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MEIO AMBIENTE

Acusados de incêndio criminoso na APA Alter do Chão são presos preventivamente

Foto: Reprodução / RG15/O Impacto

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Na manhã desta terça-feira, 26, foi deflagrada Operação “Fogo do Sairé” na vila balneária de Alter do Chão. A Polícia Civil cumpriu mandados de prisão de quatro acusados dia incêndios provocados em setembro deste anos. Os acusados são, Marcelo Aron Cwerver, João Victor Pereira Romano, Gustavo de Almeida Fernandes e Daniel Gutierres Govino; que foram apresentados ainda nesta manhã, à 16° Seccional de Polícia Civil em Santarém.

Com o apoio de 30 policiais e seis viaturas, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão – que incluíram o recolhimento de computadores, HDs, telefones celulares, documentos, etc. As ações iniciaram às 5h e foram realizadas pela Delegacia Especializada em Conflitos Agrários de Santarém (Deca) e Núcleo de Apoio à Investigação (NAI), com o apoio da Diretoria de Polícia do Interior (DPI).

De acordo com o delegado geral da Polícia Civil, Alberto Teixeira, o inquérito instaurado para investigar as circunstâncias do ocorrido colheu indícios que apontavam para a autoria de pessoas ligadas à organização não-governamental Brigada de Incêndio de Alter do Chão, para quem foram expedidos os mandados de prisão preventiva.

O titular da DPI, José Humberto Melo Jr., confirma que, desde o início das investigações, havia suspeições de que os brigadistas tinham informações e imagens privilegiadas dos focos de incêndio. “Eles filmavam, publicavam e depois eram acionados pelo poder público a auxiliar no controle de um incêndio que eles mesmos causavam. Toda vez alegavam surpresa ao chegar no local, mas não havia outra possibilidade lógica”, justifica. A autoridade policial também informou que, com o andamento dos trabalhos, veio ao conhecimento da PC que os investimentos direcionados a essa ONG vinham de fora do país, e isso sustentou a iniciativa de uma medida cautelar solicitando a interceptação telefônica dos envolvidos. Foram mais de dois meses de investigação até haver indícios suficientes de autoria e materialidade para pedir as prisões preventivas.

Melo Jr. relata que os doadores são vistos como também vítimas nas investigações, pois estariam sendo influenciados a investir tendo acesso a fotos e vídeos desses incêndios supostamente provocados. Em uma das doações, a ONG recebeu R$ 300 mil, com uso confirmado de 1/3 desse valor. A Polícia Civil ainda não sabe o que foi feito do restante.

Fogo do Sairé – O primeiro foco de incêndio identificado na região ocorreu no dia 14 de setembro e atingiu uma área de mata conhecida como Capadócia, que fica entre a localidade de Ponta de Pedras e a vila de Alter do Chão. No dia seguinte, após as chamas serem controladas, um novo foco de incêndio foi identificado pela equipe do Corpo de Bombeiros no local.

No dia 16 de setembro, o governo do Estado montou uma força-tarefa para combater o incêndio na região. Mais de 200 homens trabalharam para conter o fogo, entre militares do estado – Bombeiros e Grupamento Aéreo de Segurança Pública do Pará (Graesp), do Exército Brasileiro e brigadistas voluntários, Prefeitura de Santarém, Polícia Civil e Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas). Ainda no mesmo dia, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Conflitos Agrários de Santarém, instaurou inquérito para investigar se o incêndio foi provocado e outras situações que envolvam crimes ambientais.

Nota da Brigada de Alter do Chão:

“Desde 2018 a Brigada de Alter tem atuado no apoio ao combate a incêndios florestais. Em agosto de 2019 houve um segundo curso dado pelos Bombeiros Militares, Defesa Civil e Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Turismo de Belterra que culminou com a formação de mais nove brigadistas voluntários. Eles têm, desde então, se empenhado diariamente em proteger a Área de Proteção Ambiental de Alter do Chão, em paralelo às suas atividades profissionais e pessoais – sempre ao lado do Corpo de Bombeiros. Nessa madrugada (26/11), a polícia se dirigiu à residência de quatro membros da Brigada com ordem de prisão preventiva. No momento, membros e apoiadores da Brigada estão apurando o que levou a esse fato. Estamos em choque com a prisão de pessoas que não fazem senão dedicar parte de suas vidas à proteção da comunidade, porém certos de que qualquer que seja a denúncia, ela será esclarecida e a inocência da Brigada e seus membros devidamente reconhecida. Estamos sem acesso à nossa conta do Instagram por onde normalmente nos comunicamos com os nossos apoiadores, esperamos que tudo se restabeleça o quanto antes.”

Nota Projeto Saúde e Alegria:

“O Projeto Saúde e Alegria foi surpreendido nesta manhã com a busca e apreensão de documentos pela Polícia Civil.Não existe no momento nenhum procedimento contra o Projeto Saúde e Alegria, mas apenas a apreensão de documentos institucionais no âmbito de um inquérito a respeito do qual ainda não temos acesso a nenhuma informação. Reforçamos que estamos colaboramos com as investigações. A Instituição acredita no Estado Democrático de Direito e espera assim como todos os que estão acompanhando, o mais rápido esclarecimento dos fatos.”

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