Conecte-se Conosco

Internacional

Obrador negocia com Cuba para levar ao México os médicos saídos do Brasil

Publicado

em

Obrador tem um plano de austeridade que pretende reduzir o salário de servidores públicos, entre eles os médicos Foto: Henry Romero / Reuters

Em tratativas sigilosas que começaram em setembro, governo de esquerda mexicano, que assumiu ontem o poder, pretende reduzir custos de saúde e aproveitar cerca de 3 mil profissionais cubanos que atuavam no programa Mais Médicos

Verónica Calderón, especial para O Estado / Cidade do México, O Estado de S.Paulo

CIDADE DO MÉXICO – O novo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, está prestes a fechar um acordo para receber pelo menos 3 mil médicos cubanos que vinham trabalhando no Brasil. A negociação entre o primeiro representante da esquerda a chegar à presidência mexicana e o regime cubano começou em setembro, segundo apurou o Estado. Cuba anunciou que retiraria seus médicos do Brasil no dia 14.

As tratativas foram mantidas em sigilo, até agora. Obrador tem um plano de austeridade que pretende

reduzir o salário de servidores públicos, entre eles os médicos. Os cubanos que passaram pelo Brasil, portanto, ajudariam a cobrir cortes nos gastos públicos. “É austeridade, não vingança”, repetiu Obrador como um slogan durante sua campanha.

 Lázaro Cárdenas Batel, o novo coordenador de assessores da presidência mexicana, tem sido o elo entre os representantes do regime cubano, presidido por Miguel Díaz-Canel, e colaboradores dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O objetivo: uma adaptação mexicana do Mais Médicos, um programa que envolveu cerca de 15 mil especialistas cubanos designados para 1,6 mil municípios em algumas das áreas de mais difícil acesso do Brasil.

Cárdenas Batel é o herdeiro de uma dinastia identificada com as causas de esquerda no México. Tanto ele quanto seu pai, Cuauhtémoc Cárdenas Solórzano, mantêm sólida amizade com os membros do PT.

A relação entre Cárdenas e Lula e seus colaboradores mais próximos ultrapassa a diplomacia, diz Jesús Vázquez Martínez, colaborador de Cuauhtemoc Cárdenas quando ele foi governador de Michoacán (sul do México), na década de 80, e prefeito da Cidade do México, entre 1997 e 1999. “Ele sempre manteve a vocação para defender as causas da esquerda. Sua relação com Lula começou há pelo menos 15 anos”, explica.

Médicos cubanosCuba anunciou que retiraria seus médicos do Brasil no dia 14 Foto: Fernando Medina / Reuters

Cuauhtémoc Cárdenas visitou Lula na prisão há três meses e disse várias vezes em público que o ex-presidente brasileiro é vítima de uma “injustiça”. Lula está preso acusado de corrupção, como parte da Operação Lava Jato, que teve desdobramentos em vários países latino-americanos.

Vázquez Martínez lembra que Lula e o ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil Celso Amorim até foram à região de Michoacán em 2003, em uma rara visita de um presidente e membros-chave de seu gabinete a um Estado mexicano. Amorim foi precisamente quem manteve conversações com Lázaro Cárdenas Batel, o coordenador de assessores de Obrador para selar o acordo entre Cuba e México.

Elo cubano

Cárdenas Batel mantém relação próxima com Cuba. Os laços ficaram em destaque quando ele foi eleito governador de Michoacán em 2002. “Estudei no Instituto Superior de Arte de Havana, minha mulher é cubana e, obviamente, tenho uma relação fraterna e próxima com esse país. Minha relação com Cuba não é a relação do governo ou de qualquer autoridade de Michoacán com Cuba”, disse há 14 anos aquele que é agora um dos colaboradores mais próximos da presidência de Obrador.

Mais de 400 funcionários cubanos atuaram como assessores de Cárdenas Batel do governo michoacano durante seu mandato – assim como o pai, ele comandou o Estado. Cinquenta professores cubanos ocupavam cargos na Secretaria de Educação local para um programa de alfabetização implementado apenas para esse fim. Ele conseguiu que outros fossem recebidos em programas semelhantes em Oaxaca, Veracruz e Tabasco.

