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Neymar diz que deu o máximo, pede desculpas e refuta pecha de cai-cai no gramado

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Neymar culpou 10 minutos ruins da Seleção pela eliminação contra a Bélgica (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

 

Neymar deixou a Copa do Mundo sem falar com a imprensa. Não é de hoje que o atacante evita os jornalistas após os jogos da Seleção Brasileira. O ápice dessa crise de relacionamento se deu nos Jogos Olímpicos de 2016. Agora, porém, Neymar garante que amadureceu e está preparado para voltar a ser dono da braçadeira de capitão da equipe canarinho. Sua reestreia no posto se deu já nessa quinta, quando o camisa 10 teve de conceder entrevista coletiva ao lado do técnico Tite antes do duelo amistoso contra os Estados Unidos, marcado para às 21h05 dessa sexta (7), em Nova Jersey.

A situação proporcionou questionamentos e deu oportunidade para o jogador do PSG falar sobre a decepção no Mundial da Rússia. A queda diante da Bélgica, nas quartas de final, por exemplo, na avaliação de Neymar, foi culpa de poucos minutos de desconcentração da Seleção. E apesar das atuações apenas modestas, o atacante garantiu que fez tudo que pôde.

“Foi um momento, muitos sabem, ruim na minha carreira, porque acabar se machucando, para qualquer atleta, é horrível. E fiz um esforço muito grande para estar na Copa, me dediquei a isso, a estar na Seleção. Fui ao meu máximo na competição, claro que eu queria estar melhor, queria estar 100%, como estou hoje, mas eu fui no meu máximo, fiz de tudo. Fui em busca de tudo para poder me entregar, e saio de cabeça erguida, porque eu lutei, busquei, tentei, meus companheiros da mesma forma. Nenhum de nós tem de baixar a cabeça. A gente buscou, mas fazer 10 ou 15 minutos ruins pode ser fatal. Acho que foi o que a gente aprendeu. A gente deixou de jogar 10 minutos e acabou perdendo o jogo (contra a Bélgica)”, comentou Neymar, ciente do peso que sua nova condição lhe traz.

“Acho que vou reconquista-los (os torcedores) jogando futebol. A responsabilidade é ainda maior por causa da braçadeira, não adianta nada ter a braçadeira e não jogar futebol. Peço desculpas aos torcedores que ficaram chateados com a gente, perder é muito ruim, e a gente tinha esse gostinho de que dava, mas não foi dessa vez. A gente buscou, fez de tudo para alcançar a melhor posição, mas não foi dessa vez”.

Copa América 

A primeira oportunidade de mostrar serviço será no amistoso dessa sexta-feira (7), mas a Copa América do ano que vem promete exigir muito da Seleção Brasileira, que mais uma vez jogará em seu território, com a pressão por uma resposta positiva.

“A gente não trabalha nisso. A gente trabalha no agora, estamos pensando nos Estados Unidos. Não adianta nada pensar daqui quatro anos, se não passar por agora. Nosso jogo começou três dias atrás, não amanhã. Dessa forma que eu penso, que o professor pensa, que o grupo pensa. A Copa América é obvio que a gente vai encarar como Copa do Mundo, mas a gente ainda não pode pensar na Copa América agora”, opinou Neymar.

Inevitavelmente, a pergunta sobre a fama de cai-cai, uma alcunha que ficou ainda mais latente depois do Copa do Mundo, não podia faltar. Mas, na reposta não veio nenhuma reflexão pessoal. Neymar novamente deixou claro que não vê nada de errado em seu jogo.

“Eu não tenho muito o que falar sobre isso. Sou um jogador que pego a bola 10 vezes e 11 delas vou para cima, sou mais rápido, um pouco mais leve e às vezes sofro as faltas. Não vão me deixar passar sem me dar uma porradinha, não posso pedir licença para fazer gol. Acabei sofrendo muitas faltas na Copa do Mundo, não era isso que eu queria, mas aconteceu. Outro aprendizado que eu levo para mim, quero melhorar dentro e fora do campo e ajudar a Seleção”, explicou o atacante, que nessa sexta volta ao palco de sua estreia e de seu primeiro gol com a camisa amarela, oito anos depois.

“Para mim, toda vez que eu venho para Seleção é diferente. Falei para ele (Tite) que alegria era estar de volta. É um momento único, que dificilmente descrever a felicidade de vestir essa camisa. Totalmente diferente da primeira, da segunda, outra época, mais velho, mais experiente, sensação diferente, a gente tem que se preparar, passar para os que estão chegando agora, cada vez mais nos unindo, buscando vencer sempre”, concluiu.

Capitão fixo

Neymar deixou a Copa do Mundo com a imagem queimada. O atacante foi criticado pelas atuações, pela forma como se manifestou, sempre por meio de redes sociais, e acabou elevando sua alcunha de “cai-cai” a um patamar jamais visto, com alcance mundial. Ao tentar amenizar a situação, o jogador escolheu um comercial produzido por um de seus patrocinadores para desabafar. O resultado não foi o esperado pelo staff do atleta, que viu uma nova avalanche de comentários contra sua atitude do camisa 10 do Paris Saint-Germain.

