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Política

Entenda a polêmica envolvendo Bolsonaro e fake news sobre jornalista Constança Rezende

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Jair Bolsonaro compartilhou publicação, mais tarde desmentida, segundo a qual jornalista teria admitido intenção de arruinar o governo e a família do presidente

 Deborah Fortuna/ Correio Braziliense

 

A internet virou palco de discussões acaloradas desde a noite de domingo (10/3), após o presidente Jair Bolsonaro compartilhar uma matéria do portal de notícias Terça Livre. O texto, cujas informações mais tarde foram desmentidas, afirma que a repórter Constança Rezende, do jornal O Estado de S. Paulo, teria admitido a intenção de “arruinar” o mandato e a família de Bolsonaro.

A postagem do presidente foi constestada pelo jornal paulista, que chamou a matéria de falsa, e fez com que o assunto ganhasse as redes sociais, levando a expressão #BolsonaÉFakeNews aos trending topis do Twitter. Mais tarde, o próprio jornal francês, que teria abrigado a denúncia original, chamou a acusação contra a jornalista de “falsa”. Entenda a história passo a passo.

A publicação da denúncia

1. No domingo (1/3), o site de notícias Terça Livre publica uma matéria com o título Jornalista do Estadão: a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo. Segundo a matéria, a jornalista que teria admitido a intenção de “arruinar” o mandato do presidente e sua família é Constança Rezende, uma das repórteres do Estado de S. Paulo que produziram matérias a respeito de movimentações atípicas na conta do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz — apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

 

2. Para fazer tal acusação, o site Terça Livre citou texto publicado por Jawad Rhalib em um blog hospedado no site do jornal francês Mediapart. Rhalib, no texto, afirma ter conversado com a jornalista brasileira. “Esta jornalista do Estadão se chama Constança Rezende, a primeira jornalista a publicar artigos sobre Flavio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. Nós cavamos e, felizmente a repórter concordou em conceder uma entrevista por telefone que gravamos para compreender suas motivações. Ao final, saímos com um registro que mostra uma imagem catastrófica dos meios de comunicação locais e instituições governamentais”, diz um trecho do texto publicado no blog francês e reproduzido no Terça Livre.

3. Mais adiante, o texto de Rhalib conclui: “A conversa gravada com a jornalista Constança Rezende revelou a verdadeira motivação por trás da cobertura negativa da mídia, que era “arruinar” o presidente Jair Bolsonaro. Revela que eles não estão interessados %u200B%u200Bnos fatos, mas simplesmente em usar histórias negativas, muitas vezes inventadas, sobre a família do presidente Bolsonaro que foi eleito democraticamente.” Esse trecho também foi reproduzido na matéria do Terça Livre.

Bolsonaro compartilha e jornal desmente

4. Após a publicação no site Terça Livre, Jair Bolsonaro, ainda no domingo, compartilhou a matéria no Twitter, com a mensagem: “Constança Rezende, do ‘O Estado de SP’ diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o Impeachment do Presidente Jair Bolsonaro. Ela é filha de Chico Otavio, profissional do ‘O Globo’. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos”.

 

Vídeo incorporado

Jair M. Bolsonaro

@jairbolsonaro

Constança Rezende, do “O Estado de SP” diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o Impeachment do Presidente Jair Bolsonaro. Ela é filha de Chico Otavio, profissional do “O Globo”. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos

 

6. Afirmou O Estado de S Paulo: “Na gravação do diálogo, porém, Constança não fala em ‘intenção’ de arruinar o governo ou o presidente. A conversa, em inglês, tem frases truncadas e com pausas. Apenas trechos selecionados foram divulgados. Em determinado momento, a repórter avalia que ‘o caso pode comprometer’ e ‘está arruinando Bolsonaro’, mas não relaciona seu trabalho a nenhuma intenção nesse sentido”.

A polêmica ganha as redes

7. Pela internet, grupos de eleitores promoveram no Twitter uma série de postagens nas quais acusam o jornal de “mentir” na cobertura do caso Flávio Bolsonaro. Por outro lado, a hashtag #BolsonaroÉFakeNews esteve entre as mais compartilhadas do microblog.

