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Economia

Governo arrecada R$ 2,377 bilhões em leilão de aeroportos

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O grupo suíço Zurich Airport já administra no Brasil o aeroporto internacional de Florianópolis. Foto: Reuters

Grupos estrangeiros pagam ágio elevado e dominam negociação no Brasil

Fabiana Holtz e Luciana Collet/ O Estado de S.Paulo

 

São Paulo – A arrecadação total do governo com o leilão para a concessão de 12 aeroportos somou R$ 2,377 bilhões. Desse total, R$ 2,158 bilhões correspondem ao ágio ofertado pelos proponentes vencedores. O ágio médio foi de 986%, informaram representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Nordeste

grupo Aena ofereceu R$ 1,9 bilhão pela concessão – o que corresponde a um ágio de 1.010,69% ante a contribuição mínima inicial estipulada para este bloco que era de R$ 171 milhões. Na disputa no viva-voz, houve competição entre os espanhóis e a Zurich Airport para ver quem levaria o bloco. Os suíços chegaram a oferecer um lance de R$ 1,851 bilhão, com ágio de 982,05%, o que colocou o Zurich à frente por alguns minutos, mas a Aena voltou a oferecer cifra superior.

Na primeira etapa, além da Aena, a Zurich ofereceu um valor de contribuição inicial de R$ 1,690 bilhão (ágio de 887,93%), o Consórcio Região Nordeste de R$ 1,488 bilhão (ágio de 770%), a CCR de R$ 1,007 bilhão (ágio de 488,67%), a Fraport de R$ 850,490 milhões (ágio de 397,18%) e a Vinci Airports de R$ 351 milhões (ágio de 105,19%).

O bloco Nordeste é composto pelos aeroportos de Recife (PE), Maceió (AL), Aracaju (SE), Juazeiro do Norte (CE), João Pessoa (PB) e Campina Grande (PB). Este era considerado o bloco mais atraente aos investidores. Em 2019, os terminais devem registrar a movimentação de 13,2 milhões de passageiros e a perspectiva é atingir 41 milhões/ano até o final de concessão, em 2049.

O valor de contribuição inicial deverá ser pago logo no início do contrato e os recursos serão direcionados ao Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). O concessionário terá, então, cinco anos de carência para a execução de obras e melhorias previstas no contrato. O consórcio vencedor deverá realizar investimentos de R$ 788 milhões ao longo dos primeiros cinco anos de contrato.

A partir do sexto ano, serão pagas contribuições variáveis, calculadas a partir de um porcentual escalonado sobre a receita bruta, partindo de 1,63% e chegando a 8,16% no décimo ano, quando então a outorga passará a ter um valor fixo até o final da concessão. Esse mecanismo foi estabelecido para adequar o contrato às oscilações de demanda e, consequentemente, de receita ao longo da concessão.

O edital prevê, entre as obras a serem executadas nos primeiros anos de concessão, adequações de segurança operacional de pista e pátio para garantir operações por instrumentos, prover sistema visual de aproximação nas cabeceiras de pista de pouso e decolagens e a implantação de aéreas de segurança de fim de pista. Também estão previstas no contrato a ampliação de capacidade de processamento de passageiros atendendo aos parâmetros baseados em recomendação da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) nos aeroportos de Maceió, Aracaju e João Pessoa. No caso do aeroporto do Recife, a ampliação de capacidade de processamento deve seguir o que está previsto no Plano de Exploração Aeroportuária.

Para entrar na disputa por esse lote foi exigido dos interessados experiência de cinco anos e processamento de no mínimo 5 milhões de passageiros/ano em pelo menos um dos anos.

