Conecte-se Conosco

MUNDO

Droga lícita e mortífera se espalha pela Europa

Publicado

em

Foto: DW / Deutsche Welle

Em agosto, num motel em Queens, em Nova York, foi encontrado o corpo sem vida de Andrea Zamperoni, chef de cozinha italiano do famoso restaurante Cipriani Dolci, localizado na estação Grand Central Terminal. Ele morreu de overdose de fentanil. Foi então que a crise de consumo desse opioide, que atormenta os Estados Unidos desde 2014, atraiu a atenção na Itália.

De acordo com o Relatório mundial sobre drogas de 2019, publicado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), o consumo de fentanil e sua capacidade mortífera deveria acender um alerta em toda a Europa.

Fala-se muito sobre o perigo que representam as organizações criminosas, como os cartéis mexicanos, que traficam drogas ilícitas em todo o mundo, causando danos à saúde de milhares de pessoas. Heroína, cocaína, maconha e metanfetaminas estão listadas com alerta vermelho.

Mas nos EUA, pelo menos desde 2016, as drogas que são mais consumidas e causam mais mortes por overdose não são as traficadas ilegalmente, mas as de prescrição controlada, legalmente produzidas e distribuídas no país e vendidas nas farmácias por meio de receitas médicas. Uma delas, a mais difundida é o opioide analgésico fentanil, prescrito em casos de dor intensa, assim como oxicodona e hidrocodona.

O relatório de 2016 intitulado Avaliação nacional de ameaças de drogas, publicado pela agência antidrogas do governo americano Drug Enforcement Administration (DEA), apontou que, dos 129 que morreram diariamente por overdose de drogas em 2014, 52 foram vítimas do consumo de analgésico de prescrição médica. Ou seja, em torno de 40%, o que equivale a 18.980 pessoas em 2014.

No mesmo relatório publicado em 2018, a DEA afirmou que, em 2016, dos 172 mortos diariamente por overdose de drogas, 116 consumiram medicamentos prescritos, fornecidos principalmente por um familiar ou amigo. Ou seja, um dado de 67%, o que equivale a mais de 42 mil pessoas.

A DEA detectou que a maioria dos indivíduos que obtiveram esses analgésicos injustificadamente alegou dor física para obtê-los. Na prática cotidiana, muitos médicos dos EUA abusam na prescrição de analgésicos opioides como o fentanil, prescrito até mesmo em casos de dor de dente infantil.

Os medicamentos de prescrição médica ocupam o segundo lugar das drogas consumidas nos Estados Unidos, só ficando atrás da maconha: 18 milhões de cidadãos dos EUA acima dos 12 anos fazem uso abusivo deles.

O consumo de fentanil é tão extenso nos EUA e gera tantos lucros às empresas que legalmente produzem, distribuem e vendem a droga, que os cartéis mexicanos resolveram comercializar fentanil produzido ilegalmente para captar uma fatia do mercado. Eles usam etiquetas e embalagens semelhantes às dos medicamentos legítimos produzidos por empresas farmacêuticas.

Para aumentar sua potência e a dependência, as organizações criminosas misturam fentanil com heroína, na grande maioria dos casos, cocaína e, em menor grau, com metanfetamina. Essas misturas tornam o consumo ainda mais perigoso. O fentanil ilegal que chega à América do Norte é produzido na China e no México.

O alerta sobre o uso desses opioides sintéticos, produzidos e vendidos legalmente e ilegalmente nos EUA, espalhou-se pela Europa. De acordo com Antonio Nicasio, especialista na organização italiana de crime organizado ‘Ndrangheta, e autoridades judiciais da Itália, essa organização mafiosa começou em 2017 a se aventurar no tráfego e na venda na Europa de fentanil proveniente do Canadá, segundo matéria publicada em 9 de setembro no jornal La Stampa.

“Na Europa, a dor crônica afeta um em cada cinco adultos”, escreveu o diário italiano, referindo-se ao potencial mercado de produtos como o fentanil. “Na Itália, nos últimos dez anos, a prescrição de opioides como o fentanil quadruplicou.”

“Os opioides sintéticos continuam representando uma séria ameaça à saúde pública, num contexto marcado pelo número crescente de mortes por overdose na América do Norte e pela expansão do tráfico de fentantil e seus análogos na Europa”, advertiu o Relatório Mundial sobre Drogas, publicado neste ano pelo Unodc. O documento ressaltou que, embora a questão não tenha sido considerada tão alarmante pela mídia europeia, “é necessária atenção internacional urgente”.

