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Cultura

Na Ilha de Marajó, o esplendor da primeira arte brasileira

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As urnas marajoaras revelaram a presença de ornamentos pessoais de belíssima feitura artesanal crédito: Viramundo e Mundovirado

Heitor e Sílvia Reali/ O Estado de São PULO

 

Ilha de MarajóIlha de Marajó. Foto: Viramundo e Mundovirado
“…e olho no mapa do Brasil e vejo o marajoara que habita uma terra onde a terra não para”. Essa frase do poeta Cassiano Ricardo foi o estopim para conhecer Marajó, e depois a chama surgiu na curiosidade de conhecer a cerâmica marajoara. E aí, fui até onde tudo aconteceu.
Ilha de MarajóFoto: Viramundo e Mundovirado

Ilha de Marajó. É aqui que o rio Amazonas depois de percorrer 6.950 quilômetros se despede do continente. Nasceu nos Andes e pelo caminho foi carregando terras e sementes, participou de folguedos e procissões, espalhou gente, inspirou lendas e carregou história. E, na foz, como tributo à liberdade, oferece todo o seu tesouro ao formar a maior ilha fluviomarinho do mundo.

Foi nessa paisagem mutante, ora terra ora água, que se desenvolveu uma civilização que criou na cerâmica a mais bela representação de nossa arqueologia. Mas ao contrário de outras regiões, o terreno de Marajó, extremamente úmido e sujeito a grandes inundações, afogou a identidade de sua civilização. Dela restou, sobretudo, a cerâmica, e em particular a ritual – as igaçabas – urnas cinerárias.

Cerâmica MarajoaraTangas de barro. Únicas em todo mundo, eram modeladas de acordo com o corpo da índia. Foto: Viramundo e Mundovirado

Meu primeiro contato com a cerâmica marajoara aconteceu no Museu do Marajó, em Cachoeira do Arari, centro da ilha e longe das vilas turísticas de Soure e Salvaterra. Idealizado pelo padre Giovanni Gallo, em 1972, este museu, com instalações interativas, representa a vida marajoara desde a época pré-colombiana, além da fauna e flora que povoa essa ilha – um microcosmo da Amazônia.
Ali ficou evidente para mim o capricho das ceramistas marajoaras que contagiadas pela criatividade da natureza, plagiaram nos desenhos, águas, aves e serpentes. Entrelaçaram com maestria obras de formas despojadas com grande riqueza de grafismos.
A arte Marajoara, por sua sofisticação e originalidade, deve ser considerada uma das mais admiráveis correntes estéticas da humanidade.

Cerâmica Marajoara

A arte Marajoara, por sua sofisticação e originalidade, deve ser considerada uma das mais admiráveis correntes estéticas da humanidade.

Para quem entende do riscado, a “cerâmica Marajoara é a mais antiga das tradições policrômicas – preto e vermelho sobre base branca – das Américas, e traz outros detalhes que chamam a atenção”, explica o arqueólogo Eduardo Góes Neves. “Está claro, pelas incisões (técnica que consiste em desenhar sobre a cerâmica ainda úmida), pelos engobos (revestimento de barro fino sobre a peça antes da queima), que várias artesãs trabalhavam numa mesma obra.
Trata-se de uma arte plástica baseada principalmente em combinações de linhas sinuosas, com representações antropomorfas (com forma humana) e zoomorfas (com forma animal) tirados da vida cotidiana e da natureza selvática que envolvia  os habitantes da ilha de Marajó e que se perpetuariam sobretudo em suas urnas funerárias.

Illha de Marajó

Cavaleiros marajoaras. Foto: Viramundo e Mundovirado

Foi a cerâmica que me trouxe a ilha, e na despedida chamo outro poeta, Carlos Drummond de Andrade: “O Marajó é uma coisa fantástica, só você vendo…. E depois de ver, é capaz de não acreditar. Você vê, sente, vive o Marajó, contar é difícil. Adianta?

Ilha de Marajó

No Marajó o registro visual é marcante e reforça o ambiente de aventura. Até imagens simples não passam despercebidas. Foto:  Viramundo e Mundovirado

Quando ir: Não existe uma época ideal para visitar o arquipélago. Quando não é o sol que te persegue é a chuva que te castiga. “Marajó é, de fato, uma coisa e outra nas duas estações do ano em que se transfigura: a das enchentes – fevereiro a junho e a das vazantes, agosto a dezembro. Quem a visitar numa só dessas estações levará dela uma imagem tão verdadeira como enganosa”, explicou o antropólogo Darcy Ribeiro.

