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Meio Ambiente

Legado de Burle Marx à vista em São Paulo

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Jardim da fundação integra mostra no MuBE Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Maior paisagista brasileiro é lembrado em documentário e em exposição na capital

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – Roberto Burle Marx nasceu em plena Avenida Paulista, em São Paulo, mas se tornou conhecido por obras em outras capitais, especialmente no Rio. A menos de um ano das comemorações dos seus 110 anos de nascimento, o maior paisagista brasileiro é lembrado em documentário e exposição com lançamento ainda neste ano.

 Em São Paulo, a variedade de plantas, formas e materiais explorada por Burle Marx está presente em jardins diversos, de uma capela a fundações culturais e edifícios. Um deles é o Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), localizado nos Jardins, na zona sul, que é uma parceria com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha.
 “Quando se fala de Burle Marx, também se fala de alguém que está na origem de um museu de ecologia. O patrimônio do MuBE é o seu prédio e o seu jardim”, aponta Cauê Alves, curador do museu. “Ele é talvez um dos grandes nomes da arte brasileira, não só como o (Oscar) Niemeyer (na arquitetura), mas no mesmo nível de um João Gilberto.”

Em dezembro, o MuBe abre a exposição “Burle Marx: Arte, Botânica e Paisagem”, que deve reunir pinturas, esculturas, amostras de vegetais e maquetes de projetos. Desde a inauguração, em 1995, o local perdeu parte das espécimes de 25 plantas, como um coqueiro tombado após ser atingido por um carro.

A ideia também é destacar outros jardins de Burle Marx na cidade, como a Fundação Ema Klabin, localizada em frente ao museu e que integrará a mostra. “Procuramos respeitar o projeto original, mas muitas espécies tiveram que ser substituídas devido ao sombreamento maior das árvores adultas. As modificações promovidas por Ema Klabin ao longo de sua vida também são preservadas”, explica Paulo de Freitas Costa, curador do espaço.

Já “Filme Paisagem – Um Olhar Sobre Roberto Burle Marx”, do cineasta João Vargas Penna, estreia dia 15 de novembro no cinema. A obra faz um mergulho sensorial no sítio do paisagista, em Guaratiba (RJ), e em outros projetos icônicos que participou, como o calçadão de Copacabana, no Rio. “O interessante dos projetos de Burle Marx são sazonais, os elementos mudam ao longo dos meses, às vezes tem uma única flor, às vezes  está todo florido”, explica o diretor.

O paisagista vivia uma permanente busca por novos elementos, segundo o ex-sócio José Tabacow, com quem trabalhou durante 17 anos. “A gente sempre procura usar elementos da paisagem local, para trazer para dentro do jardim”, aponta.

Dentro desse cenário, trabalhar projetos de espaços públicos era o que mais atraia Burle Marx. “A sua principal característica era não cair em uma fórmula, ele não tinha medo de propor coisas novas, quando ele propunha uma coisa que me parecia descabida, exagerada, tinha que ter um argumento muito forte para demovê-lo.”

Tabacow ressalta, ainda, que o paisagista influenciou muitos colegas pela extremo envolvimento com plantas. “Não era só a técnica de cultivo, mas de conhecer os ciclos ecológicos, os locais de onde vieram, as associações possíveis de fazer. Essa parte, o Roberto desenvolveu como ninguém.”

Com tamanho interesse, o paisagista se aproximou da professora de Botânica da USP Nanuza Menezes, com quem participou de expedições por diversas regiões do País. “Ele era tão sensível, via a arquitetura da planta. As expedições eram principalmente para ver como a planta vive na natureza”, explica. “Eu subia em um morro, e ele gritava lá de baixo: ‘Nanuza, tem alguma coisa nova aí’; e eu respondia que sim, e ele gritava “E eu tenho? Se não, eu quero!”

Projetos paulistas

Em São Paulo, além de Paulo Mendes da Rocha, Burle Marx colecionou diversa s parcerias de grande expressão, como com os arquitetos Rino Levi e Gregori Warchavchik. Uma delas é a Capela Cristo Operário, no Alto do Ipiranga, na zona sul, que tem murais de Alfredo Volpi, Yolanda Mohalyi e Geraldo de Barros. O local costuma abrir nas terças-feiras e nos fins de semana.

