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Internacional

ONU: nenhum país consegue garantir direitos reprodutivos das mulheres

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Mulheres grávidas - Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil

Maioria dos casais não consegue ter o número de filhos que deseja

Por Pedro Rafael Vilela /Agência Brasil

 Brasília – As tendências globais mostram que, quando as pessoas conseguem exercer seus direitos sexuais e reprodutivos, elas optam por famílias menores, com taxa média de dois filhos por mulher. A conclusão está em um relatório sobre a situação da população mundial divulgado hoje (17) pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), na sigla em inglês). Segundo a agência da ONU, a falta de possibilidades de escolha causa impacto expressivo nas taxas de fecundidade, geralmente tornando as famílias muito maiores ou muito menores do que a maioria das pessoas desejaria.

O relatório revela que em nenhum país a população tem a garantia plena de seus direitos reprodutivos. A maioria dos casais ainda não consegue ter o número de filhos que deseja, ou porque não tem condições econômicas e sociais, ou porque não tem acesso a contracepção e informação adequada. A demanda não atendida por métodos contraceptivos modernos impede que milhões de mulheres consigam optar por famílias menores.

“Existe um descompasso entre número de filhos desejados e número de filhos tidos, seja no caso de famílias que têm mais filhos do que gostariam ou no caso das mulheres que têm menos filhos do que desejariam”, explica Taís de Freitas Santos, coordenadora de programa do Fundo de População da ONU.

Em países do sul da Europa e da Ásia, as quedas nas taxas de fecundidade têm sido tão acentuadas que estão abaixo do nível de reposição (de 2,1 filhos por mulher), ocasionando uma redução no tamanho absoluto da população com o passar dos anos. Entre os motivos apontados no relatório destaca-se a dificuldade de equilíbrio entre a vida profissional e a dedicação à família.

No outro extremo, em alguns países da África Subsaariana, as mulheres seguem tendo mais filhos do que gostariam (em média, 5 filhos ao longo da vida), em especial pela falta de informação e de acesso a serviços de saúde e a métodos contraceptivos.

De maneira geral, o relatório classifica os países em quatro grandes grupos: os de fecundidade alta (principalmente na África Subsaariana), os de fecundidade estável (países do Oriente Médio e de algumas regiões da África), países em que a fecundidade declinou repentinamente nos últimos anos (especialmente as nações de renda média e em desenvolvimento) e países onde a fecundidade se mantém baixa há muitos anos, que inclui principalmente nações da Ásia, Europa e América do Norte.

Desde a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, realizada no Cairo (Egito) em 1994, a saúde e os direitos reprodutivos têm melhorado significativamente em todo o mundo, segundo a ONU. As pessoas têm mais acesso a informações sobre seus direitos reprodutivos e escolhas e maior possibilidade de exigir seus direitos. “A transição histórica para uma fecundidade menor surgiu por meio de pessoas que reivindicavam o direito de fazer escolhas sobre suas vidas reprodutivas e de ter o número de filhos que queriam, quando queriam”, aponta o estudo.

Apesar da melhora no quadro geral, a maioria dos países ainda está longe de garantir os direitos reprodutivos para todos os seus grupos sociais. Essa, inclusive, é uma das metas previstas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, na chamada Agenda 2030.

“O poder de decidir o número de filhos, o momento de tê-los e o espaçamento entre uma gravidez e outra podem impulsionar o progresso econômico e social dos países. Esse poder de escolha está diretamente relacionado à garantia dos direitos reprodutivos e que foram aprovados por 179 países em 1994. Sem essas garantias, os países não vão conseguir atingir a meta dos ODS”, acrescenta Taís de Freitas.

Situação do Brasil

O Brasil é classificado no grupo de países onde a taxa de fecundidade caiu de forma expressiva nas últimas décadas, atingindo um nível, em alguns grupos sociais, abaixo da taxa de reposição populacional. Apesar disso, quando se desagrega a população em termos de escolaridade, renda e raça, as diferenças na taxa de fecundidade aparecem.

