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ECONOMIA

Em meio à pandemia, paraenses pediram mais dinheiro emprestado em 2020

Passado o pior momento da crise, é hora de rever as prioridades para não terminar o segundo semestre no vermelho

Foto: Reprodução / Fonte: O Liberal

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O saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional no Pará às pessoas físicas aumentou 16% nos primeiros seis meses de 2020, comparado ao mesmo período do ano passado. O percentual que dizer que, de janeiro a junho de 2019, os bancos ofereceram R$ 167,1 milhões em crédito no Estado, e neste ano, em meio à pandemia do novo coronavírus, o valor saltou para R$ 193,7 milhões em igual tempo. Os indicadores divulgados pelo Banco Central mostram que o paraense, em momento de retração econômica, pediu mais dinheiro emprestado. Passado o pior momento da crise, é hora de rever as prioridades para não terminar o segundo semestre no vermelho.

É fato que, com ou sem pandemia da covid-19, grande parte dos paraenses desacelerou em julho e foi curtir os balneários no interior do Estado. Passados quatro meses de mercado desaquecido, em agosto é período de replanejar as finanças, organizar a casa para iniciar um novo ciclo recuperando as perdas de um primeiro semestre bem delicado no âmbito da economia.

Para se ter mais um recorte do cenário de retração na economia – sobretudo a doméstica -, no início do mês de julho, foi registrado um aumento de 17% do endividamento no Estado, comparado ao mesmo período do ano passado, conforme apontou o estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará (Fecomércio PA), com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Para as famílias com renda acima de 10 salários mínimos o endividamento subiu de 77% em junho ao patamar de 83% em julho 2020.

Mas, para lidar com a inadimplência, é preciso pensar de forma inteligente. É o que aponta Reinaldo Domingos, PhD em educação financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin). “Proteger as reservas financeiras, ou seja, ter dinheiro guardado, é fundamental, sinônimo de poder econômico. Com elas, você pode realizar sonhos, entre outras coisas, além de garantir uma aposentadoria sustentável”, explicou.

A falta de educação financeira tem levado muitos brasileiros ao endividamento e a inadimplência. Ponto importante é que com a crise financeira gerada pela covid-19, muitas empresas estão abertas para negociar as dívidas, principalmente de forma online, são os famosos Feirões Limpa Nome.

Segundo Domingos, antes de ir para a etapa de negociações é importante que o consumidor conheça seus números e faça uma “faxina financeira”. Afinal, apenas com uma mudança comportamental é possível sair dessa situação de forma definitiva. “Se a crise está afetando as finanças da família eu recomendo que não busque agora esses feirões, pois possivelmente não conseguirá honrar com os compromissos. Este momento é de sobrevivências para essas famílias, depois pode ajustar o nome”, alertou o especialista.

Domingos também diz que, se houver algum tipo de reservas financeiras para quitar as dívidas, negocie para obter bons descontos. “Se não conseguir, poupe mensalmente e as rendas extras, como o 13º salário, para voltar a negociar em breve. Esses passos são extremamente necessários, pois só se deve buscar a renegociação de dívidas quando tiver condições de pagar, ou seja, após conhecer as suas finanças e se planejar. Um passo precipitado pode até piorar a situação”, orientou Domingos.

População deve tomar cuidados com empréstimos

Se não houver alternativa e for preciso recorrer aos empréstimos, cuidados devem ser tomados, assim, como critérios na escolha dos bancos. “O primeiro passo é fazer um bom planejamento financeiro para alcançar o objetivo e quitar a dívida contraída. Caso contrário, você recorrerá a um novo empréstimo para pagá-lo, entrando em uma grande bola de neve. Pesquise sobre as instituições financeiras antes de escolher e opte pela mais conhecida e segura”, recomendou o especialista em Gestão de Finanças e Mercado de Capitais, Anderson Pantoja.

O alerta sobre os bancos, é, sobretudo, para que as pessoas – por estarem em um momento difícil-, não caiam em golpes financeiros, sendo atraídos por instituições que oferecem dinheiro fácil e rápido: duas grandes armadilhas utilizadas pelos golpistas. “Conheça todas as taxas, condições de pagamento, formas de quitação, o CET (custo efetivo total) e o Contrato de Adesão”, observou Pantoja. “Leia todo o contrato, mesmo as letras pequenas, pois qualquer descuido no planejamento pode acarretar prejuízos ainda maiores, como juros extremamente altos por atraso na parcela, o que compromete o pagamento das demais parcelas e pode terminar na perda de um bem”, acrescentou.

Tipos de empréstimos

Atualmente, existem três principais  modalidades de crédito bastante atrativas e seguras no mercado. O empréstimo pessoal, o com garantias, o consignado/aposentados, sendo o primeiro com o custo mais alto, no entanto, o mais perigoso.

“O empréstimo pessoal com garantia tem taxas menores, em contrapartida você precisará colocar um bem livre de ônus como garantia do pagamento, o que pode ser perigoso, quando você não tem um planejamento financeiro adequado, você pode acabar perdendo o bem”, detalha o especialista. Já o consignado e o para aposentados, apresentam as menores taxas de mercado porque a parcela é descontada direto na folha de pagamento ou no benefício previdenciário.

“É o empréstimo mais indicado por ter as taxas baixas, porém deve-se ter cuidado para não comprometer um percentual alto da sua renda mensal. Ressaltando que essa modalidade só pode ser feita para aposentados, pensionista do INSS, servidor público e servidores privados de empregadoras exclusivas, que possuam parcerias com a instituição financeira ou banco”, disse Pantoja.

O especialista em Gestão Financeira e Mercados de capitais, diz ainda que para não ficar no vermelho com os empréstimos, pessoas com renda de até dois salários mínimos, o indicado seria comprometer até 10% da sua renda, no máximo, já que este trabalhador tende a gastar, no mínimo, 50% em suas despesas básicas. “O limite perigoso é quando o percentual da parcela chega a comprometer até 30% da sua renda mensal, esse limite muitas vezes é usado pela instituição financeira para recusar um empréstimo pela grande probabilidade de inadimplência”, argumentou. 

Por fim, Pantoja observa que o empréstimo deveria ser usado para empreender ou para aumentar a fonte de renda, “Sabemos que é o motivo menos usado para quem faz empréstimos. Recomenda-se, também, seu uso para uma despesa não planejada, quitar dívidas como os juros do cartão de crédito ou cheque especial, que possuem juros mais expressivos”, finalizou o educador financeiro.

Por Roberta Paraense

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