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ECONOMIA

Consumo para o Dia dos Namorados segue incerta no Pará

Data é a quarta melhor no ranking de vendas do ano, sendo o melhor período de compras de maior valor

Foto: Reprodução / Fonte: O Liberal

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O Dia dos Namorados ocupa o quarto lugar no ranking como melhor data de consumo do ano, com uma peculiaridade: é o período de compras de maior valor. Mas, em 2020, diante da pandemia do novo coronavírus, as projeções não são tão animadoras para o varejo. Os índices também são incertos por conta das decisões oficiais dos governos para a reabertura das atividades econômicas, como shoppings e restaurantes, carros-chefes do consumo na data.

Com o comércio de Belém reaberto na última segunda-feira (1º), o Dia dos Namorados deve dar um gás nas vendas do primeiro semestre do ano, já que o funcionamento das lojas ficou comprometido nos últimos dois meses, passando, inclusive, a fechar totalmente no Dia das Mães –  a terceira data com maior consumo do ano. No entanto, não há como mencionar, segundo as representações empresariais locais, os números de vendas relacionadas a igual período do ano passado, e tampouco, as expectativas de aumento de consumo para 2020. 

O presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belém (Sindilojas), Joy Colares, explicou que os lojistas, sobretudo, os que mantêm comércio de rua, começam a se movimentar com a data. 

“Esperamos um crescimento nas vendas, mas não podemos dizer de quanto. Esse ano é atípico. Depois do Dia das Mães com as portas fechadas, a data pode aquecer o consumo do primeiro semestre. Para o comércio, o Dia dos Namorados é representativo pelo valor dos presentes que são comprados. Geralmente, a pessoa quer agradar seu companheiro e tenta comprar o que for melhor”, disse.

Segundo a entidade, os acessórios de couro, confecções, perfumaria e o segmento de bijuterias e joias são os que mais vendem. Atualmente, os produtos eletrônicos, como celulares e acessórios, como caixas de sons, fones de ouvido, também estão elencados entre os presentes mais consumidos nesta época do ano. O setor de floricultura, ainda, de acordo com Joy Colares, continua com uma elevação nas vendas. 

“Não podemos comparar com o mesmo período do ano passado. As vendas estão incertas, mas aguardamos uma melhora em relação ao novo normal”, ressaltou Colares.

Para o presidente da Associação Comercial do Pará (ACP), Clovis Carneiro, a excepcionalidade do ano, com a pandemia do novo coronavírus, trará, sem dúvida, queda no faturamento do varejo para a data. 

“A renda do brasileiro tem diminuído e, com pouco dinheiro, esse Dia dos Namorados será de lembrancinhas, se não muito, só de beijinhos”, comentou. A avaliação de Clovis segue três pilares. “As pessoas perderam parte dos salários, outras tiveram suspensão temporária de contratos e outras perderam os empregos e ficaram sem renda”, observou.

Clóvis garante também que o não posicionamento oficial sobre a reabertura dos shoppings da cidade traz uma gama de incertezas para uma avaliação precisa. 

“Há uma sinalização de retomada das atividades nos shoppings, mas os lojistas ainda não sabem exatamente como será feita. Então, até o pedido de produtos para a comercialização do Dia dos Namorados está complicada este ano”, destacou o presidente da ACP.

Lembrancinhas 

A dentista Isabel Karime Baeta, 25, optará por um programa com as despesas compartilhadas neste Dia dos Namorados. “Vamos organizar um jantar na casa dele, dividindo os custos. Eu farei a entrada e sobremesa e ele dará o prato principal”, adiantou. Por se tratar de uma data especial, a noite será romantizada com uma decoração também especial. “Sem restaurantes abertos e muitas opções, vamos tematizar o jantar, comprar alguns adereços e deixar a casa mais bonita”, garantiu.

Sobre os presentes, Karime antecipa que dará ao empresário Alexandre Aquilo algo mais simples. “Ainda não comprei nada, devido à limitação das lojas fechadas. Mas será apenas uma lembrança. Creio que ele também comprará algo simbólico. Não estamos vivendo em um momento de dar nada com valor muito elevado”, afirmou a dentista que teve queda no atendimento nos últimos dois meses.

Jantar

Outro setor que também é impulsionado pela grande demanda no Dia dos Namorados é o de alimentação fora do lar e de hotelaria. Dadas as circunstâncias atuais, os segmentos estão na incerteza, sobretudo, o de bares e restaurantes que ainda não têm data definida para a reabertura. O Comitê Econômico, formado pela Prefeitura de Belém, já discute que a segunda fase do processo de retomada das atividades inclui a categoria. Outra linha discutida pelo grupo é que a reabertura dos espaços gastronômicos poderá ficar para o próximo dia 15 de junho, deixando de fora o Dia dos Namorados.

O assessor jurídico do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Pará (SHRBS-PA), Fernando Soares, garante que a data, em anos anteriores, era uma das melhores do ano para vendas para quem trabalha com a alimentação fora do lar. 

“A única certeza que nós temos é que o setor será impactado no Dia dos Namorados. Muitos vão vender delivery, mas pode não se comparar com o que era nos anos anteriores. Quem deve manter o ritmo de faturamento são os motéis que continuam funcionando com a restrição de dois clientes por quarto”, observou.

A entidade, em nota à imprensa, esclarece que os estabelecimentos de alimentação fora do lar, bares e similares serão um dos últimos segmentos a reabrir para o público – e estes terão uma série de medidas sanitárias ainda mais rigorosas, afim de garantir a segurança e a saúde dos clientes.

A atual regularização determina o fechamento de todos estes estabelecimentos e os que funcionam são somente para serviços delivery e pronta-entrega, representando somente uma parte do número de associados ao sindicato.

Por Roberta Paraense

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