Ilha Mexiana

Na ilha de Marajó as sereias ainda cantam, botos se transformam em amantes, búfalos andam soltos pelas ruas, e árvores ao invés de frutos dão pássaros. Entre fantasia e realidade, entre rio, mar e terra, esta ilha é pura sedução. Foto:  Viramundo e Mundovirado

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Cultura

Centro Cultural João Fona, em Santarém, apresenta a exposição “As Margens do Tapajós”

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O prédio histórico da Prefeitura de Santarém, na égide da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), o Centro Cultural João Fona (CCJF), abriu Galeria de Exposições Temporárias, na segunda-feira (21), com a Exposição “As Margens do Tapajós”. A criação é do artista paulistano, Marcelo Fernando Domingues, composta por 15 itens, seis telas de pintura a óleo sobre tela e 09 trabalhos na técnica de sublimação em azulejo. A abertura para visitação será a partir das 16h30.

A exposição tem como base imagens das paisagens de Santarém, incluindo diferentes períodos históricos e culturais do município. As fontes das imagens foram de fotografias, pinturas antigas e atuais. “Sigo uma trajetória figurativa influenciada pelo cotidiano das imagens e movimentos que ocorrem às margens do rio Tapajós. A paisagem aparece, assim, como um manifesto dos fenômenos humanos e sociais, da interação da natureza e da cultura, do econômico e do simbólico, do visível e do invisível, do corpo e do espírito, da complexidade de uma realidade, que convida a articular os aportes das diferentes manifestações dos seres humanos e seu tempo”, disse o artista paulistano.

A técnica da sublimação trata-se de um processo molecular e que pode ser definida como uma impressão digital. Através do calor e pressão a tinta passa de uma superfície (papel) para outra (fotoproduto), fixando-se de maneira permanente.

Segundo o secretário municipal de cultura Luis Alberto Figueira, nos últimos dois anos o Centro Cultural João Fona, especificamente a Galeria de Exposições Temporárias sempre tem novidades em artes de diferentes segmentos. “Este espaço é cedido aos artistas de diferentes linhas, seja locais, ou de outras cidades do Brasil e até mesmo de outros países. E dessa vez, outro paulista, estará exibindo peças nas técnicas de tinta a óleo sobre tela e sublimação em azulejo. E o interessante desse trabalho, é o destaque através das imagens, rotinas históricas do nosso município. E aguardamos novamente grande fluxo de visitações, assim como na última exposição do paulista, Augusto Cury. Esse último esteve com a Exposição Maria Mãe de Todos”, detalhou, o titular da pasta da Cultura no município.

 

 

T Pescadores. Tela: Marcelo Domingues

 Encontro das Águas – Baixo Amazonas. Tela: Marcelo DominguesA

Título: Vista da praia da Vera Paz.Tela: Marcelo Domingues

Título: Chegando em Santarém.Tela: Marcelo Domingues

A Exposição “As Margens do Tapajós” encerra no dia 22 de fevereiro. O Centro Cultural João Fona fica localizado na Avenida Adriano Pimentel, s/n, bairro Prainha. Nas proximidades da Praça Barão de Santarém, Orla da Cidade. Expediente, de segunda a sexta-feira, das 08h às 18h.

*As imagens deste texto referem-se apenas a técnica de pintura a óleo”.Título: Busca dos Mastros – Festa do Çairé – Alter do Chão. Tela: Marcelo 

Mais informações:
Alciane Ayres – assessora de comunicação da Semc
Contato: (93) 99179-4634. / E-mail: alcianeayres.jornalista@gmail.com

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Cultura

Museu do Marajó ganha novo alento após visita de Helder

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Depois de passar por Salvaterra e Soure, no Marajó, o governador Helder Barbalho foi até o município de Cachoeira do Arari, onde ocorria, neste domingo (20), a festividade de São Sebastião, considerado o padroeiro dos vaqueiros marajoara. do Marajó.Ele

visitou, acompanhado pelo prefeito Jaime Barbosa, secretários de Estado e deputados estaduais e federais, o Museu do Marajó, fechado para o público desde dezembro do ano passado por conta de problemas apontados pelo Corpo de Bombeiros. Lá, o chefe do Executivo Estadual assinou um protocolo de intenções com a prefeitura municipal e a presidência do Museu do Marajó, para viabilizar a adequação e recuperação do imóvel que abriga a instituição.

