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SAÚDE

Santa Casa trabalha para garantir maior qualidade no atendimento

Foto: Reprodução /Fonte: Agência Pará

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Com ênfase na eficiência da gestão administrativa e economia dos recursos, a direção da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará realiza uma série de ações voltadas ao reforço do quadro funcional, buscando a melhoria do atendimento no complexo que assiste 100% de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e é referência na atenção à gestante de alto risco e ao recém-nascido. À Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) foi solicitada a cessão de 461 servidores para atuação no hospital, e está em andamento o processo de modernização completo da cozinha, que será atendida por empresa contratada por meio de licitação pública.

De acordo com o presidente da Fundação, Bruno Carmona, trata-se unicamente da terceirização de um serviço essencial de apoio prestado a um hospital totalmente público, e que não vai gerar quaisquer exonerações. “Quando assumi a Santa Casa comecei a visitar setor por setor, e as solicitações que mais ouvi foram sobre a problemática de servidores insuficientes, exauridos em carga horária e plantões para manter o funcionamento do hospital. Solicitei à Sespa um reforço que supre a demanda, e aguardamos uma resposta. Como estamos no limite de contratações de temporários em relação à quantidade de efetivos, encontrei no repasse da gestão do fornecimento de refeições uma forma de remanejar servidores às áreas mais demandadas, sem aumento nos custos”, explicou o gestor.

Termo de Referência – Foram quatro meses de levantamentos realizados pelo setor financeiro do órgão para confirmar que a mudança seria viável administrativa e financeiramente, o que incluiu pesquisa de qualidade em hospitais que já usam esse tipo de serviço, como o Hospital Ophir Loyola (HOL) e a Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC). A análise gerou a criação de um Termo de Referência, que norteará toda a atuação da empresa a ser licitada. “Do ponto de vista administrativo, há uma economicidade de gestão, até porque com cozinha própria eram pelo menos quatro contratos de fornecedores de insumos, proteínas, hortifrutis etc. Na nova modalidade, fica tudo centralizado em um só, seguindo rigorosamente as regras impostas. Havendo qualquer descumprimento, se abre espaço para nova licitação”, acrescentou Bruno Carmona. Já está definido que Organizações Sociais (OSs) não participarão da disputa.

Hoje, a cozinha é atendida por 67 efetivos, que a partir da atuação da empresa contratada serão remanejados para outros setores com carência de pessoal, dentro da própria Santa Casa. Cessão para outros órgãos estaduais ou demissões não estão dentro das possibilidades, garantiu o presidente da Fundação Santa Casa. “Precisamos de mais gente em todos os atendimentos. Não podemos deixar de contar com os que já estão conosco”, assegurou.

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SAÚDE

Porque lentes de contato inteligentes podem não ser uma boa ideia ainda

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Foto: Imagem: Mojo Vision / Fonte: Gizmodo Brasil

Imagine colocar uma lente de contato no seu olho e, em vez de apenas enxergar melhor, você pudesse ter uma visão aprimorada do seu ambiente. É isso que a Mojo Vision está dizendo que seu novo protótipo de lente de contato inteligente poderia fazer. Eventualmente. Parece um conceito direto de um filme de ficção científica. Mas enquanto tudo é possível na ficção, a vida real tem limitações muito reais – e há muitas perguntas que a Mojo Vision precisa responder antes que alguém se empolgue com as lentes inteligentes.

O objetivo da Mojo Vision é nobre. Seu primeiro protótipo foi projetado para ajudar pessoas com visão reduzida através de uma tela minúscula de 14.000 ppi. Ele também inclui sensores para ajudar a detectar movimento, além de um rádio para interagir com um dispositivo vestível ou smartphone.

Os relatos das demonstrações feitas na CES observam que um produto totalmente funcional pode ajudar alguém com baixa visão a enxergar no escuro. Mas ajudar a resolver uma necessidade médica não é a única coisa que a mídia tecnológica divulgou sobre esse produto específico e lentes de contato inteligentes em geral. É a ideia de um computador invisível que você coloca nos seus olhos que pode agir como um par de óculos inteligentes.

Já entramos em muitos detalhes sobre os obstáculos enfrentados por óculos inteligentes no Gizmodo, e muitos desses mesmos problemas se aplicam às lentes de contato inteligentes. Dito isto, há outro elemento para as lentes de contato que merece muito mais atenção: o fato de que as lentes precisam ficar diretamente no seu olho. Isso tem implicações importantes para a saúde. Pergunte a qualquer amigo que usa lentes de contato e você provavelmente vai descobrir que conhece alguém que tem dificuldades em tirá-las todas as noites ou garantir que elas sejam desinfetadas adequadamente. Higiene à parte, agora há muitas perguntas no campo dos vestíveis sobre a eficácia desses aparelhos como dispositivos médicos.