Sudeste

O bloco Sudeste foi arrematado pela Zurich em disputa no leilão de aeroportos realizado na B3. O grupo ofereceu um valor de contribuição inicial de R$ 437 milhões, o que corresponde a um ágio de 830,15% ante o valor mínimo inicial estipulado para este bloco, de R$ 46,9 milhões. O grupo suíço superou outros três investidores interessados, a francesa ADP, com uma contribuição inicial de R$ 304 milhões (ágio de 547,06%), CCR de R$ 167 milhões (ágio de 255,47%) e Fraport de R$ 125 milhões (ágio de 166,07%). ADP e CCR tiveram a chance de apresentar um lance em viva-voz que superasse o da Zurich, mas não houve propostas.

Trata-se do menor bloco ofertado no leilão, integrado pelos terminais de Vitória (ES) e Macaé (RJ). Em 2019, os dois aeroportos devem registrar a movimentação de 3,3 milhões de passageiros e a perspectiva é atingir 8,2 milhões/ano até o final de concessão, em 2049.

Além do valor de contribuição inicial, a ser pago no início do contrato, o consórcio vencedor deverá realizar investimentos de R$ 302 milhões nos primeiros cinco anos de contrato. Entre as obras previstas estão medidas para garantir o atendimento do nível de serviço em parâmetros baseados em recomendações da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) e, em Vitória, a garantia de atendimento de processamento de 65% dos passageiros domésticos em pontes de embarque.

A partir do sexto ano, a concessionária pagará uma contribuição correspondente a um porcentual escalonado sobre a receita bruta, partindo de 1,77% e chegando a 8,85% no décimo ano. A partir de então, pagará um valor fixo até o final da concessão. Esse mecanismo foi estabelecido para adequar o contrato às oscilações de demanda e, consequentemente, de receita ao longo da concessão.

Para entrar na disputa por esse lote foi exigido dos interessados experiência de cinco anos e processamento de no mínimo um milhão de passageiros/ano em pelo menos um dos anos.

O grupo suíço Zurich Airport administra no Brasil o aeroporto internacional de Florianópolis e tem participação no aeroporto de Belo Horizonte/Confins. No momento, o Zurich trabalha na construção do novo terminal do aeroporto catarinense, que deve ser entregue em outubro de 2019.

Com investimentos de R$ 550 milhões, o novo edifício será quatro vezes maior do que o atual e contará com dez pontes de embarque (fingers). O aeroporto é citado, inclusive, no balanço anual da companhia por seu impacto positivo na receita da divisão internacional da companhia.

Na América Latina, a empresa também administra os aeroportos chilenos de Antofogasta e Iquique, e tem participações nos aeroportos de Bogotá (Colômbia) e Curaçao. A empresa também considera adquirir o controle do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), que está em recuperação judicial.

Centro-oeste

Vencedor da disputa pelos aeroportos da região Centro-Oeste, o consórcio Aeroeste é controlado por uma empresa que fez história no transporte, mas não o aéreo. A Socicam Terminais Rodoviários tem 85% do consórcio e é conhecida por administrar terminais de ônibus, como o do Tietê, na capital paulista. Nos últimos anos, porém, a empresa tem diversificado a atuação e hoje está presente nas cinco regiões do País, com portfólio de mais de 150 empreendimentos entre contratos de concessão e de prestação de serviços em aeroportos, portos, centrais de atendimento ao cidadão e centros comerciais.

No segmento de aeroportos, em particular, a empresa administra 10 concessões, sendo que duas estão localizadas no Centro-Oeste: os aeroportos de Goiânia (desde fevereiro de 2016) e Caldas Novas (desde novembro de 2015).

Na região Nordeste, a Socicam iniciou as operações dos aeroportos de Jericoacoara e Aracati, ambos no Ceará, em agosto de 2017. Na Bahia, a companhia é responsável pelas operações dos aeroportos de Vitória da Conquista (desde fevereiro de 2008), Ilha de Comandatuba (em Una, desde julho de 2016) e Ilhéus (desde novembro de 2018).

