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Nuzman nega ‘compra’ da Rio-2016 e diz que trocou dinheiro por barras de ouro por conta da crise

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RIO – Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Organizador da Rio-2016, foi ouvido nesta quarta-feira (22) em audiência na 7ª Vara Federal Criminal. Ele negou ter participad de esquema para comprar votos de membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para que a cidade sediasse os Jogos, a mando do ex-governador Sérgio Cabral (MDB).

Nuzman é suspeito de intermediar o negócio. A denúncia narra o pagamento de US$ 2 milhões pelo empresário Arthur Soares, o Rei Arthur, a Lamine Diack, membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) pelo Senegal. Nuzman e seu braço direito no Comitê Organizador, Leonardo Gryner, teriam orquestrado os repasses.

“Não conheço nenhuma proposta de compra de votos, não conheço nenhuma ação que pudesse ter gerado isso, não conheço o senhor Arthur Soares (o Rei Arthur, que teria pago US$ 2 milhões aos membros do COI), nunca o vi e nunca o encontrei. Isso é o que posso lhe dizer com toda certeza”.

Nuzman é acusado de organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas e chegou a ser preso com a descoberta de que escondeu, segundo o Ministério Público Federal (MPF), 16 barras de ouro.

O montante, disse, foi construído com venda de apartamentos e com honorários de advogado. Nuzman citou a instabilidade econômica do país vivida por ele nas décadas de 80-90 e disse que, com a nova crise econômica do país pós-Olimpíada, ouviu uma dica para adquirir ouro.

“Amigos meus da Suíça, de maneira geral, a economia já descia, esteve no alto quando ganhamos (a eleição da Rio 2016), e disseram: ‘Se eu fosse você, transformava esse seu patrimônio em barras de ouro’. E realmente foi feito. Tenho os documentos do banco que fizeram transferência para barras de ouro dentro disso”.

Na denúncia, o Ministério Público Federal (MPF) junta e-mails em que Nuzman e seu braço direito no Comitê Rio-2016, Leonardo Gryner, são cobrados por pagamentos que seriam de propina por Papa Diack, filho de Lamine Diack, membro senegalês do COI. O MPF afirma que trata-se de propina. Nuzman reconheceu ter recebido as mensagens, mas disse que isso era comum e que não sabia do que se tratava. “Não respondi a nenhum email do senhor Papa Diack. Um dia, ele disse que estava tudo resolvido num dos e-mails que eu recebi. Não me ocupei em saber como foi resolvido”, justificou.

O ex-presidente do COB chegou a ser preso em outubro do ano passado, mas só ficou na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, por duas semanas – após determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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