O protótipo da Mojo Vision é uma lente escleral rígida, que não é a mesma que a lente macia com a qual você provavelmente está familiarizado. É um tipo especial de lente de contato que repousa na esclera, a parte branca do olho, e é usada para tratar várias condições oculares. A Mojo Vision disse ao Gizmodo por e-mail que um dos motivos pelos quais eles escolheram uma lente escleral é que “toca menos nervos e é muito confortável porque é adaptado à forma do seu olho”. Ela também oferece uma estabilidade que uma lente macia não tem. Outro benefício: as lentes duras não são descartáveis ​​da mesma forma que as lentes macias, o que é bom se você decidir investir em uma tecnologia cara.

Também é útil se você tem visão reduzida. Mas, para as pessoas comuns e saudáveis, não é tão simples, conveniente ou fácil como você imagina para uma substituição futurista do Google Glass.

“As lentes esclerais são dispositivos médicos incríveis que são usados ​​para pacientes com doenças da córnea, astigmatismo irregular ou olho seco severo”, disse ao Gizmodo Suzanne Sherman, professora assistente de ciências oftalmológicas da Columbia University Medical Center. “Embora sejam dispositivos incríveis, eles podem ser um incômodo. Você precisa de uma certa solução – salina – para ser colocada nas lentes. Você precisa de certos produtos para cuidar delas. É mais desafiador colocar”.

Sherman continuou explicando que as lentes esclerais são uma ferramenta médica valiosa, mas não é provável que uma pessoa comum as prefira. Além de exigir um certo nível de habilidade para inserir ou remover, elas também devem estar adequadamente ajustadas ou o paciente pode enfrentar alguns problemas sérios. Se você for um dos primeiros a adotar a tecnologia, pode presumir que poderia ir a uma farmácia e comprar uma solução multiuso para suas lentes inteligentes. Mas a realidade é que usar a solução errada pode resultar em uma reação tóxica.

Além disso, as lentes esclerais precisam ser manuseadas com delicadeza. Os pacientes só podem usá-las por um número limitado de horas por dia. As lentes também precisam ter o mais alto nível de permeabilidade ao oxigênio e não devem complicar cirurgias anteriores. Você também teria que visitar seu oftalmologista regularmente para garantir que tudo está indo bem e nada piorando. É uma grande questão para os consumidores que, em geral, já disseram às empresas de tecnologia com suas carteiras que ainda não precisam de algo como óculos inteligentes.

Existem outras preocupações com lentes de contato inteligentes. No caso da Mojo Lens, é realmente sensato ter um dispositivo projetando luz diretamente nos seus olhos por um longo período de tempo? É difícil dizer porque o Mojo ainda não possui um protótipo funcional. Provavelmente, é um fator que a startup está considerando ao desenvolver seu produto. O Dr. Sherman observou que existem precauções sobre quanta luz direta deve ser refletida nos olhos. Por exemplo, você deve tomar cuidado com ferramentas como lasers, mas também luz natural e luz artificial de telas. Até o sol pode causar danos permanentes se você ficar olhando por muito tempo. Já foram realizados estudos rigorosos sobre como as projeções de realidade aumentada de óculos inteligentes e lentes de contato inteligentes podem impactar a visão ao longo do tempo? Provavelmente não, considerando o quão incipiente é a tecnologia. (Mas deveriam ser feitos antes de um consumidor colocar um dispositivo desses nos olhos.)

A questão do calor também levanta algumas preocupações. A Mojo Lens claramente possui um componente de bateria – afinal, a empresa diz que você precisa carregar e desinfetar as lentes todas as noites. Baterias significam calor. As lentes também vão se carregar via indução sem fio e, se você já usou carregadores de indução sem fio…sabe que os produtos podem esquentar. Nessa frente, a Mojo Vision diz que sua potência alvo para a lente é de 1 miliwatt e que o impacto térmico ou de aquecimento deve ser mínimo. A empresa também afirma que pretende trabalhar dentro das diretrizes da FDA para garantir que o dispositivo atenda aos limites térmicos para dispositivos implantáveis ​​ou próximos ao corpo.

