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SAÚDE

Estudo inédito apresenta o “Raio X da surdez no Brasil”

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Foto: Instituto Locomotiva / Fonte: Instituto Locomotiva

Levantamento do Instituto Locomotiva, em parceria com a Semana da Acessibilidade Surda, aponta que apenas 37% dos surdos estão no mercado de trabalho, mas, ainda assim, movimentam R$ 576 bilhões por ano

O Brasil tem 10,7 milhões de deficientes auditivos, e muitos desafios a enfrentar. Segundo levantamento inédito sobre o panorama das pessoas com deficiência auditiva no Brasil, realizado pelo Instituto Locomotiva em parceria com a Semana da Acessibilidade Surda (SAS), projeto idealizado pela jornalista Millena Machado, os brasileiros com deficiência auditiva têm metade do acesso ao ensino superior e quatro vezes mais ausência de escolaridade.

A deficiência auditiva atinge homens e mulheres, de todas as idades, especialmente os idosos, e com o rápido envelhecimento da população – a expectativa de vida vai superar os 81 anos até 2050 -, o tema da deficiência auditiva se tornará cada vez mais urgente. No entanto, apesar da incidência crescer com a idade, grande parte convive com a deficiência desde jovem – 9% das pessoas com deficiência auditiva nasceram com a deficiência; 91% adquiriram ao longo da vida; das pessoas que adquiriram a deficiência auditiva, metade foi antes dos 50 anos; 1/3 desenvolveu a deficiência antes dos 34 anos; 7% dizem frequentar algum tipo de serviço de reabilitação e só 13% afirmam utilizar aparelho para auxiliar na audição. Um outro dado relevante aponta que, das pessoas com deficiência auditiva, 28% declaram ter também algum tipo de deficiência visual e 2%, deficiência intelectual.

O cotidiano das pessoas com deficiência auditiva

De acordo com a pesquisa, 2 em cada 3 brasileiros com deficiência auditiva afirmam ter dificuldade com alguma atividade cotidiana, impactando na vida social.

– Não poder me comunicar com minha família é uma das coisas mais negativas. Como eles não sabem libras, tentam fazer mímica, gestos ou então inventam uma linguagem própria para falar comigo. Por causa disso, eles não conhecem meu verdadeiro eu até hoje – revelou um dos entrevistados.

Nesse radar, 14% dos brasileiros com problemas auditivos afirmam não se sentir à vontade e poder falar sobre quase tudo com a família, 40% sentem isso em relação aos amigos, contra 11% e 34% da população de forma geral, respectivamente.

Em se tratando da saúde, os deficientes auditivos são menos otimistas do que o restante dos brasileiros – 14% dos deficientes auditivos afirmam ter deixado de realizar alguma atividade habitual nas últimas semanas por motivo de saúde e entre aqueles com deficiência severa, esse percentual atingiu 20%, o que significa dizer que as pessoas com deficiência auditiva severa têm três vezes mais chance de sofrerem discriminação em serviços de saúde.

A falta de acolhimento e inclusão limitam também o acesso dos surdos às oportunidades básicas, como educação – 7% possuem o ensino superior completo; 15% frequentaram até o ensino médio, 46% até o fundamental e 32% não possuem grau de instrução.

No que se refere ao trabalho, os surdos também encontram barreiras. Apenas 37% estão no mercado de trabalho e mesmo aqueles que estão no mercado de trabalho dependem mais de atividades autônomas.

Sobre as ocupações exercidas pelos surdos, o levantamento diz que 43% são empregados do setor privado, 37% trabalham por conta própria, 9% são empregados do setor público, 4% são trabalhadores domésticos, 3% são empregadores, 3% exercem trabalho familiar não remunerado, 2% são militares no exército, marinha, aeronáutica, polícia ou corpo de bombeiros.

Diante dos dados, constata-se que as pessoas com deficiência auditiva ainda têm menos acesso à educação e ao trabalho. Também enfrentam barreiras e preconceitos até em suas atividades mais cotidianas. É um desafio que vai crescer com o envelhecimento da população. Torna-se urgente que o país se prepare para acolher as pessoas com deficiência auditiva.

Apesar de todas essas barreiras, os brasileiros com deficiência auditiva movimentam por ano R$ 576,6 bilhões em renda própria (rendimento provenientes de todas as fontes, incluindo trabalhos, aposentadorias, e outras fontes de rendimento).

No mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) são 500 milhões de surdos e até 2050 haverá pelo menos 1 bilhão surdos no mundo. Não é à toa que a OMS colocou a surdez como um dos 5 pilares para se trabalhar mundialmente no século XXI. Entre as 345 ocorrências de saúde monitoradas pela OMS que mais impactam na qualidade de vida, de décimo lugar, em 2015, a perda auditiva passou para quarto lugar em 2019. A humanidade está mudando radicalmente seus hábitos individuais e se expondo mais a ruídos: fones de ouvido, viagens de avião, frequência em shows de música, descolamento em trânsito ruidoso com veículos compartilhados abertos (patinete, bicicleta, etc).

Sobre a Semana da Acessibilidade Surda  

A Semana da Acessibilidade Surda visa promover a inclusão social dos surdos, além de conscientizar e mobilizar a população ouvinte sobre a recorrência da surdez. A 2ª edição do evento aconteceu de 20 a 30 de setembro em diversos pontos na cidade de São Paulo com ações abertas ao público ligadas à saúde auditiva, conscientização da sociedade ouvinte, diminuição do preconceito contra os surdos que usam aparelho auditivo, que falam por Libras e que têm uma cultura própria, além de gerar visibilidade para a questão do desemprego entre as pessoas com deficiência auditiva e incentivar o aumento da oferta de emprego para pessoas aptas ao trabalho no Brasil que têm a chamada “deficiência invisível”.

A ideia de criar a ação foi da jornalista Millena Machado, após ver as dificuldades pessoais e profissionais que uma prima ainda passa por ter ficado surda após sequelas de uma meningite.

A SAS contou com o patrocínio e apoio de marcas de peso, como Hospital Paulista (patrocínio master), Phonak (patrocínio gold), Helpvox (patrocínio silver), McDonald, Nutty Bavarian, Brechó Agora é Meu, Car Shopper BR, CNA, DryWash, Rei do Mate, Sorridents e Le Postiche (patrocínio bronze). Prefeitura de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo, Paramount Films, Unibes Cultural, Wework/InovaBra, Mercedes-Benz, Pro Access, Cine Itaim Paulista, Instituto Severino Fabriani. Instituto Mauricio de Sousa, Instituto Gustavo Rosa, Instituto Escuta, Nadus, Personal Garage, ABRAPS, Empatia do Silêncio, Fundação Otorrinolaringologia, Ear Parade, Casa Bauducco, Editora Lamônica, Programa Empresários de Sucesso, Revista 29h, Metrô SP, R1, RGA Med, Rocha Consultores Associados, Multiplier, Mercure Hotels, Padaria Benjamin e Associação Brasileira de Franchising (ABF) apoiam a iniciativa.

Saiba mais sobre a iniciativa no site www.semanadacessibilidadesurda.com.br

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SAÚDE

Pesquisadores desenvolvem novo colírio para a doença do olho seco

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Correio Braziliense

Medicamento combate anticorpos ligados a inflamações que desencadeiam a complicação ocular. Em testes, a fórmula reduz significativamente os danos nas córneas de pessoas acometidas pela forma grave da enfermidade

Pesquisadores americanos identificaram, pela primeira vez, a presença de um tipo específico de anticorpo no líquido lacrimal humano. Segundo eles, a substância está relacionada à ocorrência da doença do olho seco. Graças à descoberta, a equipe desenvolveu um medicamento que age diretamente sobre essa molécula. Os testes clínicos iniciais com o novo colírio renderam resultados positivos em pacientes com a forma grave da enfermidade. Os dados foram publicados na revista especializada Ocular Surface.

Em estudos anteriores, os investigadores descobriram que filamentos de DNA são expulsos de neutrófilos, um tipo de glóbulo branco, e formam espécies de teias na superfície dos olhos, causando a inflamação que gera a doença do olho seco. Os pesquisadores resolveram se aprofundar nos mecanismos relacionados à complicação ocular. Desta vez, identificaram anticorpos anticitrulinados (ACPAs), produzidos pelo sistema imune, no líquido lacrimal humano. Segundo a equipe, os ACPAs também causam inflamação ocular e contribuem para o desenvolvimento dessas redes.

Com base nesses dados, eles desenvolveram um colírio formulado a partir de anticorpos combinados — que são processados a partir do sangue doado de milhares de indivíduos. O medicamento continha tipos variados de anticorpos que neutralizam os efeitos negativos dos ACPAs. Participaram do teste 27 indivíduos com a doença do olho seco na forma grave. Uma parte dos voluntários recebeu o remédio experimental e foi orientada a administrar uma gota em cada olho duas vezes ao dia, durante oito semanas. O grupo controle recebeu as mesmas instruções, mas colírios sem anticorpos.

