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Profissionais do Hospital de Barcarena fazem treinamento sobre HIV e sífilis

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Membros da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) ministraram treinamento sobre o “Projeto Nascer: capacitação em teste rápido e aconselhamento de HIV e sífilis”, nos dias 27 e 28 de novembro, para a equipe assistencial do Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan (HMIB).

O curso, direcionado aos enfermeiros e técnicos de Enfermagem, foi dividido entre teoria e prática. Os temas abordados foram vírus da Aids, sífilis e sífilis congênita. Os funcionários do hospital puderam demonstrar o teste da polpa digital, para melhor entendimento.

De acordo com o coordenador de Enfermagem do HMIB, Geovanny Magalhães, o objetivo é capacitar o corpo funcional. “O intuito de trazer o treinamento para o Hospital é dividido em duas partes. O primeiro, relacionado à sensibilização dos profissionais, e o segundo é a capacitação deles para realizarem o teste rápido, já que todos precisam de habilitação para esta função”, informou.

A unidade segue o princípio da humanização. Para seu cumprimento em todos os âmbitos é necessário este tipo de qualificação, quanto ao aconselhamento do paciente. “Não é apenas instrução técnica. O aconselhamento, em caso de resultado positivo, a forma de dar este resultado ao paciente, tudo faz parte do treinamento, e o colaborador precisa saber”, disse o coordenador.

Sífilis em Barcarena

De acordo com o relatório da Coordenação Estadual de Infecção Sexualmente Transmissível (IST)/Aids, entre 2013 e 2016 foram constatados no município de Barcarena 61 casos de sífilis congênita, que é a transmissão da doença de mãe para filho. A infecção é grave e pode causar má-formação do feto, aborto ou morte do bebê. Por isso, é necessário o pré-natal para o tratamento adequado da mulher e do parceiro.

Segundo a enfermeira Ildemar Fernandes, técnica da Coordenação Estadual de IST/Aids da Sespa, o diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento do recém-nascido e da mãe durante o parto. “Achei imprescindível este treinamento, principalmente porque tivemos um espaço específico e conseguimos juntar um grande número de colaboradores. Eles me deram um retorno imediato durante o treinamento. O objetivo maior é capacitar a equipe para o manejo clínico da infecção pelo HIV e sífilis, para eles fazerem isso aqui na maternidade como prevenção, também. Conversamos sobre como tratar a gestante e o recém-nascido na hora do parto, de acordo com o protocolo, e ter a oportunidade de fazer a prevenção dessas mulheres que portam o HIV e que não sabem, porque não foi possível ser detectado no pré-natal”, ressaltou.

O relatório da Unaids (programa da Organização das Nações Unidas de combate à Aids), divulgado na semana passada, 9,4 milhões de pessoas vivem com o HIV e não sabem que estão infectadas. Se diagnosticado durante o pré-natal, a mãe é tratada e evitará a transmissão do vírus para o bebê. “Na maternidade, a gente consegue fazer uma prevenção para a gestante e o bebê pelo uso dos retrovirais, orientação sobre a não amamentação, e a família recebe a fórmula láctea na saída da maternidade”, acrescentou Ildemar Fernandes.

Anteriormente, apenas alguns enfermeiros do HMIB eram habilitados para realizar o teste rápido na triagem da Unidade de Intercorrência (UAI). Após este treinamento e habilitação dos demais profissionais, os testes serão intensificados tanto na UAI quanto no ambulatório, haja vista que a cada três meses, no pré-natal, deve ser realizado o teste rápido na gestante.

Hospital Materno-Infantil alcança 97% de satisfação entre usuários

Em apenas um mês de funcionamento, o Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan (HMIB) alcançou 97% em satisfação dos usuários, de acordo com o Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU). Nesse período, o hospital teve grande atuação na região em atendimento humanizado, serviços e equipamentos.

“Tivemos apenas oito reclamações/sugestões, segundo os formulários de pesquisa de satisfação geral contabilizados pelo setor neste primeiro mês. Todas elas foram solucionadas durante a permanência do paciente no hospital”, comemora a auxiliar administrativo do SAU, Kalila Rodrigues.

A unidade é gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar sob contrato junto à Secretaria de Saúde Pública do Estado do Pará (Sespa).

