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Internacional

ONU se diz ‘profundamente preocupada’ com violência na eleição brasileira

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Sede da ONU, em NY Foto: Mike Segar / Reuters

Entidade cobra que líderes políticos condenem publicamente crimes e que investigações imparciais sejam realizadas

Jamil Chade/correspondente em Genebra

A Organização das Nações Unidas (ONU) se diz “profundamente preocupada” com o clima de violência nas eleições brasileiras e cobra que líderes políticos nacionais condenem, explicitamente, tais atos. Numa declaração emitida nesta sexta-feira, 12, em Genebra, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos deixou claro que a situação brasileira tem sido considerada “delicada” por parte do organismo internacional e pede investigações imparciais sobre os crimes registrados. A ONU já havia condenado a facada no candidato do PSL, Jair Bolsonaro, em setembro.

 Também nesta sexta, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos emitiu um comunicado reforçando a preocupação internacional diante da tensão no Brasil. A comissão “condena atos de violência no contexto eleitoral no Brasil e expressa preocupação com a incidência desproporcional em mulheres e população LGBTI”. O órgão ainda fez um “chamado para estimular um debate de ideias pacífico e democrático”.

O acirramento da política em meio à disputa eleitoral tem desembocado em episódios de violência física, facada contra Bolsonaro e até um assassinato. Nos últimos dias, foram registrados no País diversos casos de agressão por motivação política.

 Na capital baiana, depois de se envolver em uma discussão na qual defendia o candidato Fernando Haddad (PT), o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa foi assassinado a facadas dentro de um bar.

Bolsonaro foi questionado sobre o assassinato. “A pergunta deveria ser invertida. Quem levou a facada fui eu. Se um cara lá que tem uma camisa minha comete um excesso, o que tem a ver comigo? Eu lamento, e peço ao pessoal que não pratique isso, mas eu não tenho controle.”

Na quarta-feira, ele voltou ao assunto em seu Twitter, já com um outro tom. “Dispensamos voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim. A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar.” Mas, em uma segunda postagem, ele disse haver um “movimento orquestrado forjando agressões” para o prejudicar, “nos ligando ao nazismo, que, assim como o comunismo, repudiamos”.

Na ONU, o apelo é pelo respeito. “Condenamos qualquer ato de violência e pedimos investigações imparciais, efetivas e imediatas sobre tais atos”, declarou a porta-voz do escritório da ONU, Ravina Shamdasani.

“O discurso violento e inflamatório dessas eleições, especialmente contra LGBTI, mulheres, afrodescendentes e aqueles com visões políticas diferentes, é profundamente preocupante, especialmente dado os relatos de violência contra tais pessoas”, disse Ravina.

“Pedimos a líderes políticos e aqueles com influência a publicamente condenar qualquer ato de violência durante esse período eleitoral delicado, e a chamar a todos os lados para que se expressem de forma pacífica e com o total respeito pelo direito dos demais”, completou a porta-voz.

A declaração não cita nem o nome do candidato Jair Bolsonaro e nem o de Fernando Haddad. Há cerca de um mês, a ONU condenou a facada contra Bolsonaro e, já naquele momento, afirmou estar preocupada com a tensão vivida no País.

Nas últimas semanas, o Brasil está sendo alvo de um acompanhamento específico por parte das agências da ONU no que se refere às eleições presidenciais. O Estado apurou que a entidade decidiu fazer um monitoramento minucioso do que está ocorrendo no País, temendo que a principal democracia da América Latina possa ser afetada por um clima de tensão política inédita desde os anos 80.

Acompanhamento

Escritórios da ONU que lidam com política regional ou direitos humanos têm feito o acompanhamento, com detalhes sobre a situação atual e cenários. A informação tem servido de base para permitir que a cúpula da organização em Nova Iorque e em Genebra esteja atualizada sobre os acontecimentos e possa, eventualmente, reagir com declarações públicas.

O monitoramento não significa qualquer tipo de envio de missão internacional ou dúvidas sobre o processo eleitoral por parte da entidade.

Fontes de alto escalão da ONU indicaram à reportagem que dois temas principais estão sendo monitorados: incidentes de violência e tensão durante o processo eleitoral e o impacto que o resultado poderia ter em termos geopolíticos no hemisfério Ocidental já chacoalhado depois da chegada de Donald Trump no governo dos Estados Unidos.

