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Zuckerberg sugeriu que os dados de um usuário valem 10 centavos por ano

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Foto: Anthony Quintano / Flickr

O Parlamento do Reino Unido tornou público um arquivo de 250 páginas que anexa documentos confidenciais do Facebook. Os papéis incluem trocas de e-mails entre executivos do alto escalão da empresa, entre eles o CEO e fundador Mark Zuckerberg.

Os documentos fazem parte do inquérito que o Parlamento Britânico abriu para apurar a responsabilidade do Facebook no escândalo da Cambridge Analytica, empresa de marketing que teve acesso indevido a dados de 87 milhões de usuários do mundo todo.

As trocas de e-mails e informações descritas nos documentos foram obtidas pelo Parlamento Britânico juntamente à Six4Three, uma startup do Reino Unido que processou o Facebook depois que a rede social bloqueou o seu acesso à plataforma de APIs.

A maioria dos documentos e e-mails no arquivo datam de 2012 a 2015. Damian Collins, líder da Comissão de Mídia, Cultura, Digital e Esportes do Parlamento, destacou algumas das principais descobertas – muitas das quais colocam o Facebook em maus lençóis.

A empresa, porém, afirma que os documentos estão fora de contexto e mostram apenas “um lado” da história. “Os documentos foram vazados seletivamente para publicar algumas, mas não todas, as discussões internas no Facebook no momento de nossas mudanças de plataforma. Mas os fatos são claros: nunca vendemos dados pessoais de usuários”, diz a companhia em comunicado.

Estas são algumas das descobertas obtidas através dos documentos:

1. Mark Zuckerberg sugeriu que os dados de um usuário valem 10 centavos por ano;

O Facebook argumenta que nunca vendeu dados de usuários, apenas as ferramentas para usar informações genéricas a respeito dos milhões de pessoas na rede social. No entanto, os documentos mostram que a empresa discutia internamente como precificar e ganhar dinheiro com esses dados.

Em um e-mail de outubro de 2012, o próprio Zuckerberg sugere um modelo de monetização que coloca o preço de um usuário a 10 centavos por ano. “Um modelo básico poderia ser: o login com o Facebook é sempre gratuito… O envio de conteúdo para o Facebook é sempre gratuito… Ler qualquer coisa, inclusive amigos, custa muito dinheiro. Talvez na ordem de US$ 0,10/usuário a cada ano”, escreveu o CEO.

Em comunicado, o Facebook argumentou: “nós exploramos várias maneiras de criar um negócio sustentável com desenvolvedores que estavam criando aplicativos úteis para as pessoas. Mas, em vez de exigir que os desenvolvedores comprassem publicidade – a opção discutida nesses e-mails selecionados -, finalmente decidimos por um modelo em que os desenvolvedores não precisavam comprar publicidade para acessar as APIs e continuamos a fornecer gratuitamente a plataforma do desenvolvedor”.

2. O Facebook liberou acesso a dados de usuários para empresas após dizer que não faria isso;

Em 2015, o Facebook implementou mudanças à sua plataforma de conexão com apps de terceiros para limitar o volume de dados que essas startups e desenvolvedores podem acessar. Mas, segundo alguns e-mails, a empresa liberou apps selecionados para que eles pudessem driblar este novo esquema de segurança.

Entre eles estão Netflix e Aibnb, que entraram numa “lista branca” do Facebook. Numa troca de e-mails realizada em fevereiro de 2015 entre Konstantinos Papamiltidas, diretor de parcerias da rede social, e Chris Barbour, da Netflix, o segundo diz: “Nós entraremos na lista branca para ter todos os amigos, não só os amigos conectados”.

Os “amigos” a que Barbour se refere são amigos de usuários na rede social e seus dados. O Facebook explicou em comunicado que, “em algumas situações, quando necessário, nós permitimos que os desenvolvedores acessem uma lista de amigos dos usuários. Isto não inclui informações privadas de amigos, mas uma lista de seus amigos (com nome e foto do perfil)”.

