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Ajudante de pedreiro, trabalhador em gráfica; veja como os jogadores do Parazão planejam vida sem a bola rolando

Com duas filhas para criar, Caeté vai atuar como ajudante de pedreiro (Divulgação)

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Impacto financeiro atinge atletas de clubes menores do campeonato

O impacto da paralisação do Campeonato Paraense, em função da pandemia do novo coronavírus, atinge, em cheio, os atletas de clubes de médio e pequeno porte. Muitos não são jogadores profissionais, de fato – considerando que se dividem com outras atividades assim que as competições regionais cessam. E diante do cenário de indefinições, sem previsão para a retomada do Campeonato Paraense, há quem já procure alternativas para que o impacto financeiro na própria família seja amenizado.

O atacante Caeté, do Tapajós, equipe que luta contra o rebaixamento no Parazão, conversou com a reportagem e alegou que o clube acordou que vai pagar somente os dias trabalhados do mês de março. “Cheguei dia 11 de janeiro, nos pagaram dois meses cheios. Esse último mês vão ser pagos 19 dias trabalhados”, explicou. 

A imprevisibilidade do fato gera impactos na renda da família do jogador, que tem duas filhas e, portanto, uma série de compromissos financeiros. Para honrá-los, Caeté planeja a retomada da carreira de ajudante de pedreiro em Interior de Santa Luzia do Pará. “Eu tenho duas filhas pequenas. Moro no interior e tenho muitos gastos. Se o campeonato tivesse rolando, creio que estaria empregado em algum clube. É a vida, Infelizmente, agora só nos resta treinar e ter fé que acabe logo isso aí”, disse. “A parte financeira, dinheiro, complicou bastante. Estava contando com o dinheiro para comprar algumas coisas para as meninas”, ressaltou. “Tem uma construção aqui, de uma praça, e vão pegar uns ajudantes. Vou entrar nessa situação ai. Juntar dinheiro e sustentar a família”, disse. 

Caeté explicou que ganha diária como ajudante de pedreiro, faturando entre R$35 a 40 reais. “Só para não ficar parado mesmo”, argumenta. 

Renan 

Há quem teve mais sorte. O lateral-esquerdo Renan, do Paragominas, uma das quatro equipes do G4 do Parazão, ainda mantém contrato com o clube, que aguarda a sequência do campeonato com expectativa – já que está na luta por uma das vagas nas competições nacionais – como Copa do Brasil e Série D. “Meu contrato continua ativo até o momento. Até porque vai ter uma reunião agora dia seis pra decidir mesmo se vai continuar o campeonato. Estamos em quarto colocado e, praticamente, classificados”, diz. 

Renan treina a parte física para não ser surpreendido caso o Parazão seja retomado de forma abrupta. Ano passado, o lateral chegou a jogar a Série D pelo Bragantino. Ainda conforme o atleta, quando a disputa chega ao fim e não tem possibilidade de prosseguir a carreira de jogador, ele atua numa gráfica na atividade de sublimação de camisas. Em uma espécie de atividade extra, não oficializada nos órgãos de registro profissional. Por sorte, quando firma contrato em clubes de futebol, Renan é liberado. “Meu patrão gosta de futebol”, diz. 

Matheus Lima

Treinador do Tapajós, Matheus Lima informou que o clube aguarda a definição sobre a sequência do campeonato, contudo, tem uma posição formada. “O presidente quer que encerre às atividades, considerando os prejuízos que teria em caso de manutenção do elenco”. Matheus faz uma analogia. Segundo ele, a maioria dos atletas do Parazão são como profissionais liberais. “Se for encerrado, será difícil. Somos que nem alguns autônomos, que trabalham por conta própria. Vamos ficar na mesma situação….”, disse, alegando que ficaria sem renda fixa. Para solucionar o problema, Lima sugere um fundo organizado pela entidade máxima do futebol brasileiro. “Precisaria de um amparo da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Eu guardo umas reservas. Depois que acabar, fica difícil. É uma situação preocupante”.

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