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Pai e filho, segundo pesquisa, lideram rejeição no Pará

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Que o candidato ao governo do Pará pelo MDB, Helder Barbalho, se parece muitíssimo com o pai – o senador Jader Barbalho -, seja no timbre da voz, modo de falar, seja nos vícios de linguagem, no uso dos mesmos vocabulários e até nos gestos impositivos, isso todo mundo comenta há tempos.

Desde que Helder começou a se enfronhar na vida pública, seguindo, de certa forma, as pegadas do pai e da mãe – a deputada federal Elcione Zaluth -, essas  semelhanças vem se acentuando e ele, Helder, faz questão de cultiva-las, como admitiu numa entrevista ao site “Papo no Tucupi”, do jornalista Tito Barata.

E se assemelha até mesmo nas conquistas eleitorais e na ocupação de cargos federais – quando não está exercendo nenhum mandato, como agora – logicamente que beneficiado mais pelo poder do pai que por seus próprios méritos.  Jader já foi deputado estadual, deputado federal, duas vezes governador;  ministro da Reforma Agrária, com a morte do então titular, o pernambucano Marcos Freire, num acidente em Carajás; e da Previdência Social, no governo Sarney; senador da República duas vezes e tenta a reeleição mais um ves, estão mesmo na liderança de intenção de votos, milímetros à frente do ex-senador Mário Couto (PP).

Jader renunciou duas vezes

O senador Jáder teve que renunciar em duas oportunidades ao Senado. Numa deles, em 2010, nem havia tomado posse ainda. Em outubro de 2001, renunciou  à Presidência da Casa e ao próprio mandato para não ser cassado. Essa foi anunciada após o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado aprovar a abertura de um processo contra ele por quebra de decoro.

Com a renúncia, preservou seus direitos políticos e se elegeu em seguida a deputado fderal.  Em 2001, Jader era acusado de mentir ao Senado sobre o seu suposto envolvimento  em desvios de verbas do Banpará (Banco do Estado do Pará) e impedir a tramitação de um requerimento solicitando o envio de relatórios elaborados pelo Banco Central sobre o assunto. Renunciaria outra vez, em 2010, quando era deputado federal e fora  senador.

Na ocasião,  Jader Barbalho obteve quase 1,8 milhão de votos, ficando em segundo lugar no estado,  atrás apenas de Fernando Flexa Ribeiro (PSDB), hoje candidato à reeleição.  Jader foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base na Lei da Ficha Limpa, pela renúncia de seu mandato como senador em 2001 para evitar cassação por envolvimento em investigação sobre desvio de dinheiro público no Banpará e na Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia).

Em 27 de outubro, o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a decisão do TSE. Com a anulação dos votos recebido na disputa ao Senado em 2010. Foram eleitos o tucano Flexa Ribeiro e a petista Marinor Brito que, depois, passou para o PSOL, juntamente com Edmilson Rodigues, atalmente deputado federal, o ex-deputado Babá, hoje candidato no Rio de Janeiro;  e José Neri, que havia assumido a vaga deixada por Ana Júlia carepa, eleita governadora do Pará.

Meses depois, Jader Barbalho recuperou o cargo e Marinor foi substituída por ele no mandato que está terminando agora.

Sem renúncias

Helder Barbalho, por sua vez, ainda não renunciou a nenhum cargo ou mandato, – foi demitido de um ministério para assumir outos, quando Temer foi confirmado presidente- ,  apesar de já ter sido alvo de muitas denúncias, entre as quais, agora, uma da Lava Jato, que também envolveu o nome do seu pai.

Ele já foi vereador em Ananindeua, município da Região Metropolitana de Belém; deputado estadual e prefeito de Ananindeua, por dois mandatos, e candidato a governador em 2014, tendo perdido, já no segundo turno, para o atual governador Simão Jatene (PSDB), por uma pequena diferença de votos. Depois, foi Ministro da da Aquicultura e da Pesca, no governo Dilma Rousseff; e ministro da Integração Regional, do governo Michel Temer.

Mas niguém poderia imaginar Helder Zaluth Barbalho fosse sair também como o pai, um campeão de rejeição eleitoral. É claro que essa semelhança ninguém queria, mas ela existe e eles são muito parecidos. A pesquisa Doxa /A Província do Pará, publicada na sexta-feira passada(7) mostrou isso, claramente. Eles são tão parecidos neste quesito que poderia ser chamados de gêmeos  siameses ou, simplesmente,  clones como a ovelha Dolly (5 de julho de 1996 — 14 de fevereiro de 2003). Embora Helder Barbalho, como o seu pai em relação ao Senado,  apareça na liderança de intenção de votos para governador do Pará, a pesquisa faz revelações nem tão sutis de que ambos podem sair chamuscados deste pleito majoritário, por conta da elevada taxa de rejeição que apresentam.

