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Medicina & Saúde

Primeiro transhomem a ser operado no Brasil, João Nery prepara livro

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Psicólogo e escritor transexual João W. Nery, primeiro transgênero masculino a ser operado no Brasil, em redesignação sexual feita no ano de 1977, que aos 68 anos enfrenta câncer cerebral estágio 3.

Pelo Facebook, ativista anunciou câncer no cérebro na última semana

 

Por Vinícius Lisboa /Agência Brasil 

Rio de Janeiro – A primeira ruga na testa de João W. Nery apareceu quando ele tinha 29 anos. A transição para adequar seu corpo ao gênero masculino estava apenas no início e aquela linha de expressão acabou sendo bem vinda.

“Eu até gostei, porque deu um ar mais masculino. Qualquer besteira para quem não tomava hormônios já era algo. Comecei a ler A Velhice, da Simone de Beauvoir. Foi a primeira vez que eu pensei na morte”, disse João W. Nery em entrevista exclusiva à Agência Brasil.

A preocupação com a saúde aumentou na semana passada. Aos 68 anos, o primeiro homem transexual a passar por cirurgia de redesignação no Brasil, João W. Nery, recebeu o diagnóstico de que o câncer no pulmão, em tratamento há um ano, chegou ao cérebro. O ativista e escritor foi às redes sociais e dividiu a notícia com seus seguidores, provocando uma onda de solidariedade. Na próxima segunda-feira (17), ele fará a primeira sessão de radioterapia no cérebro, complementando as que já faz nas glândulas suprarrenais, onde também tem nódulos.

Psicólogo e escritor transexual João W. Nery, primeiro transgênero masculino a ser operado no Brasil, em redesignação sexual feita no ano de 1977, que aos 68 anos enfrenta câncer cerebral estágio 3.
Psicólogo e escritor transexual João W. Nery, primeiro transgênero masculino a ser operado no Brasil, em redesignação sexual feita no ano de 1977, que aos 68 anos enfrenta câncer cerebral estágio 3. – Fernando Frazão/Agência Brasil

Nery explica que o câncer no cérebro, no estágio três, “não é dos mais curáveis”, mas mantém a esperança, que vem da força de quem enfrentou procedimentos cirúrgicos experimentais na década de 1970 e mudou os documentos quando isso ainda era considerado crime.

Ele afirma que não acredita em Deus, mas não se considera ateu. Para Nery, afirmar que Deus não existe é tão dogmático como afirmar que ele existe. “Não sou nada místico. Não fui criado em religião nenhuma. Eu não tinha essa noção de pecado, então, nunca senti culpa pelo que eu sou. Mas também não tive as bengalas místicas que às vezes fazem falta”.

O ativista percebeu a doença quando teve desmaios súbitos e convulsões, e a confirmação de que o câncer havia chegado ao cérebro veio no último mês de agosto. A mensagem publicada no Facebook, segundo ele, foi “para deixar os meninos de sobreaviso” e para que vençam a timidez e não parem de lutar por seus direitos.

Nery organizou grupos de apoio para homens trans em todos os estados brasileiros, disponibilizou sua página no Facebook para que candidatos transexuais de todo o país divulgassem suas plataformas e participou de iniciativas para aumentar a empregabilidade da população trans, como o site Transempregos.

União

Aos jovens trans que o procuram para pedir conselhos e dividir suas angústias, o ativista pediu união. “Muitos garotos vem falar comigo que estão sofrendo transfobia dos próprios trans, porque não são sarados, não fazem academia e não tinham se hormonizado”, destacou.

“A transfobia causa muito sofrimento, então o que o transmasculino quer é fugir dessa dor, é fugir dessa discriminação, em princípio. Então, se hormonizando, tendo barba, engrossando a voz consegue se fazer inteligível para a sociedade e sofrer menos transfobia. Posso entender isso perfeitamente. Agora, isso não contribui para o movimento trans, até porque ele, muitas vezes, não quer ser reconhecido como trans, mas como homem cis”, completou.

