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Jeanine Áñez se declara presidente da Bolívia em Congresso sem quórum

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Segunda vice-presidente do Senado tomou medida depois que a linha sucessória ficou indefinida e não houve quórum no Congresso para discutir quem assumiria o poder. Legislativo boliviano tem maioria do MAS, partido de Evo.
Com faixa presidencial, Jeanine Áñez se declara presidente da Bolívia nesta terça-feira (12) — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Com faixa presidencial, Jeanine Áñez se declara presidente da Bolívia nesta terça-feira (12) — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

A senadora de oposição Jeanine Áñez se declarou presidente interina da Bolívia na noite desta terça-feira (12). “Assumo de imediato a presidência e me comprometo a tomar todas as medidas necessárias para pacificar o país” disse ela no Senado, que teria uma sessão para discutir a sucessão de Evo Morales, que acabou não ocorrendo por falta de quórum.

Áñez prometeu organizar novas eleições “o mais rápido possível”, seguindo recomendação da Organização dos Estados Americanos (OEA). Desde a renúncia de Evo até a proclamação da senadora, a Bolívia passoumais de 48h sem presidente.

“Trata-se de levar adiante o processo e convocar eleições o mais rápido possível”, disse Ánez.

Pouco depois do anúncio, o Tribunal Constitucional da Bolívia reconheceu, em comunicado, o ato da senadora que a proclamou como nova presidente boliviana.

Na Bolívia, senadora da oposição se proclama presidente da República

Na Bolívia, senadora da oposição se proclama presidente da República

Momentos depois, o ex-presidente Evo Morales publicou mensagem nas redes sociais em que repudia a proclamação de Áñez. “Está consumado o golpe mais ardiloso e nefasto da história”, tuitou.

“Uma senadora de direita golpista se autoproclama presidente do Senado e logo presidente interina da Bolívia sem quórum legislativo, rodeada de um grupo de cúmplices e apoiada pelas forças armadas e polícia que reprimem o povo”, protestou Evo.

Evo ainda acusou Áñez de violar a constituição da Bolívia e normas internas da Assembleia Legislativa e disse que o país “sofre um assalto ao poder do povo”.

“Consuma-se sobre o sangue de irmãos assassinados por forças policiais e militares usados para o golpe”, acrescentou Evo.

Por que Áñez se declarou presidente da Bolívia?

A senadora boliviana Jeanine Añez gesticula após se autoproclamar presidente interina, em La Paz, na terça-feira (12) — Foto: Reuters/Carlos Garcia Rawlins
A senadora boliviana Jeanine Añez gesticula após se autoproclamar presidente interina, em La Paz, na terça-feira (12) — Foto: Reuters/Carlos Garcia Rawlins

Segunda vice-presidente do Senado, Áñez decidiu se declarar presidente depois que, além de Evo Morales e seu vice Álvaro García Linera, a presidente do Senado, Adriana Salvatierra, e o presidente da Câmara dos Deputados, Victor Borda – que seriam os próximos na linha de sucessão de Morales – também renunciaram, assim como o vice-presidente do Senado, Rubén Medinacelli.

“O povo boliviano está testemunhando que fizemos todos os esforços necessários para canalizar a presença dos membros da assembleia das três forças políticas”, afirmou Áñez.

Senadora Jeanine Añez segura bandeira boliviana no Congresso da Bolívia em La Paz nesta segunda-feira (11) — Foto: Luisa Gonzalez/Reuters

“No entanto, os parlamentares do MAS não estavam presentes, expressaram publicamente sua decisão de não participar e todos sabemos que o presidente e o vice-presidente apresentaram sua renúncia, deixando o país, refugiando-se em asilo no México, o que constitui um abandono de suas funções.”

Mais cedo, uma sessão da Câmara que deveria aprovar a renúncia de Evo Morales e determinar que Añez assumisse interina e provisoriamente o cargo também foi suspensa por falta de quórum. Os representantes do Movimiento Al Socialismo (MAS), partido do ex-presidente, não compareceram, dizendo não ter garantias suficientes de segurança para chegarem a La Paz.

Na segunda-feira, Añez tinha dito que eles teriam segurança garantida, mas nesta terça, em uma entrevista coletiva que teve como porta-voz a deputada Betty Yañíquez, a bancada do MAS afirmou que deputados e senadores do partido não teriam como chegar à Assembleia sem correr riscos, especialmente depois que o líder oposicionista Luis Fernando Camacho convocou uma manifestação para esta tarde.