Mas isso não responde a questão de higiene das lentes de contato. A maioria dos amigos que conheço e alguns dos funcionários do Gizmodo que entrevistei são o pior pesadelo de um oftalmologista quando se trata de cuidados com lentes de contato. E, embora seja realmente responsabilidade de cada indivíduo ser diligente sobre como trata seus olhos, também é fácil se viciar em tecnologia e no fluxo interminável de informações. Também é fácil usar atalhos quando se trata de desinfetar adequadamente as lentes de contato da maneira que os oftalmologistas recomendam. E como você pode dormir com lentes macias e ficar bem com elas por um longo período de tempo, muitas pessoas – embora não todas – foram levadas a uma falsa sensação de complacência. Parte desse problema é que é fácil esquecer que seu olho é um órgão.

“Você não teria um dispositivo à venda no mercado para envolver seu fígado, seu coração ou outros órgãos apenas por diversão”, disse Sherman. “Muitas vezes esquecemos que a visão é uma coisa incrível, mas temos que ter cuidado. Esquecemos que as lentes de contato são um dispositivo médico. Se o seu cardiologista disser: ‘Use este dispositivo por 12 horas no máximo, não mais’, você não o utilizará por 15 horas. Mas com os olhos, as pessoas fazem”.

Embora os óculos inteligentes apresentem uma questão cultural única no que diz respeito à privacidade, o fato de que eles são bastante visíveis e facilmente removíveis pode ser uma razão pela qual eles são preferíveis às lentes inteligentes. “Esse [Mojo Lens] soa como um produto incrível, e se não houvesse risco – como no Google Glass em que você o coloca e ele não tocava nos seus olhos – seria incrível”, disse Sherman. “Mas há muito mais risco no uso de lentes de contato do que a maioria das pessoas imagina ou quer reconhecer.”

Isso não quer dizer que não exista nenhum caso de uso para uma lente de contato inteligente. A Mojo Vision tem razão em tentar descobrir uma maneira pela qual a tecnologia possa ajudar pacientes com baixa visão. Mas isso é, novamente, uma necessidade médica. Nesse caso, os benefícios são claros. Mas para os consumidores do mercado de massa?

Idealmente, a Mojo Vision – e empresas com ideias semelhantes – deveria investir na realização de estudos clínicos rigorosos com a FDA [órgão americano análogo à Anvisa], órgãos reguladores e a comunidade médica. Em um e-mail, a Mojo Vision observou que possui três optometristas na equipe e está em parceria com especialistas do setor em optometria, oftalmologia, ciência de baixa visão, software médico, testes clínicos e aprovação regulatória. No entanto, a empresa observou que, no momento, é muito cedo para comentar ou fornecer qualquer informação sobre um prazo para estudos e ensaios de viabilidade – algo que parece uma bandeira vermelha, dados vários relatos afirmando que a Mojo Vision espera ter algo pronto nos próximos dois anos.

Caso contrário, esse ainda pode ser outro caso da tecnologia se movendo rapidamente enquanto a medicina se move lentamente – um problema que afeta muito a tecnologia vestível que espera servir como dispositivos médicos (outro exemplo: o Withings Move ECG). Obstáculos tecnológicos à parte, no entanto, pode ser bom para os consumidores saudáveis ​​realmente pensar se a promessa de lentes de contato inteligentes vale os possíveis riscos e incertezas.

“Os benefícios precisam superar os riscos”, disse Sherman. “Para uma pessoa saudável média, não acho que os benefícios superem os riscos”.

Por: Victoria Song

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SAÚDE

Hospitais no Pará promovem semana especial sobre empoderamento do farmacêutico

Entre os dias 20 e 24 de janeiro, unidades gerenciadas pela Pró-Saúde promovem debate sobre entrega de valor para a sociedade

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Foto: Reprodução / Fonte: Ascon/Pro Saúde

O empoderamento do farmacêutico no ambiente hospitalar será um dos assuntos presentes no debate que envolverá mais de 500 profissionais da área, durante a segunda edição de Farmácia Hospitalar, promovido pela Pró-Saúde, uma das maiores instituições filantrópicas de gestão de saúde do Brasil.

Entre 20 e 24 de janeiro, nove hospitais gerenciados pela Pró-Saúde no Pará participarão de uma série de atividades sobre o tema “Entrega de valor da farmácia clínica para a sociedade”. O evento busca reforçar a valorização no atendimento clínico, marcando o Dia Nacional do Farmacêutico, comemorado em 20 de janeiro.