Posse de ObradorVários colaboradores de Obrador insistiram repetidas vezes que o governo dele resolverá a falta de médicos nas áreas mais negligenciadas do país Foto: Alejandro Cegarra / Bloomberg

“Eram programas feitos sob medida pelo governo cubano”, garante um dos colaboradores do governo de Cárdenas Batel, em Michoacán. Mesmo sob críticas, os cubanos ocuparam cargos em saúde, educação e arte, todos sob a influência do herdeiro da dinastia Cárdenas. “Essas colaborações até agora foram em Estados mexicanos, mas nunca haviam sido consideradas uma política federal.”

Mas a conjuntura produzida em apenas três meses e os cenários políticos no México e no Brasil permitiram que as habilidades diplomáticas de Cárdenas Batel saíssem em resgate do Mais Médicos, um programa que o regime cubano mantém em 67 países, mas poucos tão importantes quanto Venezuela e, até poucos dias, o Brasil. O jornalista de Michoacán Jesús Lemus disse que a mulher de Cárdenas Batel, Mayra Coffigny, tem sido “um fator fundamental” para fortalecer os laços entre o regime de Castro e do governo de seu marido. Coffigny nunca escondeu sua simpatia e admiração por Fidel Castro.

‘Modelo europeu’

Os médicos cubanos que participarem de missões no México devem receber um quarto de seu salário. O restante ficará com o regime cubano. Obrador disse que o esquema atual de saúde pública no México é “insuficiente” e prometeu que sob seu governo, os mexicanos terão acesso a um sistema semelhante ao do “Canadá, Dinamarca, Inglaterra e países nórdicos”.

Os caminhos para um sistema de saúde como os exemplos citados pelo novo presidente mexicano parecem difíceis. Os números do México em relação à saúde são alarmantes: mais da metade dos mexicanos não tem acesso a nenhum tipo de seguridade social, as reclamações entre os médicos contratados pelo Estado se estendem por todo o país e se agravaram depois que o ex-presidente Enrique Peña Nieto anunciou um corte no setor de saúde, que gerou uma onda de protestos em 2016.

As reclamações declinaram, mas não desapareceram. E os problemas crescem. Há poucos dias, o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde em Chiapas, Estado onde oito em cada dez habitantes vivem na pobreza, completou um mês em greve por falta de pagamento e escassez de medicamentos e suprimentos médicos.

A evidente contradição entre a mensagem de austeridade de Obrador, que se movimenta em um VW Jetta 2013 valendo menos do que US$ 5 mil e se recusou a viver na residência oficial de Los Pinos por considerá-la “luxuosa”, e a falta urgente de recursos públicos para pagar os serviços mais básicos no México tem sido questionada com frequência.

Em resposta, vários colaboradores de Obrador insistiram repetidas vezes, em público, em particular, nas redes sociais e na frente dos microfones que o governo dele resolverá a falta de médicos nas áreas mais negligenciadas do país, mas até agora ninguém tinha explicado como isso seria feito. Agora se sabe que uma das soluções, segundo membros de seu próprio gabinete, aponta para Havana. Um programa do tamanho de Mais Médicos não tem precedentes no México.

Para lembrar: programa foi criado em 2013

Lançado em julho de 2013 pela então presidente Dilma Rousseff (PT), na esteira dos protestos por melhores serviços públicos, em junho do mesmo ano, o Mais Médicos teve a participação majoritária de cubanos, até o dia 14 de novembro.

O governo cubano decidiu então encerrar a parceria, intermediada pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), depois de o presidente eleito, Jair Bolsonaro, dizer publicamente que pretendia alterar termos do acordo, entre eles os repasses feitos a Havana pelo convênio.

Também estaria prevista a aplicação de uma prova de avaliação. Desde o rompimento, o programa, que atende principalmente cidades do interior do Brasil com pouco acesso à saúde pública, abriu vagas para suprir a saída de cerca de 8 mil cubanos.

Internacional

Carta de Direitos Humanos completa 70 anos em momento de incertezas

Publicado

em

Em 10 de dezembro de 1948, a Organização das Nações Unidas promulgava a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Era uma resposta imediata às atrocidades cometidas nas duas guerras mundiais, mas não só isso. Era o estabelecimento de um ideário arduamente construído durante pelo menos 2.500 anos visando a garantir para qualquer ser humano, em qualquer país e sob quaisquer circunstâncias, condições mínimas de sobrevivência e crescimento em ambiente de respeito e paz, igualdade e liberdade.

