Conecte-se Conosco

Sem categoria

Vale à pena ler de novo: “Estádio fantasma é a maior herança maldita de Helder” Barbalho, em Ananindeua

Publicado

em

Deu em O Liberal, dia 18 de setembro de 2014

Quem conhece o que seria o Estádio Municipal de Ananindeua, no bairro Guajará, um dos mais abandonados, se depara com um monumento ao desperdício do dinheiro público, símbolo da inepta administração do ex-prefeito peemedebista Helder Barbalho (2005-2012) à frente do segundo maior município do Pará, na Região Metropolitana de Belém.

Abandonado num gigantesco terreno baldio, tomado pelo mato, cheio de poças d´água e de caminhões e tratores depenados por vândalos, abandonados ao sol, sujeitos às intempéries do clima, o que seria um moderno estádio – que, inteiramente concluído, teria capacidade para abrigar 25 mil torcedores –, virou ponto de encontro para mendigos, desocupados e drogados.

“Este estádio será um marco para o município e ainda vai trazer mais desenvolvimento para o esporte e o lazer de Ananindeua”, chegou a festejar o então prefeito Helder Barbalho, ao lançar a pedra fundamental do estádio, localizado – um contra-senso – a menos de cinco quilômetros do Mangueirão, o Estádio Olímpico do Pará, na avenida Augusto Montenegro, com capacidade para 54 mil torcedores sentados.

Helder anunciou publicamente que o novo estádio de Ananindeua, além de abrigar partidas de futebol, também proporcionaria atividades para os alunos da rede municipal de ensino no programa “Bom de bola, Bom, de escola”, outro factóide que nunca saiu do papel.

O arremedo de estádio foi batizado carinhosamente pelos moradores das redondezas de “Bandão”, e não sem motivo: apenas uma banda das projetadas arquibancadas chegou a ser construída, não servindo absolutamente para nada. O campo de futebol serve para peladas de garotos do bairro que conseguem autorização do vigia da empreiteira responsável pela obra, paralisada há mais de dois anos.

A construção do estádio municipal seria resultado de um convênio firmado entre a Prefeitura de Ananindeua, na administração de Helder Barbalho, com o Ministério dos Esportes e a Caixa Econômica Federal, mas tudo não passou de um sonho megalomaníaco.

Aberta a licitação pública pela PMA, saiu-se vencedora a empreiteira Delta Construção S/A – que se tornou conhecida nacionalmente depois de comprovado seu envolvimento com a contravenção na Comissão Parlamentar de Inquérito do Carlos Cachoeira. A Delta venceu a licitação pública para a execução da obra, mas o contrato firmado com a Prefeitura de Ananindeua acabou sendo cancelado por motivos nunca esclarecidos pelo ex-prefeito.

A Delta Construção pertence ao empresário Fernando Cavendish e ficou famosa nacionalmente pelo seu envolvimento com o bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira e por ter tido como consultor o ex-chefe da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o mensaleiro condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) José Dirceu, que continua preso no Distrito Federal.

O “Escândalo Cachoeira” acabou provocando a cassação do mandato do então senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que foi investigado em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado e que atuava como uma espécie de consultor do contraventor Cachoeira.

O contrato firmado pela Secretaria Municipal de Saneamento e Infraestrutura de Ananindeua.

O Liberal, 21 setembro de 2018

Helder Barbalho diz que construiu o estádio municipal de Ananindeua, mas a obra nunca foi concluída

Em visita ao local em que teria sido construída a praça esportiva, na periferia de Ananindeua, o Truco nos Estados concluiu: o estádio citado por Helder nunca existiu.

“Também construímos o estádio municipal [de Ananindeua]”, Helder Barbalho (MDB), em matéria publicada no site do candidato, no dia 15 de setembro.

Entre 2006 e 2011, o Ministério do Esporte e a prefeitura de Ananindeua celebraram contratos de repasse para a construção do estádio municipal, que estariam orçados em R$ 5,8 milhões, segundo assessoria de imprensa do ministério. Em outubro de 2012, a prefeitura chegou a iniciar a obra, que teria previsão de conclusão para o início de 2013. Mas, em consulta à Federação Paraense de Futebol (FPF) e visitando o local, concluímos que o estádio nunca existiu. Por isso, o Truco nos Estados, projeto de checagem da agência Pública que, no Pará, é realizado em parceria com o portal Outros400, confere o selo ‘falso’ à declaração de Helder Barbalho.