“Estamos aqui hoje estabelecendo uma parceria com o Museu do Marajó e a prefeitura local, para que possamos, juntos, fazer com que esse espaço volte a ser estruturado e, assim, a história, a memória e a cultura marajoara tenham, neste ambiente, a sua preservação e valorização”, ressaltou o governador, acrescentando que já existe a ideia de fazer exposições do acervo do museu em outras regiões do Estado, de maneira itinerante, para que “os próprios paraenses possam cada vez mais conhecer e se orgulhar da cultura marajoara”.

Helder Barbalho informou que o primeiro passo depois da parceria estabelecida será a elaboração de um diagnóstico, por parte de técnicos do Governo do Estado, da real situação do prédio, para além dos problemas já apontados pelo Corpo de Bombeiro. Também será estabelecido de um plano de trabalho que possa cumprir com a recuperação e a devida conservação de tudo o que lá está catalogado. “Essas medidas visam, ainda, estimular e ampliar a visitação, mas, sobretudo, fazer com que o ambiente de conservação dessas peças esteja plenamente adequado”, detalhou.

A secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal, que integrou a comitiva do governador, destacou a importância da iniciativa do Governo do Estado de buscar a reestruturação do Museu do Marajó. “Estaremos, em breve, devolvendo ao Marajó, ao Estado do Pará e, ao mundo, as ideias inovadoras do padre Giovanni Gallo, o cuidado que ele teve com esse acervo, de valor inestimável. Assinamos o protocolo de intenções para que a Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e o Governo do Estado se responsabilizem também pela manutenção do espaço, que precisa de algumas obras emergenciais para ser reaberto logo à visitação pública. Depois disso, vamos apresentar um projeto não só para a recuperação e revitalização, mas talvez até para a ampliação do espaço museal”, pontuou, acrescentando que a Secult e o Governo do Estado serão parceiros da população de Cachoeira de Arari e de toda a cultura local na gestão do órgão.

Ainda no local, o governador visitou o túmulo do padre Giovanni Gallo, que fundou o Museu do Marajó em 1987, e a casa onde ele viveu por mais de 20 anos, localizada ao lado do espaço museal. “Cachoeira de Arari está em festa com essa visita e o comprometimento do Governo do Estado em nos ajudar a manter o Museu do Marajó. O sonho do padre Giovanni Gallo não pode morrer”, comemorou o presidente do espaço, Eduardo Jorge Portal.

Ele explicou que o Museu foi fechado à visitação pública em 14 de dezembro do ano passado por recomendação de laudo emitido pelo Corpo de Bombeiros. O documento, assinado pelo 18° Grupamento de Bombeiros, de Salvaterra, atesta a falta, no local, de projeto de combate a incêndios e de dispositivos de controle de pânico, como sinalização e luzes de emergência, o que poderia colocar em risco a vida de funcionários e visitantes caso lá ocorresse algum sinistro.

 

Elck Oliveira/ Ag,Pará

FOTOS: MARCO SANTOS/AGÊNCIA PARÁ

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Cultura

Helder Barbalho e Úrsula Vidal revitalizam Memorial da Cabanagem

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A Secretaria de Estado de Cultura (Secult), do Governo do  Pará, realiza, a partir de hoje (7) a 12 de janeiro (data em que Belém foi fundada em 1516) , a programação “Belém Cabana”, uma semana alusiva ao Movimento da Cabanagem (1835-1840), culminando com as comemorações pelos 403 anos de Belém.

Helder reabilita obra que seu pai,  o hoje senador Jader Barbalho, realizou há 34 anos, em homwnagem à maior revolução popular do Brasil

O governador Helder Barbalho fará a abertura da programação, nesta segunda-feira (7), a partir das 17h30, prestando homenagem à memória dos Cabanos, com a inauguração de uma iluminação especial no Memorial da Cabanagem, no Entroncamento. A programação seguirá nos dias 11 e 12, com atrações em diversos espaços culturais da capital, sempre com entrada franca.

