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BRASIL GERAL

João de Deus é considerado foragido e entra na lista da Interpol

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Prisão preventiva de João de Deus havia sido autorizada no fim da manhã da sexta; médium deve se entregar 0este domingo

ABADIÂNIA – O médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, acusado de uma série de abusos sexuais contra mulheres, é considerado foragido da Justiça e seu nome foi incluído na lista da Interpol. A prisão preventiva contra ele havia sido decretada no fim da manhã de sexta-feira, 14. O prazo para que se entregar terminou às 14 horas deste sábado, 15. João de Deus deve se entregar neste domingo, 16. O Estado apurou que a data foi definida em uma negociação entre a polícia e a defesa do médium.

Mais de 300 mulheres fizeram denúncias ao MP de Goiás contra João de Deus Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil via AP

“Já foi concedido um prazo, buscas já foram realizadas. Estão reunidos todos os elementos para que ele seja considerado foragido da Justiça”, disse o coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal, Luciano Miranda Meireles.

A Polícia Civil suspeita que ele esteja fora de Goiás. Nas negociações realizadas neste sábado, uma das hipóteses era de que agentes fossem até o local onde ele está para fazer a prisão e o transporte até Goiás. Em virtude da idade (ele tem 76 anos) e da natureza do crime de que é acusado, a expectativa é de que ele fique em uma cela individual.

A prisão preventiva contra o líder espiritual foi decretada no fim da manhã de sexta. Integrantes do grupo destacado para fazer a investigação e as negociações, no entanto, ainda colocam em dúvida se o acerto será de fato cumprido. Para eles, a defesa do médium deverá aguardar o resultado do pedido de habeas corpus.

Se a medida for concedida antes de ele se apresentar, seria possível evitar um desgaste ainda maior para o médium, que atrai anualmente para a cidade goiana de Abadiânia 120 mil fiéis – 40% deles estrangeiros.

O advogado de defesa de João de Deus, Alberto Zacharias Toron, no entanto, afirmou em entrevista que seu cliente vai se entregar antes da apresentação do habeas corpus. A ação será proposta na segunda.

Uma vez preso, João de Deus seria levado para Goiânia, onde deve acontecer o interrogatório. “Será longo, detalhado. Há um grande número de relatos e informações que precisam ser questionadas”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes de Almeida. O delegado, porém, disse não descartar que o médium não esteja mais em Goiás.

O MP de Goiás também investiga eventual movimentação suspeita de recursos financeiros, como transferência de dinheiro das contas de João de Deus. Transações financeiras desse tipo poderiam indicar intenção de ocultar valores e reduzir as chances de pagamento de indenização às vítimas. Segundo o jornal O Globo, João de Deus retirou R$ 35 milhões após as primeiras denúncias.

Desde que a prisão preventiva foi decretada, a Polícia Civil afirma já ter procurado João de Deus em mais de 20 endereços. Os locais já investigados estão sob sigilo. “Há pontos que também estão sendo vigiados”, disse Almeida.

Só após ele se entregar, a defesa de João de Deus deverá apresentar o pedido de habeas corpus. A expectativa é que a defesa explore o que o advogado Alberto Zacharias Toron classifica como “pequeno número de depoimentos” usados pela Justiça para fundamentar a decretação da prisão preventiva, o que poderia indicar fragilidade de provas.

Há a possibilidade, ainda, de que a espiritualidade atribuída a João de Deus seja usada na argumentação. Para a defesa, a intolerância religiosa poderia incentivar o grande número de denúncias, muitas das quais ainda não formalizadas.

A tendência é de que os advogados procurem mostrar o médium como um homem rústico, simples, de personalidade multifacetada e que, muitas vezes, seria guiado por recomendações de guias espirituais. Em suma, viveria com uma lógica pouco convencional.

O momento em que o País vive também deverá ser incluído. Para advogados, depois de quatro anos de operação que trouxe denúncias contra uma série de pessoas públicas, um crime contra um candidato à presidência seriam fatores para aumentar a tendência de “denuncismo” e “polarização”.

João de Deus foi visto em público pela última vez nesta quarta, quando visitou a Casa Dom Inácio de Loyola, onde faz os atendimentos. Em um pronunciamento de poucos minutos, disse ser inocente e estar à disposição da Justiça.