O relatório observou que, embora o mercado de fentanil na Europa ainda seja “pequeno”, há indicadores preocupantes. Um deles é o crescimento do confisco dessa substância na Europa Ocidental e Central. Enquanto que em 2013 foi apreendido um quilograma, em apenas quatro anos a quantidade de fentantil confiscada aumentou em 17 vezes.

Estima-se que apenas 10% das drogas sejam apreendidas internacionalmente. Isso significaria que, se 17 quilogramas foram apreendidos em 2017, pelo menos 170 quilogramas de fentanil foram traficados na Europa Ocidental e Central. Segundo o relatório das Nações Unidas, “no caso do fentanil, a maior parte da substância encontrada no mercado ilícito é proveniente de fabricação lícita”.

Esses dados acendem um alerta não apenas para controlar as organizações criminosas que agora traficam o mortífero fentanil, mas também para as empresas que produzem o opioide legalmente. Em alguns dias será publicada a mais recente Avaliação nacional de ameaças de drogas elaborada pela DEA. O novo diagnóstico deve ser acompanhado não apenas nos EUA, mas também na Europa.

A jornalista e autora Anabel Hernández escreve há anos sobre cartéis de drogas e corrupção no México. Após ameaças de morte, teve que deixar o país, e vive na Europa desde então. Por seu trabalho, recebeu o Prêmio Liberdade de Expressão da DW em 2019, durante o Global Media Forum, em Bonn.

Continue lendo
Clique para comentar

MUNDO

Brexit – Acordo é possível mas nada está fechado

Publicado

em

Foto: Reprodução / Fonte: AFP

União Europeia (UE) e Reino Unido afirmaram nesta terça-feira que é possível alcançar um acordo sobre o Brexit esta semana que afaste o temido divórcio sem acordo no dia 31 de outubro, mas ainda restam pontos que precisam ser concluídos.

As conversações não pararam durante o fim de semana e na segunda-feira. E, embora pareça cada vez mais difícil, é possível alcançar um acordo esta semana”, disse o negociador da UE, Michel Barnier, ao chegar a Luxemburgo, onde informará aos ministros das Relações Exteriores sobre a situação.

O ministro britânico para o Brexit, Steve Barclay, que não estava convidado para a reunião de chanceleres, também considerou “ainda muito possível” alcançar um acordo e destacou que as “discussões seguem em curso”.

Barnier deve se encontrar em Luxemburgo com Barclay, sua contraparte nas negociações, para tentar avançar as conversações antes da reunião de cúpula de chefes de Estado e de Governo da UE na quinta-feira e sexta-feira, considerada fundamental a apenas duas semanas da data prevista para o Brexit, 31 de outubro.

O primeiro-ministro Boris Johnson tem como “prioridade” retirar o país do bloco europeu nesta data, três anos depois do referendo em que os britânicos votaram a favor da saída da UE, confirmou a rainha Elizabeth II na segunda-feira, ao apresentar o programa de governo.

Johnson herdou de sua antecessora Theresa May, que não conseguiu a aprovação do Parlamento britânico para o acordo que negociou em novembro com os 27 sócios europeus, a principal barreira: como evitar uma fronteira para produtos entre a Irlanda, país da UE, e a britânica Irlanda do Norte.

Os dois pontos de divergência são a maneira de evitar a aplicação de controles alfandegários e o direito de controle concedido às autoridades da Irlanda do Norte sobre o acordo de divórcio, que deve proteger o mercado único europeu e os acordos paz da Sexta-Feira Santa de 1998.

“Os britânicos querem um acordo e se movimentaram sobre a questão das alfândegas e sobre o direito controle concedido às autoridades locais da Irlanda do Norte. Temos que ver se é suficiente para ser convertido em um texto legal”, explicou à AFP uma fonte diplomática.

Muitos preferem a prudência a respeito do Brexit. O chanceler holandês, Stef Blok, disse que o “Reino Unido tomou algumas medidas, mas não as suficientes para garantir a integridade do mercado comum” e advertiu contra uma “concorrência desleal” através da fronteira irlandesa.

Na sexta-feira, as partes decidiram intensificar as negociações para tentar alcançar um acordo esta semana, um texto que possa ser ratificado tanto por Westminster como pela Eurocâmara antes de 31 de outubro, um prazo considerado difícil por fontes diplomáticas.

Johnson tem como limite o dia 19 de outubro para conseguir um acordo, segundo a lei aprovada pelo Parlamento britânico que o obrigaria a solicitar então um novo adiamento do Brexit, o terceiro desde março de 2019 e algo que ele hesita em fazer.

