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SAÚDE

Registro de tuberculose resistente triplica no Brasil

Variedade resistente a tratamento tem aumentado incidência Foto: Andrey Bukreev / iStock

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A taxa de incidência de tuberculose preocupa o governo federal – foram 73,2 mil infecções em 2017, média de mais de 200 por dia. E o mais grave: voltou a crescer no País o número de infecções multirresistentes, ou seja, que não respondem aos dois principais medicamentos. Esse número triplicou em uma década, alcançando 1, 1 mil naquele ano – três por dia, segundo dados do Ministério da Saúde obtidos pelo Estado.

Doença diretamente relacionada às condições socioeconômicas da população, a tuberculose registrou aumento, segundo especialistas, principalmente por causa da crise econômica que atingiu o País nos últimos anos, o que teria diminuído os investimentos no sistema de saúde e piorado a vida da população em aspectos que contribuem para a infecção, como moradias inadequadas e sem circulação de ar.

O próprio Ministério da Saúde destaca a crise, ao lado de melhorias no diagnóstico. “O aumento do coeficiente de incidência da tuberculose nos dois últimos anos pode representar uma ampliação do acesso às ferramentas de diagnóstico. No entanto, também pode estar relacionado aos desafios no controle da doença por determinação social, ao lado de uma importante crise econômica pela qual o país tem passado nos últimos anos”, destacou a pasta em boletim epidemiológico publicado no último mês.

O documento mostra que o índice de casos por 100 mil habitantes, que era de 34,1 em 2015, foi para 34,3 em 2016 e alcançou 35,3 em 2017. No ano passado, a taxa teve uma leve queda (ficou em 34,8), mas continua superior ao coeficiente registrado em 2014 e 2015. Somente em 2017, 73,2 mil pessoas foram infectadas pela doença no Brasil, das quais 1,1 mil apresentaram a forma multirresistente da tuberculose, o triplo do registrado em 2009, quando 339 tiveram infecção resistente. O índice de mortalidade por tuberculose permanece estável no País, mas a doença, embora curável e com tratamento gratuito na rede pública, ainda mata cerca de 4,5 mil brasileiros por ano.

Causas

Para médicos especialistas no tema e ativistas no combate à doença, o contingenciamento de recursos públicos é determinante para o cenário. “É uma resposta à deterioração dos serviços de saúde. Há muita rotatividade dos profissionais, eles não recebem o treinamento adequado, não há identificação com a comunidade e o diagnóstico é tardio”, afirma a pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Exemplo de como a tuberculose tem forte ligação com as condições de vida da população é a incidência da doença em favelas cariocas. “Enquanto no Brasil a taxa é de cerca de 35 casos por 100 mil habitantes, na Favela da Rocinha, chega a 300”, comenta Margareth.

Mais análises

Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde, Denise Arakaki, ainda são necessárias análises mais aprofundadas para verificar as causas do aumento da incidência da tuberculose nos últimos anos. “Um ou dois anos de crescimento na incidência é pouco tempo para dizermos se a doença, de fato, voltou a aumentar ou se cresceu a notificação por causa da melhoria no diagnóstico. De qualquer forma, para não sermos surpreendidos no futuro, vamos realizar uma reunião com especialistas no próximo mês para verificar se esse aumento é real e definir o que fazer”, disse ela.

Denise citou ainda, como outro fator que explicaria o aumento, um trabalho mais ativo do ministério nos últimos anos na busca de casos entre a população carcerária, um dos grupos mais afetados.

Sobre as infecções multirresistentes, a coordenadora disse que o número de casos cresceu de forma expressiva por causa da inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS), em 2014, de um teste rápido molecular que verifica a resistência da bactéria a um dos principais antibióticos, a rifampicina. “Os casos diagnosticados estão crescendo, mas a resistência no Brasil continua baixa, principalmente porque aqui os remédios só são oferecidos pelo governo, não são vendidos em farmácia, o que evita o uso indiscriminado”, destaca Denise.

Para Margareth, no entanto, embora a inclusão do teste rápido tenha, de fato, aumentado o número de diagnósticos de casos multirresistentes, esse não é o único fator que explica a alta. “Tem crescido a resistência a alguns medicamentos e, além disso, a ocorrência de casos multirresistentes é favorecida pelas situações dos doentes ditos crônicos, que ficam rodando na rede sem ter diagnóstico ou acompanhamento. Se a doença não é tratada adequadamente, ela pode voltar mais resistente”, diz.

Paciente tem diagnóstico correto só no 3º médico

Foram necessárias três passagens por especialistas e um mês de angústia para que a auxiliar administrativa Érica Barbosa Decaris, de 31 anos, tivesse o diagnóstico. Mesmo com tosse persistente e muita dor nas costas, nenhum dos dois médicos cogitou tuberculose.