Como resultado, os cientistas descobriram que os participantes que usaram o novo colírio tiveram  redução estatística e clinicamente significativa no dano da córnea, quando comparados ao grupo controle. “Os participantes do estudo que usaram as gotas com anticorpos combinados relataram menos desconforto ocular e tinham as córneas mais saudáveis”, relata, em comunicado, Sandeep Jain, um dos autores do estudo e professor de oftalmologia e ciências visuais da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

Autoimunidade

Os autores do estudo acreditam que os dados positivos podem contribuir para aumentar a quantidade de terapias para a doença do olho seco, que atualmente conta com poucas opções de tratamento e tem impacto direto na qualidade de vida dos pacientes. “O fardo do olho seco autoimune é muito maior do que apenas ter uma sensação ocasional de secura. Ele pode comprometer severamente a vida da pessoa a ponto de incapacitar e comprometer a visão dela”, afirma  Sandeep Jain.

O cientista frisa que existem poucos medicamentos aprovados para tratar o olho seco, e eles não funcionam para todos os pacientes, especialmente para aqueles com a doença mais grave. “Portanto, ter um novo medicamento que pode tratar a doença visando um mecanismo diferente, nesse caso, uma autoimunidade, é muito importante”, diz.

A investigação terá continuidade, ampliando o número de participantes. “Os dados desse estudo clínico inicial sugerem que colírios contendo anticorpos combinados podem ser seguros e eficazes para o tratamento de doenças do olho seco, e esperamos realizar estudos randomizados maiores para provar definitivamente sua eficácia”, adianta Sandeep Jain.

Para Samuel Duarte, oftalmologista do Visão Hospital de Olhos, em Brasília, os resultados podem contribuir, de forma bastante positiva, para o tratamento de pacientes com o problema oftalmológico. “Hoje, temos muito poucos recursos que ajudam os pacientes. Usamos a lágrima artificial e também os imunossupressores. Esse colírio pode ser uma ferramenta a mais caso os testes futuros comprovem a sua eficácia e segurança”, avalia. “Sabemos que algumas situações, como privação de sono, pós-conjutivite e ficar muito tempo sem piscar os olhos, podem gerar esse problema, e na maioria das vezes a lubrificação resolve. Mas temos pacientes que devido a outros fatores, como alergia, precisam de outras opções.”

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Entenda por que você sempre larga a academia

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Fonte/Foto: R7
Psicóloga e doutora em neurociência explicam por que compensar o ‘pé na jaca’ do fim de semana com malhação só afasta da academia 

Exercício físico como forma de compensação pode ser desmotivador

A cena seguinte se repete praticamente todos os dias: você faz a inscrição na academia, consegue treinar todos os dias durante uma semana, surge um contratempo e de repente você se cobra mentalmente por ficar os próximos 15 dias sem colocar o pé na esteira até enfiar o pé na jaca na dieta novamente. 

Essa prática pouco produtiva tem nome, e não se chama sedentarismo. Segundo a educadora física e doutora em Neurociências e Comportamento Paula Teixeira, se chama exercício punitivo. Para a especialista em transtornos alimentares e fundadora da página @exercíciointuitivo, a maneira como a maioria das pessoas lida com a atividade física acaba virando “uma usina de pensamentos focados em questões alimentares e punição do seu corpo”.

“Se faço o exercício por pura obrigação, obcecado pelo corpo, ocupada por pensamentos, a prática de exercício não fica conectada com os sinais do corpo e aumenta a chance de se desmotivar, errar a dose e se lesionar. No exercício punitivo, é difícil associar a prática com momentos positivos”

Exercício intuitivo

Segundo Paula Teixeira, a resposta para movimentar o corpo sem culpa e finalmente deixar o sedentarismo se chama exercício intutivo, uma abordagem da atividade física que tem como objetivo estimular um estilo de vida ativo e a prática de exercício sem focar no peso corporal e na estética. Nesta prática, a meditação é a grande aliada do movimento. 

“O estímulo é feito como um momento de autocuidado e norteado por elemento da meditação e virtudes como respeito ao sinais do corpo, gentileza e compaixão.”

A psicóloga Raquel Guimarães, especialista em comportamento alimentar, estudiosa imagem corporal e criadora da página Meu Querido Corpo, ressalta a importância de discutir a prática de exercícios desligada do propósito estético. 

