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Medicina & Saúde

Estudo mostra que adolescentes de faixas carentes estão mais obesos

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Foto: Reprodução /Fonte: Agência Brasil

Adolescentes residentes no Brasil, de faixas mais pobres da população, estão mais obesos e ainda sofrem de desnutrição.

É o que mostra estudo feito por pesquisadores da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia (Cidacs/Fiocruz Bahia).

Esta é a primeira vez que uma investigação como essa é feita no Brasil, observando fatores socioeconômicos associados à desnutrição e à obesidade.

Para fazer o trabalho, os técnicos utilizaram dados das edições de 2009, a primeira, e da mais recente, de 2015, da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O trabalho investiga doenças crônicas não transmissíveis entre adolescentes escolares brasileiros.

O estudo comparou os índices nutricionais de alunos de 13 a 17 anos, separados entre os que apresentam somente sobrepeso ou baixa estatura e aqueles que apresentam as duas condições.

Sobrepeso

Na visão dos pesquisadores, houve aumento de sobrepeso entre os adolescentes de todos os níveis socioeconômicos e, ao mesmo tempo, também aparece nesses estudantes a desnutrição, revelada pela baixa estatura.

Segundo o estudo, os adolescentes de escolas privadas têm maior chance de desenvolver excesso de peso em relação aos estudantes da escola pública, mas ao longo do tempo a diferença se reduziu. Entre 2009 e 2015, o índice de adolescentes com excesso de peso na rede privada, que era 28,7%, permaneceu inalterável, mas a taxa entre os da rede pública aumentou de 19% para 23,1%.

Dupla carga

No estudo, os pesquisadores identificaram que a dupla carga de má nutrição, uma característica de desnutrição e obesidade, simultâneas, atinge menos de 1% dos estudantes.

Apesar disso, nem sempre uma melhoria nas condições socioeconômicas vem acompanhada de maior qualidade nutricional.

“O indivíduo que tem dupla carga é aquele adolescente que apresenta baixa estatura, um sinônimo de desnutrição crônica e excesso de peso. A dupla carga pode se manifestar de três formas. Tanto em nível individual, que é o caso do nosso estudo, sendo os dois desfechos no mesmo indivíduo. Pode ser também em nível familiar, por exemplo, uma mãe com excesso de peso e um filho com desnutrição, ou em nível comunitário, onde em um mesmo local temos taxas altas tanto de desnutrição quanto de obesidade. No nosso estudo foi bem específico, com adolescente de baixa estatura e excesso de peso”, disse a pesquisadora da UFBA, Júlia Uzêda, em entrevista à Agência Brasil.

Em 2009, na análise separada, o grupo que apresentou os dois desfechos de saúde, independentemente de sexo, e diferenciando entre estudantes de escola pública e privada, a simultaneidade aparece em 29 estudantes do ensino particular (0,2%) contra 185 do público (0,4%).

Isso significa que a dupla carga é maior entre estudantes da rede pública. Em 2015, a taxa de dupla carga entre os estudantes de escola privada atingiu 0,3% e nos da rede pública permaneceu em 0,4%. As meninas, com 0,4%, ainda são maioria, enquanto entre os meninos ficou em 0,3%.

Fatores

De acordo com o pesquisador do Cidacs Natanael Silva, embora o estudo não tenha se baseado em classes sociais, há variáveis analisadas que indicaram um crescimento de obesidade, atingindo cada vez mais a população menos favorecida socioeconomicamente.

Segundo ele, os alimentos processados podem ser um dos fatores da obesidade, por serem também de preços mais baixos.

“Os alimentos processados acabam sendo mais baratos do que qualquer alimento natural e por terem maior aporte calórico, muitas vezes serem vendidos em grandes quantidades, mais baratos e atrativos, chamam bastante a atenção do público mais vulnerável”, disse.

Além disso, foram selecionadas informações socioeconômicas de adolescentes, como escolaridade da mãe, raça, sexo e tipo de unidade escolar.

Os filhos de mulheres que completaram a educação primária revelaram melhores índices de nutrição, apresentando a metade da taxa de dupla carga do que os estudantes cujas mães não finalizaram essa etapa.

Júlia Uzêda informou que há estudos comprovando que a desnutrição em período intrauterino provoca mecanismos no corpo que aparecem futuramente na vida da criança, por causa de problemas na absorção de gordura, que resultam na obesidade.

“O adolescente é um público vulnerável por todas as mudanças físicas, então, quando o indivíduo tem dupla carga, ele passa a ter riscos tanto de desnutrição quanto de obesidade, por isso o nome de dupla carga”, observou.

Políticas Públicas

Os pesquisadores defenderam que o estudo serve para ajudar na elaboração de políticas públicas.

Para Júlia Uzêda, existem fatores que não foram analisados no estudo, como o consumo alimentar e, principalmente, a qualidade dos alimentos ingeridos, mas as informações encontradas já podem servir para a adoção de medidas com o foco na qualidade da nutrição.