Denúncias

O líder espiritual é suspeito de ter abusado sexualmente de mulheres, durante consultas particulares realizadas no centro onde presta atendimento espiritual, a Casa Dom Inácio de Loyola em Abadiânia, no interior de Goiás. Na aparição que ele fez na quarta-feira, no local, ele fez um rápido pronunciamento em que se declarou inocente e disse que está à disposição da Justiça.

Dois dias depois que os primeiros relatos de abuso vieram a público, após divulgação no programa Conversa com Bial, da Globo, o Ministério Público formou uma força-tarefa encarregada de investigar os casos. Já foram coletados mais de 330 depoimentos em vários Estados do País, Do total, 30 mulheres já formalizaram as acusações. Mulheres que se dizem vítimas também se apresentaram em seis países.

João de Deus atendia cerca de 10 mil pessoas por mês, das quais 40% são estrangeiras. As mulheres relatam que, depois do atendimento em grupo, eram convidadas para uma consulta individual, onde os abusos seriam cometidos. O MP afirma ainda que quatro funcionários são suspeitos de ter envolvimento nos crimes. O MP afirma ainda que quatro funcionários são suspeitos de ter envolvimento nos crimes.

Natal

A mulher de João de Deus, Ana Keila Teixeira, apareceu em público na manhã deste sábado, durante uma festa de distribuição de brinquedos para crianças carentes de Abadiânia e pediu que todos rezem para que a verdade prevaleça. Ela não concedeu entrevista.

Patrocinada todos os anos pelo médium, a festa é considerada um dos acontecimentos de Abadiânia, cidade a 112 quilômetros de Brasília. Um toldo é estendido em frente da casa do líder espiritual e brinquedos são dispostos na rua. Depois do almoço, há distribuição de bonecas, bolas e outros brinquedos.

Todos os anos, cerca de 2 mil pessoas participam do evento. Nesta edição, no entanto, a movimentação ficou muito abaixo da média, com cerca de 200 pessoas, a maioria crianças.

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Maia acusa Moro de copiar projeto anticrime de Alexandre de Moraes

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Presidente da Câmara afirmou que o atual projeto anticrime do ministro da Justiça será apensado ao que já tramitava no Parlamento

 Renato Souza/Correio Braziliense 
Em tom ríspido, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acusou o ministro da Justiça, Sérgio Moro, de copiar o projeto de combate ao crime apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com Maia, a proposta mais recente será apensada ao texto mais antigo.
Como adiantou o Correio nesta quarta-feira (20/3), o projeto de Alexandre de Moraes, que foi apresentado ainda durante o governo Temer, quando ele ocupava o Ministério da Justiça, ganha força entre os deputados. O texto de Moraes, além de contemplar o combate a organizações criminosas e mudar o Código Penal para tornar a punição aos infratores mais rígida, não tem pontos polêmicos como o de Moro.
Na Câmara, Maia respondeu as críticas sobre a criação de um grupo de trabalho para analisar duas das três propostas do pacote anticrime de Sérgio Moro. “Funcionário do presidente Bolsonaro? Conversa com o presidente Bolsonaro e, se o presidente Bolsonaro quiser, conversa comigo. Fiz o que eu acho correto. O projeto é importante. Aliás, ele está copiando o projeto do ministro Alexandre de Moraes, copia e cola. Não tem nenhuma novidade… poucas novidades no projeto dele. Nós vamos apensar um ao outro. O projeto prioritário é do ministro Alexandre de Moraes. No momento adequado, depois que votarmos a reforma da Previdência, vamos votar o projeto dele”, disse Maia.
O grupo de trabalho vai atuar por 90 dias e trava o avanço do projeto de Moro. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, mesmo sendo possível uma prorrogação por igual período, isso não será feito. Além de compatibilizar os projetos, a intenção é tirar as discussões sobre segurança do caminho da Reforma da Previdência.
Moro, ao saber do posicionamento de Maia referente ao projeto anticrime apresentado ao Congresso por ele, rebateu as acusações. O ministro disse que apresentou uma proposta que atende as necessidades da população. “Sobre as declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, esclareço que apresentei, em nome do governo do presidente Jair Bolsonaro, um projeto de lei inovador e amplo contra crime organizado, contra crimes violentos e corrupção. Flagelos contra o povo brasileiro”, disse.
Segundo o ministro, a única expectativa dele diante da proposta seria atender aos “anseios da sociedade contra o crime, e que o projeto tramite regularmente e seja debatido e aprimorado pelo Congresso Nacional, com a urgência que o caso requer”. “Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais. Essas questões sempre foram tratadas com respeito e cordialidade com o presidente da Câmara, e espero que o mesmo possa ocorrer com o projeto e com quem o propôs. Não por questões pessoais, mas por respeito ao cargo e ao amplo desejo do povo brasileiro de viver em um país menos corrupto e mais seguro. Que Deus abençoe essa grande nação”, disse Moro.

