incrível, mas temos que ter cuidado. Esquecemos que as lentes de contato são um dispositivo médico. Se o seu cardiologista disser: ‘Use este dispositivo por 12 horas no máximo, não mais’, você não o utilizará por 15 horas. Mas com os olhos, as pessoas fazem”.

Embora os óculos inteligentes apresentem uma questão cultural única no que diz respeito à privacidade, o fato de que eles são bastante visíveis e facilmente removíveis pode ser uma razão pela qual eles são preferíveis às lentes inteligentes. “Esse [Mojo Lens] soa como um produto incrível, e se não houvesse risco – como no Google Glass em que você o coloca e ele não tocava nos seus olhos – seria incrível”, disse Sherman. “Mas há muito mais risco no uso de lentes de contato do que a maioria das pessoas imagina ou quer reconhecer.”

Isso não quer dizer que não exista nenhum caso de uso para uma lente de contato inteligente. A Mojo Vision tem razão em tentar descobrir uma maneira pela qual a tecnologia possa ajudar pacientes com baixa visão. Mas isso é, novamente, uma necessidade médica. Nesse caso, os benefícios são claros. Mas para os consumidores do mercado de massa?

Idealmente, a Mojo Vision – e empresas com ideias semelhantes – deveria investir na realização de estudos clínicos rigorosos com a FDA [órgão americano análogo à Anvisa], órgãos reguladores e a comunidade médica. Em um e-mail, a Mojo Vision observou que possui três optometristas na equipe e está em parceria com especialistas do setor em optometria, oftalmologia, ciência de baixa visão, software médico, testes clínicos e aprovação regulatória. No entanto, a empresa observou que, no momento, é muito cedo para comentar ou fornecer qualquer informação sobre um prazo para estudos e ensaios de viabilidade – algo que parece uma bandeira vermelha, dados vários relatos afirmando que a Mojo Vision espera ter algo pronto nos próximos dois anos.

Caso contrário, esse ainda pode ser outro caso da tecnologia se movendo rapidamente enquanto a medicina se move lentamente – um problema que afeta muito a tecnologia vestível que espera servir como dispositivos médicos (outro exemplo: o Withings Move ECG). Obstáculos tecnológicos à parte, no entanto, pode ser bom para os consumidores saudáveis ​​realmente pensar se a promessa de lentes de contato inteligentes vale os possíveis riscos e incertezas.

“Os benefícios precisam superar os riscos”, disse Sherman. “Para uma pessoa saudável média, não acho que os benefícios superem os riscos”.

Por: Victoria Song

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