O caráter universal constituiu-se numa das principais novidades do documento, além da abrangência de sua temática, uma vez que países individualmente já haviam emitido peças de princípios ou textos legais firmando direitos fundamentais inerentes à condição humana. O caso mais célebre é o da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, firmada em outubro de 1789 pela França revolucionária.

Com um preâmbulo e 30 artigos que tratam de questões como a liberdade, a igualdade, a dignidade, a alimentação, a moradia, o ensino, a DUDH é hoje o documento mais traduzido no mundo — já alcança 500 idiomas e dialetos. Tanto inspirou outros documentos internacionais e sistemas com o mesmo fim quanto penetrou nas constituições de novos e velhos países por meio do instituto dos princípios e direitos fundamentais. Na Constituição brasileira de 1946, os direitos fundamentais já eram consignados, mas é na Carta de 1988 que se assinala a “prevalência dos direitos humanos”.

Adotada numa perspectiva internacionalista, multilateral, a DUDH, conforme vários observadores, celebra sete décadas sob a turbulência do ressurgimento de tendências políticas e culturais que renegam os direitos humanos em várias partes do globo.

Por ocasião do Dia Mundial da Paz, em 21 de setembro, a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, alertou para “a proliferação do populismo e do extremismo, que constituem um obstáculo aos ideais de paz e direitos universais”.

— A paz será imperfeita e frágil, a menos que todos se beneficiem dela. Os direitos humanos são universais ou não são — enfatizou a chefe da UNESCO.

Ecoou assim o pressuposto estabelecido por aquele que é considerado o artífice da universalidade da carta, o representante francês na comissão que redigiu a declaração, Renê Cassin: a paz internacional só seria possível se os direitos humanos fossem igualmente respeitados em toda parte.

O clamor por esses direitos, portanto, não cessa. E cada vez mais se articula em ações de governos, de organismos como a Anistia Internacional, de organizações não governamentais e da sociedade civil. Contudo, o questionamento aos ditames desse estatuto, que antes poucos ousavam contestar, cria uma atmosfera de incerteza e, por vezes de pessimismo. Esse sentimento não é meramente uma manifestação de subjetividade: informe da ONU Brasil dá conta de que 87 mil mulheres no mundo foram vítimas de homicídio em 2017. Desse grupo, aproximadamente 50 mil — ou 58% — foram mortas por parceiros íntimos ou parentes. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) vê estagnação de progressos para proteger as mulheres no ambiente doméstico.

— Embora a vasta maioria das vítimas de homicídio seja de homens, as mulheres continuam a pagar o preço mais alto como resultado da desigualdade e discriminação de gênero e estereótipos negativos — declarou o chefe do organismo internacional, Yury Fedotov.

A senadora Regina Sousa (PT-PI), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, considera lamentável que o mundo não tenha dado passos importantes durante 70 anos.

— A confusão da concepção de direitos humanos foi proposital. A elite mundial e a brasileira colocaram na cabeça das pessoas que direitos humanos são direitos de bandidos. E não é [assim]. São direitos das pessoas a moradia, a saúde, a educação, o transporte, cidades feitas pensando nas pessoas, direito da população negra contra o racismo, direito de não ser escravizado, direitos da população LGBT de não ser morta. Mesmo o bandido tem lá os seus direitos, merece tratamento decente — avaliou a senadora depois de anunciar para a tarde desta segunda-feira (10) uma audiência pública com representantes de várias categorias que atuam nessa seara.

Enquanto casos de escravidão são flagrados próximos à capital do Brasil, continua envolto em mistério o assassinato de uma vereadora do Rio de Janeiro e defensora dos direitos humanos que atuava o em áreas controladas pelo narcotráfico e as milícias. Os motivos e os autores do crime não foram até agora esclarecidos. A provável execução de Marielle Franco causou indignação em todo o mundo e motivou declarações do próprio Papa Francisco. Nove meses depois de sua ocorrência, a Anistia Internacional reclama a solução para o caso, assim como a presidente da CDH.

