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Piloto é condenado a 23 anos por matar esposa e o femicídio recrudesce na RMB

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Júri durou dois dias no Fórum Criminal de Belém

O piloto da aviação civil Marcos Ano Bom Cabral Barbosa, 41 anos, acusado de matar por estrangulamento da esposa, Elza Cristiane Paes Barbosa, 24 anos, foi condenado a 23 anos de prisão, nesta terça-feira ( 18), após dois dias de sessão do 3º Tribunal de Júri de Belém, presidido pela juíza Ângela Alice Alves Tuma. O sentenciado vai apelar da decisão em liberdade. Ele ficou preso, na fase do inquérito policial, por 30 dias, mas foi colocado em liberdade por força de habeas corpus.

O crime ocorreu na madrugada do dia 12 de abril de 2003, no apartamento do casal, localizado no Condomínio Almirante Barroso, bairro Marco, em Belém.

A decisão acolheu a acusação sustentada pelo promotor de justiça José Maria Gomes dos Santos, que atua na promotoria de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Belém. O advogado Djalma Farias, habilitado pelo pai da vítima atuou como assistente de acusação, junto ao processo.

Segundo a promotoria, o réu cometeu homicídio qualificado por motivo fútil, através de meio cruel, por estrangulamento, e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A pena prevista é de 12 a 30 anos de reclusão, em regime inicial fechado. O motivo do crime, conforme a acusação, foi o fato da vítima ter desistido de sair de casa com o marido e ter saído com uma amiga. O piloto também foi acusado de agredir a esposa, que dois meses antes requereu separação judicial.

A defesa do réu foi formada pelos advogados César Ramos da Costa e Anete Denise Martins que sustentam a negativa de autoria. A alegação da defesa é de que a vítima teria cometido suicídio, mas a tese foi rejeitada pelos jurados. Entre os argumentos usados pela defesa para justificar o suicídio seria de que a jovem fazia uso de medicação para emagrecimento, contendo substância a base de diazedipino e anfetamina, que lhe causaram transtornos e a alucinações e que seria desaconselhável para pessoas com tendências suicidas.

Na noite anterior ao crime, a Elza saiu com uma amiga, ocasião em que teriam bebido, pois foi constatada na necropsia ingestão de pequena quantidade de álcool.  Os advogados também alegaram, com base nas declarações do réu, que havia histórico de suicídios na família, e de que a vítima tentou contra sua própria vida em duas situações anteriores e que o marido chegou e socorreu a mulher com ajuda de uma  babá.

A sessão de Júri iniciou segunda-feira, 17,  com depoimentos da promotoria, seguidos pelas testemunhas da defesa e de acusação. No total, foram 12 depoimentos, que se estendeu por todo o primeiro dia. No segundo dia, os trabalhos do júri foram retomados com informações prestadas por Luiz de Gonzaga Malcher, médico forense, contratado como assistente técnico da defesa do réu.

Por quase todo o dia e parte da tarde, o médico procurou responder às perguntas dos tribunos, inicialmente feitas pela defesa e em seguida pela promotoria, sempre emitindo parecer sobre informações relacionadas aos laudos do processo. Entre eles foram exaustivamente discutidos o primeiro laudo de necropsia feito pelos peritos do IML, no corpo da vítima, e por peritos da Policia Federal, além de laudo de levantamento de local também a cargo de peritos do IML da Policia Federal.

O médico Luiz de Gonzaga, que foi diretor do Instituto Médico Legal, esclareceu aos jurados as diferenças que ocorrem em casos de esganadura, estrangulamento e enforcamento e que no caso da esposa do piloto se tratou de enforcamento, indicando ter sido suicídio.

Nos depoimentos colhidos no primeiro dia, todas as testemunhas, pais e tias da vítima, declararam desconhecer que a vítima tomava medicação para emagrecimento, pois tinha compleição física compatível com sua estatura de 1,60 m, e que na sua família nunca houve histórico de suicídios, e que desconhecem o suposto parentesco com duas pessoas que teriam cometido suicídio.