Durante  o mês inaugural, foram realizados seis partos naturais e 16 cesarianas – sendo duas de gemelares -, totalizando 22 partos e 24 bebês nascidos na Unidade. Os tipos de parto foram realizados com o consentimento das usuárias, a partir da condiação clínica de cada uma, avaliada pela equipe Multiprofissional. Durante o período, o Hospital não teve nenhum registro de óbito.

O balanço, que corresponde ao período de 8/10 a 8/11, mostra o total de 259 exames laboratoriais e por imagem realizados e 38 vacinas administradas aos recém-nascidos. “Esse quantitativo está ótimo para o nosso primeiro mês. Todos os bebês de alta foram vacinados contra a hepatite e também a vacina BCG, para prevenir a tuberculose. As famílias saíram com a carteira de vacina e foram orientadas a darem continuidade na Unidade de Saúde Básica mais próxima à residência”, afirma a enfermeira responsável pelo Serviço de Apoio Diagnóstico Terapêutico (SADT), Helen Domiciano.

Ao todo, foram registradas 111 entradas na Unidade de Atendimento à Intercorrências. Dessas pacientes, algumas são conterrâneas de Barcarena, outras vieram de municípios da região, como Abaetetuba e, também, de localidades mais distantes, referenciadas pela Central de Regulação da Secretária de Estado de Saúde, como Muaná e Igarapé-Miri.

Primeiros atendimentos

Ana Rita Carvalho, 35 anos, moradora do Km 60 da Alça Viária, foi a primeira pessoa a ser atendida no HMIB no dia 08/10, com entrada pela Unidade de Atendimento a Intercorrências. Gestante de alto risco, chegou na Unidade com dores e sangramento, ficou internada por uma semana e teve alta hospitalar após estabilização do quadro de saúde. Entretanto, com 7 meses de gestação precisou ser hospitalizada novamente e realizar uma cirurgia cesariana de emergência.

“Meu coração só vai ficar ótimo quando puder levar meu filho para casa, mas o que me conforta é que sei que ele está sendo bem cuidado, pois eu também fui bem cuidada por todos aqui nas duas internações. Sei que os profissionais daqui fazem tudo pela gente”, declarou Ana Rita, que está com seu bebê internado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal para cuidados específicos, porém, o estado de saúde dele é considerado estável.

Quem também completou seu primeiro mês de vida foi Samuel, o primeiro bebê nascido no Hospital Materno-Infantil de Barcarena. A mãe dele, Eliana Holanda, chegou na Unidade com diagnóstico de pré-eclâmpsia, considerado estado de saúde grave. Eliana tentou engravidar por nove anos e, segundo ela, a inauguração do HMIB coincidiu com o dia que ela entrou em trabalho de parto. “Estou me recuperando muito bem da cirurgia. Queria agradecer por tudo que foi feito no Hospital, porque foi uma grande benção para todas as mães no município. O Materno foi esperado por tanto tempo e, para a gente, uma benção maravilhosa que Deus proporcionou, sobretudo porque a abertura aconteceu no dia que precisamos”, declarou Eliana.

Após alta, Samuel realizou três exames na Unidade e segue em acompanhamento ambulatorial no HMIB.

Ampliação dos serviços

De acordo com a diretora hospitalar Stéphanie  Valdivia, a perspectiva para novembro é iniciar as atividades do ambulatório, o que refletirá no aumento das demandas. “A Central Estadual de Regulação está habilitando nossos exames e consultas para os municípios solicitarem, por exemplo, mamografia, raios-x e colposcopias. As cirurgias pediátricas e ginecológicas também vão impulsionar o número de internação neste mês”, reitera.

Um dos diferenciais da Unidade são as visitas estendidas, com acompanhantes 24 horas na UTI e UCI, e capacitação para o colaborador por meio de treinamentos diários in loco. “Temos colocado visitas estendidas na UTI Adulto, isso é muito raro. Já conseguimos comprovar que para o quadro da paciente isso é muito bom, porque quando elas estão sozinhas tendem a ficar mais depressivas, mais chorosas, inclusive, descontentes por ficarem tanto tempo na internação. O nosso papel aqui é realmente estimular nelas a motivação, o vínculo com o bebê. São injeções de ânimo para que eles tenham uma evolução e melhora no tratamento”, ressalta a diretora.

Por Carolina Lobo

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