Pai de um homem de 29 anos que é casado e heterossexual, João W. Nery acredita que é preciso criar homens sem medo do feminino. “Meu filho é tudo para mim. Ele é um homem bonito por dentro e por fora. É muito inteligente e carinhoso”, disse, lembrando que comemorou recentemente a entrada do filho no mestrado.

Nery se considera um homem feminino e feminista e afirma que o machismo é a grande patologia da sociedade. “É o machismo que deveria estar no CID (Cadastro Internacional de Doenças). Ele é a grande patologia social. Todo machista deveria se tratar, porque o machismo mata e mata feio. O feminicídio é uma loucura, fora os estupros corretivos que sofrem os homens trans e as lésbicas.”

Novo livro

Psicólogo e escritor transexual João W. Nery, primeiro transgênero masculino a ser operado no Brasil, em redesignação sexual feita no ano de 1977, que aos 68 anos enfrenta câncer cerebral estágio 3.
Psicólogo e escritor transexual João W. Nery, primeiro transgênero masculino a ser operado no Brasil, em redesignação sexual feita no ano de 1977, que aos 68 anos enfrenta câncer cerebral estágio 3. – Fernando Frazão/Agência Brasil

João Nery é autor de Erro de Pessoa, Viagem Solitária e participa da coletânea Vidas Trans. Nos últimos seis meses, ele trabalhou em seu próximo livro, Velhice Transviada. Segundo ele, a obra está praticamente concluída e já tem editora para publicação. O livro traz uma biografia atualizada do ativista, suas reflexões sobre a transexualidade na velhice e colaborações de outros LGBTs idosos.

“A velhice na nossa cultura é a partir dos 60, mas se uma mulher trans, por exemplo, fez 50, ela já é uma sobrevivente. Já pode se considerar uma mulher velha. E não tem asilo para os trans velhos, não tem saúde específica para atendê-los. Eles muitas vezes não têm estudo e não têm casa para morar”, destacou.

Nery conta que recebe relatos de idosos trans que tentam reverter a transição e fingir ser do sexo oposto para serem aceitos nos asilos. “É uma morte social”.

Impossibilitado de viajar, Nery gravou um vídeo para participar do I Congresso Internacional Multidisciplinar em Sexualidades, que acontece nesta semana na Universidade de Campinas.

Sempre presente em eventos acadêmicos e do movimento LGBT, ele será homenageado com a concessão do título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), que aprovou a honraria por unanimidade em 22 de agosto.

Os problemas de saúde também o afastaram da militância. O ativista defende que os homens trans precisam ocupar espaços políticos e conquistar protagonismo de suas lutas. Na mensagem publicada na semana passada no Facebook, ele pede coragem. “Não se acovardem. Ser o que somos não tem preço. Viver uma mentira nos enlouquece”.

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Regional de Marabá realiza campanha de captação de sangue 

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Nesta semana, o Hospital Regional do Sudeste do Pará – Dr. Geraldo Veloso (HRSP), em Marabá, realizará a sua 34ª Campanha de Doação de Sangue. A ação será realizada até sexta-feira (14), no Hemopa Marabá, das 7h às 12h30. Na terça-feira (11), as coletas também acontecerem em um posto volante montado no HRSP, das 8h às 16h30. Nesta edição, a meta é coletar ao menos 120 bolsas de sangue.

Para ser um doador é preciso ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação ocorra, no máximo, até os 60 anos e que os menores de idade tenham autorização dos pais ou responsáveis; estar em boas condições de saúde, bem alimentado e não ter ingerido comida gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação; pesar, pelo menos, 50 kg; ter dormido, no mínimo, seis horas nas últimas 24 horas;  e apresentar documento oficial com foto, como carteira de identidade, carteira de trabalho, certificado de reservista, carteira do conselho profissional ou carteira de habilitação.