A proposta é dar sequência ao processo de aprimoramento da atividade farmacêutica e seus benefícios para a assistência ao paciente, em contraposição à uma percepção antiga de ação que resumia o trabalho ao controle e dispensa de medicamentos.

“O objetivo dessa semana é reconhecer o farmacêutico como um profissional fundamental no ambiente hospitalar. Trata-se do empoderamento do farmacêutico, das suas decisões e do seu conhecimento na assistência ao paciente”, ressalta o diretor Médico Corporativo da Pró-Saúde, Fernando Paragó.

Hospitais do Pará realizam ações especiais

Nas unidades gerenciadas pela entidade em todo o País, cerca de 1 milhão de atendimentos são realizados mensalmente. O farmacêutico é corresponsável pela assistência, com atribuições que incluem o diálogo com a equipe médica e de enfermagem sobre o tratamento realizado do paciente.

No Pará, fazem parte da semana especial os hospitais localizados em Altamira, Ananindeua, Barcarena, Belém, Marabá e Santarém. As unidades pertencem ao Governo do Estado, sendo gerenciadas pela Pró-Saúde. Os hospitais localizados em Canaã dos Carajás e Parauapebas também irão desenvolver atividades. Confira a programação abaixo.

Hospital Regional Público da Transamazônica: A programação na unidade em Altamira pretende envolver todas as idades nas ações previstas durante a semana, com atividades de aferição de pressão, coleta de material escolar para doação e até sessão de cinema.

Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência: Em Ananindeua, entre os dias 20 e 21, os profissionais da área apresentam uma encenação teatral sobre atendimento ao paciente,processos da farmácia, além de um quis sobre alta hospitalar. Nos dias 23 e 24, haverá apresentações sobre mitos e verdades sobre medicamentos e situações de contraindicações nas internações para os pacientes e acompanhantes.

Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan: A programação será realizada para colaboradores e população, com palestras na unidade nos dias 20 e 24, e nas Unidades Básicas de Saúde nos dias 22 e 23. Assuntos sobre armazenamento, validade, posologia e administração no horário correto de medicamentos serão abordados.

Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo: A unidade, em Belém, promove palestras que irão abordar o papel do profissional no ambiente hospitalar.

Hospital Público Estadual Galileu: Também localizado em Belém, o hospital contará com atividades lúdicas e treinamentos entre os colaboradores.

Hospital Regional do Sudeste do Pará: Entre os dias 20 e 21, em Marabá, palestras sobre a importância da farmácia clínica e os perigos da automedicação será apresentada aos colaboradores, pacientes e estudantes da área. Nos dias 22 e 23, o hospital promove visitas nas unidades de internação. No dia 24, haverá uma palestra sobre a evolução e perspectivas sobre a profissão.

Hospital Regional do Baixo Amazonas: Em Santarém, a programação irá contar com palestras e minicursos voltados ao público interno e externo. As palestras pretendem abordar a atuação farmacêutica na promoção do uso racional de medicamentos, entre outros assuntos.

Hospital 5 de Outubro: Na unidade em Canaã dos Carajás, a ação contará com ações para envolver colaboradores e usuários. Entre elas, no dia 20, será realizado concurso de frases e a atividade lúdica. Nos dias 21 e 22, terá palestras sobre como evitar interações entre alimentos e medicamentos e descarte correto de remédios. Nos dias 23 e 24, as atividades envolvem ações de farmacologia e nutrição e a entrega do prêmio do concurso de melhores frases da semana.

Hospital Yutaka Takeda: Em Parauapebas, a segunda edição do evento contará com palestras e atividades lúdicas como apresentação teatrais sobre o processo de assistência farmacêutica e blitz de conhecimento. Nos dias 23 e 24, haverá palestras sobre a importância da farmácia clínica hospitalar e o uso de racional de medicamentos, além da sua importância para sociedade.

**Retrospectiva**

Em 2019, na primeira semana voltada a área da farmácia pela Pró-Saúde, o tema escolhido partiu do Desafio Global de Segurança do Paciente, lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que projeta reduzir, em um período de cinco anos, os danos evitáveis associados a medicamentos.

Para alcançar as diretrizes, a entidade lançou novas metas de assistência ao paciente, reestruturando e consolidando a atividade farmacêutica nas unidades gerenciadas. A evolução na organização permitiu que fossem realizadas ações que proporcionam, inclusive, melhorias na relação custo-benefício, com resultados que serão disseminados pela entidade a partir desta segunda edição de Farmácia Hospitalar.

