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Internacional

Governo Merkel enfrenta eleições regionais perigosas

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A chanceler alemã, Angela Merkel, em 27 de setembro de 2018 em Berlim - AFP

Depois de várias crises no governo, os conservadores alemães de Angela Merkel temem que derrotas nas eleições regionais de domingo na Baviera ou em Hesse, no fim do mês, enfraqueçam ainda mais a coalizão no poder.

A chanceler fez um apelo aos correligionários: “Estamos a poucos dias de eleições regionais muito importantes na Baviera e em Hesse. Por isto quero pedir a todos que falem com os eleitores e encerrem as disputas”.

Desde as legislativas de setembro de 2017, a chanceler tem que administrar as consequências políticas de sua decisão de 2015 de abrir as fronteiras da Alemanha a mais de um milhão de demandantes de asilo.

Afetada pelo crescimento do partido de extrema-direita Alternativa para Alemanha (AfD), Merkel demorou seis meses para formar uma coalizão, o que conseguiu depois de convencer alguns social-democratas reticentes.

Depois teve que enfrentar uma rebelião da CSU, partido aliado conservador bávaro. Em duas oportunidades, o ministro do Interior e presidente deste partido, Horst Seehofer, questionou o governo ao defender alguns dos temas favoritos do AfD para melhorar suas perspectivas nas eleições bávaras de domingo.

De acordo com as pesquisas, no entanto, a guinada à direita não convenceu os eleitores atraídos pela extrema-direita e assustou os mais moderados, que poderiam optar pelos Verdes, que aparecem em segundo lugar nas intenções de voto.

A CSU bávara caiu para 33-35% nas pesquisas, resultado que seria o menor em sua história e provocaria a perda de sua maioria absoluta. Um autêntico terremoto no reduto conservador, um dos estados mais ricos da Alemanha.

– Primeiro aviso –

Em Hesse, a CDU de Merkel, que governa o estado, não aparece em posição melhor nas pesquisas. Os Verdes e o AfD também aproveitam a queda do partido da chanceler.

Se as urnas confirmarem os resultados das pesquisas, a formação de governos regionais estáveis será complicada, o que provavelmente levará o campo conservador a retomar o debate sobre a sucessão da chanceler, que governa o país desde 2005 e tem mandato até 2021.

O tema deixou de ser um tabu nos últimos meses. Os mais ambiciosos deram um passo à frente e multiplicaram os apelos pelo abandono das políticas centristas que deram tanto resultado para a chanceler durante uma década.

“Não há mais dúvida. É necessário mudar de método”, declarou o influente deputado democrata-cristão Norbert Röttgen à revista Der Spiegel.

Os eleitores da CDU-CSU já deram um primeiro aviso com a escolha de um novo líder da bancada parlamentar que derrotou um aliado de Merkel.

A própria chanceler deve passar em breve por uma votação dos militantes para conservar a presidência de seu partido.

A situação é especialmente complicada para Merkel que, além de lidar com disputas internas, divide o governo com um Partido Social-Democrata (SPD) que enfrentam um momento ruim.

Desde o início da legislatura, o SPD, cuja popularidade não para de cair, hesita a respeito da conveniência de permanecer no poder. E as eleições na Baviera e em Hesse se apresentam como um novo desastre para o partido mais antigo do país.

Ninguém descarta a possibilidade de que o SPD abandone a coalizão, o que obrigara os conservadores a governar em minoria.

“É o ocaso do poder de Merkel na Alemanha”, resume Sudha David-Wilp, cientista político no German Marshall Fund.

“E a CDU/CSU terá que pensar no tipo de aliança que deseja para permanecer no poder”.

Fonte: AFP

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Internacional

Governo Bolsonaro tornará mais difícil acordo entre UE e Mercosul, diz Merke

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O tempo está se esgotando para um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, disse a chanceler alemã Foto: FETHI BELAID / AFP

Recado foi dado enquanto negociadores promovem, em Montevidéu, a ‘última chance’ de um acordo em 2018

Jamil Chade, correspondente

 

GENEBRA – Em meio à fase decisiva nas negociações entre Mercosul, e União Europeia, em Montevidéu, a chanceler alemã, Angela Merkel, cobra pressa para fechar o acordo e alerta que o o tempo está se esgotando para um acordo comercial entre os dois blocos. A líder alemã afirmou a parlamentares que o novo governo brasileiro do presidente eleito Jair Bolsonaro tornará o tratado mais difícil de ser alcançado.