Para Taís de Freitas, da Unfpa, a taxa de fecundidade do Brasil, apesar de estar em declínio, não está batendo com o número de filhos que as mulheres gostariam de ter e é preciso garantir políticas específicas para os diferentes grupos sociais.

De um lado, mulheres brasileiras com mais anos de estudo e com uma progressão maior na carreira profissional têm cada vez menos filhos, muitas vezes menos do que o número desejado, em especial por não conseguir conciliar trabalho e família.

O mesmo acontece quando se analisam os índices de acordo com a renda: nos 20% dos domicílios com maiores rendimentos no país, as mulheres têm taxas de fecundidade que não chegam a taxas de reposição delas mesmas na população (ao redor de 1, frente à taxa de reposição de 2,1).

Na outra ponta, e com número significativo de pessoas, percebe-se que as mulheres com menos anos de estudo ainda têm mais filhos do que desejam. Isso porque, em geral, mulheres com menos escolaridade, rendimento e oportunidades também acabam tendo filhos quando são jovens – e, na maioria, filhos nascidos de gravidez não planejada.

Recomendações

O relatório faz uma série de recomendações para que os países consigam assegurar sintonia entre o número de filhos desejados e os realmente tidos pela população. Um primeiro conjunto de medidas a serem adotadas gira em torno da garantia de acesso a métodos contraceptivos modernos e a informação adequada sobre o assunto, para que as mulheres possam ter condições de escolher entre ter ou não uma gravidez e realizar seu planejamento familiar.

O documento também fala em garantir acesso a serviços de qualidade em termos de saúde sexual e reprodutiva das mulheres, bem como assegurar educação de qualidade, incluindo a educação integral em sexualidade, adequada à idade, além de agir pela mudança de atitudes dos homens, para que sejam mais solidários com os direitos e as aspirações de mulheres e meninas. Também recomenda que, se for o desejo do casal, os países devem tornar mais fácil a decisão de ter mais filhos, possibilitando maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e oferecendo mais creches.

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Mergulhador que salvou meninos da Tailândia é salvo após também ficar preso em caverna

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Foto: Reuters / BBC News Brasil

Um dos mergulhadores britânicos que ajudaram a salvar, no ano passado, os 12 meninos e seu treinador presos em uma caverna na Tailândia teve que ser resgatado de uma caverna nos Estados Unidos.

Na terça-feira, Josh Bratchley estava explorando uma caverna inundada no condado de Jackson, no Tennessee (EUA), mas não conseguiu voltar à sua entrada.

Bratchley ficou 28 horas preso no local até ser resgatado por colegas mergulhadores. Ele foi encontrado esperando, calmamente, num bolsão de ar.

O britânico deveria ter retornado por volta das 15h (horário do Tennessee) de terça-feira. Como não apareceu, foi acionado o alarme.

Autoridades foram informadas ainda na madrugada de quarta-feira sobre o desaparecimento de Bratchley e mergulhadores de diferentes lugares dos EUA foram ajudar na busca do colega.

As equipes de resgate entraram no sistema de cavernas de 120 metros de profundidade por volta das 18h, hora local, e Bratchley foi trazido de volta cerca de uma hora depois.

“Ele estava acordado, alerta e orientado”, disse Derek Woolbright, um dos responsáveis pelo resgate.

“Seu único pedido quando retornou foi que ele queria comer pizza”, emendou Woolbright.

Edd Sorenson, um dos mergulhadores que participou do resgate do britânico, disse que a caverna onde Bratchley ficou preso é de paredes baixas e arenosas, e, por isso, perigosa. “Chegamos ao bolsão de ar e, chocantemente, lá estava ele, calmo”.

“Ele apenas disse: ‘obrigado, obrigado. Quem é você?'”, contou Sorenson.

Bratchley foi examinado por médicos que atestaram que ele estava “estável”. O britânico recusou tratamento adicional.