“Fui a um pronto-socorro do SUS e o médico disse que era pneumonia. Fiz o tratamento, mas logo depois voltaram os sintomas. Então decidi pagar um clínico particular e ele me disse que era inflamação nos brônquios, mas o tratamento também não adiantou. Só o terceiro médico disse que podia ser tuberculose e me orientou a fazer o exame”, conta ela. “Acho que os médicos não estão preparados.”

Para Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, é “inadmissível” esse atraso na detecção. “É injustificável que, em um país com mais de 70 mil casos, nossos pacientes estejam sendo diagnosticados tardiamente.”

A demora fez Érica iniciar o tratamento quando a doença estava mais avançada. “Eu já estava tossindo sangue e tinha afetado os dois pulmões.” Depois da descoberta, a auxiliar administrativa passou a ir diariamente ao posto de saúde, durante seis meses, para tomar os medicamentos. “No começo foi muito difícil porque eu sentia dores no corpo e enjoos por causa dos remédios, mas me apeguei ao pensamento de que cada dia que eu ia ao posto era um dia a menos no meu tratamento.”

Preconceito

Ela se afastou do trabalho por quatro meses, usou máscara no início do tratamento e dormiu na sala por meses pois, enquanto não estivesse curada, a recomendação era não dividir o quarto. Mas o que mais chateou a paciente foi o preconceito de amigos. “Pessoas me viam na rua com a máscara e não chegavam perto. Sempre fui bem amparada no posto de saúde na parte médica, mas acho que faltou uma rede de apoio psicológico.”

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SAÚDE

Seis exercícios para quem não quer saber de musculação

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Corridas ajudam na perda de peso e aumento da resistência - Divulgação Fonte: correiodoestado Foto: Reproducao
Profissional de educação física traz dicas para abandonar o sedentarismo de vez e adotar hábitos mais saudávei

Na busca por uma vida mais saudável, o exercício físico está no topo da lista de cuidados essenciais, mas que nem todo mundo consegue colocar em prática. Entre as principais reclamações está a falta de afinidade com determinado exercício e principalmente com as academias tradicionais, voltadas para a musculação. 

De acordo com o profissional de educação física, professor e personal trainer, Geovany Rafael Bisol, se sentir deslocado na academia é comum. “Muitas pessoas dizem que não se sentem bem, que não conseguem se sentir fazendo parte de algo interessante ao frequentar uma academia”, explica. 

Porém, isso ainda não é desculpa para abraçar o sedentarismo, que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o quarto maior fator de risco de mortes no mundo. Praticar exercícios físicos é fundamental para prevenir as chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como hipertensão, diabetes, patologias cardiovasculares e até câncer.

O profissional de educação física explica que a melhor saída para abandonar de vez o sedentarismo é encontrar uma atividade que realmente traga prazer. “Nós costumamos observar o perfil da pessoa e o que ela está necessitando no momento para poder escolher a melhor atividade. Às vezes se ela apenas sair do ambiente da academia tradicional já ocorre uma mudança”, esclarece. 

Outro ponto importante antes de começar a praticar é ter em mente que o resultado não é automático. “Os exercícios resultam em benefícios para a saúde, principalmente, e também a estética. O que a pessoa precisa ter é uma boa avaliação física e médica, que pode dar os parâmetros de como está o seu físico atualmente e assim observar o resultado ao longo do tempo”, frisa. Além dos números da balança observe outras mudanças no corpo, como a resistência durante os exercícios, a flexibilidade, a perda de gordura e o aumento da massa muscular. 

Com todas essas dicas em mente, confira seis exercícios que podem te ajudar a deixar de lado o sedentarismo: 

1. Corrida

Bisol explica que a corrida é um excelente exercício, aeróbico e que possibilita a queima de gordura. Para ajudar no processo é interessante integrar algum grupo de corrida. Há vários na cidade. 

2. Funcional 

Famoso na contemporaneidade, os exercícios funcionais auxiliam muito na perda de peso e no ganho de músculo. Bisol explica que, apesar da fama recente, as atividades sem o auxílio de uma máquina são bem antigas. “O treinamento funcional é uma grande modalidade para quem não quer fazer o trabalho de força dentro da academia de musculação. O funcional trabalha com o peso do corpo, é calistênico e é uma modalidade bem antiga, popular na década de 50, por exemplo”, ressalta.

3. Crossfit

Crossfit é uma marca registrada nos Estados Unidos, sendo que a série de exercícios foi criada por Greg Glassman. “O crossfit é um dos esportes que mais cresceu nos últimos anos, justamente pela questão de ter vários exercícios integrados. O Crossfit tem a questão da coletividade, da pessoa se sentir parte de um grupo, o que ajuda a continuar com as atividades”, afirma.