Desde a última segunda-feira, os diplomatas voltaram a se reunir, desta vez no Uruguai, para o que seria a “última chance” de um acordo ainda em 2018. Tanto do lado do Mercosul como da UE, existe a percepção de que o pacote negociado até hoje poderia ser desfeito, uma vez que Bolsonaro tenha assumido o governo.

Sua equipe já indicou que poderia dar preferências a uma relação mais estreita com os EUA e, em parte, ignorar o Mercosul. Os temores da UE se confirmaram com a escolha de Ernesto Araújo como o futuro chanceler. Entre os diversos textos escritos pelo diplomata, ele chega a citar a Europa como um continente “vazio culturalmente” e dando claras indicações de que Washington será sua referência.

Para os europeus, a ausência de um acordo pode significar a perda de espaço no médio prazo para eventuais concessões que o Brasil faça para empresas americanas.

Mas o Mercosul alerta que os europeus não tem se mostrado flexíveis e evitam fazer concessões, principalmente no setor agrícola.

Caso haja um avanço até sexta-feira, a Argentina então convocará uma reunião ministerial entre Mercosul e UE para tentar fechar os últimos detalhes de um acordo que já se negocia por 19 anos. Será nessa etapa “política” que algumas das últimas concessões poderão ser feitas, como a ampliação das cotas para o etanol ou carnes brasileiras.

O recado de Merkel, portanto, foi interpretado por diplomatas como um sinal claro de que a Alemanha quer um acordo ainda em 2018 e que está disposta a fazer concessões.

O principal obstáculo, porém, está na França, onde o governo está sob forte pressão e não está disposto a fazer concessões. Durante o G-20, no início do mês, o presidente Emmanuel Macron alertou que apenas fecharia um acordo com o Mercosul se Bolsonaro mantivesse os compromissos do país no Acordo Climático de Paris.

Em Bruxelas, a condição levantada por Macron foi vista como um sinal de que Paris está sob pressão para não fechar um entendimento e protelar qualquer abertura, principalmente no setor agrícola.

Segundo o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, o Brasil está empenhado para que o acordo seja concluído, mas é preciso que os dois lados estejam interessados.

“Nós atribuímos enorme importância (ao acordo UE-Mercosul). O ministro (das Relações Exteriores) Aloysio (Nunes) está pessoalmente empenhado na negociação. Tenho acompanhado todos os temas de maneira muito próxima e estamos dando todos os sinais que Brasil tem vontade e disposição de fechar o acordo, mas os dois lados têm que querer”, afirmou Guardia a jornalistas.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que o Mercosul está pronto para fechar um acordo comercial com a União Europeia, que só não foi acertado ainda porque os europeus não querem concordar. “O Mercosul e a União Europeia só não têm um acordo, não é porque o Mercosul não quis, é porque a União Europeia não quis”, disse o ministro.

Os comentários do ministro foram feitos em resposta às afirmações da chanceler alemã. O ministro Maggi rebateu o posicionamento de Merkel. “O Brasil flexibilizou o que podia flexibilizar… Flexibilizamos até em detrimento do uns setores aqui internamente”, disse a jornalistas.

Bolsonaro já disse ser mais favorável a negociações bilaterais do que a engajamento em grupos multilaterais, como no caso do Mercosul.

Segundo o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, o Brasil está empenhado para que o acordo seja concluído, mas é preciso que os dois lados estejam interessados.

“Nós atribuímos enorme importância (ao acordo UE-Mercosul). O ministro (das Relações Exteriores) Aloysio (Nunes) está pessoalmente empenhado na negociação. Tenho acompanhado todos os temas de maneira muito próxima e estamos dando todos os sinais que Brasil tem vontade e disposição de fechar o acordo, mas os dois lados têm que querer”, afirmou Guardia a jornalistas./ COM REUTERS

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Internacional

Carta de Direitos Humanos completa 70 anos em momento de incertezas

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Em 10 de dezembro de 1948, a Organização das Nações Unidas promulgava a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Era uma resposta imediata às atrocidades cometidas nas duas guerras mundiais, mas não só isso. Era o estabelecimento de um ideário arduamente construído durante pelo menos 2.500 anos visando a garantir para qualquer ser humano, em qualquer país e sob quaisquer circunstâncias, condições mínimas de sobrevivência e crescimento em ambiente de respeito e paz, igualdade e liberdade.

O caráter universal constituiu-se numa das principais novidades do documento, além da abrangência de sua temática, uma vez que países individualmente já haviam emitido peças de princípios ou textos legais firmando direitos fundamentais inerentes à condição humana. O caso mais célebre é o da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, firmada em outubro de 1789 pela França revolucionária.