     

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    Para Bolsonaro, encontro com Trump abre “novas frentes de cooperação”

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    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma entrevista coletiva no Rose Garden da Casa Branca, em Washington (EUA)

    Ele citou esforços para implementar as reformas e o equilíbrio fiscal

    Por Agência Brasil 

     Brasília – Em declaração à imprensa, nos jardins da Casa Branca, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje (18) que o encontro marca um “capítulo inédito” que abre “novas frentes de cooperação”. Ele destacou os esforços do seu governo para implementar as reformas em curso e o equilíbrio das contas públicas. Segundo o brasileiro, a dispensa de vistos para norte-americanos é para estimular o comércio e o turismo.

    Bolsonaro agradeceu o apoio de Trump ao ingresso do Brasil na Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ele se referiu ao grupo que reúne 36 países que se guiam pelos princípios da democracia representativa e economia de mercado. “O apoio americano ao ingresso do Brasil na OCDE será entendido como um gesto de entendimento que marcará ainda mais a parceria que buscamos.”Clique aqui para ver a galeria de fotos.

    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante uma entrevista coletiva no Rose Garden da Casa Branca, em Washington (EUA)

    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante uma entrevista coletiva no Rose Garden da Casa Branca, em Washington (EUA) – Isac Nóbrega/PR

    O presidente destacou a negociação para que o Brasil ingresse como parceiro externo na Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan), aliança militar criada em 1949 e que reúne 29 países, regido pelo princípio da defesa mútua em caso de ataques. “Discutimos a possibilidade de o Brasil entrar como aliado extra-Otan”, disse Bolsonaro.

    Parcerias

    Bolsonaro ressaltou a parceria com os Estados Unidos nas áreas de combate ao terrorismo e crime organizado, ciência, tecnologia e inovação, energia, óleo e gás. “Este encontro retoma uma antiga tradição de parceria e ao mesmo tempo abre um caminho inédito entre Brasil e Estados Unidos.”

    Ele citou os esforços executados no Brasil para combater o terrorismo e o crime organizado. De acordo com o presidente, os temas estão entre prioridades e são “questão de urgência” para brasileiros e norte-americanos. Ele destacou que foi reativado um fôro de altos executivos para discutir vários temas comuns.

    O presidente disse que o encontro com Trump destravou temas que aguardavam negociação. “Hoje destravamos vários assuntos que já estavam na pauta há décadas e abrimos novas frentes de cooperação. Esta é a hora de superar velhas resistências e explorar todo o vasto potencial que existe entre Brasil e Estados Unidos. O Brasil tem um presidente que não é anti-americano, caso indédito nas últimas décadas.”

    Inspiração

    Dizendo-se sob inspiração do presidente Ronald Reagan (1981 a 1989), morto em 2004, Bolsonaro citou uma frase do norte-americano. “O povo deve dizer o que o governo pode fazer e não o contrário”, afirmou o presidente.

    Em seguida, o presidente afirmou que: “Os Estados Unidos mudaram em 2017 e o Brasil começou a mudar em 2019. Estamos juntos para o bem dos nossos povos”. “Queremos uma América grande e um Brasil também”, reiterou.

    Bolsonaro afirmou que Brasil e Estados Unidos têm vários aspectos comuns. “O Brasil e os Estados Unidos também estão emanados na garantia das liberdades, no respeito à família tradicional, no temor a Deus, nosso Criador, contra a ideologia de gênerio e o politicamente correto e as fake news. Que Deus abençoe o Brasil e os Estados Unidos da América.”

    Interno

    Questionado se manteria relações com os Estados Unidos, em uma eventual vitória de um candidato à presidência da República, em 2020, com inclinações socialistas, Bolsonaro disse que respeitaria o resultado das eleições, pois se trata de um assunto interno. Bem-humorado, afirmou estar convencido que Trump será reeleito. O norte-americano agradeceu entre sorrisos.