Helder Barbalho.  que tem 25,2% de intenção de voto na pesquisa  espontânea, e 39,2%, na estimulada, apresenta 21,8% de rejeição – o dobro da taxa atribuída ao seu mais forte concorrente, o deputado Márcio Miranda (DEM), que está com 10,2%. E mais também quea do candidato do PT, Paulo Rocha (17,4%) e muito mais ainda em relação aos eleitores que, por qualquer motivo,  não responderam.

Já para o Senado, Jader Barbalho, que tem 11,9% de intenção de voto, estando tecnicamente empatado com os candidatos Mário Couto, do PP (11,9%) e com Flexa Ribeiro (10,5%), sendo que ambos têm menor rejeição que ele. Jader é rejeitado por 15% do eleitorado, de acordo com a pesquisa, enquanto Mário Couto tem só 4% e Flexa Ribeiro (6%),

,Tecnicamente, Jader é três vezes  mais rejeitado que os seus principais concorrentes. Mas não é o campeão neste item, porque apareceu à sua frente um espírito santo, o deputado Wladimir Costa (Solidariedade), que tem 18,4% de rejeição contra 1.9% de intenção de voto. Wlad já foi um grande campeão de votos. Em 2010, foi  acusado de compra de votos na última eleição pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que encaminhou ao (TRE) representação contra ele. Reeleito como o mais votado no Estado, com 236 mil votos, Wlad foi apontado na denúncia dos procuradores André Sampaio Viana e Bruno Soares Valente como responsável por oferecimento gratuito de cursos de informática em troca de votos. Mas conseguiu se safar e reelegeu novamente em 2014.

 

Ascenção e quedo

Mas há outras causa para o desabamento de Wlad no conceito dos paraenses que o elegiam sempre.

Wladimir Afonso da Costa Rabelo nasceu em 1964 em Belém,  Sem parentes importantes  e sem formação superior, foi  radialista em quatro rádios da cidade: Guajara, Marajora e Raoland, além de ter feito programas na RBATV (da família Barbalho). Agora tem várias emissoras, sendo a mais importante a Metropolitana FM. Foi eleito deputado federal pelo PMDB em 2002. Atualmente é filiado ao Solidariedade e está em seu quarto mandato na Câmara.

De perfil excêntrico, Wlad gosta de atrair atenções. Em 2004, antes de votação sobre o salário mínimo, colou um adesivo na testa e segurou R$ 13 mil em cédulas para mostrar quanto ganhavam os parlamentares. No mesmo ano, propôs a realização de plebiscito sobre reanexação do Amapá ao Pará.

Ganhou destaque durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff pela sua efusividade. Com uma bandeira do Pará amarrada ao pescoço, disparou confetes no plenário da Câmara depois de votar pela continuidade do procedimento contra a petista. Ficou conhecido como o “deputado do confete”.

Deputado Wladimir Costa (Foto: Agência Câmara dos Deputados)

Wladimir Costa (SD-PA) vota pelo impeachment de Dilma Rousseff (Foto: Reprodução)

 

Deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) aparece sem camisa em cerimônia e expõe tatuagem com o nome de Temer (Foto: Diário do Pará/divulgação)

 Wlad, sem camisa em cerimônia, expõe tatuagem com o nome de Temer (Foto: Diário do Pará/divulgação)

Tatuagem exposta exposta

Ele causou espanto quando, inesperadamente, votou pela cassação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Wlad  era tido como um de seus defensores mais ferrenhos e integrante da “tropa de choque” de Cunha, tendo inclusive o defendido no Conselho de Ética da Casa.

Ele  voltou a ganhar os holofotes em julho de 2017, quando apareceu numa cerimônia de entrega de caminhões de lixo no município de Salinópolis. Descalço em boa parte do evento, ao tirar a camisa o deputado exibiu uma tatuagem com o nome de  Michel Temer, a quem classifica como “o melhor presidente da história do país”.

Problemas na Justiça são comuns a Wlad. Foi alvo de pelo menos quatro ações por crimes contra a honra e réu em ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que investigava sua participação em um suposto esquema de desvio de recursos públicos entre 2003 e 2005. Entre 2015 e 2016, chegou a faltar a 70% das sessões deliberativas na Câmara, justificando a ausência como problemas de saúde.

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