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Líderes mundiais alertam que pandemia pode reverter progressos conquistados pelas mulheres

Foto: Siphiwe Sibeko / REUTERS / Fonte: Reuters

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O novo coronavírus está ameaçando desfazer os recentes progressos em relação à igualdade de gênero, já que se prevê que milhões de mulheres e meninas tenham gestações indesejadas e caiam na pobreza por causa da pandemia, disseram líderes mundiais na quinta-feira (28). É necessário fazer esse alerta para proteger os direitos das mulheres e crianças nesse período, disseram a presidente da Estônia e a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia que realizou uma reunião virtual com líderes do Canadá, Costa Rica e Senegal e funcionários das Nações Unidas.

— Todos nós nos reunimos porque nenhum de nós está preparado para ficar parado enquanto vê essa pandemia minar o progresso significativo que foi feito na saúde e nos direitos das mulheres, crianças e adolescentes —  afirmou Helen Clark, que atuou como primeira-ministra da Nova Zelândia de 1999 a 2008.

— Estamos ouvindo histórias das linhas de frente das vacinas que não estão sendo aplicadas, dos serviços de gravidez não existentes, dos serviços de saúde sexual e de saúde reprodutiva em geral —  disse ela à Fundação Thomson Reuters.  — Não precisa ser assim, mas atualmente não há solidariedade global suficiente.

As Nações Unidas estimam que a pandemia possa causar 7 milhões de gestações indesejadas nos próximos seis meses, à medida que as mulheres perdem o acesso à contracepção e aos cuidados de saúde reprodutiva. Espera-se que as mortes infantis subam até 6 mil por dia devido a reduções nos serviços de rotina, como check-ups e vacinas pós-natais, o que pode marcar um aumento na taxa de mortalidade de menores de 5 anos pela primeira vez em décadas, segundo a UNICEF.

Como membros vulneráveis da sociedade, particularmente nos países mais pobres, é provável que as mulheres sofram um grande impacto econômico e dificilmente se recuperem, disse Clark. Várias líderes disseram que as intervenções em nível comunitário são a melhor solução, como uma campanha no Senegal para distribuir alimentos e informações sobre recursos de saúde para as mulheres que trabalham nos mercados. “Se é pequeno, ainda é importante”, disse Awa Marie Coll-Seck, ministra de Estado do governo do Senegal.

A presidente Kersti Kaljulaid, da Estônia, pediu aos países que procurassem soluções inovadoras. “As ferramentas tradicionais não são suficientes. Portanto, vamos tentar fazer as coisas de maneira diferente, alcançar mais em nível de base”, disse durante a reunião.

“Se algo positivo pode resultar dessa pandemia, é a aceitação mais ampla da importância dos bens comunitários globais…e o apoio aos mais fracos da sociedade, às crianças, adolescentes e mulheres”, completou.


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