O primeiro-ministro finlandês, Antti Rinne, cujo país exerce a presidência semestral da UE, destacou que as negociações podem continuar após a reunião europeia desta semana. “Precisamos de mais tempo e negociar depois da reunião”, disse.

Fontes diplomáticas confirmam a possibilidade de celebrar uma reunião europeia extraordinária antes de 31 de outubro.

Continue lendo

MUNDO

Veja o que aconteceria se todas as árvores desaparecessem.

Publicado

em

Fonte: BBC

Veja a baixo o que aconteceria se todas as arvores desaparecessem.

Os serviços que as árvores prestam ao planeta variam do armazenamento de carbono e conservação do solo até a regulação do ciclo da água. Elas apoiam os sistemas alimentares naturais e humanos e fornecem casas para inúmeras espécies – inclusive para nós, como materiais de construção.

No entanto, geralmente tratamos as árvores como descartáveis: algo a ser colhido para ganho econômico ou como um inconveniente no caminho do desenvolvimento humano.

Desde que nossa espécie começou a praticar agricultura, há cerca de 12 mil anos, derrubamos quase metade das 5,8 trilhões de árvores que existiam então, de acordo com um estudo de 2015 publicado na revista Nature.

Grande parte do desmatamento aconteceu em anos relativamente recentes. Desde o início da era industrial, as florestas foram reduzidas em 32%. Especialmente nos trópicos, os 3 trilhões de árvores restantes do mundo estão sumindo rapidamente, com cerca de 15 bilhões de exemplares derrubados a cada ano, afirma o estudo da Nature.

Em agosto, estudos apontaram ter ocorrido neste ano um aumento de 84% nos incêndios na Floresta Amazônica brasileira em comparação com o mesmo período de 2018.

Extinções em massa

Se as árvores desaparecessem da noite para o dia, o mesmo ocorreria com grande parte da biodiversidade do planeta.

As árvores também evitam inundações, aprisionando a água em vez de deixá-la entrar em lagos e rios e protegendo comunidades costeiras de tempestades.
Sem árvores, as áreas anteriormente florestadas se tornariam mais secas e propensas a secas extremas.

Um mundo mais quente

As árvores geram um efeito de resfriamento localizado. Fornecem sombra que mantém a temperatura do solo e absorvem o calor em vez de refleti-lo, a maioria dos lugares onde havia árvores anteriormente ficaria imediatamente mais quente

Economia em colapso

O sofrimento da humanidade começaria bem antes de um aquecimento global catastrófico. O aumento do calor, a interrupção do ciclo da água e a perda de sombra afetariam bilhões de pessoas e animais.

Prejuízos à saúde

Além dessas mudanças devastadoras, haveria impactos à saúde. As árvores limpam o ar, ao absorver poluentes e aprisionar material em partículas em suas folhas, galhos e troncos.

Impacto cultural

A perda de árvores também teria um impacto cultural profundo. As árvores são um marco de incontáveis infâncias e se destacam na arte, literatura, poesia, música.

Continue lendo

MUNDO

Tufão Hagibis provoca mortes e destruição no Japão

Publicado

em

Foto: Reprodução / Fonte: *Com informações da emissora pública de televisão do Japão, NHK

O tufão Hagibis já deixou dois mortos no Japão. Outras dez pessoas continuam desaparecidas e 90 estão feridas. Os fortes ventos provocaram a destruição de casas e o deslizamento de terra em vários pontos do país. A tempestade também derrubou a energia em mais de 390 mil casas na área metropolitana de Tóquio.

O Hagibis já forçou o transbordamento de rios na província de Nagano. Três carros foram arrastados pelas águas próximo ao rio Chikuma. Três pessoas foram resgatadas, mas outras três estão desaparecidas.

Na província de Miyagi, no norte de Sendai, um homem foi levado pelo rio Hirose. Já na província de Fukushima, bombeiros afirmam que duas pessoas estão desaparecidas depois que um deslizamento de terra destruiu uma casa.

Uma autoridade de Tomioka, na província de Gunma, disse que duas casas desabaram em um deslizamento de terra. Um homem foi resgatado, mas morreu depois. Esforços de busca estão em andamento para encontrar duas outras pessoas.

Na província de Chiba, casas foram bastante danificadas após violentas rajadas de vento. Um homem de 50 anos de idade foi encontrado em um carro virado, mas acabou morrendo. A polícia investiga se o forte vento causou o acidente.

Continue lendo

Facebook

Propaganda

Destaque

Copyright © 2018. A Província do Pará Todos Direitos Reservados . Desenvolvido por Corpes Digital