Ex-membro da Associação de Resgate da Caverna Devon, no Reino UnidoBratchley fez parte equipe de especialistas em mergulho que ajudaram a salvar os 12 estudantes e o treinador de futebol da caverna inundada na Tailândia, em um junho do ano passado.

Os meninos do time de futebol Wild Boars foram passear pela província tailandesa de Chiang Rai com seu técnico e terminaram presos dentro de uma caverna em uma montanha. Ficaram 18 dias presos no local, mas foram todos resgatados com vida.

Bratchley trabalha como meteorologista da força aérea britânica no País de Gales.

Ele foi condecorado pelo trabalho de resgate na Tailândia e entrou, em 2019, para a lista dos agraciados com o título da Ordem do Império Britânico, uma das principais honrarias do Reino Unido.

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Tremor de magnitude 6,1 na escala Richter atinge leste de Taiwan

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Foto: Reprodução /Fonte: Agência Brasil

Um forte tremor de magnitude 6,1 na escala Richter atingiu hoje o leste de Taiwan, informaram os serviços meteorológicos da ilha.

O abalo foi sentido por volta das 13h (6h em Lisboa), com epicentro localizado a cerca de dez quilómetros a noroeste de Hualien, na costa leste da ilha.

Até o momento, não há registro de vítimas ou danos materiais.

O terramoto abalou edifícios na capital da ilha, Taipé, que fica ao norte, a cerca de 115 quilômetros de distância.

Em fevereiro do ano passado, 17 pessoas morreram e 280 ficaram feridas em Hualien, em consequência de um tremor de magnitude 6,4 na escala Richter.

*Com informações da RTP (emissora pública de televisão de Portugal)

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Internacional

Trinta minutos separaram Notre-Dame da destruição total

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Foto: EPA / Ansa

A destruição total da Catedral de Notre-Dame em Paris foi evitada por questão de “15 minutos ou meia hora”, informou nesta terça-feira (16) o secretário de Estado de Interior da França, Laurent Nuñez. Segundo ele, foi nesse lapso de tempo que um grupo de bombeiros conseguiu acessar as duas torres principais do monumento e evitar o colapso.

“Cerca de 20 funcionários, que colocaram suas vidas em perigo, entraram nas duas torres para combater o incêndio de dentro, e isso permitiu salvar o edifício”, afirmou o secretário de Estado de Interior na esplanada da catedral.

Nuñez garantiu que a preocupação das autoridades agora é “a segurança do edifício” e revelou que foram detectados “alguns pontos vulneráveis”, sobretudo nas abóbadas e em uma parte do transepto norte, o que fez com que as autoridades tivessem que esvaziar cinco edifícios vizinhos de forma preventiva.

Os trabalhos para garantir a segurança da estrutura do edifício nos pontos mais sensíveis vão se prolongar durante as próximas 48 horas, acrescentou Nuñez.

Uma vez finalizados esses trabalhos, será possível entrar no edifício para resgatar as obras que ainda permanecem em seu interior, algumas das quais não foram danificadas, acrescentou o secretário de Estado de Interior.

“Os trabalhos de segurança no interior de Notre-Dame de Paris vão durar cerca de 48 horas, o que permitirá (…) aos bombeiros entrar com o pessoal do Ministério da Cultura para recuperar as obras”, disse Nuñez.

Homenagem

Os sinos das 103 catedrais católicas francesas soarão na quarta-feira às 18:50 locais (14:50 em Lisboa), “hora do início do incêndio na Notre-Dame”, anunciou nesta terça-feira a Conferência de Bispos de França.

Trata-se de exprimir “solidariedade com a diocese de Paris”, adiantou no Twitter a conferência, que considera que o incêndio no emblemático monumento da capital “é um choque para muitos mais do que apenas os católicos” franceses.

As chamas, que destruíram a flecha (uma das torres centrais) e uma grande parte do telhado da catedral, demoraram cerca de 15 horas até serem debeladas.

Os investigadores agora analisam a possibilidade de o fogo ter começado ao nível do andaime das obras de renovação do telhado. Um inquérito por “destruição involuntária por fogo” foi aberto.

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