Outro exemplo é o Parque Burle Marx, no Panamby, na zona sul, antiga Chácara Tangará, em parceria com Oscar Niemeyer. De toda o paisagismo, o de autoria de Burle Marx é exclusivo do jardim xadrez, que mistura duas espécies de grama para lembrar um tabuleiro, além de um espelho d’água e um mural. O espaço está em restauro desde setembro.

O paisagista também foi responsável por projetos de recuperação, como o do Parque Tenente Siqueira Campos (Trianon), na Avenida Paulista, que esteve em decadência de 1929 até 1968. Perto dali, também na Avenida Paulista, fica o Parque Mario Covas, local onde o paisagista viveu até os quatro anos e, há 10 anos, transformado em espaço público.

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Meio Ambiente

Ministério do Meio Ambiente suspende convênios com ONGs por 90 dias

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Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente Foto: Nilton Fukuda/ ESTADÃO  

Ministro Ricardo Salles também determinou o levantamento de todos os repasses do Fundo Clima e do Fundo Amazônia, que hoje apoia 52 projetos com cerca de R$ 600 milhões

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, suspendeu nesta segunda-feira, 14, todos os convênios e parcerias da pasta e autarquias com organizações não governamentais pelos próximos 90 dias.

 Também pediu um levantamento de todos os desembolsos efetuados por fundos do ministério, como Fundo Clima, Fundo Nacional do Meio Ambiente e Fundo Amazônia que tenham como beneficiários organismos do terceiro setor.

E determinou que todos os convênios, acordos de cooperação, atos e projetos do Ibama, do Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro feitos com ONGs deverão ser remetidos para anuência prévia do gabinete.

Em nota, o ministério disse que “a motivação do levantamento dos desembolsos efetuados pelos fundos geridos pelo ministério, bem como a sua suspensão temporária, tem por objetivo a avaliação dos mesmos. Na análise, serão examinadas as condições, prazos e volumes dos acordos pactuados”.

Segundo a pasta, o “diagnóstico permitirá a avaliação daqueles que têm condições de ter continuidade, bem como dos que eventualmente mereçam reparos”.

Não ficou claro, porém, quais contratos, em quais lugares, exatamente devem ser afetados. Nem o valor deles. Funcionários da pasta, em condição de anonimato, afirmaram que a decisão pode afetar ações concretas em conservação, como o projeto Arpa, que atua em áreas protegidas da Amazônia. Considerado o maior e mais bem sucedido programa de proteção de floresta tropical do mundo, ele atua em 60 milhões de hectares e já movimentou cerca de R$ 500 milhões.

A pasta tem convênios também de recuperação florestal, agroextrativismo, agricultura familiar, entre outros.

Estima-se que todos os projetos hoje apoiados pelo Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade), que gere recursos provenientes do Banco Mundial e do Fundo Mundial para o Ambiente (GEF) podem ser paralisados.

Também não dá para entender exatamente como fica a situação dos projetos financiados pelo Fundo Amazônia e pelo Fundo Clima. Os dois são geridos pelo BNDES, e os contratos são fechados entre os bancos e as organizações. Em teoria, não cabe ao Ministério do Meio Ambiente, unilateralmente, fazer essa suspensão. A carteira de projetos do Fundo Amazônia com o terceiro setor contém hoje 52 projetos contratados, com apoio de cerca de R$ 600 milhões.

ONGs vêm sendo alvos de ataques do presidente Jair Bolsonaro desde as eleições. Ele criticou, por exemplo, o programa de conversão de multas do Ibama. Pelo projeto, empreendedores com grandes valores de multas a pagar ao Ibama, como a Petrobrás, recebem um desconto de 60% no valor se empregarem o restante em projetos de recuperação ambiental.

Esses projetos podem ser tocados por organizações sem fins lucrativos, como ONGs, ou mesmo pelo poder público, mas a maioria dos inscritos no primeiro edital foram as ONGs. No total, para o primeiro chamamento de projeto, foram arrecadados R$ 1 bilhão para o reflorestamento das bacias do São Francisco e do Parnaíba. Há um temor dentro do Ibama de que a nova medida afete esses contratos.