3. Zuckerberg admitiu que o que é “bom para o mundo” nem sempre é bom para o Facebook;

Em um e-mail enviado em 19 de novembro de 2012, Zuckerberg fala sobre “reciprocidade”, e sobre o que exigir de apps de terceiros que queiram acessar dados de usuários. Em meio a isso, o CEO admite em certo ponto que nem tudo o que é “bom para o mundo” é bom para o Facebook, e isto deveria ser levado em conta nas decisões da empresa.

“Estamos tentando permitir que as pessoas compartilhem tudo o que quiserem e façam isso no Facebook”, escreve Zuckerberg. “Às vezes, a melhor maneira de permitir que as pessoas compartilhem algo é que um desenvolvedor crie um aplicativo para fins especiais ou uma rede para esse tipo de conteúdo, e tornar esse aplicativo social colocando o plugin do Facebook nele.”

“No entanto, isso pode ser bom para o mundo, mas não é bom para nós”, continua Zuckerberg, “a menos que as pessoas também compartilhem de volta no Facebook e que esse conteúdo possa aumentar o valor de nossa rede. Então, em última análise, acho que o propósito da plataforma – até mesmo o lado da leitura – é o de aumentar o compartilhamento no Facebook”.

Em comunicado, a empresa não comenta diretamente a fala de Zuckerberg, mas diz que a política de reciprocidade “exigia que os desenvolvedores dessem às pessoas a opção de compartilhar informações de volta ao Facebook por meio do aplicativo do desenvolvedor. Isto significa que você poderia compartilhar sua experiência com o aplicativo (pontuação do jogo, foto etc.) de volta para seus amigos do Facebook, se quisesse”.

4. O Facebook tentou coletar dados de usuários do Android sem que eles percebessem;

Em março deste ano, caiu na imprensa a notícia de que o Facebook guardava um registro de ligações e de mensagens de texto de usuários de Android. A empresa admitiu a prática, disse que pedia permissão ao usuário (por meio dos termos de uso que quase ninguém lê) e foi criticada por isso.

Em alguns e-mails divulgados nesta quarta, executivos da empresa admitiram que o recurso seria polêmico, mas que valeria a pena. E, em certo ponto, até discutiram como fazer isto sem que o usuário soubesse. Toda essa discussão está registrada em e-mails trocados entre Michael LeBeau, gerente de produtos da empresa, e um diretor chamado Yul Kwon.

O primeiro diz que solicitar acesso às ligações e SMS de usuários no Android seria “uma coisa de alto risco a se fazer de um ponto de vista de relações públicas”, mas “parece que o crescimento conquistado vai valer a pena”. Kwon, em resposta, chega a dizer que seria possível colocar este recurso no app do Facebook sem que o usuário fosse notificado sobre a exigência de permissão.

Em comunicado, o Facebook admite a coleta destas informações (como já admitiu no passado) e diz que elas servem para “fazer sugestões melhores sobre pessoas a serem chamadas no Messenger”, por exemplo. “Após uma revisão completa em 2018, ficou claro que esta informação [registro de ligações e SMS] não é tão útil após cerca de um ano”, argumentou a empresa.

5. O Facebook restringiu de propósito o acesso de concorrentes às suas ferramentas;

Os documentos também mostram que executivos do Facebook discutiram maneiras de restringir o acesso de alguns concorrentes estratégicos às suas ferramentas de propósito. Entre eles o Vine e o Twitter.

Num e-mail de janeiro de 2013, por exemplo, um executivo chamado Justin Osofsk diz: “o Twitter lançou hoje o Vine, que permite gravar múltiplos segmentos de vídeos curtos para montar um só vídeo de 6 segundos. Como parte do aplicativo, você pode encontrar amigos pelo FB. A não ser que alguém levante objeções, vamos desligar o acesso deles à API de amigos hoje. Estamos preparados para uma reação de relações públicas”.

Em um memorando anexado aos documentos, sem data, lê-se que o Facebook “mantém uma pequena lista de concorrentes estratégicos que Mark avalia pessoalmente. Apps produzidos pelas empresas nesta lista estão sujeitos a um número de restrições descritas abaixo. Qualquer uso além daquilo que está especificado não é permitido sem a aprovação de Mark”.