Oposição a Evo pede fim dos protestos

Manifestantes contrários ao ex-presidente Evo Morales bloqueiam rua em La Paz, na Bolívia, na terça-feira (12) — Foto: Aizar Raldes/AFP
Manifestantes contrários ao ex-presidente Evo Morales bloqueiam rua em La Paz, na Bolívia, na terça-feira (12) — Foto: Aizar Raldes/AFP

Logo após a autodeclaração de Áñez, o segundo colocado na eleição de 20 de outubro — vencida oficialmente por Evo, mas suspeita de irregularidades –, o oposicionista Carlos Mesa, a parabenizou numa rede social:

“Parabenizo a nova presidente constitucional da Bolívia Jeanine Añez. Nosso país se consolida com sua posse, sua vocação democrática e a coragem de uma ação popular legítima, pacífica e heróica. Todo o sucesso no desafio que você enfrenta. Viva a pátria !!!!!”

Também após Añez se autodeclarar presidente, o líder oposicionista Luis Fernando Camacho afirmou, em La Paz, que vai pedir aos manifestantes que cessem os protestos a partir da meia-noite desta terça-feira.

Evo no México

Evo Morales chega ao México, país que lhe concedeu asilo após renunciar ao cargo de presidente da Bolívia sob pressão das Forças Armadas bolivianas — Foto: Luis Cortes/Reuters
Evo Morales chega ao México, país que lhe concedeu asilo após renunciar ao cargo de presidente da Bolívia sob pressão das Forças Armadas bolivianas — Foto: Luis Cortes/Reuters

Evo chegou nesta terça ao México, país que lhe concedeu asilo após renunciar ao cargo sob pressão das Forças Armadas bolivianas.

De acordo com o chanceler do México, Marcelo Ebrard, o avião com Evo teve dificuldades até pousar na capital mexicana devido às dificuldades em se obter autorização para sobrevoar espaços aéreos de países pelo caminho. Bolívia e Equador, por exemplo, não autorizaram

“Decidi renunciar para que não haja mais derramamento de sangue”, disse Evo.

Evo ainda prometeu continuar na política. “Quero dizer que, enquanto eu estiver vivo, seguiremos na política. Enquanto estiver vivo, continuará a luta”, afirmou.

Além de Evo, o agora ex-vice-presidente da Bolívia Álvaro García Linera e a deputada Gabriela Montaño também desembarcaram no México.

Mapa mostra como Evo foi levado ao México — Foto: G1/Wagner Magalhães
Mapa mostra como Evo foi levado ao México — Foto: G1/Wagner Magalhães

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Guterres sugere que países devem adotar taxas contra a poluição

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Por NHK (Emissora pública japonesa) Nova York

O secretário-geral pediu postura corajosa para enfrentar crise

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, conclamou governos do mundo a adotarem uma postura corajosa para enfrentar as mudanças climáticas.

Guterres participou da conferência COP25 da ONU sobre mudanças climáticas, em em Madri, na Espanha.

Guterres disse que as mudanças climáticas são uma crise no mundo atual, e não um problema para o futuro. Ele pediu que os países adotassem taxas contra a poluição, e interrompessem a construção de novas usinas de energia movidas a carvão.

Ele manifestou preocupação com uma separação do mundo em duas partes, à medida que as duas maiores economias, Estados Unidos e China, permanecem conflitantes.

O líder da ONU disse que os dois países precisam ser os pilares principais para um mundo unido, e não uma causa de divisão indesejável. Ele pediu por esforços para avançar do confronto para a cooperação em amplos setores, incluindo política, economia, defesa e ciência e tecnologia.

Guterres manifestou seu pesar pela morte de Tetsu Nakamura, médico japonês reconhecido por ações humanitárias que foi assassinado a tiros no Afeganistão na quarta-feira. Ele criticou os ataques contra o pessoal responsável por auxílio humanitário. Ele afirmou que é totalmente inaceitável que pessoas sejam mortas enquanto prestam ajuda aos mais vulneráveis.

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Cientista chinês que editou DNA de gêmeas pode ter causado mutações indesejadas

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Fonte/Foto: Superinteressante (Martin Steinthaler/Getty Images)

Documento inédito vazado pelo MIT revela que uso não autorizado da técnica Crispr para imunizar bebês contra HIV em novembro de 2018 pode ter gerado efeitos colaterais em outras partes do genoma das crianças.

Em novembro de 2018, o chinês He Jiankui anunciou em vídeo no YouTube o nascimento de duas gêmeas cujo DNA ele havia editado por meio da técnica Crispr. O objetivo do cientista era excluir um trechinho do gene CCR5 para transformá-lo em uma variante batizada de Delta 32. Tal variante torna as bebês imunes ao HIV. Sabe-se que o Delta 32 ocorre naturalmente em menos de 1% da população europeia, e que essas pessoas são resistentes ao vírus da aids.

Apesar das boas intenções – a ideia era evitar que o pai, que tem o vírus, o transmitisse às filhas –, essa foi uma infração ética grave, recebida com indignação pela comunidade científica internacional. O Crispr é uma tecnologia incipiente. Ainda falha em testes com cobaias animais, e não está nem próxima de ser aprovada para uso clínico em bebês humanos.PUBLICIDADE

Há o risco de que, ao mirar em um gene, Jiankui tenha modificado outros acidentalmente. Uma única alteração na sequência de DNA de um gene pode desencadear uma série de problemas, alguns indetectáveis – como síndromes congênitas que se manifestam só na adolescência ou na vida adulta.