Um dos resultados envolve o Hospital Regional do Baixo Amazonas, na região amazônica. A unidade promoveu uma economia de R$ 1,3 milhão, após adotar um método de organização do uso de medicamentos denominado farmacoeconomia.

A estratégia adotada pelo Hospital Regional, localizado em Santarém (PA), buscou otimizar a utilização de medicamentos e melhorar a assistência ao paciente. A mudança, realizada na aplicação de ferramentas e métodos de trabalho, foi refletida diretamente ao usuário, gerando economia de recursos, mas ampliando o número de atendimentos, além de reduzir o tempo de espera para o início de quimioterapias.

A economia gerada com a gestão de medicamentos também proporcionou investimentos em profissionais na unidade, mantida pelo Governo do Estado, sendo gerenciado desde 2008 pela Pró-Saúde.

A Pró-Saúde é uma entidade filantrópica com mais de 50 anos de existência na gestão de serviços de saúde e administração hospitalar. Com 16 mil colaboradores, é uma das maiores do mercado. Atualmente realiza a gestão de unidades de saúde presentes em 22 cidades de 11 Estados brasileiros — a maioria no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde).  

Por: Adrielle Sousa 

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SAÚDE

Pesquisa aponta que sepse mata duas vezes mais do que o estimado

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(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

A complicação responde por 20% das mortes no mundo, segundo estudo baseado em dados de 195 países. Para os autores, falhas nos registros médicos levam ao recorte subestimado. A maioria das vítimas vive em locais de baixa ou média renda

O sistema imunológico defende o organismo o tempo todo, destruindo vírus e bactérias potencialmente perigosos. Porém esse mesmo exército de células especializadas pode provocar uma reação exagerada diante de uma infecção e, em vez de proteger, acaba levando os órgãos à falência. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece essa condição — a septicemia ou sepse — como um grave desafio global. Contudo, um artigo publicado na revista The Lancet mostra que, até agora, o número de mortes em decorrência dessa complicação estava subestimado. De acordo com os pesquisadores, a mortalidade associada ao problema é duas vezes maior do que se acreditava.Continua depois da publicidade
Uma em cada cinco mortes no mundo é causada pela sepse, garantem os pesquisadores da Universidade de Pittsburgh e da Universidade de Washington. Os cálculos foram feitos a partir de estatísticas de incidência e mortalidade locais, regionais e nacionais, colhidas de 1990 a 2017, de mais de 100 milhões de pessoas, cruzadas com o Estudo Global de Carga de Doenças. Trata-se de uma análise epidemiológica coordenada pelo Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, composto por dados enviados pelos sistemas de saúde do mundo todo, inclusive do Brasil.
Segundo os autores do artigo, as estimativas globais mais recentes de sepse foram baseadas em dados de adultos que deram entrada em hospitais de sete países de alta renda. Dentro desse cenário, a incidência de casos severos foi de 19,4 milhões, com 5,3 milhões de óbitos. Porém, ao se debruçar sobre os dados de 195 países, os pesquisadores encontraram outra realidade: 48,9 milhões de ocorrências mundiais em 2017 e 11 milhões de mortes.
A maioria dos casos — 85% — concentrou-se em países de baixa ou média renda. O impacto maior foi encontrado na África Subsaariana, nas ilhas do Pacífico Sul próximas à Austrália e no sul, leste e sudeste da Ásia. A incidência de sepse foi maior entre mulheres do que homens. Em relação à idade, ela atinge o pico na primeira infância, com mais de 40% de todas as ocorrências na faixa das crianças menores de 5 anos. O Brasil está em uma posição intermediária, com 440 a 540 mil casos anuais em cada 100 mil pessoas. Para fins de comparação, o Canadá tem os menores índices das Américas (120 a 200 em 100 mil), seguido por Estados Unidos e Chile (200 a 270 em 100 mil). Já a Nigéria, entre outros países africanos, registrou a incidência de 2,5 mil a 3,4 mil no mesmo período, 2017.
“A maioria das estimativas nacionais depende de bancos de dados administrativos hospitalares potencialmente imprecisos e usa definições de casos variadas, levando a estimativas díspares mesmo dentro da mesma população e dificultando a comparabilidade ao longo do tempo ou por local”, aponta o autor sênior do artigo, Mohsen Naghavi, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington. “A maioria dos estudos é restrita a pacientes internados nos hospitais e exclui crianças, ignora a causa subjacente da doença e avalia os dados por apenas um ou poucos anos.”