No Sudeste, a empresa opera três aeroportos: o regional Presidente Itamar Franco, em Goianá (MG), através da concessionária Aeroporto Zona da Mata (a primeira PPP do setor aeroportuário), o regional do Vale do Aço, em Ipatinga, e o aeroporto Prefeito Octávio de Almeida Neves, em São João Del Rei.

Outro sócio é a Sinart (Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico), que tem 15% do consórcio vencedor. Além da gestão de rodovias e aeroportos, a empresa também opera nos setores de turismo, hotelaria, estacionamentos públicos e privados e detém a concessão de apenas dois aeroportos: Porto Seguro (BA) e Juiz de Fora (MG).

Congonhas e Santos Dumont ficam para última rodada

Os aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ) ficarão para a última rodada de leilão, segundo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, ao comentar o resultado do leilão de 12 aeroportos realizado nesta manhã. “Temos três blocos: Norte, Central e Sul, com aeroportos importantes. Congonhas e Santos Dumont vão ficar para sétima e última rodada, por serem aeroportos muito importantes”, afirmou.

Freitas também chamou a atenção para a natureza dos players que se apresentaram no certame de hoje. “Agora temos operadores aeroportuários importantes. Cada vez mais players chegando. Não nos preocupa aeroportos com menos movimento. Temos uma maximização das possibilidades com esse arranjo em blocos”, reforçando que o foco do processo é a prestação de serviço de qualidade.

Também presente ao leilão, Adalberto Santos de Vasconcelos, secretário especial da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), avalia que três fatores importantes contribuíram para seu sucesso. “Antes o governo permitia que você dividisse o ágio em parcelas, agora o pagamento é a vista, o que protege a execução do plano estratégico. A distribuição do investimento de acordo com a demanda e o compartilhamento do risco de demanda também tornaram o processo mais atraente”, disse.

Economia

Bolsa encosta em 100 mil pontos e fecha em nível recorde

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Dólar caiu para R$ 3,792, menor valor em duas semanas

Por Wellton Máximo / Agência Brasil 

 Brasília- Em um dia de otimismo no mercado financeiro, a bolsa de valores bateu recorde e encostou em 100 mil pontos. O dólar caiu para o menor valor em duas semanas. O indicador Ibovespa, da B3 (antiga Bolsa de Valores de São Paulo), fechou esta segunda-feira (18) em 99.994 pontos, com alta de 0,86%. Durante a tarde, o indicador chegou a superar os 100 mil pontos, cedendo nos momentos finais de negociação.

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou vendido a R$ 3,792, com recuo de R$ 0,029 (-0,76%. Em queda pela segunda sessão consecutiva, a divisa está no valor mais baixo desde 1º de março, quando tinha encerrado em R$ 3,78.

Bovespa-Reuters

Bovespa bate recorde – Reuters/Direitos Reservados

Esta semana é marcada por decisões importantes na economia, tanto no cenário interno como no exterior. No Brasil, o governo entregará, na quarta-feira (20), a proposta de reforma nas aposentadorias e pensões dos militares. Também nesta semana, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados começa a discutir a reforma da Previdência.

O Comitê de Política Econômica do Banco Central (Copom) decide, também na quarta-feira, a taxa Selic (juros básicos da economia). Essa será a primeira reunião coordenada pelo novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Também na quarta, o Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos, decide os juros da maior economia do mundo.

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Economia

Presidente da Embraer deixará cargo em 22 de abril, confirma empresa

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Comunicado foi divulgado hoje para investidores

Agência Brasil  

Brasília – A Embraer informou hoje (18), por meio de comunicado, que o atual presidente da companhia, Paulo Cesar de Souza e Silva, deixará o cargo no dia 22 de abril, quando termina seu mandato. De acordo com o documento, a empresa irá anunciar o sucessor até o encerramento das atividades do CEO.

“O futuro Presidente e CEO será anunciado até 22 de abril”, diz o comunicado.

