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Internacional

Tensão racial marca campanha para eleições legislativas nos EUA

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Popularidade de candidatos da comunidade negra cresceu entre minorias e ganhou o apoio de personalidades; Andrew Gillum, na Flórida, Stacey Abrams, na Geórgia, e Ben Jealous, em Maryland, podem ser primeiros governadores negros de seus Estados

MIAMI – Em meio ao mar de rostos brancos que aplaudiram com entusiasmo o presidente americano Donald Trump em um comício na Flórida na semana passada, June e seus dois amigos chamavam a atenção: eram os únicos negros visíveis na multidão.

 A tensão racial nos Estados Unidos constitui um dos principais temas de campanha das eleições de meio de mandato que serão realizadas nesta terça-feira, 6. Neste contexto, a popularidade de candidatos da comunidade negra, como Andrew Gillum e Stacey Abrams, cresceu entre as minorias e ganhou o apoio de personalidades como Barack Obama e Oprah Winfrey.

Os democratas Ben Jealous (E), em Maryland, Stacey Abrams, na Geórgia, e Andrew Gillum, na Flórida, podem se tornar os primeiros governadores negros de seus EstadosOs democratas Ben Jealous (E), em Maryland, Stacey Abrams, na Geórgia, e Andrew Gillum, na Flórida, podem se tornar os primeiros governadores negros de seus Estados Foto: AFP

 June, uma secretária de 42 anos que não quis informar o sobrenome, insistiu que Trump não é racista, descartando as críticas que o acusam do contrário: “O que eu sei é que ele defende os Estados Unidos, ele torna a América grande de novo, e é o que eu apoio.” Os demais negros presentes ao ato republicano eram, principalmente, vendedores ambulantes de mercadorias pró-Trump.

O restante dos cerca de 8 mil apoiadores presentes na última quarta-feira na Arena Hertz de Fort Myers, Flórida, que gritavam frases contra a rede de TV CNN e a favor da construção de um muro na fronteira, eram quase todos brancos. Alguns vestiam camisetas com a frase “Negros por Trump”.

Uma pesquisa feita em julho pela Universidade Quinnipiac mostrou que 79% dos negros acreditam que Trump seja racista. Mas Stacy Pignatti, uma mulher branca de 46 anos, culpou Obama, primeiro presidente negro dos Estados Unidos, pelo atual estado de tensão racial no país.

“Foi Obama que começou a fazer com que a tensão racial chegasse ao nível atual”, afirmou. “Nunca foi assim.”

As eleições legislativas nos EUA em seis pontos

 Diante deste panorama, Gillum, na Flórida; Abrams, na Geórgia; e Ben Jealous, em Maryland – os três com agendas à esquerda do espectro democrata -, apostam em que se tornarão os primeiros governadores negros de seus respectivos Estados.

“Os candidatos negros progressistas estão apostando em que os altos índices de reprovação de Trump entre os eleitores negros, somados à possibilidade de eles fazerem história, serão motivações suficientes para aumentar a participação eleitoral”, escreveu Theodore Johnson, do Brennan Center for Justice.

Em um ato pró-Gillum na sexta-feira, Obama encorajou a multidão, claramente diversa: “Não se desesperem. Votem!”

“A questão racial tem sido um tema desde o começo da campanha, não porque eu o introduzi”, assinalou Gillum em entrevista na semana passada ao astro dos talk shows Trevor Noah.

Gillum lembrou que foi seu oponente, o republicano Ron DeSantis, que usou uma expressão que continha a palavra macaco, após vencer as primárias. O comentário foi tachado de racista, o que DeSantis negou, lembrando uma investigação de corrupção do FBI envolvendo Tallahassee, cidade da qual Gillum é prefeito.

“Isto é uma tentativa da campanha de Gillum de continuar distraindo a imprensa de seu envolvimento na investigação do FBI”, publicou a campanha de DeSantis. Em resposta, Gillum disse que seu adversário “provavelmente oferece muita proteção a racistas, xenófobos e antissemitas”. Este ping-pong marcou o tom da campanha.

As pesquisas apontam os dois candidatos como quase empatados, com uma leve vantagem para o democrata. DeSantis tem o apoio da majoritária população branca, dos cubanos conservadores e dos idosos. Se Gillum ativar o voto dos negros, hispânicos progressistas e jovens, poderá dar a volta por cima.