Antes de deixar o cargo, no fim de agosto, o então Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, Zeid al Hussein, qualificou o discurso do candidato Jair Bolsonaro de “um perigo” para certas parcelas da população no curto prazo e para o “país todo” no longo prazo. Zeid foi substituído logo depois pela chilena Michelle Bachelet.

Confira a íntegra da declaração da ONU, em inglês e traduzida:

“We condemn any acts of violence, and call for prompt, impartial and effective investigation of such acts. The violent and inflammatory speech during these elections, particularly against LGBTI, women, Afro-descendants and those with differing political views, is deeply worrying, particularly given the reports of violence against such individuals.

We call on political leaders and all those with influence to publicly condemn any form of violence during this delicate electoral period, and to call on all sides to express themselves peacefully, with full respect for the rights of others.”

“Condenamos qualquer ato de violência e pedimos investigações imediatas, imparciais, efetivas sobre tais atos. O discurso violento e inflamatório dessas eleições, especialmente contra LGBTI, mulheres, afrodescendentes e aqueles com visões políticas diferentes, é profundamente preocupante, especialmente dado os relatos de violência contra tais pessoas.

Pedimos a líderes políticos e a todos aqueles com influência a publicamente condenar qualquer forma de violência durante esse período eleitoral delicado, e a chamar a todos os lados para que se expressem de forma pacífica e com o total respeito pelo direito dos demais.”

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Internacional

Trump diz que pode começar “grande deportação” em duas semanas

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Foto: Reprodução /Fonte: Agência Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje (23), em postagem no Twitter, que congressistas do Partido Democrata têm até duas semanas para negociar mudanças nas regras sobre asilo e “vazios” legais, antes que ele inicie o que chamou de “grande deportação” de imigrantes ilegais.

“Eu quero dar aos democratas a última chance de negociar rapidamente mudanças simples em asilo e lacunas legais. Isso vai consertar a Fronteira Sul, junto com a ajuda que o México está nos dando agora. Provavelmente não vai acontecer, mas vale a pena tentar. Duas semanas e a grande deportação começa!”, tuitou.

O governo planeja realizar batidas maciças em grandes cidades norte-americanas para deter imigrantes ilegais, que poderão ser expulsos do país. O processo, no entanto, foi suspenso ontem  por Trump para que, segundo ele, parlamentares dos dois principais partidos do país: democratas(oposição) e republicanos (situação) encontrem uma “solução” para os problemas de asilo na fronteira sul.

O anúncio de Trump foi feito logo após a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, democrata, ter dito que o terror será injetado no país.

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Internacional

Tailândia: Caso dos “meninos da caverna” completa 1 ano

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Meninos resgatados da caverna na Tailândia Foto: EFE/Pongmanat Tasiri

De excursões internacionais a filme na Netflix. Assim pode ser resumido o último ano dos 12 meninos e do técnico de futebol que ficaram presos em uma caverna no norte da Tailândia, de onde foram resgatados duas semanas depois em uma comovente operação.

Atualmente, os meninos continuam os estudos e o treinador abriu a própria escolinha de futebol em uma tentativa de voltar à normalidade, mas a fama faz com que eles sejam reconhecidos em todo lugar e suas redes sociais atraem milhares ou dezenas de milhares de seguidores.

Neste domingo (23), faz um ano desde aquele 23 de junho quando os garotos – com idades entre 11 e 16 anos na época – e o professor, de 25, do time Javalis Selvagens entraram em uma gruta na província de Chiang Rai e ficaram presos nela por causa de uma inundação provocada por uma tempestade.

Depois de dias sem notícias do grupo, o medo de que não estivessem vivos tomou conta de todos que acompanhavam o caso, mas mais de duas semanas depois eles foram resgatados por uma equipe internacional de mergulhadores, em uma operação que foi acompanhada pela imprensa do mundo todo.

Por conta dos compromissos comerciais, os jogadores e o treinador quase não conseguem falar com a imprensa, enquanto a empresa criada pelos responsáveis dos meninos, a 13 Tham Luang (referência ao número de pessoas presas e ao nome da caverna), se encarrega de zelar por seu direito de imagem.