Em resposta a isso, o Facebook argumenta que tomou “a decisão de restringir apps construídos com base na nossa plataforma que replicassem a nossa funcionalidade básica”. “Esse tipo de restrição é comum em toda a indústria de tecnologia, com diferentes plataformas tendo suas próprias variantes, incluindo YouTube, Twitter, Snap e Apple.”

A empresa completa: “analisamos regularmente nossas políticas para garantir que elas protegem os dados das pessoas e permitem que serviços úteis sejam criados em nossa plataforma para o benefício da comunidade do Facebook”. E por conta disso, a companhia decidiu “remover esta política desatualizada para que nossa plataforma permaneça o mais aberta possível”.

Fonte: Olhar Digital

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Recomendação sobre Internet das Coisas coordenada pelo Brasil é aprovada pela União Internacional de Telecomunicações

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Foto: Reprodução / Fonte: Anatel

A recomendação internacional do modelo de referência arquitetônico para dispositivos de aplicações da IoT (ITU-T Y.4460 – Architectural reference model of devices for IoT applications, em inglês) foi aprovada na reunião de abril da Comissão de Estudos 20 – “Internet das Coisas, Comunidades e Cidades Inteligentes”, do setor de normatização da União Internacional de Telecomunicações (UIT). A recomendação foi proposta e coordenada pelo Brasil.

A Anatel, na função de coordenadora da representação do Brasil em discussões internacionais de telecomunicações por meio das Comissões Brasileiras de Comunicação (CBC), trabalhou na articulação com os agentes nacionais envolvidos na iniciativa e na negociação com os demais membros da UIT-T para a aprovação da recomendação.

O documento define uma classificação dos dispositivos de IoT (Internet das Coisas, do inglês Internet of Things, IoT), baseado nas capacidades de processamento e conectividade. A partir da correlação das capacidades, são definidos os modelos de referência com os requisitos para as arquiteturas de software de cada uma das classes de dispositivos.

Ação internacional

A recomendação foi proposta e coordenada pelo Brasil e é o primeiro fruto na área internacional de normatização da colaboração entre o governo brasileiro (Anatel e MCTIC), o setor privado (Instituto Cesar e Eldorado) e a academia (Inatel).

O trabalho se iniciou nas discussões da Câmara de IoT, iniciativa coordenada pelo MCTIC, com participação de membros do setor público, privado e academia, e tem, entre seus objetivos, fomentar o ecossistema de IoT no Brasil.

A UIT é a agência especializada da ONU em telecomunicações. O setor de normatização da instituição (UIT-T) conta hoje com cerca de 190 países e mais de 700 empresas entre seus membros. Para que uma recomendação seja aprovada é necessário que haja o “de acordo” de todos os membros. O documento vai agora para revisão editorial e em seguida estará disponível gratuitamente nos seis idiomas oficiais da UIT.

Interessados em participar das discussões sobre IoT na UIT, ou em outras discussões sobre normatização internacional de telecomunicações, podem entrar em contato com a Secretaria Executiva da CBC3 por meio do e-mail: secbc3@anatel.gov.br .

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WhatsApp testa o recurso figurinhas animadas

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Foto: Reprodução / Fonte: WABetaInfo

A rede de mensagens WhatsApp vai adicionar novas figuras animadas ao recurso de adesivos. Os desenvolvedores estão trabalhando nas atualizações para Android, iOS e para a versão Web, adicionando muitas melhorias e correções de bugs. De acordo com a reportagem do WABetaInfo, o aplicativo ainda está testando a novidade, que logo deve ser incluída no pacote de adesivos.

Nestes meses, o WhatsApp vem desenvolvendo muitas ferramentas. A última delas foi o recurso de “Ignore”, para evitar que os bate-papos arquivados sejam desarquivados quando novas mensagens chegam.