Segundo a analista política Susan MacManus, isto não é impossível. “O apoio aos temas sociais, raciais e de justiça econômica é maior entre os mais jovens, que, por sua vez, são racialmente mais diversos e mais inclinados a interagir com grupos de amigos diversos”, disse.

Gillum e Stacey Abrams atraíram dois astros da TV e nomes emblemáticos da comunidade negra: Trevor Noah e Oprah Winfrey.

Esta semana, Noah apresenta seu programa em Miami, para mobilizar o voto das minorias, enquanto na semana passada Oprah convocou os negros a votar, ou, caso contrário, estariam “desonrando suas famílias, desrespeitando e ignorando o seu legado”.

Na Geórgia, a corrida é marcada por acusações dos democratas de que seus adversários buscam reprimir o voto da comunidade negra.

“O ambiente atual é um ato entre Trump e Obama; a maneira como derivou o discurso, a forma como as pessoas falam sobre raça agora”, comentou o senador Perry Thurston, membro do “caucus” negro da Legislatura da Flórida. “É um tema delicado, e é doloroso. Mas é bom trazê-lo à tona e falar sobre estes assuntos”, ao site especializado Político/ AFP

Internacional

Ex-militar armado mata 12 em bar country da Califórnia

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Testemunha conversa com uma agente do FBI MARK J. TERRILL AP
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O agressor,  de 28 anos, que também morreu, invadiu uma festa universitária e atirou indiscriminadamente

 
PABLO XIMÉNEZ DE SANDOVAL/ EL PAÍS

O novo cenário do horror das armas de fogo nos Estados Unidos é um bar de música country nos subúrbios de Los Angeles, cheio de universitários numa quarta-feira à noite. Aqui, um homem de 28 anos, segundo os primeiros dados fornecidos pela polícia, alto e vestido completamente de preto, descarregou a sangue frio pelo menos três carregadores de uma pistola sobre uma centena de pessoas. Não foi uma briga, nem um assalto. Ele simplesmente entrou no bar, lançou uma bomba de fumaça e começou a atirar.

O fato ocorreu por volta de 23h20 desta quarta-feira (hora local; 5h20 de quinta em Brasília). O estabelecimento, chamado Borderline Bar&Grill, fica na localidade de Thousand Oaks, um povoado dos subúrbios prósperos a noroeste de Los Angeles. O escritório do xerife do condado de Ventura informou logo depois que havia 12 mortos, incluindo o primeiro policial que chegou ao local. A 13ª vítima fatal é o assassino, abatido em confronto com a polícia.

Por volta das 7h (hora local), a polícia identificou o assassino como David Ian Long, de 28 anos. Era um ex-marine, veterano de guerra, que sofria de estresse pós-traumático. Sua motivação ainda não foi esclarecida.

O policial morto integrava a primeira patrulha que chegou ao local e “tentou neutralizar a ameaça”, nas palavras do chefe da polícia do condado de Ventura, Garo Kuredjian.

Antes de morrer, Long disparou indiscriminadamente 30 vezes. Às televisões locais, várias testemunhas descreveram o assassino como um homem, com o rosto coberto segundo algumas versões, perfeitamente decidido e metódico na execução maciça de inocentes. Utilizou apenas uma pistola calibre 45, segundo a polícia. Os primeiros disparos foram ouvidos junto à porta. Uma testemunha descreveu ao canal local da ABC que o viu se irritar com a jovem recepcionista.

A partir daí, os relatos das testemunhas descrevem o caos. Uma delas saiu ao pátio traseiro gritando para que todos fugissem. Ao sair, viu o sargento Ron Helus lavrando uma multa e lhe contou o que estava ocorrendo. Helus entrou no bar para enfrentar o suspeito e morreu baleado. Tinha 29 anos e deixa esposa e um filho. Outra testemunha se referia assim ao agressor: “Eu o vi entrar (…) e começou a disparar”, relatou Mitchell Hunter, de 19 anos, que descreveu o atirador como um homem de pele clara e cabelo escuro.