“Muitas vezes as políticas públicas são destinadas isoladamente à obesidade ou à desnutrição e acabam tratando um e esquecendo outro. A transição nutricional tem o perfil que é a diminuição da desnutrição, mas não deixa de existir, enquanto a obesidade e o excesso de peso aumentam. Isso muda o foco das políticas públicas”, disse a pesquisadora.

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Hospital do Baixo Amazonas orienta homens sobre prevenção de doenças cardiovasculares

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Foto: Reprodução /Fonte: Agência Pará

Para mostrar a importância de cultivar hábitos saudáveis e prevenir doenças cardiovasculares, o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém (oeste do Pará), realizou uma programação especial nesta quinta-feira (18). O cardiologista João Otaviano de Matos orientou pacientes que aguardavam consultas no ambulatório da unidade, e ainda cantou músicas regionais.

“Temos que ter, sempre, duas coisas em mente: qualidade de vida e viver muitos anos. E como a gente previne as doenças cardiovasculares? Com um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, com atividade física regular e, também, a partir dos 40 anos de idade, todo homem e toda mulher deve fazer pelo menos uma consulta anual com um clínico ou cardiologista”, informou o médico.

O paciente José Jofre, 56 anos, ouviu as orientações e considerou “muito importante o que o médico falou. Inclusive, estou com a minha esposa, e falei que tudo serve para ela, também. O fato de ter uma apresentação musical, foi muito bom. A gente já chega aqui com baixa autoestima, e essas ações nos trazem mais vida, mais animação. É uma energia muito boa. Eu gostei bastante”.

Estímulo – A ação faz parte da Semana do Homem, alusiva ao Dia do Homem – 15 de Julho. “É muito importante ter esses momentos, principalmente porque estamos no mês do homem, e sabemos que os homens não se cuidam tanto quanto as mulheres. Então, é sempre muito bom ter esse tipo de evento, que estimula mais as pessoas a procurarem ajuda. O médico também é um excelente cantor”, disse a acompanhante de José Jofre, Luciele Silva, 29 anos.

Para a supervisora de Humanização do HRBA, Patrícia Nogueira, é fundamental trabalhar com a prevenção. “Nosso objetivo é sensibilizar as pessoas sobre a importância de nos cuidar sempre, não somente depois de já estar com algum problema. Hoje, nós procuramos proporcionar essa interação entre médico e paciente, em um momento descontraído, para que pudessem aproveitar bem o momento”, ressaltou.

O Hospital Regional do Baixo Amazonas, que atende casos de média e alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), integra a rede de hospitais vinculados à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

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Medicina & Saúde

Excesso de café aumenta chance de pressão alta em pessoas predispostas

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Marcelo Camargo/Agência Brasil

O consumo habitual de mais de três xícaras de café de 50 ml por dia aumenta em até quatro vezes a chance de pessoas geneticamente predispostas apresentarem pressão arterial alta. A descoberta faz parte de um estudo desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista Clinical Nutrition.

Estudo anterior mostra, por outro lado, que o consumo moderado de café (de uma a três xícaras por dia) tem efeito benéfico sobre alguns fatores de risco cardiovascular – particularmente a pressão arterial.

A principal autora do estudo, Andreia Machado Miranda, pós-doutoranda no Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP), explica que essa conclusão chama atenção para a importância da relação entre o consumo de café e a prevenção da pressão alta. “Como a maior parte da população não tem ideia se é predisposta ou não para desenvolver a pressão alta, o ideal é que se faça um consumo moderado de café. Até onde nós sabemos, pelos nossos estudos e por outros já publicados, esse consumo moderado é benéfico para a saúde do coração”, apontou.

A escolha do café para avaliar essa associação se deu por ser uma das bebidas mais consumidas entre os brasileiros. A pesquisa aponta que ele pode ser protetor para a saúde do coração se usado de forma moderada, mas também pode ser vilão para pessoas predispostas a hipertensão e em doses exageradas. Segundo Andreia, isso ocorre porque o café é uma mistura de mais de 2 mil compostos químicos.

Cafeína

“A hipótese do nosso estudo é que mais de três xícaras podem aumentar as chances [de pressão alta] pela presença da cafeína. A cafeína está associada com a resistência vascular, ou seja, a dificuldade com a passagem do fluxo nos vasos, e também provoca vasoconstrição, que é a contração a nível dos vasos sanguíneos, o que dificulta a passagem do fluxo e tudo isso faz com que haja um aumento da pressão arterial”, explicou.

Os polifenóis, por sua vez, seriam os responsáveis pelas ações benéficas. “São compostos de origem vegetal que não são sintetizados pelo organismo, então precisam ser obtidos pela dieta. Eles têm elevado poder antioxidante, tem uma ação antitrombótica, que significa que impedem a formação de trombos nos vasos, e promovem uma melhoria da vasodilatação, ao contrário do efeito da cafeína”, elencou a pesquisadora.