Nesta semana, por meio de uma fonte anônima, a revista Technology Review do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) acessou o artigo científico que relata o procedimento. O documento ainda não havia sido publicado em nenhum lugar. As informações contidas ali permitem avaliar se o procedimento foi realizado corretamente e se as gêmeas estão em risco.Veja também

A resposta é sim. Quatro profissionais consultados pelo MIT – especialistas em edição de genes, embriologia, inseminação artificial e direito – concordaram que a intervenção foi realizada aos trancos e barrancos. “A afirmação de que eles reproduziram a variante no gene CCR5 é uma interpretação completamente errada dos dados e só pode ser descrita como uma mentira deliberada”, afirmou Fyodor Urnov, da Universidade da Califórnia em Berkeley. “O que o artigo mostra é que a equipe não conseguiu reproduzir a variante.”

O sistema Crispr evoluiu por seleção natural nas bactérias como um mecanismo de defesa contra parasitas. Ele é capaz de detectar um trechinho de DNA específico, pertencente a um vírus, e então usar uma proteína chamada Cas9 para cortar o tal trechinho como uma tesoura. Assim, o micróbio picota o vírus e escapa da infecção (um esclarecimento: não são só humanos que ficam doentes por causa de vírus. As próprias bactérias são vítimas deles). 

Os geneticistas aprendem a manipular esse mecanismo para usá-lo a nosso favor. No caso das gêmeas, a ideia é ensinar o Crispr a detectar o trechinho do gene CCR5 que está presente na maior parte da população e cortá-lo fora para transformá-lo na variante Delta 32, resistente ao HIV.

Na teoria, é lindo. Na prática, o potencial para erros é imenso. O problema é que o Crispr pode acabar encontrando e fatiando outros pedaços de DNA que não tem nada a ver com a história – simplesmente porque o código desses genes inocentes é parecido com o código do gene que é alvo do procedimento. Sem verificar individualmente cada célula do embrião antes de implantá-lo no útero da mãe, é impossível saber se ocorreu um acidente desse tipo.

Pessoas com aids sofrem muito preconceito na China e não tem acesso a inseminação artificial. Se um casal infértil com HIV quer ter um filho, é improvável que uma clínica aceite realizar o procedimento. Assim, é provável que o casal tenha aceitado participar do experimento antiético apenas para ter a oportunidade de ter um bebê. Os óvulos foram fertilizados in vitro e a intervenção com Crispr foi realizada antes dos embriões serem postos na barriga da mãe.

O fato de que o casal que aceitou participar do experimento provavelmente o fez por estar em uma situação desesperada piora a gravidade das acusações contra os autores do estudo. Felizmente, as bebês já fizeram um ano de idade sem nenhuma complicação aparente.

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Uber registra 235 denúncias de estupro em 2018 nos EUA

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Foto: Reprodução / Fonte: *Com informações da Agência EFE

A Uber revelou nesta quinta-feira (5) que, entre janeiro e dezembro de 2018, recebeu 235 denúncias de pessoas que afirmam ter sido estupradas enquanto realizavam uma viagem por meio do aplicativo nos Estados Unidos.

Os dados constam no Informe sobre a Segurança do Uber no país, publicado nesta sexta-feira pela empresa. O documento oferece informações, reunidas entre 2017 e 2018, sobre abusos sexuais, homicídios e acidentes de trânsito com vítimas ocorridos em veículos a serviço da plataforma.

O número de estupros cresceu ligeiramente em relação a 2017, quando a Uber registrou 229 casos. No entanto, dentro do universo de 1,3 bilhão de viagens realizadas, isso representa um incidente em cada 5 milhões de transportes feitos pela companhia.

Os usuários da Uber denunciaram no ano passado cerca de 3 mil situações de abuso sexual. O número engloba, além dos casos de estupro, situações de beijos e toques não consentidos em partes íntimas.

A empresa disse que os denunciantes podem ser usuários da plataforma que foram vítimas dos motoristas ou vice-versa. Há também nos registros casos em que passageiros foram vítimas de outras pessoas com quem compartilhavam as viagens.

Segundo a Uber, 54% dos acusados de abuso sexual são motoristas e 45% são passageiros. Apenas 1% das denúncias corresponde a casos em que o autor da violação seria uma terceira pessoa.

O relatório também informa que nove pessoas foram assassinadas a bordo de um veículo a serviço da plataforma em 2018, uma a menos do que as dez vítimas registradas em 2017.

Além disso, 58 pessoas morreram durante viagens feitas pela empresa no ano passado.

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