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FGV: Facada não gera comoção nem aumenta apoio a Bolsonaro

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Da Agência Sputinik/ Brasil 247

Realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV, o projeto Observa 2018 analisou o volume e a inclinação de posts em redes sociais após o ataque ao candidato Jair Bolsonaro. De acordo com o monitoramento, a facada não fez aumentar o apoio ao candidato, ao menos no primeiro momento; ao contrário, foi recebido com descrença e piadas.

De acordo com o DAAP FGV, o ataque foi o evento de maio repercussão imediata no Twitter desde as eleições de 2014. O monitoramento calculou impressionantes 3,2 milhões de referências discutindo os procedimentos médicos, referências ao discurso de ódio do candidato, a violência das eleições e, acima de tudo, questionamentos quanto à veracidade do acontecimento.

Embora as hashtags mais populares sejam de apoio a Bolsonaro — #forçabolsonaro, com 197,3 mil recorrências, seguida de #bolsonaropresidente17 (21,4 mil), #direitaunida (11,3 mil), #bolsonaro (10,1 mil) e #somostodosbolsonaro (6,2 mil), segundo o instituto — “os tuítes de maior compartilhamento, permanecem em evidência publicações que abordam se, de fato, houve um ataque a Bolsonaro ou se o dano provocado pela facada foi grave como parece”.

Ciro Gomes e João Amoêdo foram os dois presidenciáveis que mais repercutiram nas redes além do próprio Bolsonaro. As mensagem de condolências e de desejos de recuperação tweetadas por ambos alcançaram juntas 20 mil retweets e 117,9 mil curtidas. Lula também foi destaque:

“O ex-presidente Lula permanece desde ontem como o ator político de maior associação ao ataque a Bolsonaro, com 185,9 mil menções, citado por conta dos tiros à caravana pelo Sul do Brasil, em março (…). Perfis falam dos ataques a ambos como exemplos da agressividade que marca os debates políticos na atualidade e do colapso da manutenção institucional na condução do processo eleitoral”, diz o texto.

Bolsonaro está internado no Hospital Albert Einsten em São Paulo após ter sido transferido da Santa Casa de Juiz de Fora, onde passou por cirurgia. Ele deve seguir sob cuidados médicos por ao menos 1 semana e é provável que só volte à rotina normal de campanha a partir do dia 25.

De acordo com o último boletim emitido pela equipe médica que acompanha o candidato, ele não corre risco de morrer.

Não foi crime político

Alex Solnik*

O autor da facada em Bolsonaro foi enquadrado, pela Polícia Federal, no artigo 20 da Lei de Segurança Nacional, por “praticar atentado pessoal por inconformismo político”. Pode pegar 20 anos de cana. Afasta-se desde já, portanto, qualquer hipótese de conspiração de caráter ideológico, partidário ou de candidato contra candidato.

Esse fato esvazia a possibilidade de o incidente tomar as proporções dos atentados da rua Toneleros, de 1954, que resultou no suicídio de Getúlio Vargas e o de João Pessoa, em 1930, que derrubou Washington Luís.

Em 54, morto o major Vaz e ferido Carlos Lacerda, Getúlio foi apontado como suspeito. Em 1930, assassinado João Pessoa, os dedos se voltaram contra Washington Luís.

Aqui, não. O sujeito que tentou matar Bolsonaro é um lobo solitário, como há muitos por aí, querendo se vingar da humanidade ou ganhar notoriedade. Matar celebridades é o sonho de muitas cabeças doentes.

O homicida frustrado não tem ligações com grupos de qualquer natureza. Era um anônimo. O único fato estranho em seu perfil foi ter sido visto no mesmo clube de tiro frequentado por filhos de Bolsonaro.

Um grande amigo meu, o Pacote, certa vez revelou fazer parte de um grupo de jornalistas criado por Yoko Ono com o propósito de apagar o nome do assassino de John Lennon da história. Exatamente para evitar que se tornasse célebre.

Proponho o mesmo pacto em relação ao pobre diabo que esfaqueou Bolsonaro.

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Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais “Porque não deu certo”, “O Cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão” e “O domador de sonhos”

 

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