Agora, é a vez das figuras animadas chegarem como parte do pacote de adesivos. Também conhecidos como Stickers, estes foram lançados em outubro de 2018 para iOS e Android, e hoje oferece 13 conjuntos de adesivos, incluindo os pré-instalados.

Além disso, essa será uma opção diferente de um GIF. Embora os GIFs sejam reproduzidos apenas por sua duração e precisem ser tocados novamente para serem reproduzidos, os adesivos continuam animados sem a necessidade de reproduzi-los.

O site já havia anunciado há algum tempo essa atualização, porém, não passou de um teste que não recebeu continuidade. Dessa vez, ainda não se sabe quando o WhatsApp vai ativar o recurso, mas as apostas são para que ele logo esteja disponível. O WABetaInfo deu uma prévia do que está por vir e disse que “o recurso funciona muito bem e que também teremos o suporte para adesivos de terceiros”.

 

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Prodepa debate Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)

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Foto: Reprodução /Fonte: Agência Pará

A Prodepa realizou, na manhã da segunda-feira (15), o workshop “Tecnologia da Informação e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – O que é e como ela impactará nas instituições”. A Lei foi sancionada em agosto de 2018 e entrará em vigor em fevereiro de 2020. Ela tem como objetivo, aumentar a privacidade de dados pessoais e o poder das entidades reguladoras em fiscalizar organizações detentoras de dados privados.

Carlos Machado, co-fundador e consultor DPO na A7 Consult, apontou a conscientização das pessoas como o principal desafio de todas as organizações que precisam se adequar a Lei. “A legislação tem um impacto muito setorial. Envolve diversas organizações, independente do porte, da área econômica, por isso um grande passo é a conscientização da população, que precisa entender qual é esse cenário, qual é o motivo das regulamentações e como ela ocorre em outros países”, ponderou.

Segundo ele, é necessária essa conscientização para que se comece a iniciar o projeto de governança de privacidade. “Ela faz parte de uma mudança de cultura na organização, não somente na área de tecnologia. É um trabalho muito grande e vai exigir mudanças nas organizações e elas precisam estar capacitadas. O prazo é muito curto para poder realizar a adequação”, frisou.

Machado acredita que casos de vazamentos e vendas de dados acenderam o alerta em relação à necessidade de atualização das leis e regulamentação da proteção da informação. “A partir do momento em que a economia da informação começa a gerar retorno financeiro, através dos nossos dados, começamos a perceber o quanto eles estão sendo utilizados e que ocorre a invasão da nossa privacidade”.

Segundo ele, “o uso dos nossos dados precisam atender a princípios e precisam ter nosso consentimento. As pessoas precisam entender o que acontecem com seus dados”, completou.

A executiva de Negócios da Oi, Maria Alesandra, foi convidada para participar como representante de empresa parceira e falou sobre a importância do Workshop. “Queremos entender como será essa adequação no que diz respeito à privacidade de dados. Nossa empresa é fornecedora da Prodepa há bastante tempo e possui interesse em acompanhá-la em todas as transformações, apoiando no que for necessário, inclusive agora com a adequação a LGPD”.

Carlos Amaro de Oliveira, responsável do setor de informática do Ministério Público de Contas dos Municípios (MPCM), parabenizou a Prodepa pelo empenho em conscientizar sobre o tema. “É muito louvável essa iniciativa da Prodepa, em trazer esse tipo de palestra, em especial sobre a forma e a responsabilidade com que nós devemos tratar da informação, a guarda e manutenção delas, a privacidade dos dados do usuário. Isso tudo é muito importante. Ainda mais para nós que atuamos na esfera pública”, afirmou.

Todo o evento foi transmitido via streaming no site da PROTV e no site da Prodepa, possibilitando o acompanhamento do evento por todas as secretarias do Estado que não puderam enviar representante.

A iniciativa foi realizada em parceria com as empresas GlobalWeb, Infoshot, A7consult e HDPO, contou com a participação de gerentes, assessores, jurídico e diretores da Prodepa, além de convidados de outras empresas, órgãos e secretarias do Estado.

Por Luiz Flávio

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