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Eleição no Pará: tendências e possibilidades

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Edir Veiga*

As novas regras eleitorais que regem as eleição de 2018 deixam muitas lições aos partidos candidatos e estudiosos.  A primeira delas é que é muito arriscado lançar candidato pouco conhecido do grande público para disputar eleições majoritárias, uma vez que a campanha na TV dura tão somente um mês.

A segunda lição é de que a campanha efetiva na sociedade, começa 90 dias antes, na fase da pré-campanha, onde de fato, as células de campanha, a mobilizações de grupos sociais e o início dos comitês digitais devem se estabelecer e se consolidar. A campanha em sí, nada mais é do que o ápice de 90 dias anteriores de muita ação de partidos e candidatos.

A terceira lição é de que, de fato, os partidos e candidato devem se organizar programaticamente e com propósitos bem consolidados para aglutinar uma base de militantes e ativistas voluntários, os rigores da exigência legal para contratação de profissionais de campanha e a recusa por parte da comunidade de mobilização política em atuar de forma voluntária tende a produzir campanha com pouca mobilização política na sociedade em período da campanha eleitoral.

Estas regras eleitorais e o pouco envolvimento da sociedade com as atividades de campanha podem ser um dos fatores explicativos para o número elevado de eleitores que ameaçam se abster ou votar em branco ou anular o seu voto. Esperamos que nos próximos dias o eleitorado venha a ser convencido a comparecer em massa nas urnas e deem seu voto a algum dos candidatos em disputa.

Não podemos deixar de registrar que as consequências da longa duração da Operação Lava Jato e de sua divulgação ampliada tem deixado como uma de suas heranças negativas a demonização da política, dos políticos e dos partidos, e como tal, o votos em branco, nulo e abstenções podem também estar ligado a este sentimento de frustração com nosso sistema político e com a própria democracia, o que representa um risco enorme para o futuro de nossa recente experiência democrática.

Ao lado de todo este quadro preocupante que vivem nossas instituições políticas, ainda assistimos a divulgação de pesquisas eleitorais que apontam resultados conflitantes entre si, onde um instituto, o IBOPE a ponta tendência de que estas eleições terminem já no primeiro turno , enquanto outro instituto, o DOXA aponta tendência de que esta eleição venha a ter um segundo turno entre o candidato governista Márcio Miranda e o candidato oposicionista Helder Barbalho.

Portanto, as pesquisas apontam para uma indefinição sobre as tendências eleitorais no Pará. Muitas variáveis ainda estão atuando no processo político do Pará. A metade da população vem se declarando indecisa ou que votará em Branco ou Nulo. Qual o papel da Candidatura Haddad em relação ao potencial de voto do candidato petista Paulo Rocha? O governo usará seu poder para ampliar as possibilidades eleitorais de Márcio Miranda nos dias que antecedem o pleito? Os candidatos do PSOL, Fernando Carneiro e do PSTU Cleber Rabelo, superarão o pessimismo das pesquisas e atingirão pelo menos 5% dos votos no dia das eleições? Serão a partir das respostas objetivas a estas questões que saberemos no dia 07 de outubro se as eleições terminarão no primeiro ou se haverá segundo turno no Pará.

——————————————————————————–*É cientista político e pesquisador da Universidade Federal do Pará

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