    Ao lado de Trump, Bolsonaro celebrou a redução do número de governos socialistas no mundo. Segundo ele, pela “via democrática”, o Brasil se “livrou desse projeto”, referindo-se ao socialismo. “Cada dia que passa essas pessoas mais voltadas para o socialismo e até mesmo para o comunismo, aos poucos vão abrindo suas mentes para a realidade.”

    O presidente brasileiro reiterou a disposição em manter o intenso comércio com a China e o máximo de parceiros. Porém, ressaltou que não haverá viés ideológico. “O Brasil continuará fazendo negócios com o maior número o possível [de parceiros]. Apenas não será pelo viés ideológico.”

    Após o encontro com Trump na Casa Branca, Bolsonaro depositou flores em homenagem ao soldado desconhecido.

    Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, deposita uma coroa de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido no Cemitério Nacional de Arlington, Virgínia (EUA).
    Presidente Jair Bolsonaro deposita uma coroa de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido no Cemitério Nacional de Arlington, Virgínia (EUA). – REUTERS/Jonathan Ernst/Direitos Reservados

     

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     Brasil entrega, de mão beijada, aos EUA a base espacial de Alcântara, no Maranhão

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    Acordo de salvaguardas tecnológicas prevê a proteção de conteúdo com tecnologia americana usado no lançamento de foguetes e mísseis a partir da base brasileira

    Beatriz Bulla e  Ricardo Leopoldo/ O Estado de S.Paulo

    WASHINGTON – O Brasil e os Estados Unidos assinaram nesta segunda-feira, 18, o acordo de Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), que permite o uso comercial da base de Alcântara, no Maranhão. O acordo foi assinado em Washington sob os olhos do presidente Jair Bolsonaro, que estava no palco da Câmara de Comércio Americana no momento da assinatura, feita pelos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), e pelo secretário assistente do Escritório de Segurança Internacional e Não-proliferação dos EUA, Christopher Ford.

    A informação de que as negociações entre os dois países estavam concluídas para que o novo AST fosse anunciado na visita de Bolsonaro aos EUA foi antecipada pelo Estado. Um acordo de salvaguarda chegou a ser assinado em 2000, pelo governo Fernando Henrique Cardoso, mas sofreu resistência no Congresso.

    Jair BolsonaroO presidente Jair Bolsonaro durante visita aos Estados Unidos Foto: Susan Walsh/AP

     Depois de 2002, quando o AST fracassou no Congresso, o Brasil ensaiou outras vezes uma nova negociação com os EUA, mas as rodadas de conversa sobre o tema deslancharam em maio do ano passado. Os parlamentares brasileiros alegaram nos anos 2000 que o AST fere a soberania nacional.

    O acordo de salvaguardas tecnológicas prevê a proteção de conteúdo com tecnologia americana usado no lançamento de foguetes e mísseis a partir da base de Alcântara. Atualmente, 80% do mercado espacial usa tecnologia americana e, portanto, a ausência de um acordo de proteção limita o uso da base brasileira. O texto também é um acordo de não proliferação de tecnologias de uso dual – quando as tecnologias podem ser usadas tanto para fins civis como militares, caso do lançamento de mísseis.

    Entenda

    Em entrevista ao Estado na semana passada, o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Sérgio Amaral, afirmou que o acordo abre portas para uma série de parcerias empresariais no setor e coloca o país, com mais força, no debate sobre cooperação espacial.

    “Não se trata de uma simples revisão de linguagem ou redação do acordo de 2000. É um novo acordo, que incorpora cláusulas de outros acordos como o da Índia e o da Nova Zelândia, e sobretudo teve por objetivo atender as críticas feitas no Congresso Nacional e que levaram à rejeição do acordo de 2000.”

     O novo acordo não prevê, por exemplo, a segregação de uma área na base de Alcântara, e sim a restrição de acesso. “Não é apenas mudança de linguagem, tem um sentido claro. Segregação é um conceito espacial, como se existisse um pedaço do território cedido ao governo americano. Não é disso que se trata. Teremos em Alcântara um espaço para proteção de tecnologia americana, mas continua sendo espaço de jurisdição brasileira. Não é cessão de território para ninguém, é um espaço que foi transformado em área de acesso restrito”, afirma o embaixador.

    A entrada é restrita a pessoas credenciadas pelos dois governos ou consulta pelo governo americano ao brasileiro. Em razão de sua localização geográfica, é possível economizar até 30% no combustível para lançamento de satélites a partir de Alcântara. O acordo dura um ano e pode ser revisado.

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