Com um preâmbulo e 30 artigos que tratam de questões como a liberdade, a igualdade, a dignidade, a alimentação, a moradia, o ensino, a DUDH é hoje o documento mais traduzido no mundo — já alcança 500 idiomas e dialetos. Tanto inspirou outros documentos internacionais e sistemas com o mesmo fim quanto penetrou nas constituições de novos e velhos países por meio do instituto dos princípios e direitos fundamentais. Na Constituição brasileira de 1946, os direitos fundamentais já eram consignados, mas é na Carta de 1988 que se assinala a “prevalência dos direitos humanos”.

Adotada numa perspectiva internacionalista, multilateral, a DUDH, conforme vários observadores, celebra sete décadas sob a turbulência do ressurgimento de tendências políticas e culturais que renegam os direitos humanos em várias partes do globo.

Por ocasião do Dia Mundial da Paz, em 21 de setembro, a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, alertou para “a proliferação do populismo e do extremismo, que constituem um obstáculo aos ideais de paz e direitos universais”.

— A paz será imperfeita e frágil, a menos que todos se beneficiem dela. Os direitos humanos são universais ou não são — enfatizou a chefe da UNESCO.

Ecoou assim o pressuposto estabelecido por aquele que é considerado o artífice da universalidade da carta, o representante francês na comissão que redigiu a declaração, Renê Cassin: a paz internacional só seria possível se os direitos humanos fossem igualmente respeitados em toda parte.

O clamor por esses direitos, portanto, não cessa. E cada vez mais se articula em ações de governos, de organismos como a Anistia Internacional, de organizações não governamentais e da sociedade civil. Contudo, o questionamento aos ditames desse estatuto, que antes poucos ousavam contestar, cria uma atmosfera de incerteza e, por vezes de pessimismo. Esse sentimento não é meramente uma manifestação de subjetividade: informe da ONU Brasil dá conta de que 87 mil mulheres no mundo foram vítimas de homicídio em 2017. Desse grupo, aproximadamente 50 mil — ou 58% — foram mortas por parceiros íntimos ou parentes. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) vê estagnação de progressos para proteger as mulheres no ambiente doméstico.

— Embora a vasta maioria das vítimas de homicídio seja de homens, as mulheres continuam a pagar o preço mais alto como resultado da desigualdade e discriminação de gênero e estereótipos negativos — declarou o chefe do organismo internacional, Yury Fedotov.

A senadora Regina Sousa (PT-PI), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, considera lamentável que o mundo não tenha dado passos importantes durante 70 anos.

— A confusão da concepção de direitos humanos foi proposital. A elite mundial e a brasileira colocaram na cabeça das pessoas que direitos humanos são direitos de bandidos. E não é [assim]. São direitos das pessoas a moradia, a saúde, a educação, o transporte, cidades feitas pensando nas pessoas, direito da população negra contra o racismo, direito de não ser escravizado, direitos da população LGBT de não ser morta. Mesmo o bandido tem lá os seus direitos, merece tratamento decente — avaliou a senadora depois de anunciar para a tarde desta segunda-feira (10) uma audiência pública com representantes de várias categorias que atuam nessa seara.

Enquanto casos de escravidão são flagrados próximos à capital do Brasil, continua envolto em mistério o assassinato de uma vereadora do Rio de Janeiro e defensora dos direitos humanos que atuava o em áreas controladas pelo narcotráfico e as milícias. Os motivos e os autores do crime não foram até agora esclarecidos. A provável execução de Marielle Franco causou indignação em todo o mundo e motivou declarações do próprio Papa Francisco. Nove meses depois de sua ocorrência, a Anistia Internacional reclama a solução para o caso, assim como a presidente da CDH.

Vídeo da ONU resgata a promulgação da DUDH

“Vamos agir juntos para promover e defender os direitos humanos para todos, em nome da paz duradoura para todos. A paz cria raízes quando as pessoas vivem livres da fome, da pobreza e da opressão. Eu encorajo vocês a se manifestarem: pela igualdade de gênero, por sociedades inclusivas, por ações climáticas. Façam a sua parte na escola, no trabalho, em casa. Cada passo conta. A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um marco fundador e um guia que deve assegurar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

António Guterres, secretário-geral da ONU

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Internacional

Mais da metade da população mundial usa internet, afirma ONU

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Acesso internet celular

Até então, o uso de internet no mundo ficava na faixa de 50%; hoje, nas Américas, cerca de 69,6% da população usa internet

 Por Redação Link /O Estado de S. Paulo

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