Outro cliente do bar, chamado Matt, contou ao mesmo canal que as pessoas se esconderam sob as mesas de bilhar. Quando as 12 balas do primeiro carregador acabaram, dezenas de pessoas conseguiram escapar nos segundos que o assassino levou até substituí-lo. Matt lançou uma banqueta do bar contra a janela que dá para a rua, e cerca de 30 pessoas saíram por lá, segundo relatou. Depois, uma segunda rodada de execuções, e de novo alguns poucos segundos para escapar. Quando estava no terceiro carregador, contaram as testemunhas, a polícia já havia chegado. Eram 23h26. Os agentes assumiram o controle da situação e entraram no bar, onde “encontraram a pessoas escondidas em banheiros, em mezaninos”, segundo o xerife Dean. “É uma cena horrível. Há sangue por todos os lados.”

O Borderline Bar&Grill é um lugar popular entre os alunos de pelo menos três campi universitários da região, a universidade de Malibu, a universidade de Pepperdine e a Cal Lutheran. Os estudantes compunham a maioria do público desta quarta-feira à noite. A Universidade Luterana da Califórnia suspendeu as aulas, segundo uma mensagem em seu site, no qual convida a população a se reunir em sua capela.

A matança de Thousand Oaks é a mais grave no sul da Califórnia desde o ataque jihadista de dezembro de 2015 em San Bernardino, onde 14 pessoas morreram baleadas. É também o segundo tiroteio maciço das últimas duas semanas nos Estados Unidos, depois que um radical matou 11 pessoas numa sinagoga de Pittsburgh (Pensilvânia) enquanto rezavam, em 27 de outubro, no que foi o maior crime antissemita individual já perpetrado no país norte-americano, segundo os dados citados pela imprensa dos EUA. Antes do episódio de Thousand Oaks, os sete massacres a tiros mais graves registrados nos Estados Unidos em 2018 somavam 53 vítimas fatais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, referiu-se em sua conta no Twitter ao “terrível” massacre, elogiou a coragem da polícia na Califórnia e lamentou as mortes. “Grande coragem mostrada pela polícia. A Patrulha Rodoviária da Califórnia estava no local dos fatos em três minutos, e o primeiro agente a entrar disparou várias vezes. Esse sargento do xerife morreu no hospital. Deus abençoe todas as vítimas e familiares das vítimas”, disse o presidente em sua conta do Twitter.

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As maiores derrotas democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA

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Apesar de terem conquistado a maioria na Câmara dos Deputados e conseguido vitórias importantes em alguns Estados americanos, os democratas tiveram derrotas inesperadas

Fonte: O Estado de S.Paulo

Apesar de terem conquistado a maioria na Câmara dos Deputados e conseguido vitórias importantes em alguns Estados americanos, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos deixaram diversos derrotados entre os democratas. Alguns, tidos como favoritos antes do pleito começar, foram os mais representativos.

Eleitores americanos votam em escola de Manhattan, em Nova York, na eleição de meio de mandatoEleitores americanos votam em escola de Manhattan, em Nova York, na eleição de meio de mandato Foto: REUTERS/Andrew Kelly

Candidatos negros aos governos estaduais

Os democratas tinham esperança de eleger três governadores negros em importantes estados: Flórida, Geórgia e Maryland. Não ganharam em nenhum. Na Geórgia a disputa está em aberto, mas o republicano Brian Kemp lidera com 50,4% dos votos contra 48,7%, uma diferença de pouco mais de 65 mil votos.

Republicano Ron DeSantis (E) e o democrata Andrew Gillum representam polarização da política americana e dão sinais para a disputa presidencial de 2020

Republicano Ron DeSantis (E) e o democrata Andrew Gillum representam polarização da política americana e dão sinais para a disputa presidencial de 2020 Foto: Chris O’Meara/Pool via REUTERS

A derrota mais sentida foi a de Andrew Gillum, que perdeu para seu adversário republicano, o ex-congressista Ron DeSantis, de 40 anos, tem o mesmo viés populista do presidente Donald Trump. Gillium, ex-prefeito da cidade de Tallahassee, era considerado um azarão no começo da campanha, mas ganhou força com o apoio de importantes democratas. Seus fervorosos seguidores consideram seu discurso tão inspirador quanto o do progressista Bernie Sanders ou o do ex-presidente Barack Obama. Queria impor limites ao aborto, reduzir os impostos, endurecer a política migratória e defender a livre venda de armas. Ele chegou perto da vitória: perdeu por apenas 55.439 votos.