– Os meninos estão bem, felizes e vão à escola normalmente. Dizem que aprenderam muito depois de ficarem presos na caverna. Depois de receber o apoio de tantas pessoas, eu acho que serão bons para sempre – disse à Agência Efe Weerachon Sukhontapatipak, porta-voz do Escritório do primeiro-ministro e que também está à frente do comitê do governo criado para proteger os interesses do grupo.

Uma das novidades na vida deles foi a proposta da produtora SK Global de fazer um filme sobre a impressionante história. De acordo com o porta-voz, o longa ainda está em fase de pré-produção, mas já se sabe que será exibido pela Netflix. A direção será do americano Jon M. Chu e do tailandês Nattawut Poonpiriya.

O treinador, Ekapol Chanthawong, montou sua própria equipe em Mae Sai, a humilde cidade onde vive perto da caverna de Tham Luang, e tem mais de 183 mil seguidores no Facebook.

Um dos jovens, Phonchai Khamluang, que completou 17 anos, tem 12.179 seguidores no Facebook e algumas fotos postadas, como uma com os amigos dos Javalis no Old Trafford – estádio do Manchester United -, ou outra em uma plantação de chá na Tailândia, ganharam mais de 3 mil curtidas.

O resgate, que manteve o mundo apreensivo, já virou história para dois livros e gerou uma onda de generosidade.

Eles foram achados por dois mergulhadores britânicos no dia 2 de julho em uma gruta escura, onde sobreviveram sem comida e bebendo a água que minava das paredes. A meditação também foi importante para manter a calma em um ambiente frio e úmido.

Entre 8 e 10 de julho, os meninos e o treinador, que não sabiam nadar, foram sedados e retirados da caverna ao longo de quatro quilômetros. Os mergulhadores precisaram de três horas em média para tirar cada um deles, já que o lugar estava parcialmente inundado.

Dois meses depois, o treinador e três garotos, que eram apátridas, receberam a cidadania tailandesa.

Depois da odisseia, o grupo já viajou para o Reino Unido, assistiu aos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires e foi entrevistado pela popular apresentadora americana Ellen DeGeneres, entre outros eventos internacionais.

Neste domingo, acontece uma corrida para comemorar o dia do resgate da caverna, onde agora existe um museu dedicado à história, com uma estátua de bronze do mergulhador tailandês Saman Kunan, que morreu na operação.

*Com informações da Agência EFE

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Internacional

Israel homenageia Trump com assentamento judaico

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Foto: Reprodução / *Com informações da Agência EFE

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou neste domingo (16) a construção de um assentamento judaico chamado Colina Trump no território sírio ocupado das Colinas de Golã, em homenagem ao presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. A Colina Trump só será estabelecida quando for formado o novo governo após as eleições de setembro.

Em reunião de gabinete feita de maneira extraordinária nas Colinas de Golã ocupadas na Guerra dos Seis Dias de 1967, o governo interino israelense aprovou o estabelecimento de uma colônia que terá o nome do presidente americano, que em março reconheceu a soberania israelense sobre o Golã, um território ocupado segundo as resoluções da ONU e anexado unilateralmente por Israel em 1981.

– Estamos vivendo um dia histórico – expressou Netanyahu, que enfatizou a importância de “construir uma nova comunidade nas Colinas Golã, algo que não era feito há muitos anos”.

O premiê acrescentou que a criação da nova colônia é um ato sionista. Ele descreveu Trump como “grande amigo do Estado de Israel” e agradeceu novamente por ter reconhecido a soberania israelense sobre esse território.

Netanyahu mencionou também que este ato tem uma grande carga simbólica e representa a continuação do controle das Colinas de Golã, onde disse que Israel continuará fazendo construções e se desenvolvendo para todos os seus cidadãos.

A cerimônia, realizada no território onde será criado o assentamento e no qual foi inaugurado um grande cartaz com o nome Colina Trump, contou com a presença do embaixador dos EUA em Israel, David Friedman, que expressou gratidão pela decisão, agradeceu pela reunião governamental e classificou a criação do assentamento como um gesto “merecido e, antes de tudo, muito estimado” que representa a força da aliança entre ambos os países.

Israel controla desde a Guerra dos Seis Dias de 1967 dois terços das Colinas de Golã. Alguns países não reconhecem sua soberania nesse território.

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