 

8. Após a polêmica, a Asssociação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) disseram que Bolsonaro usa sua “posição de poder” para tentar intimidar a imprensa e que o presidente mostra um “descompromisso com a veracidade dos fatos”.

Jornal francês diz que denúncia contra jornalista é falsa

9. O episódio seguinte foi a manifestação do jornal francês que hospedou o texto original. Pelo Twitter, o Mediapart disse se solidarizar com a jornalista, que está sendo vítimas de ameaças, e afirmou que “as informações publicadas no blog, que serviram de base para o tweet de Jair Bolsonaro, são falsas”. Ainda de acordo com o jornal, “o artigo é de responsabilidade do autor (Jawad Rhalib), e o blog é independente da redação do jornal”.

 

Mediapart

@Mediapart

Mediapart se solidariza com a jornalista @constancarezend, vítima de ameaças. As informações publicadas no “club de Mediapart”, que serviram de base para o tweet de @jairbolsonaro, são falsas. O artigo é de responsabilidade do autor e o blog é independente da redação do jornal.

Jair M. Bolsonaro

@jairbolsonaro

Constança Rezende, do “O Estado de SP” diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o Impeachment do Presidente Jair Bolsonaro. Ela é filha de Chico Otavio, profissional do “O Globo”. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos.

Vídeo incorporado

10. Mais tarde, o Estado de S. Paulo divulgou a informação de que Fernanda Salles Andrade, que assina o texto do Terça Livre, ocupa cargo no gabinete do deputado estadual Bruno Engler (PSL), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Fernanda aparece em vários vídeos no Youtube, defendendo o governo Bolsonaro.

 

Até a última atualização desta matéria, tanto a postagem original em francês quanto a matéria do Terça Livre continuavam no ar.

 

 

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Política

Brasil dispensa visto de entrada para Canadá, Austrália, EUA e Japão, mas sem reciprocidade

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Medida será anunciada pelo presidente Bolsonaro durante visita aos EUA

Por Marcelo Brandão e Pedro Rafael Vilela /  Agência Brasil  

Brasília – O governo federal publicou hoje (18), no Diário Oficial da União, um decreto dispensando o visto de entrada no Brasil para canadenses, australianos, japoneses e norte-americanos. A medida será anunciada oficialmente pelo presidente Jair Bolsonaro amanhã (19), durante visita oficial aos Estados Unidos. O presidente, acompanhado de sua comitiva, chegou ontem (17) à tarde em Washington.

A dispensa de visto valerá para entrada no país para fins turísticos, de negócio, esportivos ou artísticos, sem intenção de estabelecer residência. As novas regras serão aplicadas para quem permanecer em território brasileiro por até 90 dias, prorrogáveis pelo mesmo período, desde que não ultrapassem 180 dias a cada 12 meses. A dispensa de visto, conforme disposto no decreto, passará a valer a partir de 17 de junho.Atualmente, os cidadãos desses quatro países utilizam um sistema eletrônico para a obtenção de vistos (E-visa) para entrar no Brasil. Por meio deste programa, os turistas desses países podem fazer a solicitação pela internet. O tempo de análise e entrega do documento dura três dias. No procedimento normal, o prazo chegava a 40 dias.De acordo com o Ministério do Turismo, a adoção do visto eletrônico já aumentou em 35,2% a emissão de vistos. A expectativa é que, se todos os pedidos de visto feitos em 2018 forem convertidos em viagens, serão 217,8 mil turistas a mais no Brasil. A intenção do governo brasileiro é chegar a 12 milhões de turistas por ano até 2022. Caso consiga, praticamente terá dobrado o número de visitantes em comparação com o número atual, de 6,6 milhões.A medida é unilateral. Dessa forma, os brasileiros que desejarem visitar esses países precisam solicitar visto de entrada, conforme as regras vigentes em cada país.