Prevenção

No caso da mortalidade, os números foram ainda mais distantes do que se estimava anteriormente. O pior cenário é o da República Centro-Africana, onde de 50% a 65% dos óbitos registrados em 2017 foram em decorrência de sepse. No Brasil, esse percentual ficou entre 16% a 20%. “Estamos alarmados ao descobrir que as mortes por sepse são muito maiores do que as estimadas anteriormente, especialmente porque a condição é evitável e tratável”, observa Naghavi. “Precisamos de um foco maior na prevenção da sepse entre os recém-nascidos e no combate à resistência a antibióticos, um importante impulsionador da doença.”
Continua depois da publicidadeA principal autora do estudo, Kristina E. Rudd, do Departamento de Medicina Intensiva da Universidade de Pittsburgh, contou, em nota, que foi motivada a pesquisar sobre a realidade da incidência e da mortalidade por sepse depois de trabalhar na zona rural de Uganda, onde, segundo ela, “a sepse é o que víamos todos os dias”. “Assistir a um bebê morrer de uma doença que poderia ter sido evitada com medidas básicas de saúde pública realmente marca você. Quero contribuir para solucionar essa tragédia, por isso participo de pesquisas sobre sepse. No entanto, como podemos saber se estamos progredindo se nem sabíamos o tamanho do problema? Se você olhar para as 10 principais causas de mortes globalmente, a sepse não está listada porque não foi contada”, criticou.
Apesar das estatísticas assombrosas, o estudo também revelou que as taxas estão melhorando. Em 1990, havia um número estimado de 60,2 milhões de casos de sepse e 15,7 milhões de mortes; até 2017, a incidência havia caído 19%, para 48,9 milhões de casos, e as mortes, 30%, para 11 milhões. A causa subjacente mais comum de morte por sepse em 1990 e 2017 foi infecções respiratórias, como pneumonia.
Os autores do estudo destacam algumas medidas que podem ajudar a reduzir mais a incidência da mortalidade. “Para começar, é uma infraestrutura básica de saúde pública. Vacinas, garantia de que todos tenham acesso a um banheiro e a água potável, nutrição adequada para crianças e assistência à saúde materna abordariam muitos desses casos”, diz Rudd. Imunizar-se contra a gripe e pneumonia é essencial, destaca o pesquisador e médico intensivista. “Além disso, precisamos fazer um trabalho melhor na prevenção de infecções adquiridas em hospitais e doenças crônicas, como diabetes, que tornam as pessoas mais suscetíveis a infecções.”

Dieta ocidental pode agravar a condição 

O risco de desenvolver sepse grave pode ser maior em pessoas habituadas a consumir uma dieta ocidental rica em gordura e açúcares, segundo estudo da Universidade Estadual de Portland. O artigo, publicado na revista Pnas, analisou como esse estilo de se alimentar interfere na gravidade e nos prognósticos da reação do organismo a uma infecção, capaz de levar a choque e falência de órgãos.
No estudo, ratos que foram alimentados com a dieta ocidental — caracterizada por ser pobre em fibras e rica em gordura e açúcar — mostraram aumento da inflamação crônica, gravidade maior da sepse, e taxas de mortalidade mais altas do que camundongos que receberam uma dieta normal. Brooke Napier, principal autora da pesquisa, diz que as descobertas sugerem que as cobaias tinham sepse mais grave e estavam morrendo mais rapidamente por causa de algo em sua dieta, não devido ao ganho de peso ou ao microbioma, a comunidade de bactérias do corpo.
“O sistema imunológico dos ratos na dieta ocidental parecia e funcionava de maneira diferente”, conta ela. “Parece que a dieta está manipulando a função das células imunológicas para que você fique mais suscetível à sepse. E quando você fica com sepse, morre mais rápido.

UTI

Napier afirma que as descobertas podem ajudar os hospitais a monitorar melhor a alimentação dos pacientes na unidade de terapia intensiva (UTI), já que eles são os internos com maior probabilidade de desenvolver a condição. “Se você sabe que uma dieta rica em gordura e açúcar se correlaciona com maior suscetibilidade à sepse e aumento da mortalidade, quando esses pacientes estão na UTI, você pode garantir que comam as gorduras certas e na proporção correta”, aponta. “Se o hospital puder intervir na dieta enquanto o paciente estiver na UTI, isso poderá influenciar os prognósticos.”
A pesquisadora conta que a equipe também identificou marcadores moleculares em camundongos alimentados com a dieta ocidental que poderiam ser usados como preditores para pacientes com alto risco de sepse grave ou para aqueles que precisam de tratamento mais agressivo. 

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