Em Maryland, o ex-presidente da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, Ben Jealous, não conseguiu derrotar o candidato republicano larry Hogan. Ele vinha defendendo a luta pelos direitos civis em sua tentativa frustrada de se tornar o primeiro governador afro-americano no estado.

Beto 2020

Beto O’Rourke, deputado e candidato democrata ao Senado, se tornou o queridinho do partido. Aos 45 anos, nascido na fronteiriça El Paso e fluente em espanhol, ele foi um crítico ferrenho da política migratória de Donald Trump, e falou em mudanças climáticas, salário dos professores, custo de vida dos aposentados. Encampando pautas progressistas caras aos democratas, arrecadou um valor recorde de contribuições de US$ 70 milhões.

Beto O’Rourke, jovem estrela democrataBeto O’Rourke, jovem estrela democrata Foto: AP Photo/Richard W. Rodriguez

Chegou perto de desbancar o favorito Ted Cruz no bastião republicano do Texas, Estado onde o partido não perde há mais de 30 anos. Mas não deu certo. Ted Cruz teve 50,9%, com 4.228.832 votos, e Beto teve 48,3%, com 4.015.082.

Defensores dizem que mesmo com a derrota, Beto O’Rourke saiu vitorioso porque pode se concentrar em sua campanha eleitoral para concorrer nas primárias presidenciais do partido Democrata em 2020. Mas uma derrota é uma derrota, ainda mais custando US$ 70 milhões.

Transexual que perdeu a disputa pelo governo

Outra candidata progressista derrotada foi Christine Hallquist, ex-executiva do setor de energia, tornou-se a primeira candidata transgênero nomeada por um partido grande para concorrer ao governo de um Estado nos EUA. Ela derrotou outros três candidatos na primária do Partido Democrata em Vermont. A democrata de 62 anos foi derrotada por Phil Scott, um republicano comparativamente popular e moderado.

Scott se distanciou de Trump em um dos Estados que mais votam em democratas nos EUA, e cujo político mais famoso é o senador Bernie Sanders, um autodenominado socialista democrata reeleito como senador independente na terça-feira, 6. Phil Scott ganhou com 55,4% dos votos, 150.761 no total, e Christine Hallquist teve 40,5%, ou 110.136 votos.

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Perda da maioria na Câmara deixa republicanos mais dependentes de Trump

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Apesar do revés parcial na eleição de meio de mandato nos EUA, líder republicano se destaca como uma força ainda mais dominante no partido do que dois anos atrás, quando venceu disputa pela Casa Branca

James Oliphant / Reuters/ O Estado de S.Paulo

WASHINGTON – A perda do controle da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos deixará o Partido Republicano com uma bancada parlamentar ainda mais conservadora, mais ligada ao presidente Donald Trump e mais unida em torno da retórica provocadora e da agenda radical do mandatário.

 Embora os republicanos moderados que permanecerão na Câmara possam ver o resultado como um veredicto sobre a estratégia de Trump de se dedicar incansavelmente ao tema da imigração ilegal na reta final da campanha, eles serão uma pequena minoria.

Vitória no Senado pode ser usada por Trump como prova de que ainda mobiliza milhões de eleitores às urnasVitória no Senado pode ser usada por Trump como prova de que ainda mobiliza milhões de eleitores às urnas Foto: AP Photo/Butch Dill

 De acordo com a apuração parcial da votação, os democratas já conquistaram 219 das 435 cadeiras da Câmara contra 193 do republicanos – são necessárias 218 para a maioria. No senado, porém, o partido de Trump já tem 51 vagas – o mínimo necessário para controlar a Casa – contra 45 dos democratas.

Muitos republicanos que perderam a vaga na Câmara são moderados de distritos majoritariamente suburbanos que tentaram manter alguma distância de Trump e sua retórica, mas mesmo assim foram atingidos pela forma de fazer política do magnata – o que deixa um centro reduzido dominado por conservadores de áreas rurais cujo eleitorado é essencialmente pró-Trump.

Em resumo, Trump continuará sendo Trump. Ainda que alguns republicanos possam culpá-lo pelas derrotas de terça-feira, é improvável que se rebelem, especialmente levando em conta que o partido manteve o comando do Senado.

Nos últimos dois anos o presidente se mostrou pouco inclinado a mudar seu estilo agressivo ou se tornar conciliador. Ele sabe que continua sendo, sem sombra de dúvida, a figura mais popular de seu partido.

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