Anualmente, o Hospital Regional de Marabá realiza três campanhas de doação de sangue, a fim de contribuir para repor o estoque de sangue do hemocentro local. A Unidade é uma das que mais demandam o Hemopa Marabá, devido ao atendimento a vítimas de acidentes de trânsito, ao volume de cirurgias de média e alta complexidades realizadas e ao atendimento prestado a recém-nascidos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

Nesta edição, o Hospital conta com a parceria da Planet Comunicação, Shopping Pátio Marabá, Clínica de Visão e Cirurgia de Olhos (CVCO) e Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia do Pará – Hemopa Marabá.

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Pescado é apreendido em condições precárias no Lago de Tucuruí

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Uma tonelada e meia de pescados foi apreendida neste sábado (8) em mais uma mega operação de fiscalização no município de Tucuruí, sudeste paraense. O pescado era mantido em condições insalubres no porto do km 11 e em estabelecimentos residenciais e comerciais em Tucuruí. Além do pescado, foram apreendidos também cinco pássaros, balanças, basquetas e um freezer. Os peixes apreendidos que estavam em boas condições foram doados a comunidades carentes de Goianésia do Pará, Jacundá e Tucuruí.

A operação foi realizada pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio), em parceira com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), a Polícia Militar, Eletronorte, Justiça Federal e as secretarias municipais de meio ambiente de Tucuruí, Goianésia do Pará e Jacundá.

Um diferencial desta operação foi a autorização judicial de busca e apreensão conseguida junto à Justiça Federal pelo procurador autárquico do Ideflor-bio, Benilson Costa. “A Procuradoria Autárquica e Fundacional do Estado teve que ajuizar uma medida na Justiça Federal, pois essa era a única forma legal de garantir que as equipes de fiscalização pudessem entrar nos estabelecimentos, onde os pescados eram escondidos e ficavam fora das vistas das frequentes operações na região do Lago de Tucuruí”, conta o procurador.

O que mais chamou a atenção da equipe durante a fiscalização foram as precárias condições de armazenamento dos pescados. Os locais não possuíam estrutura adequada para acondicionar e conservar os peixes de forma higiênica. “Esse é um problema de saúde pública, inclusive, pois a carne dos peixes é altamente perecível e, nesse caso, elas eram destinadas ao consumo”, conta Jossandra Pinheiro, engenheira de pesca do Ideflor-bio.

Além das precárias condições de armazenamento do pescado, a região do Lago de Tucuruí encontra-se no período do Defeso, em que a pesca comercial é proibida por lei durante os meses de novembro e fevereiro. O Defeso visa preservar os peixes durante o seu período de reprodução, a fim de garantir a manutenção do estoque pesqueiro do lago.

Durante o Defeso, as operações de fiscalização no Lago de Tucuruí são realizadas com mais frequência, para coibir a pesca e a comercialização ilegal desses pescados. Entretanto, as últimas fiscalizações haviam sido realizadas principalmente no próprio lago e em feiras públicas. A mega operação deste sábado foi a primeira em que uma Unidade de Conservação estadual do Pará utilizou um mandado de busca e apreensão para garantir o desenvolvimento da fiscalização.

“Esse tipo de ação, com mandado judicial, assim como a presença dos oficiais da Justiça Federal, é muito importante, uma vez que a localidade é alvo constante de fiscalização ambiental, mas muitas vezes sem êxito, porque o pescado está em locais inacessíveis e em que não temos autorização para entrar. Com essa operação, quebramos essa barreira”, destaca Mariana Bogéa, gerente do Mosaico de Unidades de Conservação Lago de Tucuruí.

O Mosaico Lago de Tucuruí é um conjunto de Unidades de Conservação estaduais formado pela Área de Proteção Ambiental Lago de Tucuruí e pelas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Alcobaça e Pucuruí-Ararão. As três UCs compreendem, juntas, cerca de 570 mil hectares, os quais abrangem os municípios de Tucuruí, Breu Branco, Goianésia do Pará, Jacundá, Nova Ipixuna e Itupiranga. A pesca no lago de Tucuruí é uma das principais atividades econômicas da região.

