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ECONOMIA

Mesmo com aluguel subindo, especialistas orientam que locadores não reajustem preços

Presidente do Creci-PA diz que quem for renovar o contrato deve ser atentar à situação econômica atual

Foto: Reprodução / Fonte: O Liberal

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O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado como indexador no reajuste dos valores de contratos de aluguel em todo o país, registrou inflação de 2,23% em julho. A taxa é superior ao 1,56% de junho. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), entidade que avalia o indicador, com o resultado, o IGP-M acumula taxas de inflação de 6,71% no ano e alcança 9,27% em 12 meses. O balizador é usado em todo o Brasil na hora de fechar o negócio, no entanto, com o mercado desaquecido há quatro meses por conta da pandemia, a orientação dos especialistas é permanecer os preços já praticados ou tentar uma negociação para não perder o inquilino.

De acordo com a FVG, a alta do indexador foi puxada pelos três subíndices que compõem o IGP-M: o Índice de Preços ao Produtor Amplo, que mede o atacado, passou de 2,25% em junho para 3% em julho. Ao mesmo tempo, o Índice de Preços ao Consumidor, que mede o varejo, passou de 0,04% para 0,49% e o Índice Nacional de Custo da Construção subiu de 0,32% para 0,84% no período.

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis- Pará (Creci-PA), Jaci Colares, lembra que o indicador é um balizador na hora de colocar preço do aluguel. “Esse índice é igual em todo o país. Varia todos os meses, de acordo com a economia. E é renovado por ano, no contrato. Neste período de retração, usar esse balizador pode ser um risco quando o inquilino paga direito suas contas. Por isso, quem for renovar o contrato deve ser atentar à situação econômica que estamos vivendo. O caminho é sempre negociar”, observou.

Em tempos de retração econômica, um imóvel disponível para alugar na capital, pode demorar de três a quatro meses para ter o contato fechado, isso, mediante às condições favoráveis ao local. “Se estiver em bom estado de conservação, se for um lugar pronto para morar, com mobiliários, ou montar um negócio e uma boa localização, tudo isso vai influenciar na oferta e nos preços que são cobrados”, explica Colares.

O metro quadrado em Belém continua sendo tabelado conforme a localização, porém, alguns bairros, nos últimos anos estão ganhando espaço. “A tradicional área nobre continua sendo Nazaré, Batista Campos, Umarizal, parte de São Brás e Reduto, sendo que agora, parte do marco já está muito valorizada. Em relação ao mercado de aluguéis, ainda não está 100%, mas a tendência é melhorar nos próximos dois meses”, ressaltou o presidente.

Mercado

O corretor de imóveis, Moa Neves, tem casas, pontos comerciais e apartamentos, somando 10 no total para alugar na Região Metropolitana de Belém. “Temos imóveis desde antes da pandemia com dificuldades de alugar. As pessoas estão procurando algo mais barato e até trocando de lugar com custos mais baixos. Os apartamentos novos, com dois e três quartos, são os mais rentáveis, pois a procura é maior, no entanto, os valores são mais baixos, sobretudo, nos bairros afastados do centro. O que valoriza também, é o que tem ao redor. Supermercado, farmácia, padarias, feiras e ponto de ônibus. Tudo é um conjunto”, ressaltou.

Cálculo  

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) é um índice que mede a inflação, criado em 1989. Também é conhecido como “inflação do aluguel”, porque é um importante indexador de contratos de locação, ou seja, o valor é reajustado de acordo com a variação do IGP-M. O IGP-M é aplicado ainda para prestação de serviços de energia elétrica.

O economista Nélio Bordalo explica a dinâmica em que é calculado esses indicadores. “Esses índices são calculados de acordo com o mercado, a inflação, o momento econômico que estamos vivendo. Em particular o IGP-M é agregado aos índices de construção civil e mede a variação dos valores dos aluguéis”, apontou. Em momento de retração econômica, devido à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, a recomendação é usar o bom senso na hora de firmar contratos, avalia o economista.

“É importante que todos tenham coerência. É melhor tentar um preço justo, do que manter um imóvel fechado. Quem é investidor nesta área deve manter os inquilinos para não ter prejuízos. Em caso de apartamentos ou salas em prédios comerciais, o proprietário ainda terá de arcar com o condomínio, taxas de serviços e outras despesas. Então apesar do IGP-M ser o termômetro para fechar os contratos, e mais importante é o bom senso”, comentou o economista.

O cálculo funciona da seguinte maneira: com o índice em 9,27%, para atualizar um aluguel de R$ 1.500,00 com vencimento em agosto de 2020, basta multiplicar seu valor por 1,0927 (R$ 1.500 X 1,0927). O resultado: R$ 1.639,05. Portanto, este passa a ser o valor que vai vigorar mensalmente até o próximo reajuste, daqui a 12 meses.

Por

Roberta Paraense

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