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Cratera lunar onde Nasa viu água é local de base fictícia do filme ‘2001’

Astronautas caminham na borda da cratera Clavius, em cena do filme "2001: Uma Odisséia no Espaço", com base ao fundo Foto: Reprodução

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Clavius, perto do Polo Sul da Lua, foi locação imaginada pelo escritor Arthur C. Clarke para humanos estabelecerem presença permanente no satélite

SÃO PAULO – O anúncio por parte de cientistas da Nasa de que água foi encontrada pela primeira vez na superfície iluminada da Lua guarda estreita relação com o imaginário da ficção científica. A cratera Clavius, local da descoberta, é onde havia sido construída a base lunar fictícia do filme “2001: Uma Odisséia no Espaço”, de 1968.

Baseado no livro homônimo do escritor Arthur C. Clarke, o longa metragem do diretor Stanley KUbrick foi produzido com meticulosa pesquisa sobre o que cientistas imaginavam que seria a exploração do espaço antes mesmo de o homem pisar na Lua.

Coisas como chamadas por vídeo e naves com braços robóticos, vistas só com a chegada do século XXI, apareceram primeiro na obra de Clarke. Resta saber se ele terá acertado também sobre a presença humana em Clavius.

Como já se especulava sobre a possibilidade de água congelada na Lua, fazia sentido imaginar na época que uma eventual base espacial, caso viesse a existir, fosse buscar esse recurso. Provavelmente seria alocada perto de um dos polos, onde o frio preserva a água na forma de gelo.

Como recurso narrativo, Clavius também tem o apelo popular de ser uma cratera avistável a olho nu desde a Terra (é a segunda maior do hemisfério visível). Batizada em homenagem a Cristóvão Clávio, padre jesuíta alemão com influentes trabalhos em astronomia e matemática no século 16, ela pareceu ser para Clarke um lugar interessante para uma estação lunar imaginária.

A superfície da cratera Clavius, porém, não está nos planos iniciais da Nasa para a volta à Lua. A missão Artemis 3, imaginada para 2024, tem como candidata principal a cratera Shackleton para locação da base. Ela fica bem mais ao sul, com sua borda praticamente tocando o pólo.

A base temporária do programa Artemis, que deve levar a primeira mulher à Lua, está mais para um acampamento: bem mais modesta do que a base imaginada por Clarke. A “Clavius Base” tinha uma plataforma de pouso com um domo retrátil, uma torre de comando e uma infinidade de dependências subterrâneas.

O escritor também foi bastante otimista com a data em que a primeira base viria a ser construída no sul da Lua: 1994. (O ano de 2001 é quando astronautas descobrem na lua o misterioso monolito em torno do qual a narrativa se constrói.)

Apesar de a missão Artemis ter escolhido outra locação lunar para sua estreia, ainda há alguma chance de a Nasa tornar concreta mais uma das previsões do escritor.

O chefe da Divisão de Astrofísica do Diretorado de Missões Científicadas da Nasa, Paul Hertz, sugeriu nesta segunda-feira (26) que a nova descoberta pode inspira novos planos.

“Essa descoberta desafia nossa compreensão da superfície lunar e levanta questões intrigantes sobre recursos relevantes para exploração do espaço profundo”, afirmou o cientista em comunicado.

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