 

 

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“Revolução sexual” contra impotência faz 20 anos em 2018

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Médicos celebram disponibilidade de remédios para tratar disfunção

 

Por Gilberto Costa /Agência Brasil  

Brasília – O ano que se encerra neste mês guarda uma marca histórica, especialmente, para os homens. Em 2018, os comprimidos contra a disfunção erétil completaram 20 anos de venda em farmácias do Brasil e de outros países.

A descoberta, feita ao acaso pela ciência que investigava medicação para pressão alta, permitiu a milhões de homens reativar sua vida sexual. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil consideram que a oferta desses gêneros de medicamentos impactou a sociedade. “Foi uma revolução sexual como a pílula [disponível a partir da década de 1960] causou na mulher”, avalia Carlos da Ros, chefe do Departamento de Sexualidade e Reprodução da Sociedade Brasileira de Urologia.

“Foi uma revolução sim”, concorda o também urologista Osei Akoamo Jr. “Trouxe de volta uma população que podia ter uma atividade sexual rotineira de qualidade”. Em sua opinião, a medicação permitiu a casais que sofriam com o problema a “felicidade do ponto de vista sexual”.

Além de mudar o comportamento, o advento da medicação contra a disfunção erétil estabeleceu para a ciência novos paradigmas, assinala Lucio Flavio Gonzaga Silva, cirurgião-urologista e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará. Segundo ele, décadas antes da venda de medicamentos “a disfunção erétil era tratada como problema de fundo psicológico. A ciência não sabia como se processa a via metabólica da ereção”.

Princípio ativo

O urologista Carlos da Ros acompanhou de perto a evolução da pesquisa científica na área e participou de estudos de eficácia e tolerabilidade do fármaco citrato de sildenafila feitos no país e outras partes do mundo ainda em 1996.

O princípio ativo testado resultou dois anos depois no pioneiro Viagra (da empresa norte-americana Pfizer) e hoje, após a quebra de patente em meados dessa década, está disponível em medicamentos fabricados por mais de 20 laboratórios instalados no Brasil, conforme consulta à página de produtos regularizados no portal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.

Além do citrato de sildenafila, há no mercado outros medicamentos registrados pela Anvisa com princípios ativos diferentes e a mesma finalidade como os fármacos de tadalafila, vardenafila, e carbonato de lodenafila.

Segundo Carlos da Ros, os homens mudaram de atitude após a venda desses medicamentos. “O tabu era muito forte, uma coisa cultural. Era muito difícil os pacientes chegarem no consultório e dizer ‘estou impotente’. Esse tabu caiu por água baixo. Isso fez com que os homens ficassem mais tranquilos e logo depois do aperto de mão na consulta dissessem: ‘olha meu problema é sexual’”.

“Não tem que ter vergonha em absoluto”, testemunha o funcionário público aposentado Cruz de Almeida, 68 anos, que prefere ser identificado sem o prenome. “A tendência é conversar melhor cada dia. Até recentemente as pessoas costumavam esconder. Escondendo as coisas você não vai ter um tratamento adequado”, opina Almeida que toma 10 miligramas diárias de tadalafil.

O médico Lucio Flavio Gonzaga Silva calcula que por ano um milhão de homens passem a ter que consumir medicamentos contra a disfunção erétil. De acordo com nota do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo, o Sindusfarma, entre novembro de 2017 e outubro de 2018, foram vendidos 68,32 milhões de comprimidos contra impotência sexual.

Conforme dados auditados pela consultoria IVQVIA, nesse período as vendas desses medicamentos somaram R$ 560 milhões. O valor equivale a uma participação de 0,91% no mercado total de remédios no país.

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