Além disso, em MP publicada logo no primeiro dia de governo, Bolsonaro determinou à Secretaria de Governo “supervisionar, coordenar, monitorar e acompanhar as atividades e ações dos organismos internacionais e das organizações não governamentais no território nacional”.

Repercussão

Em nota, um coletivo de ONGs, criticou a medida. Para o grupo, a suspensão dos convênios “fere o princípio da legalidade e levanta, sem elementos mínimos de prova, dúvidas sobre a idoneidade da sociedade civil”. Na visão das organizações, “o ministro adota, sem base legal e sem motivação, medida sancionatória genérica extrema, com potencial de causar descontinuidade na gestão ambiental federal. O prejuízo será do meio ambiente, que em tese Salles deveria proteger, e de populações vulneráveis em todo o País”.

O texto, assinado por Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Instituto Ethos, Plataforma MROSC e Observatório do Clima, cita ainda a lei 13.019/2014, conhecida como Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC). “Em vigor desde janeiro de 2016, regulamenta as relações entre governos e organizações da sociedade civil. Ela só prevê a suspensão como sanção, medida que só deveria ser tomada após abertura de processo administrativo em que o interessado tenha direito ao contraditório e à ampla defesa.

O ato do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não apresenta qualquer justificativa, o que viola o princípio constitucional da motivação dos atos administrativos.”

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Meio Ambiente

Mudança climática é prioridade na agenda do Conselho da ONU

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 Agência Brasil*  Nações Unidas

A República Dominicana, que detém a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) no mês de janeiro, colocou a mudança climática no topo da agenda, com um debate ministerial.O debate aberto, que também envolve os integrantes não permanentes do Conselho de Segurança, está marcado para o dia 25 de janeiro. Ele será comandado pelo presidente do país caribenho, Danilo Medina.

“Esperamos, dentro do Conselho de Segurança, oferecer contribuição para promover melhor compreensão dos novos riscos para a paz e a segurança – esses diferem dos riscos tradicionais que enfrentamos, são mais complexos e mais globais por natureza. Essa questão [da mudança climática] é de particular relevância para o nosso país, o Caribe e a América Central em geral. É também o caso de muitas ilhas do Pacífico ”, disse José Singer, enviado especial da República Dominicana às Nações Unidas.

Ele lembrou que a existência de muitas ilhas no Pacífico está ameaçada pela mudança climática. “Nós vamos ter esse debate sobre a mudança climática porque é tão crucial para nós na região”.

A República Dominicana, juntamente com a Bélgica, Alemanha, Indonésia e África do Sul, iniciou seu mandato de dois anos como membro não permanente do Conselho de Segurança em 1º de janeiro deste ano. Eles substituíram a Bolívia, Etiópia, o Cazaquistão, a Holanda e Suécia.

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Meio Ambiente

Petrobras admite vazamento de óleo na Bacia de Campos

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Foto: Reprodução /Fonte: Agência Brasil

A Petrobras informou, em nota, que detectou uma mancha de óleo na Bacia de Campos, decorrente de vazamento de óleo em um dos tanques do FPSO Cidade do Rio de Janeiro (plataforma flutuante que produz, armazena e escoa petróleo e gás natural).

A empresa nega, no entanto, que o óleo vazado tenha chegado ao litoral do Rio de Janeiro. Segundo a estatal, “80% da mancha já foram reduzidos e não há qualquer possibilidade de que ela venha a atingir o litoral, uma vez que o restante encontra-se a 130 km da costa”.

A unidade, que é afretada pela companhia e operada pela Modec do Brasil, encontra-se fundeada no campo de Espadarte, a aproximadamente 130 km da costa de Macaé, no litoral norte do estado do Rio.

A Petrobras sustenta, ainda, que a plataforma “já se encontrava com a produção interrompida desde julho de 2018 para processo de descomissionamento (desativação da unidade)”.

De acordo com informações oficiais, “o Plano de Emergência foi imediatamente acionado por ambas as empresas [Petrobras e Modec] e medidas de controle da situação foram tomadas, cessando o vazamento”.

Três embarcações atuam na dispersão da mancha, cujo volume inicial foi estimado em 1,400 m³ de óleo (1.400 litros).

“Os órgãos reguladores foram devidamente informados e uma comissão de investigação irá apurar as causas do incidente em cooperação com a Modec”, conclui a nota.

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