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Foi um paraense que inventou a Hidroxicloroquina? Fato ou Fake?

Foto: Reprodução / Fonte: A Província do Pará

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Conforme divulgado recentemente por uma rede social, descrevendo um fato um tanto curioso, o texto fala em poucas linhas que o paraense Dr. GASPAR VIANNA foi o criador da Hidroxicloroquina, medicamente que se tornou popular nos últimos meses por ser recomendado para o tratamento do Covid-19. Para saber se essa notícia se trata de Fato ou Fake, resolvemos fazer uma pesquisa profunda sobre a origem dos medicamentos Hidroxicloroquina, Cloroquina e é claro sobre quem foi o Cientista paraense Gaspar Vianna envolvido na polêmica e sua colaboração em prol da humanidade e da saúde.

Vamos analisar cada detalhe sobre o assunto.

Hidroxicloroquina

Foi sintetizada em 1946, por Surrey e Hammer, e aprovada para uso médico nos Estados Unidos em 1955. Faz parte da Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial de Saúde, uma lista dos medicamentos mais eficazes, seguros e fundamentais num sistema de saúde. É um fármaco usado na prevenção e tratamento de malária sensível à cloroquina. Entre outras aplicações, pode ser usada no tratamento de artrite reumatoide, lúpus eritematoso, porfiria cutânea tarda, febre Q e doenças fotossensíveis. Está também a ser usada como tratamento experimental da COVID-19.

Cloroquina

A cloroquina foi descoberta em 1934 pelo investigador da Bayer, Hans Andersag. Faz parte da Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial de Saúde, uma lista dos medicamentos mais eficazes, seguros e fundamentais num sistema de saúde. Está disponível como medicamento genérico.

Quem foi Gaspar Vianna ?

A morte prematura, aos 29 anos, não impediu Gaspar Vianna de entrar para o rol dos principais nomes da ciência médica mundial na primeira metade do século 20, ao descobrir a cura de uma doença que infligia graves lesões na pele e nas mucosas das vítimas, levando muitas delas à morte: a leishmaniose tegumentar. O caminho aberto pelo cientista foi o mesmo trilhado, mais tarde, para curar uma outra forma da doença, a leishmaniose visceral, que ataca órgãos internos.

Foi eleito o paraense do século XX na promoção feita para a comemoração dos 25 anos da TV Liberal em que várias grandes personalidades da História do Estado, foram selecionadas, e concorreram ao título, que foi vencido por Gaspar. Em 1998, numa pesquisa promovida pela revista ‘Médicos, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo mediante consulta a 52 escolas médicas, 47 sociedades de especialidades, 22 Conselhos Regionais de Medicina, 20 Associações Médicas Estaduais, Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira e Federação Nacional dos Médicos, Gaspar Vianna foi eleito um dos 10 maiores nomes da medicina brasileira no Século XX, ao lado de Oswaldo Cruz, e outros.

O cientista morreu em julho de 1914, em decorrência de um incidente ocorrido enquanto trabalhava. Ao realizar a necropsia de um caso de tuberculose pulmonar no Hospital da Santa Casa do Rio de Janeiro, um jato do líquido depositado em uma cavidade torácica do corpo atingiu seu rosto. Em apresentou sintomas da doença e faleceu dois meses depois. “Para Edgar Cerqueira Falcão, somente a descoberta da penicilina teve desdobramentos comparáveis à cura das leishmanioses. Pena que não existisse ainda o antibiótico na época em que Gaspar Vianna infectou-se acidentalmente”, concluiu Benchimol.

Pesquisas sobre a leishmaniose

Numa época, em que o Brasil vivia um momento de grandes obras, como a das ferrovias que iam de Bauru (SP) em direção a Mato Grosso, elas trouxeram uma série de epidemias, como a “úlcera Brava” ou “úlcera de Bauru”. Adolpho Lindenberg, Antonio Carini e Ulysses Paranhos foram os primeiros estudiosos a pesquisarem a moléstia apontando seu agente como L. tropica. Por outro lado, Gaspar Vianna, em 1911, em suas observações, descobriu uma nova espécie desse agente, a qual chamou Leishmania braziliensis, protozoário causador da leishmaniose cutâneo-mucosa. Ele foi além, não restringindo seus estudos à proposição da espécie e assim descobriu o tratamento da doença. Em 1912, Vianna comprovou que o tártaro emético ou antimonial era eficaz para conter a enfermidade, abrindo caminho para o uso da substância também no granuloma venéreo e na esquistossomose. Era o marco inicial da quimioterapia anti-infecciosa.

O trabalho de descoberta do patologista foi então publicado em alemão e teve repercussão mundial, com eficácia extraordinária comprovada no tratamento da leishmaniose cutâneo-mucosa e nos casos mais graves de leishmaniose visceral ou calazar.

Enquanto a pandemia avança, a ciência corre para testar formas eficazes de combater a Covid-19. O medicamento é a cloroquina (CQ) – mais especificamente, um derivado dela, a hidroxicloroquina (HCQ), sintetizada pela primeira vez em 1946 e 40% menos tóxica que a primeira, criada ainda nos anos 1930. A hidroxicloroquina também tem ação anti-inflamatória, o que seria ótimo nos estágios mais avançados da Covid-19, já que ela mata inflamando os pulmões. “Prevemos que o medicamento tem um bom potencial para combater a doença”, escreveram os cientistas que participaram da pesquisa. Vale dizer que, em 2005, pesquisas com cloroquina mostraram que a substância era eficaz no combate à SARS, que foi causada por um outro tipo de coronavírus.

Deixamos aqui aberto o direito de resposta a quem publicou a notícia, se desejar esclarecer mais detalhes sobre o assunto.

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