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Política

Bolsonaro tem reuniões com ex-secretário do Tesouro e empresários em Washington

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É a segunda viagem internacional do presidente; primeira foi a Davos

Agência Brasil  

Brasília – Em Washington (EUA), o presidente  Jair Bolsonaro tem reuniões hoje (18) com o ex-secretário do Tesouro norte-americano Henry “Hank” Paulson, participa de cerimônia de assinatura de atos e janta com executivos do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos. É a primeira viagem internacional com caráter bilateral. Antes, o presidente foi a Davos, na Suíça, para o Forum Econômico Mundial.

Às 15h30, Bolsonaro se reúne com Henry “Hank” Paulson. No final da tarde, participa da cerimônia de assinatura de atos. As atenções estão voltadas para o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre o Brasil e os Estados Unidos.A medida permitirá o uso comercial da Base de Lançamentos Aeroespaciais de Alcântara (MA). Estima-se que, em todo o mundo, exista uma média de 42 lançamentos comerciais de satélites por ano.

Blair House

O presidente da República está hospedado na Blair House, um palácio no qual ficam os convidados do governo norte-americano.  A construção, de meados do século XIX, fica próxima à Casa Branca.

O prédio foi comprado em 1942 pelo governo dos Estados Unidos e tornou-se um complexo formado por quatro casas interligadas, incluindo o edifício original.

Amanhã (19) está previsto o encontro de Bolsonaro com o presidente Donald Trump. Haverá uma declaração à imprensa no Rose Garden. Em seguida, ele irá ao cemitério de Arlington.

Bolsonaro deve chegar a Brasília na quarta-feira (20). Em seguida, no dia 21, irá para o Chile onde participa da Cúpula do Prosur, grupo que se destina a implementar medidas de interesse dos países da América do Sul.

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Política

Bolsonaro chega aos Estados Unidos em busca de parcerias

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“É o começo de uma parceria pela liberdade e prosperidade”, disse

 Ana Cristina Campos/ Agência Brasil 

 Brasília – O presidente Jair Bolsonaro disse, em sua conta no Twitter, que sua visita aos Estados Unidos representa o começo de uma parceria pela “liberdade e prosperidade”. Bolsonaro já posou neste domingo (17) na Base Aérea de Andrews, em Washington.

“Pela primeira vez em muito tempo, um presidente brasileiro que não é anti-americano chega a Washington. É o começo de uma parceria pela liberdade e prosperidade, como os brasileiros sempre desejaram”, afirmou na rede social.

O avião presidencial decolou da Base Aérea de Brasília por volta das 8h de hoje (17). Antes do embarque, Bolsonaro transmitiu o cargo ao vice Hamilton Mourão. O presidente brasileiro ficará hospedado na Blair House, palácio que faz parte do complexo da Casa Branca.

“Nos hospedaremos na Blair House. É uma honraria concedida a pouquíssimos chefes de Estado, além de não custar um centavo aos cofres públicos. Agradecemos ao governo americano a todo respeito e carinho que nos está sendo dado”, acrescentou.

Ainda segundo o presidente brasileiro, Brasil e Estados Unidos “juntos assustam os defensores do atraso e da tirania ao redor do mundo”.

 Bolsonaro e o presidente norte-americano Donald Trump devem assinar na próxima terça-feira (19) o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre o Brasil e os Estados Unidos. A medida vai permitir o uso comercial da base de lançamentos aeroespaciais de Alcântara, no Maranhão. Estima-se que, em todo o mundo, ocorra uma média de 42 lançamentos comerciais de satélites por ano.

Base de Alcântara é reconhecida internacionalmente como ponto estratégico para o lançamento de foguetes, por estar localizada em latitude privilegiada na zona equatorial, o que permite uso máximo da rotação da Terra para impulsionar os lançamentos.

Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), o uso da base brasileira pode significar uma redução de 30% na utilização de combustível, em comparação a outros locais de lançamentos em latitudes mais elevadas.

Integram a comitiva brasileira os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia), Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Tereza Cristina (Agricultura) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), além do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)

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