“Todo movimento importa. É importante estimular as pessoas a fazerem um mergulho interno para entender a relação delas com o exercício físico e desconstruir a ideia de que o exercício é físico é exclusivamente dedicado ao emagrecimento. Pode ser yoga, dança ou academia. O importante é entender o que seu corpo está pedindo no momento.”

Veja, segundo as especialistas, dicas de como praticar o exerício intuitivo e deixar o sedentarismo de vez. 

– Pare de se exercitar como uma forma de punição pelo que comeu no dia anterior.

– Observe seu estado físico e mental antes e depois da prática, dos batimentos cardíacos aos pensamentos.

– Não foque em performance, mas cuidar de você mesmo. O desempenho é consequência da regularidade.

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Instagram é o pior aplicativo para a saúde mental dos jovens, diz estudo

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Fonte/Foto: Techtudo
Pesquisa #StatusOfMind busca entender como as redes sociais afetam a mente dos jovens.

O Instagram é a rede social mais propensa a provocar ansiedade, depressão, má qualidade de sono e insatisfação com o próprio corpo nos jovens. A informação vem de um estudo do Royal Society for Public Health (RSPH), chamado Status of Mind, que teve foco em entender de que forma e em que medida as redes sociais estão afetando a mente dos jovens — maioria dos usuários em todas as plataformas. Para isso, as redes sociais analisadas foram as mais

A ansiedade e a depressão em jovens, segundo o relatório da pesquisa, ganharam uma incidência 70% maior nos últimos 25 anos. As redes sociais estariam atuando no sentido de agravar esse quadro, sendo um combustível para alimentar expectativas irreais e aumentar sentimentos como o de inadequação. “Ver amigos em constante “curtição”, de férias, em festas e eventos faz com que os jovens sintam que estão perdendo a vida, enquanto outros a apreciam. Esse sentimento costuma promover comparações e consequente desespero”, diz o relatório.

Viciados em redes sociais

O relatório lembra que essas plataformas têm caráter mais viciante que drogas lícitas como cigarro e álcool, e também estão relacionadas a má qualidade de sono, ciberbulling e uma nova síndrome chamada de FoMO (Fear of Missing Out, ou medo de estar perdendo algo, em português) entre os jovens mais conectados.

”Eu preciso manter meu celular sempre carregado, caso contrário posso perder algo no Facebook e começo a roer minhas unhas”, afirma um participante da pesquisa, na faixa ente 17 e 19 anos, que ilustra os efeitos provocados pela FoMO.

Pessoas perfeitas

Outro problema se apresenta como a dificuldade de aceitação corporal: hoje, nove de cada dez meninas estão insatisfeitas com seu corpo. Dentre as redes sociais destacadas, o Instagram foi apontado como maior responsável por isso, devido à quantidade de fotos editadas e irreais de corpos com ”padrões perfeitos”.

”O Instagram faz meninas e mulheres sentirem que seus corpos não são bons o suficiente, porque as pessoas colocam filtros e editam as suas fotos para parecem perfeitas”, diz outra participante da pesquisa, na faixa de 20 a 24 anos.

Novidade na aba explorer deixa você pesquisar Stories por localização — Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo

A pesquisa apresentou 14 itens relacionados a saúde mental e bem estar, como suporte emocional, solidão, ansiedade, identidade, aceitação corporal e mais. Em cada um deles o usuário precisava dar uma nota entre -2 e +2, sendo -2 o mais nocivo, e +2 o mais positivo. A soma dos resultados apresentou que a rede mais nociva aos usuários é o Instagram, em segundo lugar do Facebook, seguido do whatsapp, Twitter e, por último, o YouTube — único que apresentou saldo positivo.

Instagram é a rede social mais nociva à saúde mental dos jovens — Foto: Reprodução/RSPH

O estudo, que recebeu nome de #StatusOfMind (Status da Mente, em tradução para o português), foi realizado com 1.500 jovens de 14 a 24 anos do Reino Unido. A pesquisa foi desenvolvida pelo Royal Society for Public Health (RSPH) no ano de 2017. Embora o recorte seja de um país da Europa, os resultados, possivelmente, são similares no resto do mundo, já que os conteúdos publicados se parecem.

O RSPH agora pede que algumas medidas sejam tomadas para amenizar dados: que as redes sociais apresentem quando uma foto foi muito manipulada digitalmente; avisos de pop-up quando o jovem está usando demais as redes sociais; além de plataformas de apoio que identifiquem que o jovem possa estar tendo problemas mentais e ofereçam a ajuda necessária para evitar sofrimento.

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