Os familiares relataram nos depoimentos o histórico de violência que jovem sofreu. Ela casou por ter ficado grávida e ter perdido a mãe na adolescência. O relacionamento do casal durou pouco mais de dois anos. Meses antes de ser morta, a jovem que tinha registrado ocorrência de violência doméstica e requereu na justiça separação de corpos por conta da agressividade do marido.

INTERROGATÓRIO

No interrogatório, o réu se declarou inocente e alegou ele e a mulher levavam uma vida normal de casal. No dia anterior à morte de Elza, o piloto disse ter falado com ela e marcaram de sair à noite com amigos da aviação civil. Iriam a uma casa de shows. Na versão do piloto, ele saiu só com porque a vítima desistiu de acompanhá-lo, aborrecida porque o piloto demorou a retornar de um bar, onde se reunia com amigos.

Ao retornar para casa, por volta das 2h do dia 12/04/2003, o piloto alega que encontrou a esposa enforcada no punho de uma rede, no quarto do casal. No quarto ao lado, estavam a babá Sue Anne e o filho da vítima de pouco mais de dois anos.

A babá afirmou que não ouviu e nem viu nada e só despertou com o patrão, que desesperado, tentou reanimar a mulher e pediu a para chamar um táxi. Ela permaneceu no apartamento com a criança e depois a para uma tia da vítima.

O piloto contou que retirou os punhos da rede do pescoço da mulher e que tentou reanimá-la com respiração boca a boca, sem êxito. Resolveu então levá-la ao Pronto Socorro, embora sabendo que a jovem possuía plano de saúde privada do pai. Ao ser constatado que a mulher chegou morta, ele saiu do PSM no mesmo táxi e foi até a casa do pai. Ambos se sentiram mal e foram levados uma clínica particular, onde permaneceram por toda a manhã.

Quando Marcos retornou para casa, a Polícia já estava com a intimação para comparecer à Delegacia, onde encontrou os familiares da vítima, que o acusaram de assassinar a mulher. O réu justificou que, por esse motivo, optou por não comparecer ao velório e nem no enterro da esposa e disse ter sido privado pelos familiares da mulher.

 

FEMICÍDIO SE INTENSIFICA NA RMB

Em menos de 24 horas, três mulheres foram mortas na região metropolitana de Belém. Duas tiveram os corpos abandonados em áreas de mata. Isso mostra que o feminicídio está se intensificando na RMB, em que as autoridades possam fazer nada para evitar

Na manhã desta terça-feira (18), Kalícia Rodrigues, foi morta após ser atingida com quatro tiros, disparados por atiradores que, segundo testemunhas, estavam em um carro branco. Kalícia não resistiu e morreu na hora. Os assassinos fugiram. O crime aconteceu no Km 5 da estrada de Vigia, em Santa Izabel do Pará. Uma das linhas de investigação aponta para crime passional. Amigos da vítima suspeitam que o ex-namorado seria o mandante.

Pouco depois, um segundo caso de assassinato a uma mulher é registrado. O corpo da jovem Mara Castro Monnarca, de 29 anos, ex-Miss Mosqueiro 2012, foi encontrado em uma área de matagal no bairro Santa Clara, em Marituba. Segundo a polícia civil, Mara tinha perfurações pelo corpo, o que indica ter sido morta a facadas. A motivação e a autoria do crime ainda estão sob investigação.

Na manhã desta quarta-feira (19), equipes do IML foram acionadas para fazerem a remoção de um corpo de uma mulher, ainda não identificada, encontrado por populares em uma área de mata no Bairro Distrito Industrial, em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém.

Apesar da maioria dos assassinatos de mulheres estar relacionado à violência doméstica, nestes casos o envolvimento com a criminalidade e tráfico de drogas, também podem ter relação com as mortes., admitem autoridades policiais,

 

 

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