4. Natação

Um dos treinos mais completos do universo fitness, a natação é ótima para aumentar a resistência e proporcionar perda de peso. “Ela melhora o condicionamento físico absurdamente. Há várias academias na cidade que oferecem aulas em piscinas adequadas. Claro que precisa ter a roupa antes, o óculos e outros acessórios, mas ao mesmo tempo é um excelente esporte”, frisa Bisol. 

5. Lutas

As lutas estão crescendo muito entre pessoas de todos os gêneros e idades. “Hoje há mais opções para praticar judô e jiu jitsu, por exemplo. A luta melhora o condicionamento físico e tem locais que mesclam as lutas com treinamento funcional, oferecendo exercícios mais integrais para o corpo”, indica o professor. 

6. Esportes coletivos e individuais

Seja o futebol ou o tênis, praticar esportes também vale a pena e está em alta, segundo o professor. “O tênis, por exemplo, é dinâmico e traz um condicionamento físico bem legal. O futebol é popular por uma questão cultural. Tem crescido muito entre o público feminino. Vejo em quadras que há horários específicos para jogos femininos e as meninas vão parar praticar e confraternizar, como os homens fazem há algum tempo”, diz. 

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SAÚDE

Novo coronavírus: Brasil monitora cinco casos suspeitos

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Foto: Reprodução / Fonte: Agência Brasil

O Ministério da Saúde acompanha cinco casos de pacientes com suspeita de infecção pelo novo coronavírus, sendo uma criança de dois anos. O boletim divulgado nesta terça-feira (18) traz dois casos a mais que o de ontem. Todos estiveram na China, mas nenhum deles na cidade de Wuhan, epicentro da doença. 

“Entraram mais dois casos de São Paulo, então permanecem os dois de ontem e dois novos em São Paulo e o do Rio Grande do Sul permanece desde a semana passada”, disse em coletiva à imprensa o secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabardo.

Segundo o secretário, o paciente do Rio Grande do Sul foi testado para os vírus mais comuns, como H1N1, e os testes deram negativo. Agora, uma amostra está sendo enviada para o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) para análise específica quanto ao novo coronavírus. Três dos pacientes ainda serão testados para vírus gripais.

Gabardo enfatizou que a mobilização para prevenir e conter o vírus continua pelo menos até o começo do inverno. “Nós não vamos reduzir todas essas ações feitas, toda mobilizações feita antes da chegada do inverno, independentemente de até lá nós termos casos confirmados no Brasil”.

Repatriados

A pasta deve divulgar amanhã (19) o resultado dos exames dos brasileiros resgatados da China e dos tripulantes da Força Aérea Brasileira que estiveram envolvidos na ação. No total, 58 pessoas estão em quarentena na Base Aérea de Anápolis (GO) para descartar o risco de contaminação pela doença no Brasil.

Por: Aline Leal

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SAÚDE

Ter uma irmã te deixa mais feliz e otimista, revela estudo

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Fonte Metrópoles

As pessoas que cresceram com as irmãs foram incentivadas a se comunicar abertamente sobre sentimentos, o que lhes deu visão mais positiva

A maioria das pessoas provavelmente vai descrever que irmãos são irritantes, mas que é emocionante crescer ao lado de alguém que compartilha as mesmas experiências. E, embora muitos digam que amem igualmente irmãos e irmãs, uma nova pesquisa descobriu que as pessoas que cresceram com uma irmã têm mais probabilidade de serem felizes e otimistas.

Pesquisadores das universidades De Montfort, no Reino Unido, e Ulster, na Irlanda do Norte, fizeram o estudo com mais de 570 pessoas, com idades entre 17 e 25 anos. Foram feitas perguntas psicológicas sobre vários tópicos diferentes, incluindo saúde mental.

A pesquisa mostrou que os participantes que cresceram com as irmãs foram incentivados a se comunicar abertamente sobre seus sentimentos, o que por sua vez lhes deu uma visão mais positiva da vida.

Um dos responsáveis pela pesquisa, o professor Tony Cassidy, afirmou que irmãs parecem incentivar uma comunicação mais aberta e coesão nas famílias.

“A expressão emocional é fundamental para a boa saúde psicológica e ter irmãs promove isso nas famílias.

Já no caso de irmãos, isso parecem ter um efeito bem diferente. “Pode ser que os meninos tenham uma tendência natural a não falar sobre coisas. Com os meninos juntos, trata-se de uma conspiração de silêncio para não conversar. As meninas tendem a quebrar isso”, demonstrou.

Segundo ele, as descobertas poderão ser muito úteis para famílias que enfrentam situações complicadas, como a separação dos pais, por exemplo.RODOVIÁRIAESTUDOFAMÍLIAIRMÃSIRMÃOSEXPERIÊNCIASFELIZESOTIMISTAS


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