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Turistas americanos correm para aeroportos europeus para retornar ao país

(foto: AIZAR RALDES/AFP)

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A preocupação surgiu após o anúncio surpresa de Donald Trump de proibir a entrada de europeus nos Estados Unidos por causa do coronavírus

Preocupados com o bloqueio na Europa, os turistas americanos correram para os aeroportos de Paris e Londres nesta quinta-feira (12/3) para voltar ao seu país, após o anúncio surpresa de Donald Trump de proibir a entrada de europeus nos Estados Unidos por causa do coronavírus.
“Acabamos de sair do nosso avião e vamos voltar direto (…) não podemos acreditar!”, diz Tiara Streng, de 29 anos, enquanto aguarda na fila com três amigos no aeroporto de Londres Heathrow para um voo de volta ao Colorado.
O grupo de amigos planejava fazer uma excursão de 10 dias, que deveria incluir uma parada no Vaticano e na Irlanda, onde iriam participar da celebração do dia de São Patrício, cancelada pelo coronavírus. Em Hearthrow, longas filas de cidadãos dos EUA se formaram em frente aos balcões da American Airlines, Virgin e Delta para tentar trocar suas passagens e voltar para casa.
“Todos recebemos uma mensagem quando desembarcamos”, afirma outro turista, Brooke Ward, 32 anos. “Nos perguntam se devemos ficar. Obviamente, não queremos voltar, mas achamos que é o melhor”, continua.
Continua depois da publicidadeSeu companheiro de viagem Deepi, 28, acrescenta: “Nossa família e a British Airways, na verdade todo mundo, nos aconselhou a ir para casa, dizem que é o melhor”, conta. Mais de 20.000 pessoas (22.307) foram contaminadas pelo novo coronavírus na Europa e 930 morreram, de acordo com um balanço realizado pela AFP na quarta-feira, com base em dados oficiais.
“Acho completamente ridículo”, opina Streng sobre a proibição de Trump de viajar da Europa para os EUA, onde foram detectados cerca de 900 casos de infecção pelo COVID-19 e 28 mortes. A medida de Trump não se aplicará a voos do Reino Unido, mas a todos aqueles que estiveram nos 14 dias anteriores à chegada aos EUA em qualquer país da área de Schengen, com exceção dos americanos e residentes permanentes de lá.

Qual a pior coisa que pode nos acontecer?

Longas filas se formaram também no início da manhã no aeroporto parisiense Roissy Charles de Gaulle. “Estou preocupado com meu voo”, suspira Tony Kropp na fila do balcão de passagens da Delta.
Ele foi comemorar seu aniversário de 35 anos em Paris e está buscando mais informações sobre a situação e, se possível, adiantar seu retorno para “voltar o quanto antes”. O Departamento de Estado também pediu aos americanos que evitem todas as viagens ao exterior.
“Meu chefe me pediu para ficar em quarentena em casa por duas semanas quando voltar. Parece bom para mim. É melhor prevenir do que remediar”, conta Hope, que estava em uma viagem de negócios. Para Carole Mendhan, mãe de Kate, “se Donald Trump tomou essa decisão, é apenas para ser reeleito” em 2020. “É só política”, acrescenta, lamentando o fato de ter que encurtar sua viagem sem ter tido tempo para “ver Versalhes”.
“É tão estúpido! Hoje tenho menos medo do coronavírus do que o meu país enfrentará diante de toda essa histeria. Especialmente porque muitas pessoas não têm seguro médico”, diz sua filha Kate, que acredita que o presidente americano está “exagerando”.
“O mundo não deixará de funcionar devido a uma doença”, suspira Melvin Taylor, um renomado guitarrista de blues que organiza regularmente shows na Europa. Sentado em frente à cabine de comando no Terminal 2E, com o violão nos pés, ele aguarda seus amigos de Chicago. Planeja permanecer na França até 29 de março.
“Não vamos mudar nossos planos”, diz. Para ele, Donald Trump tenta mostrar que “age”, mas não tem uma estratégia real. Um de seus amigos, que também é músico, ironiza: “O que pode acontecer conosco? Ter que ficar na França? Essa é a pior coisa que pode acontecer conosco!”.

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