Ou seja, o cenário não parece nada favorável a Neymar, tanto dentro quanto fora de campo. Nada disso, porém, impediu Tite de tomar uma decisão surpreendente. Na noite dessa quinta-feira, o técnico da Seleção Brasileira anunciou o fim do rodízio da braçadeira de capitão. A partir do amistoso dessa sexta, contra os Estados Unidos, em Nova Jersey, Neymar será o capitão fixo do grupo canarinho.

“O tempo passa, as pessoas crescem, amadurecem, nós somos seres humanos. Esse tempo todo, ele teve a consciência e o discernimento de seguir. Ele tem essa condição e dar um passo à frente, ele tem essa capacidade”, argumentou Tite, em entrevista coletiva após o último treinamento no estádio MetLife.

“É uma liderança técnica, de alto nível. Amadureceu ao longo do tempo, tem sabido absorver situações, de erros e críticas que foram feitas, estamos sempre nos lapidando, somos incompletos. Eu da mesma forma. Ele é inteligente, tem tomado decisões importantes”, completou.

Para o comandante brasileiro, Neymar segue sendo um “top 3”, independente da lista da Fifa. Tite reiterou a confiança em seu atleta de maior potencial, lembrou uma chamada bem absorvida por Neymar depois de um cartão amarelo por reclamação na Copa do Mundo e, por fim, deixou clara sua intenção de que Neymar volte a se relacionar com os torcedores por meio de um contato maior com a imprensa. Até então, as redes sociais vinham sendo o único caminho utilizado pelo agora capitão da Seleção.

“Ele colocou a mim em uma conversa: ‘às vezes é difícil, tenho dificuldade de me expressar’. E eu disse: ‘não menospreza a tua capacidade. Olha o que tu estás dizendo para mim’. Vai ser legal vocês (imprensa) estarem mais próximos ao Neymar, ele poder passar essas situações, ele também vir aqui se mostrar, colocar para fora. O garoto que vai no fim do jogo e te abraça, quer te ouvir. O cronista quer ver tua ideia”, concluiu o treinador.

Time escolado sem novidades

Tite liberou apenas os 15 primeiros minutos do treino da Seleção Brasileira no estádio MetLife, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Mesmo assim, não há muito mistério sobre a escalação canarinho para o amistosos dessa sexta-feira (7), contra os anfitriões, às 21h05 (de Brasília).

Depois de um leve aquecimento, a famosa roda de bobinho, o treinador armou a Seleção com: Alisson, Fabinho, Thiago Silva, Marquinhos e Filipe Luis; Casemiro, Fred e Coutinho; Douglas Costa, Neymar e Firmino.

As escolhas de Tite demonstram uma certa crença do treinador de que o trabalho feito na preparação para o Mundial da Rússia precisa ter uma continuidade, e não uma reformulação. Apenas Fabinho, que jogará na vaga do cortado Fagner, não foi à Copa.

 O amistoso dessa sexta marca o retorno de Neymar ao palco de sua estreia e de seu primeiro gol com a camisa verde e amarela, em 2010.

Na terça-feira (13), em Washington, o Brasil volta a entrar em campo. O adversário será El Salvador, às 21h30 (de Brasília). A tendência é que alguns dos novatos ganhe oportunidade nesse segundo desafio.

Tite ainda remói eliminação na Copa e foge de polêmica com CBF

O Brasil volta a disputar uma partida na noite dessa sexta-feira(7),  63 dias após cair nas quartas de final da Copa do Mundo diante da Bélgica. O amistoso contra os Estados Unidos, marcado para às 21h05 (de Brasília), em Nova Jersey, obviamente não tem o mesmo valor, mas, de alguma forma, pode ajudar a Seleção Brasileira a sair de uma ressaca brava.

“O sentimento de que eu tenho falado é de que chegue logo a entrada de campo, a gente quer continuar, porque a dor ainda está muito forte. Não adianta dizer que não, é o sentimento geral, é o meu e de todos os atletas. Neymar disse que ficou uma semana em casa, as pessoas às vezes não têm dimensão, esse envolvimento é muito forte. Eu acordei de noite algumas vezes achando que tínhamos empatado”, revelou Tite, ao seu estilo.

“Deixamos de competir no primeiro tempo, qualidade de Hazard, De Bruyne, Lukaku, com muita efetividade. E até o acaso. Tivemos dois lances de bola parada e tivemos duas chances. Na que teve a Bélgica, a bola desvia na mãe do Fernandinho sai o gol. O futebol proporciona isso. Dava momentos de ajustes e desajustes no meio após a lesão do Renato”, avaliou o treinador brasileiro, ainda remoendo tudo que se passou naquele 2 a 1, na Rússia.

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