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o Memorial da Cabanagem foi inaugurado há exatos 34 anos, em 7 de janeiro de 1985, pelo então governador Jader Barbalho, marcando os 150 anos do movimento que ocorreu na Província do Grão-Pará. A ideia foi do historiador Carlos Roque, à época diretor de A Província do Pará.

O Monumento abriga os restos mortais do Cônego Batista Campos e dos cabanos Félix Clemente Malcher, Francisco Pedro Vinagre e Eduardo Angelim. Segundo a concepção de Niemeyer, a rampa elevada em direção ao firmamento representa a grandiosidade da revolta popular, que chegou perto de atingir seus objetivos, e a “fratura” faz alusão à ruptura do processo revolucionário.

 

Eduardo Angelim, 3º governador cabano

Único projeto de Niemeyer no Pará, o memorial foi abandonado pelo poder público nos últimos anos, sendo alvo de depredação e vandalismo.  Com a programação “Belém Cabana”, o Governo do Estado pretende reforçar a importância de valorizar a memória e a história do Pará.

Úrsula Vidal, secretária de Cultura do Pará, marca um gol de letra

Ursula Vidal, secretária de Estado de Cultura, observa que o Memorial da Cabanagem, há muito anos, deixou de fazer parte do cotidiano da cidade, como uma referência arquitetônica importante de um dos períodos mais marcantes da história do Estado.

“A Cabanagem foi um movimento que teve como característica a luta pela participação popular nas construções e decisões políticas. A programação vem para marcar essa valorização ao nosso patrimônio histórico e arquitetônico, dos nossos movimentos da cultura popular, além deste tempo novo que estamos inaugurando na Secult, com portas abertas, construção coletiva e fortalecimento dos instrumentos democráticos de gestão”, disse a secretária, que, assim. marca um gol de letra. logo no começo da sua atidsade.

A programação cultural reúne música, artes cênicas e visuais, visita aos museus, arte de rua e cultura popular, com trabalhos artísticos inspirados na Cabanagem e outras atrações, tanto nos espaços gerenciados pela Secult e também nas ruas da Cidade Velha, cenário da revolução cabana há 184 anos.

Na próxima sexta-feira (11), a partir de 19h, no Mercado de São Braz, será realizado o Sarau da Cabanagem, com o Slam Dandaras do Norte. No mesmo dia, no Theatro da Paz, a partir de 19h30, haverá o relançamento do livro “Cabanagem Poemas” e do CD “Poemas da Cabanagem”, do professor Valdecir Palhares, seguido da apresentação do coro infanto-juvenil Vale Música, e finalizando com o espetáculo “Cabanos”, do Grupo Encenação.

No sábado (12), aniversário de Belém, a programação começa às 10h, no Teatro Gasômetro, com apresentação de cortejo afro, seguida pelo Cordão de Pássaro Colibri, Grupo Madalenas e do Coletivo In Bust. Também a partir de 10h, no Museu Histórico do Estado do Pará (MHEP), além da exposição “Saramago”, haverá a “Imersão Cabana”, uma visita educativa ao acervo do museu com materiais históricos sobre a Cabanagem.

A partir de 18h, em frente ao MHEP, o público poderá prestigiar vídeo mapping com os VJs Lobo e Luan, intervenção cênica com a atriz Esther Sá, cortejo com o Batalhão da Estrela até o Píer das Onze Janelas, culminando com Batuque Vozes de Fulô e Cobra Venenosa.

Serviço: A programação “Belém Cabana”, com a semana alusiva ao Movimento da Cabanagem (1835-8140) integrando as comemorações pelo Aniversário de Belém, será aberta nesta segunda-feira (7), a partir de 17h30, com inauguração da iluminação do Memorial da Cabanagem (Entroncamento) pelo governador Helder Barbalho. Nos dias 11 (sexta-feira) e 12 (sábado), acontece programação cultural no Mercado de São Braz, no Teatro Gasômetro, no Theatro da Paz, no Museu Histórico do Estado do Pará e no bairro da Cidade Velha. Todas as atrações terão entrada franca.

A realização é do Governo do Estado do Pará por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult).

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