Segundo a nota da Embraer, Paulo Cesar foi convidado para ser consultor sênior do Conselho de Administração da Companhia, com a incumbência de facilitar a integração do novo diretor presidente, bem como assessorar o Conselho de Administração até o fechamento da operação com a Boeing.

Embraer 190

Em comunicado, a Embraer informa que até 22 de abril será escolhido o novo presidente da empresa – Antonio Milena/Arquivo Abr

O comunicado é assinado por Nelson Krahenbuhl Salgado, vice-presidente executivo Financeiro e de Relações com Investidores.

O texto da Embraer foi publicado na página da B3.

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Economia

Multinacionais trazem R$ 120 bilhões em empréstimos para filiais no Brasil

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No ano passado, montante de dinheiro que veio do exterior para ajudar empresas, conhecido como empréstimo intercompanhia, saltou de US$ 6,2 bi, em 2017, para US$ 32,3 bi; dois terços dos recursos vieram para o setor industrial

Douglas Gavras/ O Estado de S.Paulo
 

São Paulo – As dificuldades enfrentadas pela economia brasileira fizeram com que as multinacionais tivessem de se valer, no ano passado, de um “socorro” bilionário das suas matrizes (ou das filiais de empresas do Brasil no exterior). Em 2018, o dinheiro que veio de fora para ajudar as empresas, o chamado empréstimo intercompanhia, quintuplicou: foi de US$ 6,2 bilhões, em 2017, para US$ 32,3 bilhões (R$ 123,40 bilhões).

Esse tipo de empréstimo costuma aumentar em momentos em que é preciso ajudar uma empresa em dificuldades ou quando as companhias precisam ter acesso a crédito mais barato para se prepararem para uma oportunidade de investimento.

Os dados de 2018 do Investimento Direto no País (IDP), do Banco Central, apontam que a entrada maior desses recursos no ano passado foi impulsionada pelo “socorro” às empresas, segundo analistas. Isso aconteceu, principalmente, pelas que a indústria e o setor de serviços enfrentam, com a lenta recuperação do País e a demanda interna reprimida.

Banco CentralDados do BC apontam que entrada maior de recursos foi impulsionada pelo ‘socorro’ às empresas. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Nesse período, enquanto o empréstimo intercompanhia crescia, a participação no capital — os recursos que incluem compras, fusões ou expansão de empresas no Brasil — caiu 12,5%, indo de US$ 64 bilhões para US$ 56 bilhões em um ano. “Os investimentos estrangeiros em participação de capital das empresas são, no fim das contas, aportes em produção. Ainda que esse aumento não se efetive, o investidor faz um aporte em expansão ou fusão de uma companhia para que a produção cresça’, avalia Fábio Silveira, da consultoria Macrosector.

“A operação intercompanhia pode crescer tanto em momentos de crise quanto de bonança na economia. Antes da recessão, os juros no Brasil estavam elevados e as empresas tomaram crédito mais barato lá fora para crescer. Nos últimos anos, se percebe um movimento de entrada de recursos maior para manter o que já está instalado no País do que para novos projetos”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas (Sobeet), Luis Afonso Lima.

Ele lembra que a crise e a necessidade de reposicionamento de mercado ajudam a explicar a redução da atividade de algumas empresas estrangeiras no Brasil, com parte delas até deixando o País. Recentemente, a rede de farmácias norte-americana CVS e a varejista francesa Fnac deixaram o mercado nacional e a rede americana Walmart vendeu 80% dos seus negócios no Brasil.

Afetada pelo desaquecimento do mercado e ainda tendo de lidar com a alta ociosidade, a indústria recebeu mais de dois terços dos recursos vindos de operações intercompanhia em 2018. A indústria geralmente é o principal destino desse dinheiro, seguida pelo setor de serviços, mas o seu peso nos empréstimos era menor.

“As empresas internacionais não estão desistindo do Brasil, mas o investidor estrangeiro trabalha com um sinal amarelo”, diz o economista Mauro Rochlin, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

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