Vídeo da ONU resgata a promulgação da DUDH

“Vamos agir juntos para promover e defender os direitos humanos para todos, em nome da paz duradoura para todos. A paz cria raízes quando as pessoas vivem livres da fome, da pobreza e da opressão. Eu encorajo vocês a se manifestarem: pela igualdade de gênero, por sociedades inclusivas, por ações climáticas. Façam a sua parte na escola, no trabalho, em casa. Cada passo conta. A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um marco fundador e um guia que deve assegurar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

António Guterres, secretário-geral da ONU

Continue lendo

Internacional

Mais da metade da população mundial usa internet, afirma ONU

Publicado

em

Acesso internet celular

Até então, o uso de internet no mundo ficava na faixa de 50%; hoje, nas Américas, cerca de 69,6% da população usa internet

 Por Redação Link /O Estado de S. Paulo

Continue lendo

Internacional

Brasil está refém das negociações entre China e EUA

Publicado

em

Foto: Reprodução
A trégua comercial de 90 dias entre EUA e China alivia a tensão no mundo, mas aumenta a tensão no Brasil. Segundo Monica de Bolle, diretora do Programa de Estudos Latino-americanos da John Hopkins University, “o Brasil está totalmente refém nestas negociações entre EUA e China. Nem mesmo na soja, que somos grandes produtores, temos influência na formação de preços. Se os chineses quiserem ser duros com o Brasil, ainda mais num momento em que o novo governo dá sinais de que quer maior alinhamento com os EUA, poderá substituir facilmente os fornecedores do produto”.
A reportagem do jornal O Globo destaca que “o país [o Brasil] deve fechar o ano com alta de 30% nas exportações de soja, com vendas de 80 milhões de toneladas. José Augusto de Castro, presidente da AEB [Associação de Comércio Exterior], avalia que o compromisso da China de comprar commodities dos EUA reverterá esse movimento, embora frise que o saldo da trégua é positivo, pois vinha afetando os preços dos principais produtos comercializados com a expectativa de demanda mais fraca.”

O presidente da AEB ainda pondera: “num primeiro momento, é uma notícia favorável para o comércio mundial, mas gera uma preocupação. A compra maciça de produtos agrícolas dos EUA atingirá o Brasil – afirma, acrescentando que a expectativa, ainda preliminar, é que as vendas de soja recuem para 70 milhões de toneladas no ano que vem.”

 

CHINA, RÚSSIA E ÍNDIA IMPULSIONAM COOPERAÇÃO TRILATERAL

Os líderes da China, Rússia e Índia fizeram um intercâmbio de opiniões sobre a cooperação entre seus países nas novas circunstâncias internacionais, durante reunião informal realizada na sexta-feira, 30 de outubro, em Buenos Aires, à margem da Cúpula do G20.

 O presidente chinês Xi Jinping, o presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi concordaram em fortalecer a coordenação, construir consensos e aumentar a cooperação entre seus países para promover juntos a paz, a estabilidade e o desenvolvimento do mundo.

Xi assinalou que a China, a Rússia e a Índia são importantes países de grande influência, e importantes parceiros de cooperação estratégica entre si.

Os três países têm grandes interesses comuns extensos e metas semelhantes de desenvolvimento, além de grande responsabilidade para com o futuro da região e do mundo como um todo, disse Xi.

O desenvolvimento comum e a cooperação estreita entre a China, a Rússia e a Índia nas atuais circunstâncias se tornaram uma força cada dia mais importante para a estabilidade e a certeza na transformação do panorama mundial, avaliou Xi.

Nos últimos 10 anos, disse Xi, os três países conduziram ativamente o diálogo e a cooperação trilaterais com o espírito de abertura, unidade, entendimento mútuo e confiança, e fizeram importantes progressos.

Ele pediu aos países que avancem ainda mais a cooperação trilateral diante dos novos desafios.

Xi sugeriu que os três países defendam um novo tipo de relações internacionais, continuem consolidando a confiança política mútua, estabeleçam parcerias e se empenhem para um ciclo virtuoso nas relações entre grandes potências e cooperação de ganhos recíprocos.

O presidente chinês também pediu que esses países fortaleçam a coordenação e a cooperação em importantes mecanismos multilaterais, como o Grupo dos 20, o BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai.

China, Rússia e Índia devem avançar na liberalização e facilitação do comércio e dos investimentos, promover uma economia mundial aberta, tomar uma posição clara contra o protecionismo e o unilateralismo, e defender juntos o sistema de comércio multilateral, assim como os interesses comuns das economias emergentes e dos países em desenvolvimento, indicou.

Os três países, acrescentou, devem defender ativamente uma visão de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável, fortalecer a cooperação antiterrorista regional e global, promover a solução política dos assuntos em destaque, e desempenhar uma atuação ainda maior na defesa da paz e segurança da região e do mundo.

Continue lendo

Facebook

Propaganda

Destaques