Dados

A pesquisa é baseada em dados de 533 pessoas entrevistadas no Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA), de 2008. O levantamento estadual obteve dados sociodemográficos e de estilo de vida, como idade, sexo, raça, renda familiar per capita, atividade física e tabagismo por meio de um questionário aplicado a mais de 3 mil participantes. Além disso, foram colhidas informações sobre consumo alimentar e feita coleta de sangue para análises bioquímicas e extração de DNA para genotipagem. Em visita domiciliar, foram medidos o peso, a altura e a pressão arterial dos voluntários. Para a pesquisa desenvolvida por Andreia, foi utilizada uma mostra representativa de adultos e idosos.

“Com todos esses dados, fizemos o estudo de associação entre pressão arterial, genética e influência do café. Foi aí que concluímos que indivíduos que tinham uma pontuação mais elevada no score, ou seja, que eram geneticamente predispostos [a pressão alta], e que consumiam mais de três xícaras de café por dia, tinham uma chance quatro vezes maior de ter pressão alta em relação a quem não tinha predisposição”, explicou a pesquisadora.

Pesquisa

A pesquisa, que tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), vai avaliar agora o efeito do consumo de café em pacientes com doença cardiovascular – particularmente a síndrome coronariana aguda, causada por obstrução na artéria coronária, que irriga o coração. Os pesquisadores vão avaliar, durante quatro anos, os dados de acompanhamento de 1.085 pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio ou angina instável e foram atendidos pelo Hospital Universitário da USP.

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Hepatite C atinge mais homens do que mulheres em Parauapebas

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Foto: Reprodução / Fonte: Blog Ze Dudu

Em Parauapebas, 45 casos de hepatite C foram confirmados entre 2010 e 2018. A exemplo do que acontece em todo o País, os homens foram os que mais contraíram a doença, causada pelo vírus VHC, para a qual não existe vacina, tem cura para mais de 90% dos casos, mas que se não for devidamente tratada pode evoluir para cirrose e até mesmo câncer.

Dos casos registrados em Parauapebas, 24 (53,33%) ocorreram em indivíduos do sexo masculino e 21 (46,67%), do sexo feminino. Os dados são do Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Apesar de o número de casos entre homens ser superior, em 2018 observa-se ligeira diminuição da hepatite C em ambos os sexos, quando foram registrados três casos em homens e um caso em mulheres.

Em relação à faixa etária, Parauapebas também se enquadra no que é observado em todo o Brasil: a hepatite C prevalece em pessoas com idade a partir de 40 anos, sendo que a faixa de 50 a 59 anos apresentou um pico significativo em 2015, com quatro casos confirmados. Depois disso, em 2018, foi registrado um caso em cada faixa etária de 30 a 39 anos de idade, de 40 a 49 e de 50 a 59 anos.

Também de forma predominante a hepatite C atinge as pessoas de cor parda: 86,67% dos casos contra 8,89% em pessoas negras. A proporção de casos que apresentaram o campo raça/cor sem preenchimento (em branco) foi de 0%, o que significa melhoria no sistema. As raças amarela e indígena não foram registradas no período.

Entre os que contraíram a doença em Parauapebas, 20 (44,44%) possuíam ensino fundamental incompleto, 14 (31,11%) tinham o ensino médio completo e quatro (4,44%) eram analfabetos.

Quanto à distribuição por bairro, durante todo o período analisado, o Rio Verde aparece com maior número de casos: 8, seguido do bairro União, com sete registros.

Quanto à provável fonte ou mecanismo de infecção, verificou-se que o maior número foi referente ao uso de medicamentos injetáveis (19), seguido de tratamento cirúrgico (17) e de uso de drogas (11). Em 2018, foram registrados 2 casos com provável fonte de infecção por meio de tratamento cirúrgico, e 2 casos por meio de uso de drogas.

Previna-se contra a doença

A hepatite C pode ser transmitida pelo contato sexual e pelo compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas, lâminas de barbear, escova de dente e até mesmo por instrumentos de manicure, pedicure, tatuagem e colocação de piercing. A transmissão pode acontecer também por via perinatal (da mãe para filho) – sobretudo durante a gravidez e o parto -, contudo é menos frequente.

São consideradas populações de risco acrescido para a infecção pelo HCV os indivíduos que receberam transfusão de sangue e/ou hemoderivados antes de 1993 e pessoas que usam drogas. Segundo os últimos dados do Ministério da Saúde, em 2017 mais de um milhão de brasileiros tiveram hepatite C.

A doença é silenciosa. A maioria dos portadores de VHC só percebe que está com o vírus quando apresenta um quadro grave de hepatite crônica com risco de desenvolver complicações, como cirrosecâncer no fígado e insuficiência hepática. É quando aparecem sintomas, como mal-estar, vômitos, náuseas, pele amarelada (icterícia), dores musculares, perda de peso e muito cansaço.

Para se prevenir contra a hepatite, não utilize drogas injetáveis nem compartilhe objetos de higiene pessoal, como instrumentos que possam conter sangue, como os de manicure e para tatuagem, escova de dente e lâminas de depilar e de barbear; sempre exija agulhas descartáveis quando for fazer exames; só faça sexo com preservativo; e no caso das mulheres que planejam engravidar, precisam fazer teste para saber se é portadora do VHC.

O Ministério da Saúde também recomenda que as pessoas se vacinem contra as hepatites A e B, disponíveis nos postos de saúde.

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