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BELÉM

População não respeita a sinalização que considera insuficiente

O Liberal

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Mesmo em locais onde a sinalização é boa, acidentes ocorrem e isso reflete o comportamento de motoristas

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) tem cerca de 200 placas e sinais gráficos. Na teoria, todos deveriam ser minimamente conhecidos e totalmente respeitados por todo motorista habilitado. Na prática, a realidade é outra. Pelo menos é o que considera o pedagogo especialista em trânsito Rafael Cristo. Além de motoristas paraenses não dominarem o glossário das placas, muitos simplesmente ignoram. E há ainda problemas de falta de sinais horizontais e verticais. Todos esses fatores combinados levam a acidentes.

Cristo explica que há seis tipos de sinalização, sendo que as mais comuns do dia a dia são as de regulamentação, advertência e informação. Mesmo essas, revelam um desvio comportamental de motoristas, pois, deliberadamente, muitos ignoram até ambientes bem sinalizados. Por outro lado, há locais que carecem de sinalização e favorecem a violência no trânsito. Ele critica a formação padrão das autoescolas, que não preparam o motorista para lidar com uma legislação tão ampla.

“Se não há sinalização suficiente, pode gerar acidentes. Mas quando tem e não há respeito, se revela o problema de comportamento. O volume de sinalizações é imenso, mais resoluções e outras legislações que não são trabalhadas nas autoescolas. Quando levamos tudo isso para as vias públicas, vemos que as pessoas não conhecem. E essa sinalização precisa estar visível e bem acessível. É preciso investir nisso e também no comportamento dos motoristas. Isso reduz a violência no trânsito

O Departamento de Trânsito do Estado (Detran) informa que, em 2019, de janeiro a novembro, 1.234 acidentes de trânsito foram causados por avanço da preferencial e 290 por avanço do sinal no Pará. Os dados de 2020 ainda estão sendo contabilizados. Sobre as novas regras do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) em relação aos radares, o Detran informa que há um planejamento em curso para a sinalização e instalação de radares fixos nas vias fiscalizadas pelo órgão que registram os maiores índices de acidentes.

No dia 10 de outubro, um sábado, a auxiliar de limpeza Ivaneide Mourão, de 38 anos, estava saindo do trabalho. Pegou carona na moto de um amigo e estava indo para casa descansar. Eles iam dobrar da Augusto Montenegro para a pegar a Mario Covas. O sinal estava aberto para eles, mas outra pessoa, de carro, avançou o sinal e bateu neles, que estavam sem capacete. Ivaneide fraturou o fêmur e já passou por duas cirurgias, no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua. Segue internada.

“O homem do carro até parou pra prestar socorro e o meu amigo teve menos ferimentos. O meu foi mais grave e estou me recuperando ainda. Mas isso mostrou que as pessoas ou não entendem ou não respeitam a sinalização. Muitos acidentes não ocorreriam se a sinalização fosse boa e os motoristas respeitassem. Eu tive sorte e estar viva. Então acho que precisamos de melhor sinalização, mais tempo e melhor comportamento dos motoristas”, disse Ivaneide. O local onde ocorreu o acidente é bem sinalizado. Assim como no Entroncamento, onde no último dia 3, um ciclista foi atropelado e morto por um ônibus. O rodoviário avançou o sinal.

Semob diz que faz estudos constantes para mudanças na sinalização

Em nota, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) informa que, na capital, há cerca de 411 cruzamentos semaforizados e que o órgão “…tem investido na modernização dos aparelhos, como a instalação de painéis com contadores regressivos, proporcionando aos condutores uma maior noção do tempo restante para mudança de sinal, substituição de antigos semáforos por equipamentos com lâmpadas de LED, que possuem maior luminosidade, além da instalação de semáforos com botoeiras eletrônicas sonorizadas, que auxiliam pessoas com deficiência visual na travessia das vias”.

A Semob garante que “…realiza estudos frequentes nos corredores de tráfego mais movimentados da cidade para verificar a necessidade de implantação de aparelhos semafóricos e que após a finalização das pesquisas de contagem volumétrica – que verifica o número de pedestres que atravessam no local e o número de veículos que trafegam na via, sobretudo em horários de – for comprovada a necessidade de semáforo, o mesmo é instalado”.

José Oliveira, de 40 anos, mora próximo de um complicado cruzamento: travessa Coronel Luiz Bentes com a rua do Una. Há passagens e bifurcações que aumentam os fluxos de veículos e destinos. Só há sinalização gráfica no chão. Não há semáforo. “Acidentes aqui são constantes. Motos, carros, pedestres, sempre é uma confusão aqui. Precisamos de semáforos e pintura. Fizeram algumas recentes, mas já estão apagando. Belém, em geral, não tem sinalização eficiente e quando tem, não respeitam. Pedro Álvares cabral, por exemplo, é uma confusão de desrespeito”, criticou.

Ida Barros, de 73 anos, mora na Cremação, perto de um cruzamento que, por anos, gerou vários acidentes: rua dos Pariquis com travessa 3 de Maio. Há algum tempo, após várias reclamações, o cruzamento foi semaforizado. Os problemas praticamente acabaram. “Antes era muito acidente mesmo. Graças a Deus, depois desse semáforo, parou. Ainda tem quem não respeite e é mais quem está de moto. Acho quando tem sinalização boa, tudo fica melhor. Só que muito lugar não tem e fica difícil”, critica.

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