Procurada, a assessoria do candidato Helder Barbalho informou que, “enquanto prefeito de Ananindeua, Helder Barbalho, construiu a primeira etapa do Estádio Municipal. A obra foi entregue no dia 31.12.2012, com uma partida de futebol”.

No local em que deveria estar o estádio, há apenas um trecho da arquibancada, lixo e mato. (Foto: Kleyton Silva/Outros400)

Em 2012, último ano do mandato de Helder Barbalho como prefeito de Ananindeua, as obras estavam em estado inicial, conforme reportagem da TV RBA. Na ocasião, Helder visitou o local onde seria construído o estádio, que estaria orçado em R$ 11,5 milhões, segundo informou na matéria, recursos do Ministério do Esporte, e com previsão de conclusão para o início de 2013. O projeto tinha como objetivo profissionalizar o futebol no município. “Quem sabe, futuros Gansos [jogador de futebol de Ananindeua] podem surgir aqui”, declarou, na ocasião, o secretário de esportes, Flávio Vasconcelos.

Entramos em contato com a prefeitura de Ananindeua para saber se a obra foi retomada pelo atual prefeito Manoel Pioneiro (PSDB), que exerceu mandato de 2013 a 2016 e se reelegeu para o atual período. Sobre o assunto, porém, não recebemos resposta até o fechamento do texto. Em matéria publicada no portal ORM em 2014, Pioneiro afirma que havia solicitado auditagem para “avaliar se temos condição de concluir essa obra”.

Ainda assim, reportagem da TV Liberal, veiculada em julho deste ano,aponta que as obras foram reiniciadas pelo prefeito tucano, mas novamente tiveram uma interrupção em 2017. Além disso, já na gestão de Pioneiro, a Caixa Econômica Federal fez repasses referentes a três contratos para a continuação da construção do estádio municipal.

No dia 27 de dezembro de 2011, foram firmados dois contratos entre o município de Ananindeua e a Caixa Econômica Federal. O primeiro previa investimento de R$ 1.043.197,23. O valor foi transferido à prefeitura em duas parcelas: R$ 349.537,50 e R$ 250.000, com ordens bancárias de junho de 2014 e janeiro de 2016, respectivamente, já na gestão de Manoel Pioneiro. O segundo contrato estava orçado em R$ 1.565.238,28. Deste total, foi transferida à prefeitura a soma de R$ 524.160 em ordem bancária de abril de 2014.

Nesta quarta-feira, 19, a equipe do Truco nos Estados visitou a área das obras do estádio, no bairro do Paar, periferia de Ananindeua. Moradores do entorno, que preferiram não se identificar, informaram que a construção foi iniciada, mas não concluída. No local, há apenas entulho e matagal, além de uma “banda” das arquibancadas, que deu origem ao apelido do estádio inacabado: “Bandão”. Atualmente, na área, a prefeitura de Ananindeua realiza a extração de argila para aterro em áreas de baixada do município.

Consultamos a Federação Paraense de Futebol (FPF), que mantém um cadastro de estádios no estado do Pará. Segundo diretor de competições da FPF, Paulo Romano, o “estádio não existe, nunca existiu”. Ainda segundo Romano, “esse estádio nunca esteve no cadastro da FPF”.

O projeto do estádio, de fato, tinha parceria com o Ministério do Esporte. Segundo a assessoria do órgão, os contratos firmados entre 2006 e 2012 totalizam R$ 5,8 milhões em investimentos. Nas medições do ministério, “a obra, de responsabilidade do município, apresenta 41% de execução”. Ainda segundo o Ministério do Esporte, o prazo para conclusão e informações sobre andamento do projeto “devem ser obtidas junto à prefeitura de Ananindeua, órgão responsável pela execução”.

Copyright © 2018. A Província do Pará Todos Direitos Reservados . Desenvolvido por Ideia Virtual